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MoedaReal Brasileiro/Libra Esterlina
Atualizado: 2026-10-02 17:02:40
Resumo Cambial: Real Brasileiro/Libra Esterlina
O câmbio de Real Brasileiro/Libra Esterlina (BRL/GBP) está cotado a R$ 0,1445 para compra e R$ 0,1445 para venda, registrando uma variação de -0.14% no pregão atual. Nas últimas horas de negociação, a moeda registrou a cotação mínima de R$ 0,1440 e a máxima de R$ 0,1450.
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e o que isso revela sobre a forma com que o governo Putin enxerga o Brasil
Como a imprensa russa vê a eleição brasileira - e o que isso revela sobre a forma com que o governo Putin enxerga o Brasil Crédito, Getty Images Legenda da foto, Brasil é visto como parceiro comercial da Rússia que poderia possivelmente ajudar a contornar sanções internacionais Author, Role, Da BBC News Brasil em Londres Published Há 10 minutos Tempo de leitura: 12 min Um importante aliado do Sul Global em oposição às potências ocidentais, um possível parceiro econômico para contornar sanções relacionadas à guerra da Ucrânia e um importante mercado para exportações russas. É assim que o Brasil vem sendo retratado em coberturas na imprensa russa — nas vésperas da eleição que será realizada em primeiro turno no próximo domingo (4/10). Para o analista de Mídia da Rússia da BBC Monitoring, o jornalista Vitaly Shevchenko, a eleição brasileira vem ganhando pouco destaque na imprensa russa. Segundo ele, até o momento, o pleito não foi notícia em nenhum grande telejornal do país. A grande maioria dos russos se informa pela televisão. A BBC Monitoring é uma divisão especializada da BBC que monitora, traduz e analisa mais de 3 mil veículos em mais de 150 países e 100 línguas. Shevchenko monitora a mídia russa e produz relatórios de análise. Na avaliação de Shevchenko, o fato de a imprensa russa ser amplamente controlada pelo Kremlin e de haver pouca cobertura sobre a eleição brasileira indica que o governo russo não está interessado em se manifestar sobre o pleito. "Eu imagino que existam departamentos nas entranhas do Ministério das Relações Exteriores, da inteligência externa ou algo do gênero, preparando relatórios sobre qual candidato traria mais benefícios à Rússia", disse Shevchenko à BBC News Brasil. "A ausência de ampla repercussão na mídia sobre as eleições brasileiras sinaliza apenas uma coisa: o Kremlin não tem interesse em que o público, dentro e fora da Rússia, tome conhecimento da sua visão sobre o pleito." "Mas isso não significa que eles não tenham opiniões." A cobertura da imprensa russa está voltada na sua maioria para o conflito na Ucrânia — e o fato de o Brasil ter pouco envolvimento com a guerra contribui para o pouco espaço dado ao pleito brasileiro na imprensa russa. Mas o analista da BBC Monitoring afirma que, apesar disso, o Brasil ocupa uma posição dentro da política internacional de Vladimir Putin. "O Brasil é importante por causa do Brics. E, há anos — talvez décadas —, Putin vem tentando promover a ideia de que a antiga ordem mundial, dominada pelo que a máquina de mídia do Kremlin gosta de chamar de 'anglo-saxões', chegou ao fim", diz Shevchenko. "O que a está substituindo é o que eles gostam de chamar de Sul Global — alianças como o Brics, do qual o Brasil é membro." Famil Ismailov, editor da BBC News Russia (o serviço de notícias em russo da BBC), diz que analistas russo vêem a corrida eleitoral brasileira como muito apertada e não indicam um favorito — mas que qualquer que seja o vencedor, provavelmente não haverá grandes mudanças nas relações entre Brasil e Rússia. "O Brasil precisa dos fertilizantes e do diesel russos, e a Rússia precisa da carne, da soja e do café brasileiros. Não houve nenhum apoio visível a nenhum dos dois candidatos por parte das autoridades russas. Seja quem for o próximo presidente, o Kremlin parece estar satisfeito", diz Ismailov. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Putin defende que a velha ordem mundial será substituída por uma nova, que incluirá o Sul Global e os Brics Ainda assim, diferentes jornais — todos ligados de alguma forma ao Kremlin, já que a Rússia é um dos países com menor liberdade de imprensa do mundo (veja mais abaixo) — vêm noticiando alguns aspectos da eleição brasileira recentemente. O jornal financeiro Vedomosti cita analistas que dizem que a Rússia "se sentirá confortável" interagindo tanto com Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) — os dois candidatos que lideram as intenções de voto, como mostra o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. O jornal sugere, no entanto, que a Rússia estaria "um pouco mais confortável" com Lula, dado que Flávio Bolsonaro possui maior ligação com Washington e pode vir a afastar o Brasil dos Brics. O jornal oficial do Kremlin, o Rossiyskaya Gazeta, afirma que as eleições estão bastante indefinidas e provavelmente serão decididas no segundo turno. Uma reportagem afirma que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro foram afetados pelo escândalo do Banco Master — e que ambos representam propostas muito distintas para o futuro da economia brasileira. Já o jornal Izvestia, ligado a aliados do presidente Vladimir Putin, afirma que uma vitória de Lula poderia facilitar um projeto de aumentar as transações comerciais entre Brasil e Rússia nas moedas nacionais (real e rublo) — algo que potencialmente ajudaria Moscou a contornar sanções ocidentais. Confira abaixo como a imprensa russa está cobrindo o pleito. Ajuda do Brasil para contornar sanções Uma longa reportagem no sábado (26/09) do jornal Izvestia — que é controlado por aliados do presidente Vladimir Putin — destaca a importância da eleição brasileira para os interesses econômicos russos, em um momento em que o país sofre sanções pesadas do Ocidente por causa da invasão da Ucrânia. O Izvestia noticiou que o Brasil e Rússia querem expandir o seu comércio em suas moedas (real e rublo), hoje limitado a apenas 10% das transações. Segundo o Izvestia, quem manifestou interesse nessa expansão foi o embaixador brasileiro na Rússia, Sergio Rodrigues dos Santos. "A ideia de expandir o comércio em moedas nacionais parece uma continuação lógica da atual política econômica da Rússia e do Brasil: ambos os lados querem tornar os pagamentos mais baratos, mais estáveis e menos dependentes da infraestrutura cambial externa", afirma a reportagem do Izvestia. O objetivo seria favorecer as trocas de produtos agrícolas entre os dois países. A Rússia é o maior fornecedor de fertilizantes minerais ao Brasil. Segundo a reportagem, a Rússia tem interesse de aumentar transações em rublos e reais para contornar sanções internacionais que o país sofre por causa da guerra na Ucrânia. E esse modelo já estaria em funcionamento entre a Rússia e outros países dos Brics, como China e Índia. "A transição para moedas nacionais ajuda a Rússia a proteger seu comércio das sanções ocidentais: esses pagamentos são diretos e não podem ser bloqueados por bancos americanos ou europeus", diz a reportagem. "O abandono do dólar e do euro permite que as transações contornem o sistema SWIFT e os bancos correspondentes americanos, eliminando o risco de congelamento de fundos. Esse modelo já está funcionando com grande sucesso com outros parceiros dos Brics: as liquidações com a China foram quase totalmente (99%) convertidas para rublos e yuans, enquanto a participação do dólar e do euro no comércio com a Índia diminuiu drasticamente." O obstáculo para transações nas moedas nacionais é que os exportadores russos receberiam pagamentos em reais — e não teriam onde gastar a moeda brasileira. "Esse problema pode ser resolvido utilizando os planos que a Rússia já elaborou com a Índia. A Rússia poderia investir seu excedente de reais diretamente no Brasil — por exemplo, em logística portuária local ou na agricultura. Outra opção é expandir as compras: o país é conhecido não apenas pela soja, mas também por sua avançada indústria de engenharia mecânica, incluindo a produção de aeronaves Embraer e autopeças", afirma