SPMO11 Supremo Fundo de Investimento Imobiliario – Cotação Hoje
Supremo Fundo de Investimento Imobiliario
CNPJ: 40225262000179
SPMO11 (Supremo Fundo de Investimento Imobiliario) é um fundo de investimento imobiliário (FII) do setor de Fundos Imobiliários. No pregão de hoje, o ativo é negociado a R$ 120,00, registrando variação de +0.00% no dia.
Selo de Investimento:
⚠️ AtençãoAtende a 1 de 11 critérios. Alguns múltiplos de valuation, histórico ou liquidez exigem atenção.
Checklist Fundamentalista de 11 Critérios
Critérios de consistência e valuation auditadosRetorno em dividendos nos últimos 12 meses superior a 6% ao ano
Pagamento regular de rendimentos em pelo menos 10 dos últimos 12 meses
Cota negociada sem ágio exagerado sobre o valor patrimonial
Ausência de desconto extremo que possa sinalizar vacância crônica ou risco de crédito
Sem quedas abruptas (superiores a 30%) no valor médio distribuído recentemente
Fundo de porte relevante com maior capacidade de diversificação e resiliência
Volume diário adequado para negociação ágil e spreads reduzidos no book
Atuação em setor com histórico maduro de geração de renda imobiliária
Histórico operacional comprovado em diferentes ciclos econômicos
Rendimentos saudáveis sem sinais de amortizações ou distribuições extraordinárias
Nível de ocupação saudável dos imóveis para garantir a receita de aluguéis (Ignorado para fundos de papel)
Método Barsi (Preço Teto 6% a.a.)
Estratégia focada em renda imobiliária com cálculo do preço máximo da cota para obter no mínimo 6% ao ano em proventos com base nos rendimentos dos últimos 12 meses.
Relatório Mensal CVM & Composição Patrimonial
Resumo Fundamentalista de SPMO11
O ativo SPMO11 (Supremo Fundo de Investimento Imobiliario) está sendo negociado hoje a R$ 120,00, acumulando uma variação de +0.00% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 120,00 e a máxima de R$ 122,00. O fundo atua no segmento de Fundo Imobiliário (FII), registrando um Dividend Yield (12M) de 0,00% e indicador P/VP de 1,00x.
Histórico de Cotação: SPMO11
Evolução do preço diário oficial e indicadores de tendência
Indicadores do Fundo Imobiliário (FII)
Sobre a SPMO11
O SUPREMO FUNDO DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO (SPMO11) é um fundo de investimento imobiliário listado na B3. O fundo possui mandato de não informado e atua no segmento de Multicategoria, com gestão Ativa.
Dividendos
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Duelos 1 contra 1 de valuation, dividendos, preço teto e múltiplos fundamentalistas.
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Lula aos 80 anos: a 'última dança' do presidente em sua eleição mais difícil
Lula aos 80 anos: a 'última dança' do presidente em sua eleição mais difícil Crédito, Reuters Legenda da foto, Lula afirma que esta é sua última campanha presidencial e que, se eleito, vai fazer "mandato histórico" Author, Leandro Prazeres* Role, Da BBC News Brasil em Brasília Published Há 9 minutos Tempo de leitura: 17 min Carregando Carregando No palco acarpetado montado no estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, na região do ABC Paulista, Lula (PT) olhava para a plateia acenando com bandeiras e faixas comemorando o lançamento de sua sétima campanha presidencial. Era domingo, 16 de agosto. O local havia sido escolhido por ter sido o mesmo lugar de onde Lula liderou uma greve de metalúrgicos que pavimentou o caminho entre o sindicalista e o político. "Eu passei a noite inteira conversando com muita gente. Preparando coisas para falar porque são 47 anos de história. Se eu for começar a contar aqui, só vou terminar depois das eleições", disse Lula. Coincidência ou não, a atenção que Lula dava ao seu legado durante aquele discurso foi, de alguma forma, a marca de sua campanha. Ao longo da campanha de 2026, Lula procurou estabelecer um contraste entre sua trajetória política e a de seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), com quem disputa neste domingo (25/10) o segundo turno da eleição presidencial. "(Flávio) não tem passado, não tem presente e não tem futuro. Esse rapaz nunca trabalhou na vida. Esse rapaz foi vereador com 21 anos e seguiu a carreira dele ganhando dinheiro público", disse Lula em entrevista ao podcast Flow antes do primeiro turno. A aposta no próprio legado, porém, não foi suficiente para garantir ao presidente a liderança nas urnas. Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45,16% de Lula — uma diferença de 1,87 ponto percentual, ou cerca de 2,2 milhões de votos. Lula também teve menos votos do que em 2022 em todos os Estados do Nordeste, região que historicamente constitui uma de suas principais bases eleitorais. Analistas ouvidos pela BBC News Brasil e integrantes da campanha de Lula afirmam que esta pode ser a eleição mais difícil disputada pelo petista desde que chegou ao poder. O histórico das eleições presidenciais brasileiras dá uma dimensão do desafio: nenhum candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar conseguiu virar o resultado e vencer a disputa no segundo turno. Esta, porém, é a eleição com a menor diferença entre o primeiro e os segundo colocado: 2,2 milhões de votos, ou 1,87 ponto percentual. A desvantagem levou a campanha petista a rever sua estratégia. Lula passou a enfatizar os riscos que, segundo ele, a eleição de Flávio representaria para programas sociais, como Bolsa Família. O presidente também procurou ampliar sua presença nas redes sociais e apostou em pautas com forte apelo eleitoral, como aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso. Nas ruas, milhares de pessoas participaram de atos de campanha, em mobilizações que não se viam desde 2022. Crédito, Reuters Legenda da foto, Presidente participou de manifestações em diversos Estados em apoio a sua candidatura A possibilidade de uma derrota se tornou um cenário incomum para um político que, desde 2003, venceu três eleições presidenciais, foi reeleito e ajudou a eleger sua sucessora. A trajetória de Lula até o Planalto, porém, foi longa. O metalúrgico que ganhou projeção nacional ao liderar greves no ABC paulista durante a ditadura militar participou da fundação do PT, em 1980, e chegou à Assembleia Nacional Constituinte como deputado federal, em 1986. A primeira tentativa de chegar à Presidência veio em 1989, quando perdeu no segundo turno para Fernando Collor de Mello. Em 1994 e 1998, voltou a disputar o cargo, mas foi derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso. A vitória veio em 2002, depois de uma mudança na estratégia eleitoral. Lula ampliou alianças e adotou um discurso voltado também a empresários e setores da classe média, movimento associado à imagem do "Lulinha paz e amor". Reeleito em 2006, deixou o governo em 2010 com 83% de aprovação, , o suficiente para suficiente para ajudar a eleger Dilma Rousseff (PT), que até então nunca havia disputado uma eleição. Quatro anos depois, Dilma foi reeleita. Anos depois, a Operação Lava Jato mudaria novamente os rumos de sua trajetória. Lula foi preso em 2018 e ficou impedido de disputar aquela eleição. Escolhido para disputar pelo PT no lugar de Lula, Fernando Haddad foi derrotado por Jair Bolsonaro, então no PSL, naquele outubro de 2018. