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MoedaEuro/Dólar Australiano
Atualizado: 2026-10-02 17:53:22
Resumo Cambial: Euro/Dólar Australiano
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e o que isso revela sobre a forma com que o governo Putin enxerga o Brasil
Como a imprensa russa vê a eleição brasileira - e o que isso revela sobre a forma com que o governo Putin enxerga o Brasil Crédito, Getty Images Legenda da foto, Brasil é visto como parceiro comercial da Rússia que poderia possivelmente ajudar a contornar sanções internacionais Author, Role, Da BBC News Brasil em Londres Published Há 10 minutos Tempo de leitura: 12 min Um importante aliado do Sul Global em oposição às potências ocidentais, um possível parceiro econômico para contornar sanções relacionadas à guerra da Ucrânia e um importante mercado para exportações russas. É assim que o Brasil vem sendo retratado em coberturas na imprensa russa — nas vésperas da eleição que será realizada em primeiro turno no próximo domingo (4/10). Para o analista de Mídia da Rússia da BBC Monitoring, o jornalista Vitaly Shevchenko, a eleição brasileira vem ganhando pouco destaque na imprensa russa. Segundo ele, até o momento, o pleito não foi notícia em nenhum grande telejornal do país. A grande maioria dos russos se informa pela televisão. A BBC Monitoring é uma divisão especializada da BBC que monitora, traduz e analisa mais de 3 mil veículos em mais de 150 países e 100 línguas. Shevchenko monitora a mídia russa e produz relatórios de análise. Na avaliação de Shevchenko, o fato de a imprensa russa ser amplamente controlada pelo Kremlin e de haver pouca cobertura sobre a eleição brasileira indica que o governo russo não está interessado em se manifestar sobre o pleito. "Eu imagino que existam departamentos nas entranhas do Ministério das Relações Exteriores, da inteligência externa ou algo do gênero, preparando relatórios sobre qual candidato traria mais benefícios à Rússia", disse Shevchenko à BBC News Brasil. "A ausência de ampla repercussão na mídia sobre as eleições brasileiras sinaliza apenas uma coisa: o Kremlin não tem interesse em que o público, dentro e fora da Rússia, tome conhecimento da sua visão sobre o pleito." "Mas isso não significa que eles não tenham opiniões." A cobertura da imprensa russa está voltada na sua maioria para o conflito na Ucrânia — e o fato de o Brasil ter pouco envolvimento com a guerra contribui para o pouco espaço dado ao pleito brasileiro na imprensa russa. Mas o analista da BBC Monitoring afirma que, apesar disso, o Brasil ocupa uma posição dentro da política internacional de Vladimir Putin. "O Brasil é importante por causa do Brics. E, há anos — talvez décadas —, Putin vem tentando promover a ideia de que a antiga ordem mundial, dominada pelo que a máquina de mídia do Kremlin gosta de chamar de 'anglo-saxões', chegou ao fim", diz Shevchenko. "O que a está substituindo é o que eles gostam de chamar de Sul Global — alianças como o Brics, do qual o Brasil é membro." Famil Ismailov, editor da BBC News Russia (o serviço de notícias em russo da BBC), diz que analistas russo vêem a corrida eleitoral brasileira como muito apertada e não indicam um favorito — mas que qualquer que seja o vencedor, provavelmente não haverá grandes mudanças nas relações entre Brasil e Rússia. "O Brasil precisa dos fertilizantes e do diesel russos, e a Rússia precisa da carne, da soja e do café brasileiros. Não houve nenhum apoio visível a nenhum dos dois candidatos por parte das autoridades russas. Seja quem for o próximo presidente, o Kremlin parece estar satisfeito", diz Ismailov. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Putin defende que a velha ordem mundial será substituída por uma nova, que incluirá o Sul Global e os Brics Ainda assim, diferentes jornais — todos ligados de alguma forma ao Kremlin, já que a Rússia é um dos países com menor liberdade de imprensa do mundo (veja mais abaixo) — vêm noticiando alguns aspectos da eleição brasileira recentemente. O jornal financeiro Vedomosti cita analistas que dizem que a Rússia "se sentirá confortável" interagindo tanto com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) — os dois candidatos que lideram as intenções de voto, como mostra o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. O jornal sugere, no entanto, que a Rússia estaria "um pouco mais confortável" com Lula, dado que