o jornal russo. "Por fim, a moeda brasileira acumulada poderia ser usada para pagar países terceiros (por exemplo, China ou Emirados Árabes Unidos), que têm grandes projetos na América Latina e necessitam de reais." Crédito, Reprodução Legenda da foto, Reportagem do jornal Izvestia destaca: "Brasil pretende expandir o comércio em moedas nacionais com a Rússia" O futuro desse projeto de uso de reais e rublos em transações depende também das eleições brasileiras, segundo o jornal russo. "O atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, defende o fortalecimento dos BRICS, a cooperação com os países do Sul Global e a transição para moedas nacionais. Seu principal adversário, o senador Flávio Bolsonaro, por outro lado, está focado na reaproximação com os Estados Unidos", afirma a reportagem. O jornal destaca uma declaração dada por Flávio Bolsonaro em junho de que, se for eleito, vai reavaliar "no seu primeiro dia na cadeira de presidente" se o Brasil deve ficar nos BRICS — "um bloco que é muito ideológico, usado para provocar os EUA". No entanto, o programa de governo do candidato do PL não faz menção ao bloco. "Uma possível mudança de poder em Brasília poderia congelar completamente as negociações sobre a transição para o rublo e o real", afirma o Izvestia. "Mesmo que o Brasil reduza seu interesse no BRICS após as eleições, a tendência de desdolarização do bloco global continuará. Rússia, China e Índia, que respondem pela maior parte do comércio intrabloco, permanecem os principais motores econômicos desse processo." Vorcaro: 'trunfo e problema' para Lula e Flávio Bolsonaro O jornal Rossiyskaya Gazeta — jornal oficial do Kremlin — destacou que as eleições estão bastante acirradas no Brasil e que ainda não se sabe "para onde afinal penderá o pêndulo do humor do eleitorado brasileiro". "Os dados mais recentes das pesquisas de opinião mostram uma situação praticamente de empate técnico entre os candidatos", diz o jornal russo. A reportagem destaca que até recentemente Lula vinha liderando as pesquisas de opinião, sobretudo após a divulgação do escândalo Dark Horse em maio, que afetou a intenção de voto em Flávio Bolsonaro. "Parecia que tudo corria da melhor forma possível para Lula", diz o Rossiyskaya Gazeta. Mas então, segundo o jornal, os desdobramentos do escândalo do Banco Master passaram a afetar também o presidente — primeiro com a citação do líder do governo no Senado, Jacques Wagner, e depois com as menções ao ministro do STF Alexandre de Moraes no caso. O jornal destaca que Alexandre de Moraes é visto como um antagonista aos Bolsonaro — e que seu desgaste acaba afetando também a intenção de voto em Lula. O jornal compara o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, a Ostap Bender, um trapaceiro fictício de livros da era soviética, famoso por golpes elaborados e por seu carisma. "No fim, ele [Vorcaro] acabou se tornando simultaneamente um trunfo e um problema tanto para Lula quanto para Bolsonaro. De qualquer modo, até o momento, Flávio alcançou o adversário e, segundo algumas pesquisas, até o ultrapassou em um provável segundo turno, cuja realização parece cada vez mais provável." Segundo os dados do Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil, Flávio aparece à frente de Lula em um eventual segundo turno. Crédito, Reprodução/PF Legenda da foto, O jornal oficial Rossiyskaya Gazeta afirma que Daniel Vorcaro é um "trunfo e um problema" tanto para Lula como para Flávio Bolsonaro O Rossiyskaya Gazeta afirma que Lula e Flávio Bolsonaro propõem modelos econômicos bastante distintos à população. Sobre Lula, o jornal diz que ele "aposta na manutenção do atual arcabouço fiscal combinada com o aumento dos investimentos públicos, projetos de infraestrutura, política industrial, programas sociais e novos aumentos do salário mínimo". "Para conquistar votos adicionais, em setembro ele adotou uma medida social de grande impacto: anunciou a elevação do valor mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691 por mês, um aumento