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou suas condenações, devolvendo-lhe os direitos políticos. No ano seguinte, Lula voltou à disputa eleitoral e derrotou Jair Bolsonaro no segundo turno, por uma margem estreita. A vitória de 2022 representou o retorno de um político que muitos adversários julgavam fora do jogo. Agora, aos 80 anos, Lula tenta conquistar um quarto mandato presidencial — e afirma que esta será sua última campanha pelo cargo. Em 20 de outubro, durante um comício em São Luís, no Maranhão, o presidente disse a apoiadores: "Essa é a minha última campanha para presidente da República, última campanha. E esse mandato quero que seja histórico". Uma eleição mais difícil que o esperado A dificuldades mostrada nas urnas contraria avaliações feitas por integrantes da própria campanha meses atrás. Em abril, o ministro do Desenvolvimento Social Wellington Dias, um dos coordenadores da campanha de Lula, disse em entrevista à BBC News Brasil que 2026 oferecia condições melhores ao presidente do que a eleição de quatro anos antes. Dias afirmou que não existia eleição fácil, mas classificou 2022 como uma "missão impossível". Naquela ocasião, Lula estava fora do governo e enfrentava Jair Bolsonaro (PL) em pleno exercício da Presidência. Questionado diretamente se 2026 seria mais favorável, Dias respondeu que Lula disputaria "num ambiente e numa condição melhor" e que as chances de vitória eram superiores. Seis meses depois, o favoritismo não se confirmou. "Eu acho que essa é a mais difícil entre as que Lula tinha chances reais de vencer", afirma o Cláudio Couto, professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Em 2022, lembra ele, o petista passou boa parte da campanha à frente de Jair Bolsonaro nas pesquisas. Agora, mesmo no exercício da Presidência, frequentemente apareceu muito próximo ou atrás de Flávio em diferentes levantamentos. Flávio aparece dois pontos à frente de Lula no Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, atualizado com as últimas pesquisas antes do segundo turno. Para Couto, as dificuldades enfrentadas por Lula são resultado de uma série de fatores. O primeiro seriam as mudanças estruturais no Brasil. Ele aponta que as mudanças nas aplicações de emendas parlamentares mudaram a correlação de forças no Congresso e isso afetou a forma de governar. "Sem as emendas para negociar, o governo perdeu parte da sua capacidade de organizar seus projetos e, com isso, fazer avançar a sua agenda", disse o professor. O segundo fator é a persistência e a intensidade da polarização política no Brasil. "O Brasil tinha polarização entre PT e PSDB, quando Lula perdeu e venceu eleições, mas hoje o cenário está muito mais radicalizado. Hoje, até mesmo o Centrão, que sempre oscilava na direção do governo, entendeu que não precisa mais ajudar na governabilidade, até porque tem acesso às emendas. No final, essa radicalização tornou o espaço para governar muito mais estreito", explica Couto. Couto destaca ainda um fator interno que mudou em relação aos outros mandatos de Lula. "Nós vimos um presidente aparentemente menos disposto a negociar do que anteriormente. É claro que isso também pode ser resultado dessa mudança estrutural. Lula deve olhar e pensar: como é que eu vou me meter nessa confusão?", aponta o professor. Bons números, pouco conforto eleitoral As dificuldades enfrentadas por Lula em seu terceiro mandato vão, em tese, na contramão de parte dos dados da economia. A taxa de desemprego está em 5,3%, a menor taxa da série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O rendimento médio mensal chegou a R$ 3,7 mil no último trimestre, o maior já registrado na série histórica. São números que dialogam com uma das marcas históricas de Lula: a associação de seus governos com aumento da renda, programas sociais e redução da pobreza. Mas a percepção do eleitor parece não acompanhar integralmente esses indicadores. Às vésperas da eleição, 41% dos entrevistados pelo Datafolha avaliavam o governo negativamente, enquanto 35% o consideravam ótimo ou bom. Pessoalmente, 49% reprovavam Lula e 48% o aprovavam. Uma parte dessa diferença pode ser explicada pelo orçamento doméstico. Em agosto, 82% das famílias tinham dívidas a vencer, maior proporção da série histórica da Confederação Nacional do Comércio (CNC). A inadimplência atingia 29,9%, ainda de acordo com a instituição. Nas últimas semanas, o governo reagiu. Em setembro, anunciou um reajuste de 15% no Bolsa Família. Nove dias antes do primeiro turno, Lula também proibiu o funcionamento das casas de apostas, conhecidas como bets, num momento em que o governo tentava associar o setor ao endividamento e à perda de renda familiar. Mas, durante boa parte da campanha, as principais discussões estiveram longe de desemprego, renda ou políticas sociais. Investigações policiais, o Banco Master, fraudes no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), crise no Supremo Tribunal Federal e uma disputa religiosa baseada numa informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida acabaram dominando semanas importantes da campanha antes do primeiro turno. Vorcaro e a crise no Supremo Crédito, Victor Piemonte/STF Legenda da foto, Crise do Banco Master atingiu ministros do STF, entre eles Alexandre de Moraes, o que se tornou um problema para Lula A primeira grande crise que mudou os rumos da campanha envolveu o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Ele está preso desde março deste ano e é suspeito de ter cometido fraudes financeiras. Inicialmente, o caso parecia atingir sobretudo Flávio. Em plena campanha, vieram a público conversas em que o senador cobrava de Vorcaro aportes para financiar Dark Horse, uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Segundo informações divulgadas na época, Vorcaro teria transferido ao menos R$ 61 milhões para o projeto, num acordo que poderia chegar a R$ 134 milhões. Flávio negou qualquer ilegalidade e disse que o pedido se tratava de uma transação privada na busca por financiar um filme sobre a história de seu pai. O caso, no entanto, é alvo de inquérito na Polícia Federal, e tem Flávio entre os investigados. O caso, no entanto, atingiu outros políticos. Um dos nomes envolvidos foi do senador Jaques Wagner (PT-BA), que acabou deixando a liderança do governo no Congresso Nacional. Segundo as investigações, Wagner teria recebido vantagens indevidas de um sócio de Vorcaro. Wagner, no entanto, nega irregularidades. A crise também chegou ao Supremo. O episódio de maior repercussão para o governo envolveu o ministro Alexandre de Moraes. Vieram a público informações sobre um contrato de R$ 129 milhões entre empresas ligadas a Vorcaro e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro. O escritório negou irregularidades e disse que Moraes nunca teria atuado em casos envolvendo o Master ou Vorcaro. Relatórios da Polícia Federal, no entanto, apontaram que Vorcaro enviou mensagens a um contato atribuído ao ministro do Supremo. Entre os temas tratados estaria a possibilidade de prisão do