Flávio Bolsonaro possui maior ligação com Washington e pode vir a afastar o Brasil dos Brics. O jornal oficial do Kremlin, o Rossiyskaya Gazeta, afirma que as eleições estão bastante indefinidas e provavelmente serão decididas no segundo turno. Uma reportagem afirma que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro foram afetados pelo escândalo do Banco Master — e que ambos representam propostas muito distintas para o futuro da economia brasileira. Já o jornal Izvestia, ligado a aliados do presidente Vladimir Putin, afirma que uma vitória de Lula poderia facilitar um projeto de aumentar as transações comerciais entre Brasil e Rússia nas moedas nacionais (real e rublo) — algo que potencialmente ajudaria Moscou a contornar sanções ocidentais. Confira abaixo como a imprensa russa está cobrindo o pleito. Ajuda do Brasil para contornar sanções Uma longa reportagem no sábado (26/09) do jornal Izvestia — que é controlado por aliados do presidente Vladimir Putin — destaca a importância da eleição brasileira para os interesses econômicos russos, em um momento em que o país sofre sanções pesadas do Ocidente por causa da invasão da Ucrânia. O Izvestia noticiou que o Brasil e Rússia querem expandir o seu comércio em suas moedas (real e rublo), hoje limitado a apenas 10% das transações. Segundo o Izvestia, quem manifestou interesse nessa expansão foi o embaixador brasileiro na Rússia, Sergio Rodrigues dos Santos. "A ideia de expandir o comércio em moedas nacionais parece uma continuação lógica da atual política econômica da Rússia e do Brasil: ambos os lados querem tornar os pagamentos mais baratos, mais estáveis e menos dependentes da infraestrutura cambial externa", afirma a reportagem do Izvestia. O objetivo seria favorecer as trocas de produtos agrícolas entre os dois países. A Rússia é o maior fornecedor de fertilizantes minerais ao Brasil. Segundo a reportagem, a Rússia tem interesse de aumentar transações em rublos e reais para contornar sanções internacionais que o país sofre por causa da guerra na Ucrânia. E esse modelo já estaria em funcionamento entre a Rússia e outros países dos Brics, como China e Índia. "A transição para moedas nacionais ajuda a Rússia a proteger seu comércio das sanções ocidentais: esses pagamentos são diretos e não podem ser bloqueados por bancos americanos ou europeus", diz a reportagem. "O abandono do dólar e do euro permite que as transações contornem o sistema SWIFT e os bancos correspondentes americanos, eliminando o risco de congelamento de fundos. Esse modelo já está funcionando com grande sucesso com outros parceiros dos Brics: as liquidações com a China foram quase totalmente (99%) convertidas para rublos e yuans, enquanto a participação do dólar e do euro no comércio com a Índia diminuiu drasticamente." O obstáculo para transações nas moedas nacionais é que os exportadores russos receberiam pagamentos em reais — e não teriam onde gastar a moeda brasileira. "Esse problema pode ser resolvido utilizando os planos que a Rússia já elaborou com a Índia. A Rússia poderia investir seu excedente de reais diretamente no Brasil — por exemplo, em logística portuária local ou na agricultura. Outra opção é expandir as compras: o país é conhecido não apenas pela soja, mas também por sua avançada indústria de engenharia mecânica, incluindo a produção de aeronaves Embraer e autopeças", afirma o jornal russo. "Por fim, a moeda brasileira acumulada poderia ser usada para pagar países terceiros (por exemplo, China ou Emirados Árabes Unidos), que têm grandes projetos na América Latina e necessitam de reais." Crédito, Reprodução Legenda da foto, Reportagem do jornal Izvestia destaca: "Brasil pretende expandir o comércio em moedas nacionais com a Rússia" O futuro desse projeto de uso de reais e rublos em transações depende também das eleições brasileiras, segundo o jornal russo. "O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, defende o fortalecimento dos BRICS, a cooperação com os países do Sul Global e a transição para moedas nacionais. Seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, por outro lado, está focado na reaproximação com os Estados Unidos", afirma a reportagem. O jornal destaca uma declaração dada por Flávio Bolsonaro em junho de que, se for eleito, vai reavaliar "no seu primeiro dia na cadeira de presidente" se o Brasil deve ficar nos BRICS — "um bloco que é muito ideológico, usado