de aproximadamente 15%. Além disso, o presidente apoia o fim da jornada de seis dias de trabalho com apenas um dia de descanso, defendendo uma semana de trabalho mais curta." Sobre Flávio Bolsonaro, o Rossiyskaya Gazeta diz que ele "propõe reduzir os gastos com a máquina pública, criar um novo teto de gastos mais restritivo e retomar a privatização de empresas estatais". "O candidato defende a diminuição da carga tributária, especialmente sobre o setor de energia, e promete endurecer significativamente o combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas", diz o texto. Rússia 'mais confortável' com Lula Uma longa reportagem do jornal Vedomosti publicada em julho afirma que "a eleição presidencial brasileira está se tornando um ponto de convergência para os interesses de outros países" e que a Rússia "está um pouco mais confortável com o atual presidente do país". O Vedomosti foi fundado nos anos 1990 por grupos de mídia ocidentais — incluindo participação do grupo Dow Jones, que publica o americano Wall Street Journal — e já foi uma das publicações independentes mais influentes sobre economia russa, mas em 2020 acabou vendido a aliados de Vladimir Putin. A reportagem ouve analistas de consultorias políticas. Um dos analistas afirma que "qualquer um dos dois candidatos que se torne presidente, a Rússia se sentirá confortável interagindo com ele". Já outro aponta que, caso Bolsonaro vença, "devemos esperar um endurecimento da retórica em relação à Rússia e à China". "Ao que tudo indica, embora Flávio Bolsonaro mantenha relações econômicas com Moscou e Pequim, retórica e ideologicamente ele se inclinará cada vez mais para Washington do que seu pai", afirma a reportagem do Vedomosti. "Nesse contexto, Flávio Bolsonaro poderá aumentar a pressão sobre os instrumentos tradicionais de soft power da China, como os Institutos Confúcio no Brasil. Além disso, Flávio Bolsonaro será menos ativo na cooperação com o Brics — uma continuação lógica da abordagem de seu pai." Crédito, Reprodução Instagram/Eduardo Bolsonaro Legenda da foto, Jornal Vedomosti acredita que Flávio Bolsonaro se inclinaria mais na direção de Washington do que de Moscou e Pequim, se fosse eleito Brasil frustra nova Doutrina Monroe, diz jornal comunista Um dos jornais que dedicou espaço maior à eleição brasileira foi o Pravda, lendária publicação que já foi a mais importante do país na era da União Soviética. O jornal ainda existe e é ligado ao Partido Comunista da Rússia — no entanto, é pouco lido e sem influência no país, segundo analistas de mídia. O Pravda afirma que "o Brasil está frustrando os objetivos dos EUA de implementar integralmente a nova versão da Doutrina Monroe". "As eleições de outubro estão sendo usadas para restaurar a complacência política. Ameaças, chantagens e manipulação estão sendo empregadas", diz o jornal. "Muita coisa foi feita desde o retorno dos republicanos [à Casa Branca]. Fantoches da Casa Branca chegaram ao poder no Chile, na Colômbia, no Peru e em Honduras. Trump, cinicamente (e, infelizmente, não sem razão), chama a Venezuela de 'o 51º estado dos EUA'. Cuba definha sob o peso de um bloqueio, sem apoio externo efetivo." "No entanto, os planos mais ousados de Washington não se realizarão enquanto o Brasil permanecer fora de sua influência. O país, que representa um terço da população da América Latina e 43% do território da região, segue uma política independente. Isso basta para colocá-lo na lista de inimigos dos EUA." O Pravda diz que o governo de Lula "não precisa recorrer a discursos de ódio e mentiras" e que "em menos de quatro anos, mais de 28 milhões de pessoas saíram da pobreza". Já sobre o candidato do PL, a publicação comunista diz que "todas as forças da reação, tanto interna quanto internacional, estão sendo mobilizadas na luta pela vitória de Flávio Bolsonaro" e que "a direita tem pouco a mostrar em termos de resultados". "Sua plataforma se baseia em clichês sobre o combate ao crime", afirma o Pravda. Rússia e liberdade de imprensa A Rússia é o 