banqueiro. Moraes nega ter trocado as mensagens com o banqueiro. O ministro André Mendonça, responsável pelo caso, pediu um relatório à Polícia Federal e defendeu a abertura de investigação sobre Moraes. A partir daí, a investigação sobre o Banco Master produziu uma crise dentro do próprio Supremo. Para Lula, a crise era um problema. Moraes já era um dos principais alvos da direita. Foi ele o relator do processo que levou Jair Bolsonaro a ser condenado a 27 anos de prisão pela tentativa de golpe de Estado. Ao longo de seu mandato, Lula fez seguidas defesas públicas do Supremo diante dos ataques do bolsonarismo. Analistas avaliam que essa proximidade institucional permitiu à oposição tentar transferir parte do desgaste de Moraes para o presidente. Apesar de não ser possível mensurar o impacto na campanha de Lula, o risco ganhou dimensão eleitoral após o primeiro turno, quando o petista terminou atrás de Flávio Bolsonaro. No dia seguinte, em reunião com aliados, Lula reconheceu o peso da crise e afirmou estar "carregando nas costas" a "promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira". O presidente também defendeu discutir novos critérios para a escolha dos ministros e a possibilidade de estabelecer mandatos para os integrantes do tribunal. A sombra da Lava Jato Crédito, Ricardo Stuckert/Divulgação Legenda da foto, Lula foi preso em 2018 após condenação em segunda instância no âmbito da Lava Jato A Operação Lava Jato deixou uma marca duradoura na trajetória política de Lula. O presidente chegou a ser condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, ficou 580 dias preso e foi impedido de disputar a eleição de 2018. Em 2021, porém, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações por entender que a Justiça Federal de Curitiba não era competente para julgar os casos e, no processo do tríplex, reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro. Em outros processos, Lula foi absolvido ou as acusações foram arquivadas ou deixaram de poder resultar em punição. Lula sempre negou as acusações. Hoje, o petista não responde a ações judiciais decorrentes da operação. Ainda assim, o histórico da Lava Jato continua a ser explorado por adversários políticos, como Flávio Bolsonaro, que voltou a citar as condenações durante o debate do segundo turno. O retorno da corrupção ao debate Ainda que Lula não figure como investigado, suspeitas envolvendo seu filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, pressionam a campanha do presidente. O nome de Lulinha surgiu no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga descontos irregulares em aposentadorias e pensões do INSS. Atualmente, ele vive com a família em Madri, na Espanha, e é alvo de três inquéritos no STF, autorizados entre o fim de julho e o início de agosto, a pedido da Polícia Federal. As investigações apuram suspeitas de tráfico de influência e possível favorecimento de empresas em negócios com o governo federal. Uma delas investiga se Lulinha teria atuado para beneficiar uma empresa de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", na venda de produtos à base de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde. Outra apura possível favorecimento de empresários em contratos com a Dataprev, enquanto a terceira investiga a suposta atuação de um grupo para favorecer empresas junto ao governo federal. Lulinha admitiu ter acompanhado Antunes em uma viagem a Portugal, em 2024, para visitar uma fábrica de cannabis medicinal. As passagens e a hospedagem foram pagas pelo empresário. O filho do presidente, porém, afirma que não recebeu pagamentos dele e diz não ter conhecimento das atividades de Antunes relacionadas às fraudes no INSS. Sua defesa nega irregularidades. Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Lulinha (ao centro, de blusa preta) é um dos filhos de Lula Outro nome central nas apurações é o da empresária Roberta Moreira Luchsinger, apontada como amiga próxima de Lulinha e elo entre o filho do presidente e Antunes. Ela também é investigada pela PF por suspeitas de tráfico de influência e de atuação para favorecer empresas interessadas em contratos com o governo federal. Em entrevista à CNN Brasil no sábado (17/10), Roberta afirmou estar disposta a negociar um acordo de delação premiada e acusou a Polícia Federal de agir para proteger Lulinha. Mensagens obtidas pelos investigadores indicam que ela teria tratado de negócios com o governo e se referido ao filho do presidente como seu "sócio". As defesas dos envolvidos negam irregularidades. No caso de Marcola, a crise ganhou força após a revelação de que Roberta teria pago R$ 249 mil em despesas pessoais do ex-chefe de gabinete, incluindo joias, faturas de cartão, boletos e parcelas de financiamento. Marcola confirmou ter recebido os valores, mas afirmou que se tratava de um empréstimo pessoal, já quitado, sem relação com sua função pública. Ele deixou o cargo em julho. Na ocasião, Lula disse que a relação entre os dois gerava suspeitas no Planalto e afirmou que, se Marcola tivesse cometido algum erro, deveria responder por isso. Roberta, por sua vez, nega ter usado relações pessoais para favorecer ilegalmente empresas. O caso produziu uma situação constrangedora para Lula em um dos palcos mais importantes da campanha. Em entrevista à TV Globo, Lula disse que não conhecia Roberta. "Não conheço essa moça [a lobista Roberta Luchsinger], nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próximo de mim", disse Lula durante a entrevista. Minutos depois, contudo, adversários passaram a divulgar fotografias em que a empresária aparecia ao lado dele em diferentes ocasiões. A campanha de Lula foi obrigada a divulgar uma nota dizendo que as fotos não significavam que houvesse um relacionamento pessoal entre ambos. Roberta também foi citada por Flávio Bolsonaro no primeiro debate entre os candidatos, promovido pela Band. O senador acusou o governo Lula de "roubar" aposentados, em referência às fraudes no INSS. Lula afirmou acreditar na inocência do filho, mas disse que as suspeitas precisam ser apuradas. Sobre Roberta, defendeu que ela fosse investigada pela Polícia Federal. A religião no centro Crédito, Reprodução/Instagram A reta final também trouxe de volta um tema que havia tido, até então, um peso menor do que em 2022: religião. Uma das principais controvérsias surgiu de uma informação falsa segundo a qual Flávio Bolsonaro teria prometido retirar Nossa Senhora Aparecida da condição de padroeira do Brasil para agradar setores evangélicos. Flávio, porém, nega ter apoiado a ideia. Para o antropólogo Juliano Spyer, porém, a repercussão do episódio expõe tensões mais profundas. "Não é um tema voltado à agenda católica. Ele é um tema que trata das diferenças entre o catolicismo e o protestantismo", afirma. A discussão tocou numa das principais vulnerabilidades eleitorais de Lula. Na pesquisa Meio/Idea divulgada na semana do segundo turno, Flávio tinha 69,5% das intenções de voto entre os evangélicos. Lula, 25,9%. Entre os católicos, a relação se invertia: Lula tinha 55%, contra 39,6% de Flávio. A pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 