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'Direita prova do próprio veneno', diz Paul Freston sobre fake news de Nossa Senhora
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'Direita prova do próprio veneno', diz Paul Freston sobre fake news de Nossa Senhora

São Paulo Não deixa de ser irônico que a mesma direita que tanto difundiu fake news de frete religioso contra adversários seja atingida em cheio por uma desinformação da mesma natureza —e pior, envolvendo Nossa Senhora Aparecida, símbolo católico enraizado na cultura popular. A desinformação da vez prega que Flávio Bolsonaro (PL) quer resgatar um projeto de lei para removê-la no posto de padroeira do Brasil. "A direita está provando do próprio veneno", diz Paul Freston, sociólogo inglês naturalizado brasileiro e pioneiro nos estudos de pentecostalismo e política. "O feitiço virou contra o feiticeiro." Paul Freston, sociólogo da religião que estuda pentecostalismo e política - Gabriela Biló/Folhapress A notícia falsa de que Lula (PT) fecharia igrejas foi reciclada em todas as eleições, lembra. A primeira delas, em 1989, escancarou atritos entre setores católicos e um incipiente bloco evangélico. Freston entrevistou dois anos depois o pastor José Wellington Bezerra da Costa, por anos presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil. Costa lhe disse que evangélicos tinham informações "de que a CNBB estava com um esquema armado para estabelecer a religião católica como a única religião oficial". Nunca houve qualquer indício disso. Freston lançou em 1993 tese de doutorado na Unicamp, que será relançada em dezembro pelo Instituto de Estudos da Religião, sob o título "Protestantes e Política no Brasil: Do Império ao Impeachment de Collor". Décadas se passaram, e o campo progressista continua empacado no diálogo com evangélicos, apostando em estratégias que o sociólogo julga equivocadas, como pôr a primeira-dama Janja na linha de frente dessa mediação. "Que esquerda é essa que acha que não pode aprender nada com a religião mais bem-sucedida entre os pobres?" Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando... Por que o engajamento bolsonarista lhe parece menor nas igrejas em 2026? Pode ser uma combinação de duas coisas. Flávio tem, digamos, os senões, então [os fiéis] não se entusiasmam tanto. Por outro lado, talvez um pouco de reavaliação depois de 2022, um pouco de "puxa, excedemos, o tiro saiu pela culatra, tem que ser um pouco mais sutil". Talvez tenha tido menos daquele negócio de "então procure outra igreja" [para quem discordava da pregação política de direita]. Acho que isso pegou muito mal. Por que Aparecida ganhou tanto relevo nessa reta final? Faz parte da crítica evangélica tradicional à idolatria. Aparecida é o suprassumo da ideia da idolatria, né? E é o símbolo supremo do catolicismo, que não é compartilhado com o protestantismo. Nos pontos mais extremos, tem até o componente racista da negritude da imagem, a ideia de "ah, mas que coisa feia" e tal. Há risco de uma espécie de guerra religiosa no país? Animosidade entre católicos e evangélicos existe desde a implantação das primeiras igrejas evangélicas, e dos dois lados. Do lado das igrejas pentecostais, em alguns momentos perdeu um pouco a centralidade para a questão dos cultos afro, que passaram a ser percebidos como a concorrência mais imediata. O que está acontecendo agora é outro nível, é a concorrência na religião civil para se afirmar na praça pública. A Assembleia de Deus teve, nos anos 1980, uma tremenda mudança de estratégia. Saiu da ideia de "crente não se mete em política" para "irmão vota em irmão". Tem uma citação da entrevista que fiz com José Wellington em 1991. Ele disse assim: "Nós tínhamos informações de que a CNBB estava com esquema armado para estabelecer a religião católica como a única religião oficial". A fala de Flávio sobre decretar o Brasil para Cristo é uma reatualização dessa disputa por espaço religioso? É uma afirmação de que o Brasil vai reconhecer a centralidade [evangélica] na vida pública. O Brasil é do Senhor Jesus Cristo, não de Nossa Senhora Aparecida. Claro, não se diz isso com todas as letras, por extenso, mas implicitamente é a disputa por espaço. À primeira vista, ela pode parecer uma frase genérica cristã, embora seja uma fórmula tipicamente pentecostal. Qual seu apelo entre evangélicos? Na Zâmbia aconteceu algo interessante nos anos 1990. Ganhou a presidência um cara de origem sindical [Frederick Chiluba], mas que tinha se convertido a uma igreja com uma teologia forte. A primeira coisa que fez foi uma cerimônia para limpar o palácio dos espíritos maus e declarar a Zâmbia uma nação cristã. Alguns setores ficaram entusiasmados com a ideia da guerra espiritual. Outros, horrorizados, perguntando o que isso significava concretamente, se haveria uma igreja oficial ou obrigatoriedade de ser cristão para votar. Não significava nada disso na prática. É uma fala que evoca em setores