9º pior colocado em um ranking de 180 países sobre liberdade de imprensa no mundo, publicado pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF). O país está a frente de países como Afeganistão, Arábia Saudita, Irã, China e Coreia do Norte — mas atrás de Cuba, Venezuela e Iraque. Nesse ranking, que é liderado pela Noruega, o Brasil ocupa a 52ª posição e os EUA, a 64ª. A RSF destaca que a liberdade de imprensa se deteriorou na Rússia depois da invasão da Ucrânia em 2022 — com quase a totalidade dos órgãos independentes hoje banidos, bloqueados ou declarados "agentes estrangeiros" (o que impõe restrições burocráticas a empresas) ou "organizações indesejadas" (o que criminaliza os veículos). Todos os canais de TV independentes de propriedade privada são banidos, com exceção dos canais de entretenimento a cabo. Muitos veículos de mídia ocidentais — como BBC, Euronews e France 24 e BBC — não estão mais acessíveis no país. O órgão regulador de mídia russa, Roskomnadzor, censurou a maioria dos sites de notícias independentes: os mais populares, como Meduza e TV Rain, foram declarados "organizações indesejáveis". Segundo a RSF, quem cita esses veículos pode ser processado no país. "Os demais veículos de mídia pertencem ao Estado ou a aliados do Kremlin. Seus funcionários devem seguir ordens do gabinete presidencial sobre assuntos a serem evitados e praticar uma rigorosa autocensura. As estações de rádio estão na mesma situação", afirma relatório da RSF. Jornalistas têm sido cada vez mais indiciados por "extremismo" ou por "compactuar com o terrorismo", segundo a organização. A RSF diz que o governo russo usa penas severas, multas, detenções de curta duração e até mesmo tortura para intimidar jornalistas. A organização afirma que nem mesmo jornalistas russos no exílio estão seguros.
Golpe das 'bets fantasma': sites falsos no TikTok roubam R$ 30 para prometer R$ 3 mil
Startup ZenoX revela investigação sobre rede de sites falsos de apostas que prometem lucros altos com depósitos baixos, mas bloqueiam saques cobrando taxas extras. Dados de milhares de usuários foram vazados. Falsas plataformas de apostas divulgadas em TikTok, Instagram e Telegram prometem retornos de até R$ 3 mil a partir de depósitos de apenas R$ 20 a R$ 30. No entanto, a realidade é que o saque é bloqueado pela própria lógica da aplicação. Uma investigação conduzida pela ZenoX, startup brasileira de inteligência artificial aplicada à cibersegurança, descobriu que esses sites, após o primeiro depósito, cobram mais R$ 30 como suposta 'taxa de liberação'. Pior: eles chegam a fabricar um QR Code do Pix no navegador do usuário para simular o pagamento. Em uma das bases analisadas, 68% das 231 transações estavam com status pendente, ou seja, nunca foram concluídas. Em outra plataforma ligada à operação, dados de mais de 3,6 mil contas ficaram expostos, colocando os usuários em risco de novas fraudes. Principais pontos do golpe Promessa de ganhos de até R$ 3 mil com depósitos iniciais de R$ 20 ou R$ 30. Obrigação de pagar R$ 30 a mais para 'liberar' o saque do dinheiro. Uso de QR Code do Pix gerado falsamente pelo navegador para dar aparência de segurança. 68% das transações monitoradas ficaram presas em estado pendente, sem liberação real. Vazamento de dados de mais de 3,6 mil usuários, incluindo nomes e contatos. Batizada de 'Saque Fantasma', a investigação analisou uma rede de falsas bets que opera em diferentes endereços, mas repete exatamente o mesmo mecanismo de fraude. Dos 231 depósitos examinados em uma das bases, 92% tinham valores entre R$ 20 e R$ 30. Essa é justamente a faixa de valor usada para atrair usuários com a promessa de retornos financeiros altos e rápidos. O segundo Pix aparece na hora do saque Depois do primeiro depósito, o usuário encontra uma interface que parece idêntica à de uma casa de apostas legítima, com jogos, saldo visível e registros de supostos saques anteriores. Quando o usuário tenta retirar o dinheiro, porém, a plataforma informa que é preciso pagar R$ 30 via Pix para liberar o valor. Antes de apresentar essa cobrança, o site ainda simula o processamento da solicitação para aumentar a confiança da vítima. A análise do código-fonte mostrou que, quando a emissão da cobrança pelo serviço de pagamento falha, o próprio site gera um QR Code do Pix localmente no navegador do usuário. O mecanismo responsável por verificar o pagamento, porém, não consegue confirmar a taxa como paga. O saque permanece com o status de 'pagamento da taxa pendente' e o usuário pode gerar um novo QR Code, reiniciando o processo infinitamente. 