pessoas acima de 16 anos por telefone entre os dias 15 e 19 de outubro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. Spyer afirma, no entanto, que ele esperava que Lula tivesse feito, em seu terceiro mandato, um movimento de maior aproximação com o eleitorado religioso e conservador. "Eu não vi nada de significativo mudar", diz. Segundo ele, Lula parece ter encontrado uma espécie de teto em torno de 30% nesse segmento. A soberania como bandeira Crédito, Reuters Outro elemento distinto desta campanha foi a presença dos Estados Unidos. Desde o aumento das tensões com o governo de Donald Trump, marcadas pela imposição de tarifas sobre produtos brasileiros em julho de 2025 e de 2026, Lula passou a utilizar a defesa da soberania brasileira como uma das suas principais bandeiras de campanha. O discurso apareceu em temas que vão das tarifas comerciais às reservas de minerais críticos e terras raras. Em um ato de campanha em setembro, por exemplo, Lula afirmou ter dito a Trump que qualquer tentativa de interferência americana na eleição produziria efeito contrário. "Se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém", disse. Na Assembleia Geral da ONU, afirmou que "a democracia brasileira pertence aos brasileiros". Auxiliares de Lula dão como certo que o governo dos Estados Unidos tentou interferir nas eleições deste ano. Segundo eles, os EUA preferem um presidente mais amigável aos interesses norte-americanos e Flávio já teria demonstrado e prometido um alinhamento automático com o governo do presidente Trump. No primeiro turno, o governo Lula pediu a abertura de uma investigação sobre o repasse de recursos do governo norte-americano a organizações não-governamentais que atuem contra decisões do STF. Um auxiliar de Lula ouvido pela BBC News Brasil em caráter reservado disse que Lula não vê a atuação dos EUA como obra direta de Trump. Segundo ele, Lula e Trump teriam um bom relacionamento. O alvo das críticas mais pesadas de Lula é o secretário do Departamento de Estado norte-americano, Marco Rubio, a quem Lula já chamou de latino-americano frustrado. Tentativa de virada Crédito, Reuters Legenda da foto, Manifestações de apoio a Lula foram registradas em diversas partes do país após o primeiro turno Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio Bolsonaro, Lula intensificou a busca por votos e passou a dar mais destaque a medidas de apelo popular. Uma das principais bandeiras foi o fim da escala 6x1. A proposta, que avançou no Congresso antes do segundo turno, foi promulgada em 16 de outubro, com Lula presente à cerimônia. Na área social, o governo antecipou o calendário de pagamentos de outubro do Bolsa Família, que havia sido reajustado em 15% antes do primeiro turno, elevando o benefício médio para R$ 691. Já em 21 de outubro, enviou ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição para instituir transporte público gratuito aos fins de semana e feriados. No mesmo dia, anunciou medidas relacionadas ao teto de faturamento do microempreendedor individual (MEI) e ao perdão de dívidas da categoria. A proposta de transporte gratuito ainda depende de aprovação do Congresso. Na segurança, Lula fez um aceno a uma pauta historicamente associada à direita. Em entrevista ao Jornal Nacional, em 15 de outubro, afirmou ser favorável à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. A declaração destoou da posição tradicional do PT e veio em meio à disputa com Flávio pelo discurso de combate à criminalidade. A campanha ganhou reforço nas ruas. Em 11 de outubro, primeiro fim de semana após o primeiro turno, milhares de apoiadores participaram de atos em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. As mobilizações se espalharam por todo o país, numa tentativa de ampliar a presença pública da candidatura. No sábado (24/10), apoiadores de Lula foram às ruas em várias cidades do Brasil na reta final da campanha. Crédito, SEBASTIAO MOREIRA/EPA/Shutterstock Legenda da foto, Lula entre apoiadores na véspera do segundo turno na Avenida Paulista, em São Paulo. A busca pela virada também passou pelas redes sociais. Depois do primeiro turno, Lula ganhou um "exército digital" liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG), responsável por administrar o canal de WhatsApp "Exército do Lula", que virou uma ferramenta de mobilização de apoiadores. O espaço passou a distribuir vídeos, mensagens e orientações — as chamadas "missões" — para que os participantes compartilhassem conteúdos da campanha e ampliassem seu alcance nas redes. O canal se tornou alvo de uma disputa na Justiça Eleitoral. Em 11 de outubro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes, determinou sua suspensão a pedido da campanha de Flávio. Depois de uma sequência de decisões e do registro do canal pela campanha de Lula, o espaço voltou a funcionar e, na manhã deste domingo, somava quase 11 milhões de seguidores. A última dança Para o sociólogo e ensaísta Celso Rocha de Barros, autor do livro "PT, uma história", a eleição de 2026 deverá encerrar um ciclo político. "Acho que o Lulismo, como o conhecemos, deve ou acabar ou se tornar outra coisa independente do resultado. Lula não concorrerá mais a presidente depois dessa eleição, ganhando ou perdendo", disse. Ele aponta três elementos que tornaram esta eleição diferente. O primeiro foi a suposta atuação do governo de Donald Trump no Brasil, a pedido de adversários de Lula. O segundo foi o escândalo do Banco Master, que atingiu políticos e integrantes do Supremo Tribunal Federal. O terceiro é a possibilidade de retorno ao poder do campo político associado à tentativa de golpe de Estado depois das eleições de 2022. "Acho que a principal diferença é o adversário. A disputa entre PT e PSDB era sobre resultados econômicos. O PSDB ganhou fácil enquanto entregou bons resultados. O PT ganhou fácil quando fez a mesma coisa. Agora, os adversários são os caras que tentaram o golpe em 2022 e podem tentar de novo se ganharem. Quando o PT perdia para o PSDB, xingava o neoliberalismo e quinze minutos depois seguia com sua vida", diz o sociólogo. Para Barros, há outra coisa em jogo. "Perder para os golpistas é, também, se tornar vulnerável à perseguição política", complementa. O fim do Lulismo, segundo Barros, levanta questões sobre quem irá suceder Lula no campo da esquerda. "O sucessor natural de Lula era (Fernando) Haddad, que como ministro da Economia pegou uma conjuntura muito difícil, o cenário pós-covid de juros altos e inflação alta que vem derrubando candidatos incumbentes no mundo todo", afirma. É por isso que, para Celso Rocha de Barros, uma eventual vitória de Lula teria um significado que ultrapassaria a política brasileira. "Se Lula ganhar, vai ter sido um dos poucos líderes mundiais dos últimos anos a vencer essa conjuntura", afirma. Celso Rocha de Barros avalia que o resultado das eleições deste ano podem definir quem ocupará o Palácio do Planalto pelos próximos quatro anos, mas não resolverá a questão que se abre para os dois principais campos políticos do país. À esquerda, independentemente do resultado, começará a disputa sobre o que virá depois de Lula.
