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Documentário espanhol revisita ferida aberta da ETA
UOL - Notícias 04/08/2026

Documentário espanhol revisita ferida aberta da ETA

São Paulo No me llame Ternera Quando Disponível agora Disponível agora Onde Netflix Netflix Autoria Jordi Évole Para quem acha que o mundo anda turbulento demais hoje, os documentários do jornalista espanhol Jordi Évole ajudam a colocar a história recente em perspectiva —e, sobretudo, a levantar perguntas inquietantes sobre o presente. Considerado um dos principais entrevistadores da Espanha, Évole conversou ao longo da carreira com chefes de Estado, empresários, religiosos e personagens centrais da política contemporânea. Na América Latina, entrevistou Nicolás Maduro, José Mujica, Evo Morales e outros protagonistas da região. Seu método é sempre o mesmo: menos confronto teatral, mais tempo para que o entrevistado revele suas próprias contradições. Agora, ele enfrenta talvez o tema mais delicado de sua carreira. "No me llame Ternera", disponível na Netflix, mergulha em uma das feridas mais profundas da história recente da Espanha: o terrorismo da ETA. Josu Antonio Urrutikoetxea Bengoetxea, também conhecido como Josu Ternera - Joel Saget - 2.out.2020/AFP Fundada em 1959, ainda durante a ditadura de Francisco Franco, a ETA ("Euskadi Ta Askatasuna", ou "Pátria Basca e Liberdade") nasceu como um movimento nacionalista basco, mas transformou-se em uma das organizações terroristas mais violentas da Europa Ocidental. Em mais de cinco décadas de atentados, assassinatos e sequestros, matou 853 pessoas —entre policiais, militares, políticos e civis— e deixou milhares de feridos antes de abandonar definitivamente a luta armada, em 2011, e dissolver-se formalmente em 2018. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Carregando... O entrevistado de Évole torna a empreitada ainda mais delicada. Trata-se de Josu Urrutikoetxea, conhecido como Josu Ternera, um dos principais dirigentes da ETA, condenado pela Justiça francesa e alvo de diversos processos na Espanha. A simples decisão de lhe conceder uma longa entrevista provocou intenso debate no país: estaria um jornalista oferecendo palco a um terrorista ou prestando um serviço à memória histórica? É justamente aí que o documentário cresce. Mais do que explicar um conflito complexo —pouco conhecido do público brasileiro—, "No me llame Ternera" transforma a própria entrevista em objeto de reflexão. A questão deixa de ser "deve-se entrevistar um terrorista?" e passa a ser "como entrevistar um terrorista?". Évole não faz concessões nem busca humilhar o entrevistado. Faz algo muito mais difícil: insiste, retorna às perguntas, confronta versões, explora silêncios. Seu maior mérito é compreender que entrevistar não significa concordar. Significa retirar do personagem o conforto das respostas prontas e obrigá-lo a conviver com as próprias contradições. O documentário tampouco procura absolver Josu Ternera. Ao contrário. Ao lhe dar tempo para falar, permite que o espectador perceba, por conta própria, as justificativas, as evasivas e os momentos em que a memória parece mais conveniente do que precisa. É um exercício de jornalismo raro, justamente porque resiste à tentação de transformar uma entrevista em tribunal ou espetáculo. Em tempos de conversas cada vez mais curtas, pensadas para render um vídeo de poucos segundos nas redes sociais, "No me llame Ternera" lembra que o melhor jornalismo continua dependendo de tempo, escuta e preparação. Compreender o mal não significa justificá-lo. Significa enfrentá-lo com perguntas que poucos têm coragem —e paciência— de fazer. No fim, talvez o grande protagonista do documentário nem seja o ex-dirigente da ETA, mas o próprio jornalismo. Jordi Évole demonstra que ainda há espaço para entrevistas capazes de iluminar a história sem abrir mão do rigor. E essa talvez seja a principal razão para assistir ao filme.