para provocar os EUA". No entanto, o programa de governo do candidato do PL não faz menção ao bloco. "Uma possível mudança de poder em Brasília poderia congelar completamente as negociações sobre a transição para o rublo e o real", afirma o Izvestia. "Mesmo que o Brasil reduza seu interesse no BRICS após as eleições, a tendência de desdolarização do bloco global continuará. Rússia, China e Índia, que respondem pela maior parte do comércio intrabloco, permanecem os principais motores econômicos desse processo." Vorcaro: 'trunfo e problema' para Lula e Flávio Bolsonaro O jornal Rossiyskaya Gazeta — jornal oficial do Kremlin — destacou que as eleições estão bastante acirradas no Brasil e que ainda não se sabe "para onde afinal penderá o pêndulo do humor do eleitorado brasileiro". "Os dados mais recentes das pesquisas de opinião mostram uma situação praticamente de empate técnico entre os candidatos", diz o jornal russo. A reportagem destaca que até recentemente Lula vinha liderando as pesquisas de opinião, sobretudo após a divulgação do escândalo Dark Horse em maio, que afetou a intenção de voto em Flávio Bolsonaro. "Parecia que tudo corria da melhor forma possível para Lula", diz o Rossiyskaya Gazeta. Mas então, segundo o jornal, os desdobramentos do escândalo do Banco Master passaram a afetar também o presidente — primeiro com a citação do líder do governo no Senado, Jacques Wagner, e depois com as menções ao ministro do STF Alexandre de Moraes no caso. O jornal destaca que Alexandre de Moraes é visto como um antagonista aos Bolsonaro — e que seu desgaste acaba afetando também a intenção de voto em Lula. O jornal compara o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, a Ostap Bender, um trapaceiro fictício de livros da era soviética, famoso por golpes elaborados e por seu carisma. "No fim, ele [Vorcaro] acabou se tornando simultaneamente um trunfo e um problema tanto para Lula quanto para Bolsonaro. De qualquer modo, até o momento, Flávio alcançou o adversário e, segundo algumas pesquisas, até o ultrapassou em um provável segundo turno, cuja realização parece cada vez mais provável." Segundo os dados do Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Flávio aparece à frente de Lula em um eventual segundo turno. Crédito, Reprodução/PF Legenda da foto, O jornal oficial Rossiyskaya Gazeta afirma que Daniel Vorcaro é um "trunfo e um problema" tanto para Lula como para Flávio Bolsonaro O Rossiyskaya Gazeta afirma que Lula e Flávio Bolsonaro propõem modelos econômicos bastante distintos à população. Sobre Lula, o jornal diz que ele "aposta na manutenção do atual arcabouço fiscal combinada com o aumento dos investimentos públicos, projetos de infraestrutura, política industrial, programas sociais e novos aumentos do salário mínimo". "Para conquistar votos adicionais, em setembro ele adotou uma medida social de grande impacto: anunciou a elevação do valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 por mês, um aumento de aproximadamente 15%. Além disso, o presidente apoia o fim da jornada de seis dias de trabalho com apenas um dia de descanso, defendendo uma semana de trabalho mais curta." Sobre Flávio Bolsonaro, o Rossiyskaya Gazeta diz que ele "propõe reduzir os gastos com a máquina pública, criar um novo teto de gastos mais restritivo e retomar a privatização de empresas estatais". "O candidato defende a diminuição da carga tributária, especialmente sobre o setor de energia, e promete endurecer significativamente o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas", diz o texto. Rússia 'mais confortável' com Lula Uma longa reportagem do jornal Vedomosti publicada em julho afirma que "a eleição presidencial brasileira está se tornando um ponto de convergência para os interesses de outros países" e que a Rússia "está um pouco mais confortável com o atual presidente do país". O Vedomosti foi fundado nos anos 1990 por grupos de mídia ocidentais — incluindo participação do grupo Dow Jones, que publica o americano Wall Street Journal — e já foi uma das publicações independentes mais influentes sobre economia russa, mas em 2020 acabou vendido a aliados de Vladimir Putin. A reportagem ouve analistas de consultorias políticas. Um dos analistas afirma que "qualquer um dos dois candidatos que se torne presidente, a Rússia se sentirá confortável interagindo com ele". Já outro aponta que, caso Bolsonaro vença, "devemos