Flávio Bolsonaro: o herdeiro de Jair tenta levar o clã de volta ao Planalto
Flávio Bolsonaro: o herdeiro de Jair tenta levar o clã de volta ao Planalto Crédito, Reuters Published Há 7 minutos Tempo de leitura: 19 min Carregando Carregando "Não é à toa que você é o Bolsonaro moderado", diz Fernanda, esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em um vídeo publicado nas redes sociais do casal em abril. "Reeduquei ele", acrescenta. A fala ajuda a resumir a imagem que a campanha procurou projetar: a de um Flávio mais moderado e com identidade própria, embora carregue o sobrenome do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa estratégia também apareceu em temas concretos ao longo da campanha. Flávio, que já havia chamado o Bolsa Família de "bolsa-farelo" e criticado o fim da escala 6x1, recuou dessas posições: passou a defender a manutenção do programa social em seu plano de governo e votou a favor da redução da jornada de trabalho no Senado. Neste domingo (25/10), Flávio disputa a Presidência da República contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), depois de terminar o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. "Eu estou muito feliz com o resultado que eu assisti agora, quase 56 milhões de brasileiros e brasileiras me dando voto de confiança para mudança. Essa é a leitura de hoje: o Brasil quer mudança", afirmou o senador após o resultado do primeiro turno. "Está decretado o fim da era do PT, a mudança no nosso país", acrescentou. Filho mais velho de Jair, Flávio chega à reta final da campanha com a possibilidade de levar novamente um Bolsonaro ao Palácio do Planalto. Se vencer, poderá impor a Lula o mesmo desfecho que o petista impôs a seu pai em 2022: a derrota na tentativa de reeleição. Jair Bolsonaro foi o primeiro presidente brasileiro a não conseguir um segundo mandato consecutivo desde que a reeleição passou a ser permitida, em 1997. O senador também conta com a simpatia e o apoio — ainda que não publicamente declarado— de Donald Trump e mantém laços políticos com o governo americano, acusado por parlamentares democratas e independentes dos Estados Unidos de tentar interferir na eleição brasileira e favorecer Flávio. Caso eleito, Flávio contará com uma bancada expressiva de aliados no Congresso — o PL terá a maior bancada na Câmara dos Deputados em 2027 — e deve encontrar receptividade no mercado financeiro, onde sua candidatura é associada à expectativa de maior disposição para cortar gastos e ajustar as contas públicas. Há, porém, desafios. As promessas de buscar uma forma de libertar o pai, condenado por tentativa de golpe de Estado, e de indicar até cinco ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) colocam a relação com o Judiciário entre as questões centrais de um eventual governo. A entrada na política aos 19 anos e o passado no Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro começou cedo na política, antes mesmo de sua primeira eleição. Ainda no ano 2000, aos 19 anos, foi nomeado para um cargo na Câmara dos Deputados, na função de assistente técnico de gabinete na liderança do PPB, então o partido de Jair Bolsonaro. Segundo declaração do Imposto de Renda de Flávio, o cargo de assistente técnico de gabinete rendeu em 2001 o equivalente a R$ 4.712 por mês, ou R$ 13,5 mil em valores corrigidos. Uma investigação da BBC News Brasil, porém, levantou indícios de que Flávio seria um funcionário fantasma. Na mesma época em que estava lotado nesse cargo, que exigia presença em Brasília, o hoje senador tinha duas atividades presenciais no Rio de Janeiro: a faculdade de direito e um estágio voluntário na Defensoria Pública. Procurado em 2019, quando a reportagem foi publicada, o senador não quis responder aos questionamentos da BBC News Brasil. Anos após ter ocupado esse cargo na Câmara, Flávio se tornou alvo da denúncia de que teria servidores fantasmas em seu próprio gabinete. O caso veio à tona no final de 2018, pouco depois de seu pai ser eleito presidente da República, após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontar movimentação milionária na conta de Fabrício Queiroz, chefe de gabinete de Flávio na Alerj, incompatível com seu salário. Sua estreia nas urnas, no entanto, foi em 2002, quando tinha apenas 21 anos. Naquela eleição, Flávio conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual, apoiado pelo pai, que já era deputado federal havia mais de uma década. Crédito, Reprodução / Instagram / Flavio Bolsonaro Legenda da foto, Queiroz disse que coletava parte do salário de funcionários do gabinete de Flávio sem conhecimento do parlamentar Depois, em 2020, Queiroz foi denunciado pelo Ministério Público de ser o operador de um esquema que recolhia parte do salário dos funcionários do antigo gabinete de Flávio em benefício do parlamentar, o que configuraria a chamada rachadinha. Segundo a denúncia, 12 funcionários fantasmas receberam, no total, R$ 6,1 milhões, em valores da época. Desse montante, o Ministério Público afirma que ao menos R$ 2 milhões foram comprovadamente para a conta de Queiroz e outros R$ 2 milhões foram disponibilizados à organização criminosa por meio de saques em espécie. Entre as ações suspeitas estavam depósitos fracionados em dinheiro vivo feitos por Queiroz na conta de Flávio Bolsonaro e de sua esposa que, segundo a denúncia, coincidiram com o vencimento de parcelas de financiamentos para adquirir dois imóveis no Rio de Janeiro. Além disso, os promotores identificaram que Queiroz pagou com dinheiro vivo 169 boletos referentes a pagamentos da escola das filhas de Flávio Bolsonaro e do plano de saúde da família entre 2013 e 2018, somando R$ 247 mil, em valores da época. Durante as investigações, Queiroz admitiu que recebia parte dos salários dos funcionários, mas disse fazer isso sem anuência de Flávio, o que não convenceu o Ministério Público. Na versão de sua defesa, os recursos eram usados para contratar informalmente outras pessoas para atuar em apoio à atuação parlamentar do então deputado estadual. "Nunca teve início um processo criminal contra mim. Eu nunca respondi criminalmente por isso. Foram mais de 30 assessores meus que foram investigados, quebra de sigilo de 11 anos para trás. Essa devassa", disse Flávio Bolsonaro em abril, ao responder sobre as acusações em entrevista ao podcast Inteligência Ltda.. "O que o Queiroz tinha ali no gabinete, ele cuidava de uma parte da minha assessoria que trabalhava em rua, fazia panfletagem, fazia eventos e tal, e ele tinha autonomia sobre esse pessoal e ele fala que ele fazia isso", continuou, repetindo a versão de Queiroz de que o dinheiro que recebeu de funcionários do gabinete de Flávio não era "rachadinha", mas servia para ele contratar mais pessoas informalmente. Para o filho mais velho de Bolsonaro, as denúncias eram perseguição política para atingir o governo do pai. "Eu passei 16 anos da minha vida sem ter uma acusação de nada. Bastou o presidente se eleger que começam a aparecer as narrativas", afirmou. Flávio chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em 2019 pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. O caso, porém, foi paralisado por decisões judiciais sem que o mérito das acusações fosse julgado, após controvérsias em torno do foro privilegiado do senador e da legalidade das provas. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), por exemplo, anulou decisões da 27ª Vara Criminal do Rio de Janeiro que permitiram a quebra de sigilo bancário e fiscal do parlamentar e de pessoas relacionadas a ele, porque considerou que a medida não foi devidamente fundamentada. Já o STF anulou relatórios feitos pelo Coaf que embasaram a investigação e as provas decorrentes dele, porque entendeu que o órgão não poderia produzir relatórios de inteligência financeira contra suspeito que ainda não tenha sido incluído formalmente em procedimento investigatório. Procurado pela BBC News Brasil em maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro informou que o caso foi encerrado após o ministro do STF Gilmar Mendes rejeitar um recurso pedindo a reabertura da investigação em fevereiro de 2025. Acusações de vínculos com milicianos Deputado estadual por doze anos na Alerj, quando conviveu com Flávio Bolsonaro, Marcelo Freixo (PT-RJ) diz que o filho mais velho de Jair teve um papel de coordenação na atuação da família Bolsonaro no Rio. "Tanto é que as reuniões da família, que aconteciam todas as sextas-feiras, eram no gabinete do Flávio. E eu cansei de ver, o Jair e o Carlos [senador eleito por Santa Catarina nas últimas eleições] estavam sempre lá, o Eduardo [então deputado federal por São Paulo] não. Eles sempre faziam reunião ali porque sempre tiveram um projeto familiar. E era no gabinete do Flávio que se organizava tudo, quem trabalhava para cada gabinete, e assim que deu origem a uma série de denúncias [sobre a rachadinha]", continuou. Para Freixo, a família não tinha ideia de que seria capaz de alcançar a Presidência da República um dia, o que teria levado Flávio a ter pouco cuidado no passado com os esquemas em seu gabinete ou a proximidade com milicianos — algo que Flávio também nega. Crédito, MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images Legenda da foto, Jair Bolsonaro abriu os caminhos na política para os filhos "Na questão comportamental, de fato, era diferente do pai, era educado, cumprimentava todo mundo. Mas ele representa exatamente o mesmo projeto político", relembra Freixo. "Ele e o Chiquinho Brazão [depois condenado pela morte da vereadora Marielle Franco] foram os únicos deputados que votaram contra a criação da CPI para investigar milícias", disse, em referência à comissão parlamentar que investigou a atuação criminosa de policiais na Alerj, em 2008. No site da Alerj, a página oficial sobre Flávio Bolsonaro detalha as atividades dele como deputado estadual. O texto aponta como suas prioridades o combate a "políticas assistencialistas" e o fortalecimento da segurança pública. Nessa agenda, homenageou, ao longo dos seus quatro mandatos, dezenas de polícias militares, incluindo duas vezes Adriano da Nóbrega, em 2003 e 2005. Expulso da Polícia Militar em 2014, Adriano da Nóbrega foi acusado de atuar na segurança de contraventores do jogo do bicho e, depois, de atuar como miliciano e chefiar o Escritório do Crime, especializado em assassinatos por encomenda. Após ser denunciado em 2019, foi morto numa operação policial para capturá-lo quando estava foragido na Bahia. Outro homenageado foi Ronald Paulo Alves Pereira, depois condenado pelo assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018. Flávio afirma que não sabia de atuações criminosas desses policiais quando os homenageou. No caso de Adriano da Nóbrega, houve vínculos duradouros — sua mãe, Raimunda Magalhães, e sua então esposa, Danielle Mendonça da Costa, trabalharam por anos no gabinete de Flávio na Alerj, até serem exoneradas em 2018, quando o escândalo da rachadinha veio à tona. Segundo a denúncia do Ministério Público, a quebra de sigilo telefônico de Danielle mostra que ela enviou mensagens a Adriano da Nóbrega no dia da exoneração, pedindo para falar com ele "com urgência" e reclamando da falta de dinheiro após a demissão: "Tenho contas [a pagar]", escreveu ela. Quando questionado sobre isso, Flávio diz que se aproximou da mãe de Nóbrega quando ela atuava por direitos dos policiais e que manteve as duas no seu gabinete após as denúncias contra ele porque trabalhavam bem e não deveriam ser punidas. "Você nunca teve alguém que, ao longo de 20 anos, mudou o que fazia, deixou de fazer o certo para fazer o errado? Eu não posso ser envolvido numa situação em que a pessoa era uma coisa, que eu tinha alguma proximidade, respeitava o trabalho dele, a pessoa depois muda, eu tenho que ser responsabilizado por isso? Desculpa, isso é uma grande injustiça", disse, em entrevista ao programa Roda Viva, em 2024. "Eu não defendo milícia. Nunca defendi que haja um poder paralelo para extorquir trabalhador em comunidades carentes", reforçou Flávio. Em maio, senadores aliados de Flávio, como Damares Alves (Republicanos-DF) e Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial, minimizaram as acusações à BBC News Brasil, com o argumento de que toda figura pública é alvo de denúncias. "Acusações são feitas [contra Flávio Bolsonaro] sem nenhuma base fática. O que existe de concreto é que o nosso opositor foi alguém que foi condenado em três instâncias por corrupção", disse Marinho, em referência às condenações de Lula na operação Lava Jato que foram, depois, anuladas no STF, devido a ilegalidades no processo. Segundo o aliado, monitoramento interno mostra que os ataques do PT contra Flávio sobre rachadinha e milícias se intensificaram nas redes sociais a partir de dezembro de 2025, logo após Flávio anunciar que tinha sido escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para disputar a Presidência. Vínculos com Daniel Vorcaro O maior abalo à imagem de Flávio durante a campanha, no entanto, viria em maio deste ano, com a revelação de que o senador manteve conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro, do banco Master, cobrando aportes milionários para a produção de um filme em homenagem ao seu pai. Segundo o portal Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra em 2025 e Flávio teria feito contatos cobrando a liberação dos valores restantes do acordo de financiamento, que chegaria a R$ 134 milhões. O senador negou qualquer ilegalidade, mas teve que responder ao longo de toda a campanha pela proximidade com um dos nomes mais tóxicos da política brasileira. "No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. (...) Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem", disse em nota, à época. Crédito, Reprodução/PF Legenda da foto, Flávio Bolsonaro repassou ao menos R$ 61 milhões de Vorcaro ao filme Dark Horse, mas nega irregularidades Em agosto, em sabatina ao Jornal Nacional, Flávio disse que o tema estava "mais que esclarecido" e era um "livro fechado, ressignificado e na prateleira". Cobrado, porém, o senador nunca apresentou um detalhamento de como os mais de R$ 60 milhões que teriam sido recebidos do Master para a produção de Dark Horse foram, de fato, gastos na produção. Em setembro, a apuração do site Intercept serviu de base para a abertura formal de um inquérito no STF sob relatoria do ministro André Mendonça, no qual Flávio é investigado por suposta lavagem de dinheiro, corrupção e outros possíveis crimes no financiamento do filme sobre a vida de Jair Bolsonaro. Se Flávio derrotar Lula neste domingo (25/10) e assumir a presidência em janeiro, no entanto, os processos em que é réu serão suspensos, seguindo uma norma da Constituição brasileira. Segundo a Carta Magna, "o Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções". Isso significa que os processos de Flávio Bolsonaro anteriores à Presidência só poderão ser solucionados pela Justiça depois que ele deixar o cargo de presidente. É uma espécie de imunidade processual conferida a quem ocupa o cargo em relação aos processos anteriores a seu mandato. Michelle, tarifaço e crise do STF Embora tenha representado um abalo nas intenções de voto no senador ao longo da campanha, a crise envolvendo o financiamento do filme Dark Horse não foi a única pedra no caminho de Flávio. Em junho, o filho mais velho de Jair se envolveu em uma desavença pública com sua madrasta, Michelle Bolsonaro. A briga teve como pivô divergências sobre as articulações e alianças políticas do PL para as eleições no Ceará. O desentendimento começou quando o PL decidiu apoiar a pré-candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará, movimento defendido por Flávio com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro para enfraquecer o PT no estado. Michelle criticou publicamente a aliança e defendeu apoio a nomes do setor conservador, como o senador Eduardo Girão para o governo e Priscila Costa para o senado. Em vídeos publicados