Scania usa inteligência artificial para dar sobrevida a motores a diesel
UOL - Notícias 04/08/2026

Scania usa inteligência artificial para dar sobrevida a motores a diesel

São Paulo O ano era 2021. A Scania lançava na Europa o motor Super nas versões de 11 e de 13 litros, considerado naquele momento como a última plataforma a diesel da companhia. Assim como outras empresas, a montadora sueca se via em meio às pressões da eletrificação total dos veículos pesados. Entretanto, a menor capacidade de carga, os custos envolvidos, as dificuldades de infraestrutura e a baixa autonomia dos produtos a bateria foram determinantes para mudar o que se esperava do futuro. Nesse contexto, surgiu a necessidade de dar sobrevida aos antigos motores a diesel, o que exigiu criatividade do departamento de engenharia. Para isso, a empresa passou a usar inteligência artificial no desenvolvimento das soluções. ônibus rodoviário da Scania serve de base para desenvolvimento da motorização a diesel - Divulgação A Scania exibiu na última semana as inovações que surgiram durante o processo de desenvolvimento. Em evento realizado na fábrica de São Bernardo do Campo (ABC), a empresa apresentou a evolução da motorização Super aplicada em um chassi de ônibus rodoviário. Para consumir até 8% menos diesel do que a plataforma mais antiga, o motor recebeu melhorias como um avançado sistema de injeção de combustível e de óleo lubrificante por spray, além de um cabeçote que aguenta maiores pressões de combustão. Mas a montadora teve que explorar mais o conjunto para obter ganhos perceptíveis de eficiência na aplicação rodoviária do chassi de ônibus. É aí que as ferramentas de IA entraram no processo de desenvolvimento, colaborando com o gerenciamento dos recursos do veículo. De acordo com Eronildo Barros, diretor-geral das operações comerciais da montadora no país, a inteligência artificial permitiu a sobrevida ao conjunto mecânico a diesel, que ainda pode ser muito explorado pela companhia. A tecnologia revitalizou os sistemas eletrônicos que controlam as principais atividades do motor, com o objetivo de diminuir o consumo de combustível. Chassi de ônibus rodoviário Scania é equipado com o motor Super de 11 litros - Divulgação "A IA nos ajuda muito hoje. Essa tecnologia está por trás de toda a gestão dos sistemas de nossos produtos, da lubrificação e comandos mecânicos à integração das engrenagens. É essa arquitetura eletrônica que dá suporte ao funcionamento do veículo como um todo", disse o executivo. A gestão mencionada por Barros atua, por exemplo, no sistema que reaproveita partes do diesel que normalmente ficariam escondidas no fundo do tanque, no duplo comando de válvulas (DOHC) e no sistema de injeção e nebulização de Arla 32, solução de ureia em água desmineralizada usada nos veículos a diesel para reduzir a emissão de óxidos de nitrogênio. Barros acredita que a IA abriu espaço para novas formas de se explorar a plataforma diesel. A tecnologia trouxe possibilidades para uma ideia secular que, em dado momento, pareceu que seria definitivamente enterrada pela eletrificação. "Se pensarmos em veículos definidos por software, ou sistemas veiculares controlados por linhas de programação, a inteligência artificial acelera muito o desenvolvimento de novos produtos e também o aperfeiçoamento dos que já existem, como ocorreu com o motor Super", disse o diretor da Scania. Para a montadora, outro fator que poderá alongar a vida dos motores a diesel no mercado é a evolução do combustível, que hoje é melhor do que na época em que a linha Super foi lançada. "O diesel também está cada vez mais eficiente. Daqui para frente, os ganhos futuros que poderemos obter em plataformas de motor a combustão vão envolver combustíveis melhores e conjuntos com melhor aproveitamento energético e maior controle eletrônico de atividades", disse Barros. Essa possibilidade de se fazer mais com motores diesel, segundo o executivo da Scania, pode auxiliar a empresa a atender futuras regulamentações que envolvam eficiência e nível de emissões sem que sejam necessários investimentos muito altos para isso. "Temos que nos espelhar no que acontece na Europa, onde já estão trabalhando em níveis mais rigorosos do que o Euro 6 estabelece. As tecnologias ainda vão conviver juntas, a eletrificação e a combustão", afirmou Barros. No Brasil, a Scania oferece timidamente, desde 2024, o caminhão elétrico 30 G 4x2 com autonomia estimada em 250 quilômetros. Há também chassis de ônibus a bateria. A marca oferece ainda as opções movidas a gás natural, que podem ser abastecidas com biometano de origem renovável.