esperar um endurecimento da retórica em relação à Rússia e à China". "Ao que tudo indica, embora Flávio Bolsonaro mantenha relações econômicas com Moscou e Pequim, retórica e ideologicamente ele se inclinará cada vez mais para Washington do que seu pai", afirma a reportagem do Vedomosti. "Nesse contexto, Flávio Bolsonaro poderá aumentar a pressão sobre os instrumentos tradicionais de soft power da China, como os Institutos Confúcio no Brasil. Além disso, Flávio Bolsonaro será menos ativo na cooperação com o Brics — uma continuação lógica da abordagem de seu pai." Crédito, Reprodução Instagram/Eduardo Bolsonaro Legenda da foto, Jornal Vedomosti acredita que Flávio Bolsonaro se inclinaria mais na direção de Washington do que de Moscou e Pequim, se fosse eleito Brasil frustra nova Doutrina Monroe, diz jornal comunista Um dos jornais que dedicou espaço maior à eleição brasileira foi o Pravda, lendária publicação que já foi a mais importante do país na era da União Soviética. O jornal ainda existe e é ligado ao Partido Comunista da Rússia — no entanto, é pouco lido e sem influência no país, segundo analistas de mídia. O Pravda afirma que "o Brasil está frustrando os objetivos dos EUA de implementar integralmente a nova versão da Doutrina Monroe". "As eleições de outubro estão sendo usadas para restaurar a complacência política. Ameaças, chantagens e manipulação estão sendo empregadas", diz o jornal. "Muita coisa foi feita desde o retorno dos republicanos [à Casa Branca]. Fantoches da Casa Branca chegaram ao poder no Chile, na Colômbia, no Peru e em Honduras. Trump, cinicamente (e, infelizmente, não sem razão), chama a Venezuela de 'o 51º estado dos EUA'. Cuba definha sob o peso de um bloqueio, sem apoio externo efetivo." "No entanto, os planos mais ousados de Washington não se realizarão enquanto o Brasil permanecer fora de sua influência. O país, que representa um terço da população da América Latina e 43% do território da região, segue uma política independente. Isso basta para colocá-lo na lista de inimigos dos EUA." O Pravda diz que o governo de Lula "não precisa recorrer a discursos de ódio e mentiras" e que "em menos de quatro anos, mais de 28 milhões de pessoas saíram da pobreza". Já sobre o candidato do PL, a publicação comunista diz que "todas as forças da reação, tanto interna quanto internacional, estão sendo mobilizadas na luta pela vitória de Flávio Bolsonaro" e que "a direita tem pouco a mostrar em termos de resultados". "Sua plataforma se baseia em clichês sobre o combate ao crime", afirma o Pravda. Rússia e liberdade de imprensa A Rússia é o 9º pior colocado em um ranking de 180 países sobre liberdade de imprensa no mundo, publicado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O país está a frente de países como Afeganistão, Arábia Saudita, Irã, China e Coreia do Norte — mas atrás de Cuba, Venezuela e Iraque. Nesse ranking, que é liderado pela Noruega, o Brasil ocupa a 52ª posição e os EUA, a 64ª. A RSF destaca que a liberdade de imprensa se deteriorou na Rússia depois da invasão da Ucrânia em 2022 — com quase a totalidade dos órgãos independentes hoje banidos, bloqueados ou declarados "agentes estrangeiros" (o que impõe restrições burocráticas a empresas) ou "organizações indesejadas" (o que criminaliza os veículos). Todos os canais de TV independentes de propriedade privada são banidos, com exceção dos canais de entretenimento a cabo. Muitos veículos de mídia ocidentais — como BBC, Euronews e France 24 e BBC — não estão mais acessíveis no país. O órgão regulador de mídia russa, Roskomnadzor, censurou a maioria dos sites de notícias independentes: os mais populares, como Meduza e TV Rain, foram declarados "organizações indesejáveis". Segundo a RSF, quem cita esses veículos pode ser processado no país. "Os demais veículos de mídia pertencem ao Estado ou a aliados do Kremlin. Seus funcionários devem seguir ordens do gabinete presidencial sobre assuntos a serem evitados e praticar uma rigorosa autocensura. As estações de rádio estão na mesma situação", afirma relatório da RSF. Jornalistas têm sido cada vez mais indiciados por "extremismo" ou por "compactuar com o terrorismo", segundo a organização. A RSF diz que o governo russo usa penas severas, multas, detenções de curta duração e até mesmo tortura para intimidar jornalistas. A organização afirma que nem mesmo jornalistas russos no exílio estão seguros.
Fim da proteção leva Rui Pinto a anunciar fuga para local secreto. Defesa fala em "terrorismo de Estado"
O hacker Rui Pinto anunciou que vai mudar-se, nos próximos dias, "para um local não divulgado por tempo indeterminado", na sequência do fim da proteção concedida pelo programa de proteção de testemunhas. O anúncio foi feito na rede social X (antigo Twitter), onde também divulgou uma campanha online de arrecadação de fundos, com uma meta de três milhões de euros. Rui Pinto explica que a decisão ocorre depois de ter deixado de contar com proteção policial, que recebe desde 2020. "Na quarta-feira, poucas horas após o veredicto que confirmou oficialmente a culpa do Manchester City, a Comissão responsável pelo programa de proteção a testemunhas em Portugal informou-me da sua decisão de encerrar a minha participação no programa e retirar a minha proteção policial, colocando-me, assim, conscientemente, numa situação de risco de vida", lê-se na publicação. Segundo o hacker, esta é a única alternativa. "Dadas estas circunstâncias, não tenho outra alternativa senão mudar-me, nos próximos dias, para um local não divulgado por tempo indeterminado, devido às múltiplas ameaças de morte que tenho recebido e ao grave risco de um atentado contra mim", afirma. A campanha de arrecadação, através da plataforma GoFundMe, tem o título Help save Rui Pinto's life (Football Leaks whistleblower) - "Ajude a salvar a vida de Rui Pinto (denunciante do Football Leaks)", em tradução literal. A meta é de três milhões de euros e, em menos de duas horas, tinham sido angariados pouco mais de seis mil euros. "Terrorismo de Estado" A defesa de Rui Pinto também divulgou um comunicado em que apela às autoridades portuguesas para que reconsiderem "uma decisão com consequências gravíssimas" para o denunciante. A proteção termina em 10 de outubro. Os advogados alegam que Rui Pinto não foi ouvido antes da decisão, em desacordo com o que determina a lei. "A sua situação é agora crítica. As ameaças de que é alvo não são meramente teóricas: em abril passado, foi agredido em Lisboa. As suas revelações envolveram figuras poderosas e dotadas de vastos recursos", argumentam. A defesa lembra ainda que o caso continua em curso e que uma das decisões relacionadas com as revelações de Rui Pinto foi conhecida esta semana, com o veredicto envolvendo o Manchester City. "Rui Pinto ficará agora mais vulnerável do que em qualquer outro momento desde 2020", vincam os advogados. A defesa acrescenta que "Rui Pinto cooperou com a justiça portuguesa, e foi precisamente essa cooperação que justificou a sua integração num programa de proteção" e que "os Estados que beneficiam da sua atuação não podem simplesmente virar as costas à pessoa que assumiu os riscos necessários para trazer estes factos à luz do dia". Os advogados vão apresentar um recurso administrativo contra a decisão, com o objetivo de a suspender. Segundo a defesa, foram pedidos uma reavaliação da situação e a divulgação dos elementos que fundamentaram a avaliação de risco. A defesa solicitou ainda que Rui Pinto fosse ouvido e que, "em qualquer caso", fosse assegurada a continuidade da sua proteção. Para os advogados, "esta decisão e a forma como foi tomada não respeita, lamentavelmente, o Estado de Direito e constitui um ato de terrorismo de Estado", posição que afirmam não poder aceitar. amanda.lima@dn.pt
Empresa de Supercomputadores Dobra Produção para Impulsionar Ambições da Europa em IA
A Bull, fabricante estatal francesa dos supercomputadores mais rápidos da Europa, reinaugurou nesta quinta-feira (1) uma fábrica ampliada para dobrar sua capacidade de produção, segundo informaram executivos à Reuters, em um momento em que a Europa reforça sua capacidade computacional em inteligência artificial. A União Europeia destinou 7 bilhões de euros para o período de 2021 a 2027 a uma rede de supercomputadores, com o objetivo de diminuir a vantagem computacional em relação aos Estados Unidos e à China. A fábrica da Bull em Angers, na França, é a única na Europa dedicada à construção dessas máquinas, e sua ampliação visa apoiar essa meta. O presidente-executiv, Emmanuel Le Roux, afirmou que a Bull recebeu mais pedidos este ano do que nunca e venceu 15 das 18 licitações lançadas pela EuroHPC, o órgão da UE que cofinancia a rede europeia de supercomputadores junto aos Estados-membros, competindo contra empresas como a Hewlett Packard Enterprise. A Airbus inaugurou este ano supercomputadores fabricados pela Bull em Toulouse e Hamburgo, no âmbito de um contrato de cinco anos que, segundo a mídia, teria um valor próximo a 100 milhões de euros e triplicou a capacidade de simulação da fabricante de aeronaves. Leia Também Riqueza da IA Pode Gerar Onda de Filantropia de até US$ 300 Bilhões para Animais de Produção Intelbras Compra Terreno em Manaus para Apoiar Aumento de Capacidade de Produção Brasil Deve Aumentar a Produção de Etanol em 2026 Eficiência no Campo Garante Ao Brasil Posto de Maior Produtor de Carne Bovina Safra de Milho 2025/26 do Brasil é prevista em 135,3 Milhões de Toneladas Que Lições o Brasil Pode Ter com os Orgânicos da Dinamarca, um Mercado de R$ 13 Bi A Bull informou à Reuters que o valor do contrato divulgado não estava correto, mas se recusou a revelar o valor exato. Newsletter Forbes Money Sua cápsula diária de notícias De segunda a sexta-feira no seu email Assinar Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação. A operadora de computação em nuvem OVHcloud e a Domyn, apoiada pela Comissão Europeia, estão ambas tentando treinar modelos de IA de ponta no supercomputador JUPITER da Bull, juntamente com outras empresas que a Bull se recusou a nomear. Produção pode crescer em 2027 A expansão em Angers custou 80 milhões de euros, afirmaram executivos da Bull. A produção já dobrou, passando de seis racks por mês anteriormente para 12 atualmente, e a fábrica pode aumentar a produção para 24 no próximo ano, atendendo à demanda que deve continuar crescendo. O pedido da França à Bull, um supercomputador que leva o nome da cientista da computação Alice Recoque, totaliza 94 racks e está sendo montado em paralelo com o LUMI-AI, o sistema finlandês de 388 milhões de euros e o maior contrato já assinado pela Bull. Os dois pedidos não poderiam ter sido produzidos simultaneamente antes da expansão, afirmaram os executivos. A França concluiu a aquisição da Bull do grupo de TI Atos, que enfrentava graves problemas financeiros, em 31 de março, avaliando a empresa em até 404 milhões de euros. O motivo original foi estratégico, disse Le Roux. Na década de 1980, depois que os EUA pararam de enviar supercomputadores para a CEA, a agência nuclear da França, o país recorreu à Bull para construir as máquinas que eram usadas para simular testes nucleares. A Bull construiu o JUPITER, a primeira máquina exascale da Europa, a classe mais rápida de supercomputadores, que atualmente opera no centro de Jülich, na Alemanha. O Alice Recoque, encomendado para a CEA, deve ser entregue em etapas a partir do final deste ano, a um custo de 554 milhões de euros para o governo francês e a União Europeia. A fábrica de Angers monta sistemas utilizando processadores de Nvidia, AMD e Intel, ou componentes europeus, dependendo das demandas dos clientes. Os componentes fabricados na Europa representam 70% das máquinas que estão sendo construídas, um aumento em relação aos 20% a 30% registrados há cinco anos. Por meio de uma parceria firmada em junho, a Bull e a taiuanesa Foxconn também fabricarão os sistemas NVL da Nvidia em uma fábrica na República Tcheca, com a montagem final realizada na fábrica de Angers. Siga o canal da Forbes no WhatsApp e receba as principais notícias de empreendedorismo, carreira, tecnologia, agro e lifestyle.