nas redes sociais em junho, Michelle afirmou ter sido tratada de forma ríspida e desrespeitada por Flávio em uma ligação telefônica, relatando que ele teria dito que ela "não entendia nada de política" e deveria ficar fora das decisões partidárias. Michelle e Flávio posteriormente fariam as pazes publicamente, mas a crise resultou na saída da ex-primeira-dama da presidência nacional do PL Mulher e abalou momentaneamente o apoio do senador entre o eleitorado feminino, desde o princípio uma das fragilidades de sua campanha. Crédito, AFP via Getty Images Legenda da foto, Briga pública com Michelle foi uma das muitas polêmicas que abalaram a campanha de Flávio antes da vitória Em julho, a campanha foi novamente abalada pelas sobretaxas de até 37,5% impostas por Donald Trump sobre a importação de produtos brasileiros. O tarifaço veio em duas etapas: uma taxa de 25%, aplicada em 22 de julho, sob alegações de restrições comerciais e regulatórias do Brasil (como o Pix e o etanol); e uma nova taxa de 12,5%, sob pretexto de combate ao trabalho forçado. As medidas devolveram a Lula o discurso de defesa da soberania, que em 2025 havia turbinado sua intenção de voto. Flávio viajou a Washington para tentar adiar a sobretaxação por 180 dias, sendo duramente criticado por adversários como o ex-governador Ronaldo Caiado, que classificou a atitude como "inaceitável" e voltada a interesses eleitorais pessoais em detrimento da soberania nacional. A campanha de Flávio foi ainda marcada pela dificuldade de costurar alianças partidárias, com siglas do Centrão como PSD, PP, União Brasil e Republicanos optando pela neutralidade. A dificuldade se expressou inclusive na formação da chapa presidencial, com uma busca por vice que durou meses e culminou na escolha de última hora, em agosto, do pouco conhecido deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) — alvo de um pedido de investigação pela Polícia Federal sobre um suposto caso de estupro de menor, o que Gaspar nega. Após a sucessão de abalos em sua campanha, porém, Flávio se beneficiou da crise que abalou o STF antes do primeiro turno. Tendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça como pivôs, a contenda expôs um racha entre alas do Supremo, ampliando na sociedade o sentimento contrário ao status quo, o que impulsionou o crescimento do candidato do PL nas pesquisas. A estratégia da campanha de Flávio foi colar o desgaste do Supremo a Lula. Na reta final, a polêmica envolvendo a suposta retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida colocou Flávio na defensiva, mas não foi suficiente para impedir o senador de atrair o voto útil da terceira via na última milha, chegando à frente de Lula no primeiro turno e dando fôlego ao bolsonarismo em um país dividido. Bolsonarismo moderado? Crédito, Reuters Legenda da foto, Flávio tentou driblar a alta rejeição ao pai se colocando como uma versão moderada de Bolsonaro Enquanto Flávio tentou construir ao longo da campanha uma versão suave do seu mentor, a campanha do PT investiu na ideia de que "não existe Bolsonaro moderado" e que Flávio defende as mesmas agendas do ex-presidente. Um vídeo compartilhado em abril pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) o acusou de ser de "extrema-direita" e "uma ameaça à nossa democracia e soberania", citando falas do senador, como a sugestão de que um próximo presidente bolsonarista poderia ter que usar a força para garantir uma anistia ou um indulto a seu pai, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) considere a medida inconstitucional. "É uma hipótese muito ruim, porque a gente está falando de possibilidade e de uso da força. A gente está falando da possibilidade de interferência direta entre os Poderes. Tudo que ninguém quer. E eu não estou falando aqui, pelo amor de Deus, no tom de ameaça. Estou fazendo uma análise de cenário. É algo real que pode acontecer", disse Flávio ao jornal Folha de S.Paulo em junho de 2025. O vídeo petista citava também uma declaração feito por Flávio Bolsonaro em outubro de 2025, sugerindo que os Estados Unidos bombardeassem navios na costa brasileira, repetindo o que fez contra embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas na Venezuela. "O zero um é legítimo representante da extrema-direita carnívora e radical", dizia ainda a gravação, em referência ao primeiro filho de Bolsonaro. Ao longo da campanha, o senador apostou em conteúdos nas redes sociais para exibir sua moderação. Em fevereiro, por exemplo, divulgou um vídeo exaltando a importância do Carnaval para a economia do país, em contraste com críticas conservadoras à festa. Já em 8 de março, Dia da Mulher, Flávio compartilhou vídeos abordando problemas como a alta nos feminicídios e a falta de creches para que as mães possam deixar os filhos enquanto trabalham. Em outra mensagem, celebrou figuras históricas da luta pelo direito das mulheres, como a feminista Berta Lutz, que liderou a conquista do voto feminino; Antonieta de Barros, primeira deputada negra brasileira; e Maria da Penha, ativista no combate à violência de gênero que dá nome à lei de proteção às mulheres. Quando era presidente, Jair Bolsonaro chegou a ironizar a importância da lei, ao defender mais acesso a armas para mulheres se defenderem. "Vamos supor que você está sozinha, à noite, numa estrada, e fura o pneu do seu carro. E, de repente, você percebe que está chegando gente que pode lhe causar algum problema. Você preferia sacar da bolsa a Lei Maria da Penha ou uma pistola?", disse, em 2022. Para a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), Flávio teve uma campanha bem-sucedida, puxada pelo sentimento antipetista de parte do eleitorado e uma frustração com o desempenho econômico do governo Lula. Na sua avaliação, Flávio não tenta ser uma versão moderada do pai, "ele é", e isso foi sua vantagem eleitoral. "É uma vantagem porque a direita, que alguns chamam de extrema-direita, já percebeu que, pra governar, vai ter que ser assim. Vai ter que ser dialogando numa forma moderada e esquecer o radicalismo em algumas pautas que não nos levaram a nada", disse à BBC News Brasil em maio, citando como exemplo antigas críticas à política de cotas raciais e ao movimento sindical. "O Flávio, quem acompanhou ele na Assembleia Legislativa [do Rio], já era o perfil parlamentar dele [de mais diálogo], inclusive sendo o contraponto do pai. Aqui [no Senado], ele está há sete anos com mandato, foi senador quando o pai era presidente, num período extremamente polêmico, de pandemia e tudo, e ele conseguiu dialogar, conseguiu acalmar muita coisa", reforçou a senadora. Mudança de rota no segundo turno Após o primeiro turno, Flávio recebeu o apoio de outros candidatos à Presidência, como os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema, além do escritor Augusto Cury. Apesar do reforço político, o segundo turno levou Flávio Bolsonaro a rever posições em temas de forte apelo popular. O principal exemplo foi o fim da escala 6x1. Depois de classificar como "oportunista" a defesa da proposta por Lula, o senador anunciou que votaria a favor da PEC que reduz a jornada de trabalho e apoiou o texto no Senado, em 14 de outubro. O senador justificou a mudança dizendo ter ouvido trabalhadores durante a campanha. Ao mesmo tempo, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que, em um eventual governo de Flávio Bolsonaro, a sigla pretende apoiar uma proposta alternativa que permita ao trabalhador optar por um modelo de remuneração por hora trabalhada, com regras diferentes das previstas na CLT. Na área social, a campanha procurou responder às críticas sobre o possível impacto de um ajuste fiscal sobre os mais pobres. Daniella Marques, coordenadora econômica da candidatura, anunciou uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio, com possibilidade de retorno ao programa caso perdessem a renda. A proposta foi usada por aliados de Lula para questionar as intenções de Flávio em relação ao programa, que o senador