Incêndios florestais avançam na Europa e no oeste dos EUA
EUA 04/08/2026

Incêndios florestais avançam na Europa e no oeste dos EUA

Resumo Incêndios na Grécia: o fogo se espalha por Atenas e por ilhas gregas, com mais de 400 bombeiros e 21 aeronaves mobilizados nas proximidades de Kandili e Agia Skepi. Um choque entre dois helicópteros em Creta matou dois tripulantes no domingo (2/8). Outros três bombeiros morreram na semana passada. Custos e contexto climático: na Europa, os incêndios já custaram mais de 3 bilhões de euros na temporada de 2026, com quase meio milhão de hectares queimados em junho e julho, acima das estimativas anuais da Comissão Europeia para toda a UE. Meteorologistas apontam que as mudanças climáticas intensificam as condições propícias a incêndios e preveem uma temporada prolongada até o outono. Incêndios nos EUA: no estado de Washington, cerca de 60 mil pessoas foram evacuadas na região de Spokane, com 600 edifícios destruídos no que já é considerado o pior desastre natural da história local. Incêndios também atingem Oregon, Idaho e Utah. Depois de incêndios devastadores na Espanha e na França, o epicentro do fogo na Europa está se deslocando para a Grécia. Focos de incêndio se espalham pelo país, enquanto bombeiros se desdobram para conter o fogo nos arredores de Atenas e em várias ilhas gregas. Em um incidente em Creta, dois helicópteros que atuavam no combate a incêndios se chocaram no domingo (2/8), matando dois tripulantes; outros dois sobreviveram, mas com ferimentos graves. Segundo a Reuters, as autoridades gregas ainda estão apurando as causas do acidente, ocorrido em baixa altitude. Na semana passada, três bombeiros morreram, em Creta e no Peloponeso. No oeste de Atenas, mais de 400 bombeiros e 21 aeronaves foram mobilizados nas comunidades de Kandili e Agia Skepi para enfrentar as chamas que consomem as florestas de pinheiros. O incêndio, que começou na região vizinha de Viotia, no centro-sul grego, alastrou-se para a Ática, onde vivem quase 4 milhões de pessoas, informam AP e Reuters. “Estes dias são extremamente difíceis para nosso país”, disse o primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis. As condições climáticas extremas e as rajadas de vento “testaram e continuam testando a resiliência dos bombeiros, da Defesa Civil, do governo local, mas também dos cidadãos”, pontuou na Bloomberg. Meteorologistas ouvidos pela Bloomberg ressaltaram que as mudanças climáticas intensificaram as condições propícias a incêndios. E alertaram que os padrões climáticos favorecem semanas de tempo quente e seco e uma temporada de incêndios que pode se estender até o outono. Uma análise do Financial Times estima que os incêndios na Europa já custaram mais de 3 bilhões de euros neste ano. Quase meio milhão de hectares – mais de três vezes a área da cidade de São Paulo – foram queimados nos dois primeiros meses da temporada de fogo (junho e julho), com um custo de 3,1 bilhões de euros apenas para os cinco países da zona do euro mais afetados (França, Espanha, Portugal, Grécia e Romênia). O valor supera as estimativas da Comissão Europeia, que previam um impacto médio anual de 2,5 bilhões de euros em toda a União Europeia. Mas os impactos totais devem ser muito maiores. Seguradoras, empresas e cidadãos ainda estão contabilizando os danos às propriedades e plantações, além dos transtornos ao turismo no auge do verão. Outros custos, como o aumento dos prêmios de seguro, a perda de bens seguráveis, a diminuição do número de turistas e a necessidade de investir no combate a incêndios, surgirão com o tempo. O fogo também atinge o noroeste dos Estados Unidos. O estado de Washington também sofre com incêndios florestais devastadores, e cerca de 60 mil pessoas receberam ordem de evacuação na região de Spokane. As chamas já destruíram 600 edifícios, incluindo casas e empresas. Não houve registros de feridos ou mortos, mas o episódio já é o pior desastre natural da história da região, segundo a prefeita de Spokane, Lisa Brown. Segundo a AP, os incêndios em Washington já consumiram cerca de 32 km² até ontem (3/8), enchendo o céu de fumaça e neblina. Já nos vizinhos Oregon e Idaho, um incêndio que persiste há mais de dez dias consumiu quase 1,36 mil km² de pastagens e destruiu mais de 600 casas e outras 800 estruturas. Em Utah, outro incêndio de grandes proporções queimou quase 147 km² na região central do estado, matando mais de 100 cabeças de gado, segundo Bloomberg e Reuters.