'A sofisticação não está necessariamente em usar uma tecnologia inédita, mas em combinar recursos simples para criar uma experiência convincente. Quando toda a jornada, do primeiro depósito à tentativa de saque, reforça a sensação de legitimidade, fica muito mais difícil para a vítima perceber onde termina a plataforma e começa a fraude', afirma Gabriel Paiva, CEO da ZenoX. A estratégia para levar usuários até essas páginas passa principalmente pelas redes sociais. Uma das contas de TikTok relacionada ao esquema tinha mais de 126 mil seguidores e 2,5 milhões de curtidas. A ZenoX também encontrou abordagens diretas pelo Instagram e presença ativa no Telegram. As publicações combinam depósitos baixos, promessas de retorno elevado e senso de urgência para estimular o primeiro Pix. Golpe funciona sem instalar malware Apesar da estrutura técnica, a fraude não depende da instalação de um programa malicioso (vírus) no celular ou computador da vítima. O mecanismo está no próprio site. A plataforma reproduz elementos de uma bet convencional, mas sua lógica interna bloqueia a conclusão do saque e cria uma nova cobrança quando o usuário tenta retirar o suposto saldo. Os pesquisadores conseguiram chegar à estrutura interna porque as próprias plataformas deixaram credenciais de produção expostas no JavaScript público. A investigação encontrou ainda uma falha de segurança que permitia elevar os privilégios de uma conta durante o cadastro. A partir das informações deixadas acessíveis pela aplicação, foi possível analisar o backend e as bases de dados usadas pela operação. Uma dessas bases pertencia à NEWWBET7K, plataforma que repetia elementos encontrados nos outros sites. O backend deixou acessível uma base com mais de 3,6 mil contas contendo nomes, e-mails e telefones. A exposição desses dados aumenta o risco de novas tentativas de fraude, inclusive abordagens que usem informações da própria vítima para oferecer uma suposta recuperação do dinheiro roubado. Mesmo golpe, novos endereços A investigação identificou três domínios relacionados à operação: maxxbet7k.online, maxbtt7k.online e newwbet7k.online. Os pesquisadores encontraram elementos em comum de aplicação, infraestrutura e funcionamento, o que sustenta a avaliação de que os endereços fazem parte da mesma operação de golpe. A ZenoX também encontrou indícios de ligação com uma segunda trilha de golpes conhecida como 'Ayrla milionária', divulgada nas redes sociais como um suposto 'bug de saque'. Nesse ponto, o relatório é mais cauteloso: a correlação é classificada com confiança moderada e as evidências não permitem afirmar que as mesmas pessoas estejam por trás das diferentes fachadas. 'Combater esse tipo de fraude exige olhar para a operação como um todo, e não apenas para o site que está no ar naquele momento. Domínios podem mudar rapidamente, enquanto a infraestrutura, os canais de distribuição e a lógica do golpe continuam funcionando. É essa visão mais ampla que permite antecipar novas campanhas, em vez de agir apenas depois que elas chegam às vítimas', explica Paiva. Caiu no golpe Saiba o que fazer! Para quem já enviou dinheiro, a principal orientação da ZenoX é interromper qualquer novo pagamento imediatamente. A investigação mostra que pedidos de taxa de saque, verificação, depósito adicional ou valor mínimo para liberar o saldo fazem parte da continuidade da fraude. Por isso, uma nova cobrança não deve ser encarada como uma forma de recuperar o primeiro Pix; na