já chamou de "bolsa-farelo". Flávio negou que pretenda acabar com o Bolsa Família, e seu plano de governo prevê a manutenção do benefício. A regra de transição, segundo a campanha, busca incentivar a entrada no mercado de trabalho sem retirar imediatamente a proteção social. O discurso sobre as contas públicas, porém, continuou a gerar dúvidas. Reportagens apontaram que interlocutores da campanha estudavam um pacote fiscal para economizar cerca de R$ 250 bilhões, com medidas como desvincular os reajustes da Previdência e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos ganhos reais do salário mínimo. Crédito, Reuters Disputa na Justiça Eleitoral A disputa também se intensificou na Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para suspender o canal de WhatsApp "Exército do Lula", criado pelo deputado André Janones para mobilizar apoiadores do presidente. O pedido levou a decisões conflitantes no tribunal: o canal chegou a ser suspenso por determinação do presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, mas foi restabelecido pelo corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva. Em seguida, a área técnica do tribunal informou que não havia encontrado, nas mensagens analisadas de 2 a 11 de outubro, as publicações falsas citadas pela campanha de Flávio. A disputa também ganhou força nas ruas. Depois de terminar o primeiro turno atrás de Flávio, Lula intensificou a mobilização de apoiadores, com atos que atraíram milhares de pessoas em diferentes partes do país. A campanha de Flávio também convocou eleitores pelo Brasil e apostou nos chamados "Bloquinhos 22", liderados pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O segundo turno também ficou marcado pelo primeiro confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro. No debate promovido pela Band, em 18 de outubro, os dois protagonizaram um encontro repleto de provocações, ataques pessoais e poucas propostas concretas. Flávio deixou perguntas do adversário sem resposta e adotou uma estratégia semelhante à de Donald Trump nos debates contra Hillary Clinton, em 2016: usar o espaço físico, a linguagem corporal e a presença visual para influenciar a percepção do público mesmo quando não se está falando. Durante o debate, Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico. A provocação se desdobrou nos dias seguintes em uma troca de desafios e exigências: Lula condicionou a divulgação de seus dados aos de Flávio e de familiares do senador, enquanto Flávio pediu também a abertura de informações do Instituto Lula, de empresas ligadas aos filhos do presidente e dos sigilos de Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. Na quinta-feira (22/10), as campanhas de Lula e Flávio foram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgaram que fecharam acordo para a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. A relação com Willer Tomaz sob investigação Crédito, Agência Senado Legenda da foto, Willer Tomaz fez cinco viagens internacionais com Flávio Bolsonaro em cinco meses Na reta final da campanha, Flávio se tornou alvo de uma nova investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz, seu amigo próximo. O inquérito, que corre sob sigilo, foi distribuído ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes. A investigação teve origem na análise do celular de Tomaz, apreendido pela Polícia Federal em uma operação que apura seu possível envolvimento em um esquema de desvio de recursos do INSS — caso em que Flávio não é investigado. Segundo a PF, foram encontradas referências a festas, encontros e reuniões entre os dois, além de registros de vínculo entre o senador e uma conta bancária da empresa Alcazar Holding, na qual ele aparecia como "usuário master". O relatório policial também aponta movimentações financeiras milionárias envolvendo empresas e casas de apostas, além de suspeitas sobre negócios de Tomaz no setor de pagamentos digitais no Rio de Janeiro, durante o governo de Cláudio Castro (PL), também alvo da investigação. A PF identificou ainda registros de viagens internacionais custeadas por uma empresa ligada ao advogado para Flávio e sua família. Flávio reconhece a amizade com Tomaz, mas negou estar sendo investigado no STF. Em nota, afirmou que o caso ainda não havia sido formalmente convertido em inquérito e criticou a divulgação de informações sigilosas às vésperas da eleição. O escritório de Tomaz também negou irregularidades e disse que as empresas e participações do advogado são lícitas e declaradas às autoridades fiscais. A defesa afirmou ainda que Flávio nunca teve acesso ou poderes sobre contas de empresas do advogado.
Trump vota antecipado em eleições para o Congresso dos EUA e volta a falar em fraude, sem provas
Palm Beach | AFP O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, votou antecipadamente neste sábado (24), na Flórida, para as eleições de meio de mandato, previstas de 3 de novembro, em que os republicanos tentam manter o controle do Congresso. Trump e a primeira-dama, Melania Trump, votaram em Palm Beach, perto da residência do casal em Mar-a-Lago, antes de o presidente seguir para um comício de campanha na Geórgia. Embora não seja candidato, o presidente tem percorrido o país para mobilizar apoiadores e impulsionar os republicanos, que enfrentam o risco de perder a maioria estreita nas duas Casas do Congresso. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fala com jornalistas ao lado da primeira-dama, Melania Trump, após votar antecipadamente para as eleições de meio mandato em Palm Beach, na Flórida - Umit Bektas - 24.out.26/Reuters Em uma conversa com jornalistas, o presidente também voltou a questionar a segurança do sistema eleitoral americano. Sem apresentar provas, alegou que houve fraude em massa nas eleições de 2020 e afirmou que haveria cédulas inválidas em Los Angeles, cidade de maioria democrata. Trump tem histórico de contestar resultados desfavoráveis. Em janeiro, lamentou, em entrevista ao jornal The New York Times, não ter usado a Guarda Nacional para apreender máquinas de apuração após a derrota para Joe Biden. O presidente também já defendeu que os republicanos assumissem o controle da votação em alguns locais e propôs "nacionalizar" as eleições, apesar de a Constituição atribuir aos estados a administração do processo eleitoral. Nessa ofensiva, travou uma briga com o Congresso pela aprovação do Save America Act, projeto que exige documento com foto e comprovante de cidadania para registro eleitoral e amplia o compartilhamento de dados entre os estados e o governo federal. A proposta não foi aprovada. O governo afirma que as iniciativas buscam combater fraudes e assegurar que apenas pessoas com direito ao voto participem das eleições. Não há, no entanto, registros de fraudes significativas nesse sentido. No mês passado, a Suprema Corte recusou um pedido do governo para permitir que o Serviço Postal aplicasse novas regras sobre as cédulas enviadas pelo correio. A decisão foi um revés para a tentativa de restringir o voto por essa modalidade, que tende a favorecer os republicanos, já que eleitores democratas a utilizam em proporção maior, segundo pesquisas. Trump tem intensificado a atuação política em defesa de seu partido em meio à queda de popularidade do seu governo e a pesquisas que apontam risco de derrota republicana. Historicamente, as eleições de meio de mandato costumam favorecer a oposição ao partido que ocupa a Casa Branca. Com risco de perder o exíguo controle que hoje tem sobre o Congresso, a operação política de Trump destinou US$ 277 milhões, de setembro a meados de outubro, para apoiar candidatos do partido, revelou uma reportagem do The New York Times. Sem maioria no Legislativo, Trump teria menos espaço para aprovar sua agenda legislativa nos dois últimos anos de governo. Os democratas também prometem ampliar as investigações sobre os negócios do presidente e de pessoas próximas a ele.
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