seculares e de outras religiões o medo de uma teocracia. Essa ideia de "o Brasil será do Senhor Jesus Cristo" não significa necessariamente que vai se instituir uma teocracia que vai coibir os direitos civis de não cristãos. É uma abordagem muito mística da realidade. Para boa parte dos evangélicos isso pega. Para outra, não. Acham isso ridículo e sem efeito nenhum, defendendo que o país deve ser do Senhor através de políticas para os pobres. Quando se vê isso na boca de um candidato à Presidência, existe uma agenda eleitoral clara. O Flávio tem uma relação de pertencimento ao mundo evangélico que o pai não tem, mas será que num governo ele tomaria medidas assim, que não teriam apoio nem de boa parte dos próprios evangélicos? O sr. apostaria que não? Com certeza também não teria apoio dos não evangélicos, o que levaria rapidamente a um desgaste político severo. Duvido que ele esteja tão alienado da realidade. Acho que isso é oportunismo eleitoral. O sr. já definiu Jair Bolsonaro como o primeiro presidente pancristão que tivemos, um híbrido entre católico, como ele se declara, e evangélico, base importante para ele. Por que Flávio, que se diz evangélico, parece ser menos querido do que o pai nas igrejas? Tenho a impressão de que não tem a mesma aceitação, talvez pelos escândalos e acusações. Ele tem uma ficha corrida maior e mais exposta da que o pai tinha antes de assumir o poder. E o que aconteceu nesses últimos dias com o episódio de Aparecida mostra o Flávio erodindo esse pancristianismo. Para provar que não estava atacando o catolicismo, acabou atacando o catolicismo. Como o ataque à CNBB? Sim, exato, o que foi um passo em falso. Ele enfraqueceu a própria capacidade que o pai tinha de navegar pelos dois lados do mundo cristão. Em eleições passadas as fake news religiosas tiveram tanto apelo? Já em 1986, na Assembleia Constituinte, havia o boato de restaurar uma religião oficial [o catolicismo]. E em todas as eleições com participação do Lula havia o discurso de que o PT vai fechar igrejas. Mesmo após anos de governos petistas sem nenhuma igreja fechada, sempre ressuscitam esse medo. E é irônico que, com essa história de Aparecida, a direita está provando do próprio veneno. O feitiço virou contra o feiticeiro. Explorar Aparecida é uma boa estratégia para o PT? Divulgar esse boato foi uma maneira do Lula focar em aumentar o voto católico em vez de tentar aumentar o voto evangélico. Em 2002 e 2006, Lula teve 2 em cada 3 votos evangélicos no segundo turno. Hoje ele tem uma média de 30% desse eleitorado. O que houve? Foi importante para o bolsonarismo construir apoio maciço entre evangélicos. As características sociais desse grupo são o inverso da sua base eleitoral inicial. Quem é mais propenso a votar no Bolsonaro? Quem é mais rico, branco e homem. Já o mundo evangélico é predominantemente mais pobre, feminino e não branco. Essa base evangélica foi fundamental para tornar o bolsonarismo um movimento de massas. Por que é tão difícil para Lula reverter essa rejeição? Não há uma resposta única. De um lado, falhas históricas do próprio PT e da esquerda. Em 1991, fiz uma palestra chamada "10 coisas que a esquerda precisa saber sobre os evangélicos, mas nunca teve coragem de perguntar". Não dá para manter uma postura de indiferença, falar dos evangélicos tapando o nariz. O pessoal não é burro, percebe quando está sendo tratado dessa forma. Que esquerda é essa que acha que não pode aprender nada com a religião mais bem-sucedida entre os pobres? Falta um pouco de humildade, de vontade de ouvir. Quão popular é a teologia do domínio nas igrejas? Ela move uma fração do segmento. Na medida em que você começa a chegar mais perto do poder e ter mais chance de influenciar, você começa a sonhar. E abraça o populismo de direita, né? Falo de três frases que retratam uma certa evolução nesse sentido. Primeiro tem aquela frase antiga, "crente não se mete em política". Depois vem "irmão vota em irmão", que é mais um projeto de se apropriar de recursos do Estado e tal. Aí vem uma terceira frase, aquela da Damares Alves: chegou a hora da igreja governar. Aí sim, já é o domínio. O PT ensaia estratégias para se aproximar de evangélicos. Uma delas é colocar a primeira-dama Janja na linha de frente dessa comunicação. Como avalia? A ideia de usar a Janja como uma contra-Michelle não cola. A imagem popular dela no meio evangélico não é positiva. E se entregaram esse papel a ela como prêmio de consolação, é pior ainda, porque mostra novamente certo desprezo pelo campo. Raio-X | Paul Freston Inglês naturalizado brasileiro, Paul Freston é professor colaborador do programa de pós-graduação em sociologia na Universidade Federal de São Carlos e professor catedrático de religião e política em contexto global na Balsillie School of International Affairs e na canadense Wilfrid Laurier University. É autor de vários livros, como "Evangélicos e Democracia Brasileira" e "Cristianismo Antigo para Tempos Novos"

São Paulo x Santos: volta do Brasileirão apresenta menos marcas e manifesto contra fim das bets
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São Paulo x Santos: volta do Brasileirão apresenta menos marcas e manifesto contra fim das bets

O São Paulo, por sua vez, continua com o patrocínio máster da Superbet, que também pode ser vista em placas publicitárias e em telões de led no estádio. As placas também apresentam lemas do manifesto contra a proibição das bets, ação idealizada por instituições ligadas a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e ao Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR). "Proibir não é proteger", "A proibição não acaba com as apostas" e "Acaba com a proteção de quem aposta" foram as frases mostradas no local. "Para ANJL e o IBJR, a manutenção de um ambiente regulado, com regras claras e segurança jurídica, é fundamental para que clubes, empresas e demais agentes da cadeia esportiva possam planejar seus investimentos de longo prazo", afirmou Plínio Lemos Jorge, presidente da ANJL, em comunicado sobre o ocorrido, que irá se repetir na partida entre Atlético-MG e Red Bull Bragantino deste sábado, 3. Além da Superbet e da Betano, outra marca que marca presença no duelo entre São Paulo e Santos é a Esportes da Sorte. Ela aparece no tapete localizado atrás da linha de fundo e nas placar de publicidade. O clube tricolor é uma das equipes que protocolou uma entrada nas ações que correm no Supremo Tribunal Federal (STF) que visam a suspensão da MP.

Votar duas vezes no mesmo candidato para senador anula um dos votos; entenda
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Votar duas vezes no mesmo candidato para senador anula um dos votos; entenda

São Paulo Embora o eleitor que for às urnas neste domingo (4) precise votar para o Senado duas vezes, não poderá escolher o mesmo senador mais de uma vez —se digitar o número do mesmo candidato na urna novamente, o segundo voto será anulado. Algumas das dúvidas mais comuns dos brasileiros na reta final da campanha, além da decisão do candidato para os cargos legislativos (pesquisas mostram que muitos eleitores ainda estão indecisos), tratam do funcionamento prático da votação na urna eletrônica. Uma pesquisa da Quaest divulgada na última terça-feira (29) pela TV Globo e pelo jornal O Globo mostrou que 45% dos eleitores diziam não saber ou erravam a informação sobre a quantidade de senadores em que precisam votar neste ano. O plenário do Senado Federal, em Brasília - Ton Molina - 1.set.26/Agência Senado São dois. De acordo com a Constituição, o Senado não pode ser completamente renovado em uma única eleição, o que significa que, a cada quatro anos, o país vota para preencher ou dois terços da Casa —como vai acontecer em 2026— ou somente um terço. Assim, o eleitor precisa chegar ao local de votação neste domingo com dois números, representando dois candidatos que disputarão as duas vagas a que cada estado tem direito. Vencem os dois mais votados, sem sistema de segundo turno e sem hierarquia entre primeiro e segundo colocado, que exercerão o mandato por oito anos, podendo se reeleger. Hoje, o senador mais longevo da República é Renan Calheiros (MDB-AL), que tem quatro mandatos, tendo sido eleito continuamente desde 1994. Se for eleito novamente, será a primeira pessoa a conquistar cinco mandatos na história da Nova República —o ex-presidente José Sarney, no Senado de 1971 a 1985 e depois de 1991 até 2015, também possui cinco, mas dois deles foram obtidos durante a ditadura militar. As razões para o mandato mais longo dos senadores e para a necessidade de votos distintos a cada ano são históricas. No século 19, muitos dos países que desenharam suas Constituições pela primeira vez copiaram o modelo dos Estados Unidos de um Legislativo bicameral. Lá, como aqui, a Casa baixa representa cada estado de acordo com a população. Isso significa que São Paulo possui uma bancada com 70 deputados federais, enquanto o Distrito Federal e outros contam com apenas 8, o número mínimo de cadeiras por estado. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando... Para evitar que unidades da federação mais populosas dominem a política, o Senado representa os estados de maneira igual: cada um possui três vagas. Além disso, por influência da Revolução Francesa, a Casa alta possui um desenho institucional projetado para protegê-la de mudanças políticas súbitas, impedindo que um grupo político consiga tomá-la por completo de uma só vez e tornando mais difícil seu acesso por candidatos mais radicais —isto é, sem apoio considerável de boa parte de seu estado. Por isso os mandatos são de oito anos, com pelo menos um terço da casa permanecendo o mesmo a cada eleição.

Perguntas Frequentes sobre Câmbio (CAD/NOK)

Qual é a cotação de CAD/NOK hoje?
A cotação de CAD/NOK está em R$ 6.7478 para compra (bid) e R$ 6.7478 para venda (ask), com variação de -0.23% no dia.
Qual a diferença entre preço de compra (bid) e de venda (ask)?
O preço de compra (bid) é o valor pelo qual o mercado compra a moeda de você, enquanto o preço de venda (ask) é quanto você paga para adquiri-la. A diferença entre os dois valores é o spread cambial praticado pelas instituições.
Qual foi a cotação máxima e mínima de CAD/NOK hoje?
Ao longo do dia, o câmbio oscilou entre a mínima de R$ 6.7377 e a máxima de R$ 6.7757.
Onde acompanhar a cotação de moedas e câmbio em tempo real?
No Cotações Hoje você acompanha cotações em tempo real de Dólar, Euro, Libra Esterlina, Iene, Peso Argentino e mais de 20 moedas internacionais atualizadas continuamente.
Aviso Legal sobre Câmbio: As cotações de câmbio são fornecidas para fins informativos e representam taxas de referência do mercado comercial (interbancário). Taxas para compra em casas de câmbio (turismo), transferências internacionais ou cartões de crédito podem incluir spread, IOF e outras tarifas operacionais.