verdade, é uma nova etapa do roubo. O relatório também recomenda preservar o máximo possível de evidências antes que páginas, perfis ou conversas desapareçam. Entre os principais cuidados estão: não realizar novos depósitos, mesmo que a plataforma alegue que o pagamento é necessário para liberar o saque; guardar comprovantes dos Pix realizados, além de registros das transações exibidas pelo site; fazer capturas de tela das conversas, páginas e perfis usados para divulgar a falsa bet ou abordar a vítima; preservar links e publicações relacionados ao golpe, que podem ajudar a documentar como ocorreu a abordagem; registrar a denúncia nos canais adequados e também reportar os perfis e conteúdos às plataformas em que foram encontrados. Há ainda um risco depois do primeiro golpe. Como a investigação encontrou bases com nomes, e-mails, telefones, histórico de transações e identificadores relacionados ao Pix, essas informações podem ser usadas em novas abordagens. Por isso, a ZenoX recomenda atenção especial a contatos que apareçam posteriormente prometendo recuperar o dinheiro perdido mediante uma nova taxa ou pagamento. A orientação é não enviar novos valores e preservar também as evidências dessas abordagens. Para plataformas e serviços envolvidos na cadeia, a recomendação é que o combate não se limite à derrubada de um único site. Deve-se realizar o bloqueio e o monitoramento da rede de domínios relacionados à operação; revisar credenciais de pagamento; acompanhar novas variações dos endereços; e acompanhar a atuação sobre contas usadas no TikTok, Instagram e Telegram. O relatório completo 'Saque Fantasma', com indicadores identificados e as recomendações para bloqueio e vigilância da operação, está disponível online para consulta pública.
'Termômetro do medo' da B3 renova máxima histórica no último pregão antes do 1º turno das eleições – Money Times
(Imagem: Getty Images Signature/Canva) A dois dias do primeiro turno das eleições, o mercado elevou o risco no mercado brasileiro diante da disputa presidencial mais acirrada da história. O VIX Brasil (S&P/B3 Ibovespa VIX) superou 33 pontos pela primeira vez, no nível mais alto desde a sua criação, em março de 2024. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Nesta sexta-feira (2), o VIX fechou atingiu 33,68, renovando o recorde nominal pelo quinto dia consecutivo. Historicamente, os dias que antecedem as eleições no Brasil são caracterizados por um aumento sensível na percepção de risco e de incerteza quanto ao futuro das políticas econômicas, monetárias e fiscais do país. “Essa contínua reprecificação de expectativas impacta o apetite ao risco e a dinâmica de alocação de capital, provocando oscilações significativamente mais bruscas nos principais indicadores financeiros do país, com destaque direto para a volatilidade do índice Ibovespa e da cotação do dólar frente ao real”, afirmam as estrategistas Paula Zogbi e Rebecca Nossig, da Nomad. O Ibovespa, por exemplo, chegou a oscilar nas primeiras horas do pregão, mas firmou alta na reta final da sessão aos 190 mil pontos, no maior nível desde abril. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Confira os maiores níveis registrados pelo VIX na série histórica: Posição Data Pontuação do S&P/B3 Ibovespa VIX 1º 01/10/2026 32,39 2º 29/09/2026 32,06 3º 28/09/2026 31,84 4º 30/09/2026 31,67 5º 21/09/2026 30,98 Fonte: B3 O que é o VIX brasileiro? O índice tem uma dinâmica semelhante ao o VIX (CBOE Volatility Index), considerado um termômetro de risco dos mercados atrelado ao S&P 500. Com o ticker VXBR, o índice é calculado a partir das Opções sobre o Ibovespa B3 e mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias. Na prática, funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado – por isso, também é chamado de “índice do medo” – e costuma ser acompanhado por investidores, gestores e analistas em momentos de maior incerteza, sobretudo para estratégias de proteção de carteira e gestão de risco. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE