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Atualizado: 2026-08-03 13:08:53
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Iene dispara após primeira intervenção feita por Japão e EUA em mais de 15 anos
O iene registrou sua maior valorização em meses nesta segunda-feira, 3, após Japão e Estados Unidos confirmarem uma intervenção conjunta no mercado de câmbio para conter a desvalorização da moeda japonesa. Ele chegou a subir mais de 1%, alcançando 155,20 por dólar. A ação, a primeira realizada pelos dois países desde 2011, reforçou a expectativa de que o Banco do Japão (BOJ) acelere o ciclo de alta de juros e marcou uma mudança importante na postura de Washington diante do enfraquecimento da divisa. O Ministério das Finanças do Japão informou que a compra de ienes ocorreu na sexta-feira, 31, e afirmou que novas intervenções não estão descartadas caso a moeda volte a sofrer pressão. Estimativas do BoJ indicam que Tóquio pode ter desembolsado até US$ 36,58 bilhões na operação. Parte dos ganhos, porém, foi devolvida e a moeda passou a ser negociada perto de 157 por dólar, mas ainda distante da mínima de quase 40 anos, em torno de 164 por dólar, atingida no mês passado. As informações são da Reuters. Intervenção marca mudança na relação entre Japão e EUA Trata-se da primeira intervenção cambial conjunta entre os dois países desde o terremoto e o tsunami que atingiram o Japão em 2011. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no domingo, 2, que o apoio ao Japão representa um gesto de amizade e também uma medida voltada à estabilidade da economia global. Já a ministra das Finanças japonesa, Satsuki Katayama, pontuou que os dois governos "não hesitarão" em voltar a atuar conjuntamente se as condições de mercado exigirem. Questionada sobre uma eventual nova intervenção hoje, ela evitou comentar. A operação foi classificada como um reflexo da aliança entre os dois países na avaliação do principal diplomata cambial do Japão, Atsushi Mimura. Ele projeta que o governo continuará coordenando sua estratégia cambial com a política monetária do BoJ. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, também declarou que Washington está disposto a colaborar em novas operações. Em publicação na rede X, o secretário afirmou apoiar as medidas adotadas pelo Japão para corrigir o que considera uma forte subvalorização do iene. Bessent voltou, ainda, a defender que o Banco do Japão acelere o ritmo de alta dos juros. Mercado passa a apostar em alta de juros já em setembro As declarações das autoridades reforçaram a percepção de que o BoJ está, de fato, mais próximo de elevar os juros novamente. Na semana passada, a instituição manteve a taxa básica inalterada, mas indicou que uma alta poderá ocorrer já na reunião de setembro. A estrategista-chefe de renda fixa da Mitsubishi UFJ Morgan Stanley Securities, Naomi Muguruma, vê que a combinação entre a intervenção cambial e o discurso das autoridades praticamente elimina as dúvidas sobre o próximo passo do banco central. A próxima reunião do Banco do Japão está marcada para os dias 17 e 18 de setembro. A leitura também ganhou força no mercado de títulos públicos. O rendimento do bônus japonês de dois anos, mais sensível às expectativas para os juros, chegou a 1,545%, o maior nível desde 1995, refletindo a aposta de investidores em um aperto monetário nas próximas semanas. Meses de negociações entre EUA e Japão levaram à ação Uma autoridade japonesa ouvida pela Reuters destacou que a possibilidade de uma intervenção conjunta começou a ser discutida em janeiro, quando o Federal Reserve (Fed) de Nova York fez consultas incomuns sobre o mercado cambial japonês. As negociações avançaram durante a visita de Scott Bessent ao Japão em maio. Na ocasião, Katayama declarou ter realizado cerca de dez reuniões com o secretário americano, incluindo um encontro de três horas e meia durante um jantar. Naquele período, o Japão havia acabado de realizar uma intervenção sozinho para conter a queda do iene, mas o efeito foi limitado. Pouco depois, o BoJ elevou os juros para 1%, o maior nível em 31 anos, mas a moeda continuou pressionada pela diferença entre os juros japoneses e americanos. Intervenção reduz pressão, mas não resolve os problemas Embora o movimento tenha impulsionado o iene, analistas avaliam que a intervenção, sozinha, dificilmente será suficiente para sustentar uma valorização duradoura da moeda, pois a capacidade de novas intervenções continua limitada pelos ativos que o Japão possui para utilizar como garantia. O economista sênior do NLI Research Institute, Tsuyoshi Ueno, também esclareceu que os fatores que vêm enfraquecendo o iene permanecem presentes, como a diferença ainda elevada entre os juros dos EUA e do Japão e o aumento dos custos de energia provocado pela guerra no Irã. *Com informações da Reuters
Boletim Focus: reduz projeção para inflação e Selic em 2026. Mercado mantém cautela com cenário econômico
O mercado começou a semana ajustando suas expectativas para a economia brasileira. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (03/08), mostrou uma leve redução nas projeções para a inflação e para a taxa básica de juros em 2026. Ainda assim, o cenário segue longe de ser considerado confortável, já que a estimativa para a inflação continua acima do teto da meta perseguida pela autoridade monetária. A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,12% para 5,03% em 2026. A mudança foi pequena, mas indica que parte do mercado passou a enxergar uma desaceleração um pouco maior da inflação. Mesmo assim, o percentual continua acima do limite estabelecido para a meta inflacionária, mantendo vivo o debate sobre o ritmo de flexibilização da política monetária. Para 2027, os economistas não fizeram alterações em suas estimativas. A expectativa permaneceu em 4,22%, sinalizando que o processo de convergência da inflação para níveis mais baixos ainda deve ser lento. PIB segue praticamente estável nas projeções As expectativas para o crescimento da economia mudaram pouco. Para 2026, o mercado manteve a previsão de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,99%. Já para 2027 houve um pequeno ajuste para baixo. A projeção passou de 1,60% para 1,57%, reforçando a percepção de uma atividade econômica que deve continuar crescendo, mas em ritmo moderado. No câmbio, praticamente nada mudou para o próximo ano. A expectativa para a paridade Dólar norte-americano e Real brasileiro (FX:USDBRL) no encerramento de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, a projeção foi reduzida discretamente, passando de R$ 5,29 para R$ 5,28. Na prática, o mercado continua projetando uma moeda norte-americana relativamente estável em 2026, com uma leve valorização no ano seguinte. Outro ajuste importante apareceu nas estimativas para os juros. A projeção para a taxa Selic no fim de 2026 caiu de 14,00% para 13,75% ao ano, indicando que parte dos analistas acredita em um espaço um pouco maior para cortes nos juros caso a inflação continue perdendo força. Para 2027, entretanto, não houve mudanças. A expectativa permaneceu em 12,00% ao ano, sugerindo que o mercado ainda enxerga um processo gradual de normalização da política monetária. (bc) QUER SABER COMO GANHAR MAIS? A ADVFN oferece algumas ferramentas bem bacanas que vão te ajudar a ser um trader de sucesso Monitor - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. Portfólio - Acompanhe seus investimentos, simule negociações e teste estratégias. News Scanner - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. Agenda Econômica - Eventos que impactam o mercado, em um só lugar. Cadastre-se
EUA agitam mercados com rumor de compra de ienes com venda de euros
A medida provavelmente reflete o desejo das autoridades norte-americanas de ajudar o Japão a fortalecer o iene, mas sem incentivar a percepção de que Washington deseja um dólar mais fraco — o que apenas complicaria os esforços para conter a inflação acima da meta, acrescentaram analistas da área de câmbio. "Considerando que, no momento, os EUA têm uma inflação acima da meta, um dólar mais fraco agora não é a melhor coisa para eles", disse Lee Hardman, analista sênior de câmbio do MUFG. Um aumento da inflação causado por um dólar mais fraco em geral poderia dar ao Federal Reserve, que está dividido, mais motivos para elevar as taxas de juros dos EUA. O Ministério das Finanças do Japão também interveio nos mercados na quinta-feira e, além da ação de sexta-feira, houve outros movimentos acentuados nesta segunda-feira, potencialmente impulsionados por intervenções. O iene, sendo negociado a cerca de 157 por dólar nesta manhã (no horário de Brasília), se recuperou das mínimas de 40 anos, próximas a 164. Ele se valorizou quase 4% na semana passada, seu maior salto semanal em dois anos. "A escolha da moeda de intervenção pelo Tesouro dos EUA evita sinalizar um desejo de enfraquecimento generalizado do dólar, em nossa opinião, mantendo a operação restrita apenas ao iene", afirmaram analistas do Barclays em uma nota.