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Como o super El Niño na América Latina afetará a principal região exportadora de alimentos?
UOL - Notícias
13/08/2026

Como o super El Niño na América Latina afetará a principal região exportadora de alimentos?

Buenos Aires e São Paulo | Reuters A América Latina se prepara para o que, segundo especialistas, pode ser o El Niño mais intenso já registrado, o que levanta questões sobre como esse fenômeno climático afetará a principal região exportadora de alimentos do mundo. O El Niño, caracterizado por temperaturas da superfície do mar excepcionalmente altas na região central e oriental do Oceano Pacífico tropical, altera os padrões climáticos em todo o mundo. Na América Latina, ele costuma trazer chuvas mais intensas ao sul, ao mesmo tempo em que aumenta os riscos de seca mais ao norte, afetando a agricultura, a produção de energia, as rotas comerciais e o meio ambiente. Agricultor manuseia grãos de soja - Valentyn Ogirenko - 07.ago.26/Reuters Um inverno excepcionalmente chuvoso no Hemisfério Sul, perturbações nos ecossistemas marinhos do Pacífico e condições de seca já estão afetando partes do Caribe e da amazônia. Pesquisadores esperam que o fenômeno se intensifique e possa superar a intensidade do El Niño de 2015/16 —o mais forte já registrado na história moderna. A seguir, apresentamos alguns dos impactos esperados: IRRIGAÇÃO DE CULTURAS Nos férteis Pampas da Argentina, no Paraguai, no Uruguai e no Sul do Brasil, o El Niño costuma trazer chuvas acima do normal. Apesar das preocupações com um El Niño forte ou "super", analistas afirmam que mais água geralmente é benéfica para as culturas. Germán Heinzenknecht, meteorologista da Consultoria de Climatologia Aplicada da Argentina, disse que, assim como em ciclos anteriores, o El Niño poderia impulsionar as safras de soja, milho e trigo, fornecendo umidade ao solo para o plantio e melhorando a disponibilidade de água durante o verão, de dezembro a fevereiro. O excesso de umidade pode, no entanto, aumentar o risco de doenças fúngicas e levar embora os nutrientes dos campos fertilizados. INFRAESTRUTURA VULNERÁVEL Um El Niño mais forte também pode significar que algumas áreas rurais sofrerão inundações, embora essas sejam, em sua maioria, terras geograficamente propensas a tais eventos, disse Heinzenknecht. Estradas enlameadas ou alagadas podem impedir que os agricultores sul-americanos tenham acesso aos campos, complicando os esforços para aplicar fertilizantes e produtos químicos para proteger a produtividade, comentou o meteorologista. Muitas das estradas rurais que cruzam os principais centros agrícolas do sul da região já se encontram em más condições. Chuvas intensas a partir de setembro também podem causar inundações nas cidades e nas rotas de transporte para os portos —o que levou o governo do Paraguai a colocar unidades militares em alerta e mobilizar equipes de engenharia civil em julho. A costa norte do Peru enfrenta inundações, enquanto as regiões montanhosas sofrem com a escassez de água, um padrão que provavelmente se repetirá no Chile e em outras partes da costa do Pacífico, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). As temperaturas mais altas do mar também estão levando as espécies de pesca comercial para águas mais profundas e reduzindo as capturas. Essa mudança já afetou o setor pesqueiro do Peru, com uma queda de 31% na atividade nos primeiros cinco meses do ano. OPORTUNIDADES NO SETOR DE ENERGIA A distribuição irregular das chuvas pode ser uma boa notícia para o crescente setor de exportação de energia da Argentina. As condições mais quentes e secas previstas para o norte e o oeste do Brasil podem impulsionar a demanda por gás natural argentino para abastecer usinas termelétricas, de acordo com a Olade (Organização Latino-Americana e do Caribe para a Energia). O sul do Brasil e o nordeste da Argentina, por outro lado, terão um aumento acentuado nas chuvas, elevando o nível do rio Paraná e permitindo maior uso das usinas hidrelétricas ao longo de seu curso. As chuvas aumentaram nas bacias hidrelétricas do Sul do Brasil em julho, atingindo 256% da média de longo prazo, segundo dados do ONS (Operador Nacional do Sistema). "Cada El Niño conta uma história diferente", declarou Leydson Dantas, especialista do Instituto Nacional de Meteorologia do Brasil, acrescentando que, em algumas áreas do Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, às vezes pode chover em uma semana o equivalente a um mês inteiro de chuva. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... CURSOS D’ÁGUA EM RISCO As condições mais secas previstas para o Norte do Brasil ameaçam a vasta rede fluvial da Bacia Amazônica, um importante corredor de transporte para o maior exportador mundial de soja. As previsões também apontam para um risco crescente de seca, calor extremo e incêndios florestais no Brasil, na Colômbia e na Venezuela, ameaçando as safras e a produção pecuária. Mais ao norte, a Autoridade do Canal do Panamá, que opera a rota comercial global, está endurecendo as restrições ao peso das cargas dos navios para conservar a água necessária à operação do canal, já que os meteorologistas apontam para uma seca que pode ser pelo menos tão severa quanto o período de seca provocado pelo El Niño de 2023/24. A autoridade vem reduzindo gradualmente os calados máximos das embarcações porque um novo reservatório planejado, destinado a garantir o abastecimento de água para o canal e para a população do país, não estará pronto a tempo. Limites de calado mais baixos forçam os navios a reduzir as cargas, elevando os custos de transporte e colocando em risco a continuidade do comércio. O Panamá está entre os países mais chuvosos do mundo, o que torna a redução das chuvas na região um importante indicador das condições de seca na área. A autoridade afirmou que não espera reduzir os horários diários de trânsito, a menos que seja estritamente necessário. A competição pela passagem de navios já está aumentando, com leilões de última hora de horários alcançando valores na casa dos milhões de dólares, à medida que algumas embarcações buscam rotas alternativas devido às tensões de segurança no Oriente Médio, próximas ao Canal de Suez.

Bitcoin hoje avança empurrado por alívio nos EUA e vira ‘porto seguro’ contra o mau humor da B3
Bitcoin
13/08/2026

Bitcoin hoje avança empurrado por alívio nos EUA e vira ‘porto seguro’ contra o mau humor da B3

Da redaçãoi Da redação https://istoedinheiro.com.br/autor/da-redacao 13/08/2026 - 14:36 Para compartilhar: Copie a URL: Copiar Criptomoeda se descola da volatilidade acionária doméstica e consolida ganhos sustentada pela expectativa de corte de juros pelo Fed e forte demanda de ETFs institucionais O que aconteceu Rali Sustentado: O Bitcoin (BTC) opera em forte alta nesta quinta-feira (13), negociado na faixa dos US$ 108 mil, renovando o otimismo dos investidores após a divulgação de dados de inflação benignos nos Estados Unidos. Cotação em Reais: Com o dólar comercial operando sob pressão na casa de R$ 5,20, a cotação do ativo digital no Brasil ultrapassa os R$ 560 mil, ampliando os ganhos para o investidor local. O Fator Federal Reserve: A redução nas apostas de juros altos nos EUA derruba os rendimentos dos títulos do Tesouro americano ( Treasuries ), canalizando a liquidez global para ativos de escassez comprovada. Refúgio Alternativo: Enquanto o Ibovespa amarga sete pregões seguidos de queda e a Selic estaciona em 14%, o Bitcoin atrai capital de brasileiros em busca de diversificação e proteção em moeda forte. O mercado global de criptoativos vive um dia de forte tração direcional nesta quinta-feira, 13 de agosto de 2026. Liderando o pelotão, o Bitcoin (BTC) consolida sua posição de destaque nos portfólios internacionais, operando com ganhos firmes na região dos US$ 108 mil. O movimento de alta evidencia o descolamento da moeda digital em relação aos ativos de risco tradicionais das economias emergentes, atraindo um fluxo comprador que busca antecipar os próximos passos da política monetária global. O grande motor da valorização do Bitcoin hoje não reside em novidades tecnológicas da rede, mas sim na macroeconomia norte-americana. A divulgação recente do Índice de Preços ao Produtor (PPI) nos Estados Unidos apontou para o esperado “pouso suave” da economia. Com a inflação dando sinais claros de arrefecimento, o mercado precificou que o Federal Reserve (Fed) não tem mais espaço para manter o custo do dinheiro em patamares elevados, o que derrubou os juros futuros nos EUA e enfraqueceu o dólar globalmente (DXY). Historicamente e, de forma mais madura neste ciclo de 2026, quando o custo de oportunidade da renda fixa americana cai, a liquidez institucional migra rapidamente para ativos que não podem ser inflacionados por bancos centrais — tese central do Bitcoin. Para o investidor brasileiro, o ganho de capital no Bitcoin ocorre de forma dupla. A criptomoeda não apenas sobe em dólar, mas o prêmio cambial potencializa a rentabilidade no mercado interno. Com o dólar comercial operando na faixa de R$ 5,20 nesta quinta-feira, influenciado pelo rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan e pelas incertezas geopolíticas, um único Bitcoin passa a ser cotado acima de R$ 560 mil nas principais exchanges (corretoras) que operam no País. Esse cenário cria um contraste brutal no mercado financeiro nacional. Enquanto o Ibovespa definha na casa dos 167 mil pontos, punido por uma taxa Selic a 14% ao ano e pela debandada de R$ 7,2 bilhões de capital estrangeiro apenas em agosto, o Bitcoin passou a funcionar como uma espécie de “porto seguro” assimétrico. Alocadores de patrimônio e escritórios de Wealth Management da Faria Lima têm utilizado os ETFs (Fundos de Índice) de criptoativos listados na B3 para dolarizar as carteiras dos clientes e blindá-las contra o Risco Brasil, sem abrir mão da regulação da CVM. Outro fator que sustenta o atual patamar de preço do Bitcoin em 2026 é a consolidação do choque de oferta programado. Mais de dois anos após o halving de abril de 2024 (que reduziu a emissão de novas moedas pela metade), o mercado absorveu completamente a escassez do ativo. Paralelamente, os ETFs de Bitcoin à vista (spot), aprovados em Wall Street e plenamente maduros em 2026, transformaram a dinâmica de negociação. A entrada constante de capital de fundos de pensão, grandes bancos e tesourarias corporativas americanas estabeleceu um “piso” de liquidez que reduziu drasticamente a volatilidade que outrora afugentava o investidor tradicional. Guia do Investidor Seja você um investidor veterano ou iniciante, a inclusão do Bitcoin na carteira neste ambiente de 2026 exige estratégia e cautela para mitigar riscos: Evite o Fomo (Medo de Ficar de Fora): Com o Bitcoin flertando com os US$ 108 mil, não comprometa seu caixa de uma só vez. A estratégia mais segura continua sendo o Dollar Cost Averaging (DCA) — fazer aportes fracionados (semanais ou mensais) para diluir o preço médio de aquisição. Veículos Regulados na B3: Se você não possui familiaridade com a custódia própria em carteiras frias ( cold wallets ) ou teme as complexidades tributárias, invista através de ETFs de criptomoedas listados na Bolsa brasileira (como HASH11, BITH11 ou QBTC11). Eles garantem exposição direta ao ativo com a facilidade da tributação simplificada via DARF de ganho de capital. Regras de Tributação Atualizadas: Lembre-se de que, pelas regras da Receita Federal vigentes em 2026, lucros obtidos com criptoativos custodiados no exterior estão sujeitos à alíquota anual unificada de 15%. Para operações realizadas em corretoras nacionais (VASPs registradas no Banco Central), as alíquotas seguem a tabela progressiva com isenção para vendas de até R$ 35 mil no mês. Controle a Alocação: Apesar da alta expressiva, o Bitcoin continua sendo um ativo de renda variável e volatilidade iminente. Gestores de risco recomendam que a exposição em criptomoedas não ultrapasse a faixa de 2% a 5% do patrimônio líquido de um investidor conservador, garantindo que o núcleo da carteira continue protegido na renda fixa brasileira a 14% ao ano. Leia mais Offshore vs. Onshore em 2026: onde é melhor investir seu dinheiro com as regras de 2026? Sky Dollar (USDS): a “renda fixa cripto” ganha espaço na carteira dos investidores Renda fixa em dólar: Tesouro americano bate 3% de ganho real e atrai brasileiros Irã no Banco do Brics: país confirma adesão para driblar sanções dos EUA Deutsche Bank se torna o primeiro banco não chinês a operar clearing de yuan na União Europeia Elon Musk anuncia a Terafab: a maior instalação industrial do planeta com aporte de US$ 16,8 bilhões Os 10 carros elétricos mais econômicos do Brasil, segundo o Inmetro Para compartilhar:

Investigação aponta que Pixbet usou empresas no exterior e criptomoedas para ocultar patrimônio
UOL - Notícias
13/08/2026

Investigação aponta que Pixbet usou empresas no exterior e criptomoedas para ocultar patrimônio

São Paulo Um esquema de aquisição de criptoativos e troca de remessas entre empresas brasileiras e estrangeiras, a fim de ocultar patrimônio e sonegar tributos, teria sido usado pela Pixbet para lavar dinheiro de apostas e financiar a regularização da empresa, segundo as investigações. Essa suposta estrutura de ilegalidades motivou a Operação Arena, parceria de Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público, deflagrada nesta quinta-feira (13). Foram efetuados 17 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, na Paraíba e no Paraná. Entre os alvos está o advogado Nelson Wilians, dono do escritório que representa a casa de apostas investigada. A banca disse que a relação com a bet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia. Dinheiro de apostas teria sido usado em esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas - Reprodução/Receita Federal O dono da Pixbet, Ernildo Júnior de Farias Santos, foi preso, segundo a superintendência regional da Polícia Federal na Paraíba. Segundo informação da Receita, companhias constituídas fora do Brasil recebiam quantias altas sem atividade econômica que justificasse tais valores. A gestão dessas empresas, no entanto, era feita em território nacional e simulava operações com o objetivo de atribuir legalidade a valores advindos de apostas. Os valores enviados pelos apostadores à Pixbet por meio de instituições financeiras eram repassados para as empresas de fachada e usados para comprar stablecoins, criptomoedas com valor ancorado no dólar, aponta a investigação. Também eram trocados por dólares em casas de câmbio e enviados para contas em paraísos fiscais. Após essas operações, o dinheiro retornava à casa de apostas. As stablecoins seriam enviadas a contas do grupo empresarial, e os valores remetidos às firmas retornavam como pagamento de dividendos. O saldo das contas no exterior também abastecia a operação da bet. O beneficiário final da atividade da Pixbet, segundo declaração da própria empresa ao Ministério da Fazenda, era o sócio brasileiro da companhia Ernildo Júnior, empresário paraibano também responsável pelas marcas Bet.Bet, Bet da Sorte, entre outras. A defesa da empresa afirmou que ainda não está a par dos autos e que vai se pronunciar oportunamente. De acordo com a Receita, o dinheiro reenviado à casa de apostas foi usado para comprar bens de luxo e pagar outorgas e taxas de regularização da empresa, exigidas pelo governo federal desde o ano passado. Segundo dados obtidos via lei de acesso à informação, Santos está ligado a duas licenças —cada uma custa R$ 30 milhões e exige um depósito de segurança de R$ 5 milhões. Também estão sob investigação possíveis omissões de rendimentos e a utilização de estruturas empresariais para sonegar tributos. Segundo o advogado Fabrício Reis Costa, especialista em crimes patrimoniais, o caminho dos recursos apresentado pela Receita, apesar de não detalhar a operação, pode indicar as etapas comuns de uma lavagem de dinheiro. O envio do dinheiro para o exterior, por meio de empresas e instituições financeiras, é o primeiro passo. Em seguida, as operações financeiras realizadas (saques, transferências, câmbios) misturam valores ilícitos com valores lícitos. "O dinheiro é pulverizado e atrapalha o grande ativo do combate e prevenção à lavagem de dinheiro, que é seguir o dinheiro para saber de onde ele saiu e para quem ele vai chegar", afirma Costa. Após a pulverização e a dissimulação dos valores, ocorre a reintegração. O fato de o dinheiro ter passado por instituições financeiras, casas de câmbio ou fundos de investimento dá à quantia a aparência de legalidade ao chegar no destino final.

FIIs ou ações? Comparação de retornos pode distorcer análise
Fundos Imobiliários Brasileiros
13/08/2026

FIIs ou ações? Comparação de retornos pode distorcer análise

A comparação entre fundos imobiliários (FIIs) e ações pelo retorno histórico pode levar a conclusões equivocadas e induzir o investidor a tomar decisões baseadas em falsas premissas. O resultado da análise pode ser diferente conforme o período analisado, e, além disso, os produtos apresentam características prórprias, exercendo funções distintas dentro de uma carteira de investimentos. A avaliação é de Danilo Barbosa, head de Research do Clube FII, que tratou do assunto em vídeo publicado no YouTube, disponível clicando aqui. Para o especialista, não existe uma resposta única sobre qual dos dois produtos é melhor, já que ações e FIIs possuem propostas distintas. “Fazer essa pergunta é a mesma coisa que eu te perguntar o que você prefere: um martelo, uma chave Phillips ou uma chave de fenda?”, destaca Barbosa, ao ressaltar que os dois produtos financeiros possuem propostas totalmente diferentes. Segundo Barbosa, ao comprar uma ação, o investidor adquire participação em uma empresa e fica exposto ao desempenho e ao crescimento do negócio. Nos fundos imobiliários, a exposição ocorre a imóveis ou operações de crédito imobiliário, com possibilidade de geração de renda por meio desses ativos. O analista também questionou comparações baseadas em backtests, pois toda análise desse tipo possui uma data de início e outra de término, e a escolha desse intervalo pode influenciar o resultado apresentado. “Todo backtest tem um início e um fim e ele pode ser totalmente tendencioso quando vamos comparar dois produtos financeiros”, alerta. Danilo Barbosa, Head de Research do Clube FII IFIX x Ibovespa No vídeo, Barbosa compara risco e retorno envolvendo o IFIX, o Ibovespa, a poupança e o dólar, sem tratar somente da rentabilidade, mas considerando também a volatilidade dos ativos. Na análise apresentada, o IFIX aparece com retorno superior ao Ibovespa no período verificado, além de apresentar menor volatilidade. Barbosa afirma que esse resultado poderia ser utilizado para sustentar uma conclusão favorável aos fundos imobiliários. O próprio analista, porém, ressalta que essa não seria uma conclusão adequada sobre a escolha entre FIIs e ações, tendo em vista que os mesmos dados poderiam ser utilizados para construir uma narrativa de que as ações não seriam interessantes e, posteriormente, defender a manutenção dos dois produtos na carteira. Barbosa também aponta limitações nos índices utilizados. Na avaliação dele, o Ibovespa apresenta concentração relevante em poucas empresas, enquanto o IFIX também possui participação significativa de determinados fundos e gestoras. Para o analista, a comparação deve considerar as características de cada produto e o papel que ele desempenha na carteira, em vez de utilizar apenas o retorno acumulado em um intervalo específico. “Não caiam nessas armadilhas”, conclui.

Achievement hunters: os gamers que vivem para platinar
Olhar Digital
13/08/2026

Achievement hunters: os gamers que vivem para platinar

De uma live de dez horas no PS Vita a rotinas de 20 horas por dia, conheça a cultura que transforma jogos numa caçada sem fim Em março de 2026, o jogador japonês Tqvry encarou uma live de dez horas para fechar uma caçada de um ano e oito meses: a platina de Ninja Gaiden Sigma 2 Plus no PS Vita. O troféu exige terminar o jogo em modo Turbo, em cooperação, mas essa versão nunca teve multiplayer online. A saída foi enfrentar três chefes ao mesmo tempo ao lado de uma parceira controlada por IA. Continua após a publicidade Segundo o PSNProfiles, 7,3% dos jogadores já tinham esse troféu marcado, mas boa parte veio de bugs ou atalhos. Tqvry foi o primeiro a completar o desafio com prova pública. Os relatos anteriores vieram sem comprovação, e o dele saiu ao vivo, do início ao fim. Para a maioria, o jogo acaba nos créditos. Para os achievement hunters, o final de verdade pode levar anos para chegar. O que é ser um achievement hunter O termo é usado desde a metade dos anos 2000, quando as conquistas deixaram de ser um bônus e passaram a ser um objetivo. O Xbox 360 abriu esse caminho em 2005, com o Gamerscore, o primeiro sistema a transformar desempenho em número comparável entre jogos diferentes. A Sony seguiu em 2008 com os Troféus do PlayStation, criando a hierarquia bronze, prata, ouro e platina, sendo a platina o selo reservado a quem destrava absolutamente tudo. Com o tempo, essa cultura ganhou infraestrutura. Sites como PSNProfiles, TrueAchievements e Exophase funcionam como bancos de dados coletivos, calculando a raridade de cada troféu pela porcentagem de jogadores que o conquistaram. Não é um hobby pequeno, na era do PS5 já foram distribuídos 40 bilhões de troféus, e apenas 110 milhões são platinas. Esse universo, aliás, está prestes a crescer ainda mais. Em agosto de 2026, a CEO do Xbox, Asha Sharma, confirmou que “a equipe está trabalhando em algo para o final deste ano”, um equivalente à platina para o Xbox, algo que os 20 anos de Gamerscore nunca tiveram. Por que alguém faz isso A explicação começa no cérebro. Sistemas de conquista disparam o mesmo circuito de recompensa de qualquer outra vitória, e o corpo não distingue muito bem entre uma platina e uma realização de verdade. Mas o motivo muda de pessoa para pessoa. Tem quem busque terminar tudo, quem queira provar domínio técnico em desafios difíceis, quem colecione números por status, e quem faça isso só pela recompensa social de mostrar o perfil de troféus para os amigos, já que nas redes do PlayStation e do Xbox essa lista funciona como uma vitrine. Eu me reconheço em mais de um desses motivos: sou do time que gosta de platinar. Nem todo mundo que sente esse efeito se considera um caçador. Em um relato recente de um artigo do TheGamer, a jornalista Jade King admitiu que, mesmo sabendo que troféus não significam nada, eles mudaram sua forma de escolher em qual plataforma jogar. Ela resume bem o dilema: não queria que esses sistemas deixassem de existir, mas reconhece que eles alteraram sua relação com os próprios jogos. Quando a caça vira estilo de vida Existe um limite entre curtir esse hobby e viver só para ele, e poucos casos mostram isso melhor que o de Hakam Karim, jogador do Bahrein conhecido na comunidade de trophy hunters como Hakoom. Em 2018, ele recebeu um Guinness World Record por acumular 1.691 platinas, chegando a 1.717 pouco depois, resultado de dez anos jogando de 10 a 20 horas por dia. Na época, ele já vivia parcialmente disso, alugando jogos de visual novel e cobrando de 20 a 500 dólares para platinar títulos de outras pessoas. Continua após a publicidade Ele resumiu o peso da rotina em uma declaração enviada por e-mail à Kotaku, dizendo que não conseguia jogar nada por diversão, porque precisava ficar destravando troféus em outros jogos só para manter o ranking. A história ganhou um capítulo sombrio em 2024, quando a Sony baniu sua conta por atividades suspeitas, entre elas o uso de mais de 200 contas e 29 consoles diferentes. A conta foi restaurada, mas a parceria com a Sony acabou, e ele anunciou a aposentadoria. O Xbox tem seu próprio recordista, e a história dele é mais tranquila. Raymond Cox, o Stallion83, foi o primeiro a bater um milhão de Gamerscore em 2014, e chegou a dois milhões em 2018, quase treze anos de dedicação. Em 2017, ele perdeu o topo do ranking para outro jogador por um motivo bem simples, tinha ido para a lua de mel. O lado bom e o lado ruim Nem tudo nessa cultura é saudável. A caça a troféus fáceis alimentou a ascensão do shovelware, jogos baratos e de baixa qualidade feitos só para inflar perfis de conquista rapidamente. O problema cresceu tanto que a própria Sony passou a agir, deslistando títulos da loja e cortando parceria com estúdios que abusavam da prática. Continua após a publicidade Do lado bom, fica a comunidade. No Brasil, essa troca existe há mais de uma década, um exemplo é o myPSt, ranking brasileiro de troféus de PlayStation criado nos anos 2010 e que continua ativo até hoje, com trocas de dicas e disputas de posição entre jogadores. Já em 2012, colunistas locais discutiam o dilema, elogiando como as conquistas incentivam a explorar conteúdo que passaria batido, mas criticando quem larga uma partida cooperativa assim que pega seu troféu, sem se importar com o resto do grupo. VEREDITO A criação das conquistas deu aos hardcore gamers uma nova tarefa, e quem faz parte desse grupo ama provar que é bom nisso, eu incluída. Ainda não considero finalizados boa parte dos meus jogos favoritos, simplesmente por não ter conseguido platinar tudo. The Witcher 2 é o exemplo que mais me incomoda, falta só The Madman, a conquista de zerar no modo mais difícil, que funciona assim: se eu morrer, volto para o início. E a run pode levar de 20 a 30 horas. Continua após a publicidade Tqvry, Hakoom e Stallion83 mostram o mesmo hobby em extremos diferentes, meses numa platina só, uma rotina inteira de horas por dia, ou anos perseguindo um número. Entre eles cabe o jogador comum, que talvez nunca platine nada, mas sente aquela vibração boa quando o troféu aparece na tela. E não dá pra tratar isso como capricho bobo, a Microsoft está criando sua própria platina porque esse comportamento é grande demais pra ignorar, e a Sony já precisou combater o lado mais tóxico dessa cultura, o shovelware feito só pra inflar perfil. No fim, o que separa quem curte esse hobby de quem se perde nele não é a quantidade de platinas, é se o jogo continua sendo motivo de prazer ou virou obrigação. Pra Tqvry, e pra mim, ainda vale muito a pena, esse processo é recompensador. Eduarda Saturnino É técnica em audiovisual e community manager com 7 anos de experiência no universo gamer. Ver todos os artigos → Amazon Prime também é feito para jogadores! Todo mês, obtenha itens exclusivos, jogos grátis, uma assinatura gratuita na Twitch.tv e muito mais com sua assinatura Prime. Clique aqui para um teste gratuito de 30 dias.

Mais de 40 empresas do setor de criptomoedas alertam sobre a lacuna de segurança da IA
Altcoins
13/08/2026

Mais de 40 empresas do setor de criptomoedas alertam sobre a lacuna de segurança da IA

Pontos principais Mais de 40 grupos, incluindo a Coinbase, assinaram a carta de 10 de agosto sobre acesso à inteligência artificial (IA). O ecossistema do Bitcoin, avaliado em mais de US$ 1 trilhão, enfrenta buscas mais rápidas por vulnerabilidades auxiliadas por IA. Os laboratórios de IA podem responder às cinco medidas de acesso solicitadas nos próximos meses. O Bitcoin Policy Institute publicou a carta aberta, intitulada “Defenders Need the Frontier” (Os defensores precisam da fronteira), em 10 de agosto. Entre os signatários estão a Coinbase, Bitgo, Block, Blockstream, Anchorage Digital, ARK Invest, Bitwise, Foundry, Strategy, MARA, Galaxy, Trezor e grupos de apoio a desenvolvedores, como Brink, Chaincode Labs, Btrust, OpenSats e BTCPay Server. Uma corrida entre atacantes e defensores O pedido gira em torno de uma realidade em transformação na área de segurança cibernética. Sistemas avançados de IA podem analisar enormes conjuntos de códigos de computador, identificar possíveis vulnerabilidades e ajudar pesquisadores a testar se uma falha pode ser explorada. Isso pode tornar as análises de segurança mais rápidas e completas. Também pode tornar os ataques mais baratos e fáceis de ampliar. A notícia surge após a recente violação da Coldcard, na qual suspeita-se que a IA tenha detectado a falha no firmware da carteira de hardware antes que ela fosse explorada. A coalizão afirma que grandes laboratórios de IA e um pequeno grupo de parceiros selecionados frequentemente têm acesso antecipado a esses recursos, enquanto as pessoas que mantêm softwares financeiros de código aberto amplamente utilizados não têm. Quando ferramentas mais poderosas se tornam amplamente disponíveis, argumenta a carta, os invasores podem já ter encontrado maneiras de acessar, copiar ou desenvolver recursos comparáveis. “A IA de ponta está mudando a economia tanto da pesquisa em segurança quanto das operações cibernéticas”, afirma a carta. Ela alerta que os defensores frequentemente enfrentam restrições de segurança ao tentarem usar produtos públicos de IA para pesquisas legítimas, o que os leva a “depender de alternativas de código aberto menos capazes para análises críticas de segurança”. Modelos de código aberto são sistemas de IA cujo software subjacente pode ser baixado e adaptado por desenvolvedores externos. Eles podem ser úteis, mas a coalizão afirma que podem não se equiparar aos modelos mais robustos disponíveis nos principais laboratórios. A diferença é relevante quando uma equipe pequena precisa inspecionar softwares complexos que lidam com dinheiro real. O que está em risco Somente o bitcoin protege mais de US$ 1 trilhão em valor, de acordo com a carta. O sistema mais amplo de ativos digitais também depende de software de código aberto para carteiras, bibliotecas criptográficas, processadores de pagamentos, exchanges, serviços de custódia e ferramentas da Lightning Network. Uma falha em qualquer uma dessas componentes pode ter consequências graves. Os ativos digitais costumam funcionar como títulos ao portador: o controle das credenciais criptográficas pode significar o controle dos fundos. Uma vez que o dinheiro é transferido, a recuperação pode ser difícil ou impossível. Isso torna a detecção rápida especialmente importante para consumidores que mantêm poupanças, comerciantes que aceitam pagamentos em bitcoin e empresas que protegem os ativos de seus clientes. A coalizão argumenta que falhas de segurança podem expor contas de aposentadoria, fundos empresariais, poupanças de emergência e capital institucional, e não apenas sistemas de software. A carta afirma que a pressão já é visível entre pequenas equipes de manutenção. Ela menciona que o Bitcoin Policy Institute recebeu relatos de que agentes sofisticados, incluindo possíveis adversários estrangeiros, estão usando recursos avançados de IA para manter a pressão sobre desenvolvedores de código aberto. Mesmo ataques malsucedidos podem consumir tempo e dinheiro que os mantenedores, de outra forma, gastariam aprimorando seu software. Uma auditoria recente demonstrou o poder defensivo da IA A iniciativa segue-se a um projeto voluntário realizado no início de agosto chamado Bitcoin Red Team, que utilizou ferramentas assistidas por IA para auditar códigos relacionados ao Bitcoin. Entre os participantes estavam o desenvolvedor do Cashu, Calle, e o CEO da Anchorwatch, Rob Hamilton. Em um dos primeiros relatórios publicados no X, o grupo analisou 390 projetos em cerca de 27,5 horas e registrou aproximadamente 4.962 descobertas. Entre elas, havia dezenas classificadas como críticas e centenas consideradas de alta gravidade. A equipe utilizou vários sistemas de IA, incluindo o Kimi K3 da Moonshot, sistemas da OpenAI e variantes do Claude da Anthropic, enquanto a Opensats ajudou a financiar os custos de computação, que chegaram a dezenas de milhares de dólares. Essas descobertas não são vulnerabilidades confirmadas automaticamente. Relatórios gerados por IA ainda exigem que profissionais experientes os verifiquem, avaliem sua gravidade e coordenem as correções. Mas a escala do esforço mostrou com que rapidez a IA pode ajudar pesquisadores de segurança a analisar códigos complexos que, de outra forma, levariam muito mais tempo para serem examinados. A coalizão afirma que as restrições de acesso forçaram o grupo a depender fortemente dos modelos disponíveis durante seu trabalho inicial. Seu argumento mais amplo é que defensores qualificados devem poder usar os sistemas mais avançados antes que esses sistemas se tornem ferramentas comuns para criminosos ou governos hostis. Uma violação real aumentou os riscos O debate tornou-se mais urgente depois que o BTCPay Server divulgou uma falha crítica que afetava versões anteriores à 2.4.2. O BTCPay é um software de código aberto que ajuda comerciantes a aceitar pagamentos em Bitcoin. A vulnerabilidade poderia permitir que um invasor remoto não autenticado obtivesse credenciais confidenciais de administrador para o LND, uma implementação comumente usada da Lightning Network. Essas credenciais poderiam dar ao invasor o controle das carteiras conectadas e permitir que os fundos fossem desviados. A falha foi ativamente explorada, e alguns operadores relataram perdas. O incidente serviu de exemplo concreto para o argumento da carta. Membros da Bitcoin Red Team ajudaram a analisar o problema, enquanto o desenvolvedor da Sparrow Wallet, Craig Raw, desempenhou um papel fundamental na identificação da falha após ter sido afetado, de acordo com a reportagem original. A BTCPay afirmou que a IA está alterando o equilíbrio entre invasores e defensores ao reduzir o custo da revisão de grandes bases de código. A Coalizão Não Está Pedindo a Divulgação Pública Os signatários não estão pedindo acesso público irrestrito aos modelos de IA com maior capacidade cibernética. Em vez disso, eles querem programas permanentes de acesso confiável para pessoas e grupos que possam demonstrar responsabilidades legítimas em matéria de segurança. Os programas propostos por eles ofereceriam acesso antecipado e controlado a modelos avançados, incluindo sistemas em pré-lançamento, quando apropriado. Eles também buscam capacidade computacional suficiente para tarefas de IA de longa duração, espaços seguros para inspecionar códigos privados ou sob embargo e canais de comunicação diretos com as equipes de segurança dos laboratórios. A carta pede especificamente que os laboratórios não limitem a elegibilidade a grandes empresas e governos. Pequenas organizações sem fins lucrativos, mantenedores independentes e desenvolvedores voluntários muitas vezes protegem softwares usados por milhões de pessoas, afirma a carta, mas podem não ter os recursos ou vínculos institucionais necessários para ingressar nos programas existentes. “Os defensores precisam da fronteira”, conclui a carta. “Por favor, deem a eles uma vantagem inicial justa.” O que acontecerá a seguir dependerá de os principais laboratórios de IA expandirem seus programas especializados de acesso à segurança cibernética e de incluírem a infraestrutura financeira de código aberto em suas regras de elegibilidade. A carta continua aberta para assinaturas adicionais, e usuários, comerciantes e investidores de bitcoin devem ficar atentos às respostas dos laboratórios, aos novos resultados de auditorias e a novas divulgações de projetos de software que dependem de análises de segurança assistidas por IA.

EUA incluem Brasil em lista de países usados para triangulação de produtos chineses
UOL - Notícias
13/08/2026

EUA incluem Brasil em lista de países usados para triangulação de produtos chineses

Washington O governo de Donald Trump incluiu o Brasil em uma lista de mais de 40 países que, segundo a Casa Branca, apresentam risco elevado de serem utilizados para o chamado "transshipment" (transbordo) ilegal. O termo se refere à passagem de mercadorias de um determinado país por terceiros antes de entrar nos Estados Unidos para evitar tarifas ou outras medidas comerciais. Em relatório divulgado nesta quinta-feira (13), a Casa Branca classificou o Brasil no segundo de três níveis de países que fariam parte do que o documento chama de "Shadow Transshipment Network", ou "rede paralela de transbordo". Segundo o governo americano, o nível 2 reúne países com volumes significativos de transbordo e maior integração com cadeias de fornecimento, plataformas industriais, sistemas logísticos ou rotas de redirecionamento ligadas à China. Além do Brasil, integram a categoria Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã. O presidente dos EUA, Donald Trump, durante entrevista a jornalistas em frente ao Air Force One - Anna Moneymaker/Getty Images via AFP O documento afirma especificamente que Brasil e Turquia funcionam como "plataformas regionais maiores de produção e logística capazes de sustentar redirecionamentos ou alegações de transformação em determinadas categorias de produtos". O nível 1 é composto pelos chamados "líderes diversificados de grande escala": países e blocos comerciais que respondem por grandes volumes absolutos de mercadorias ligadas à China, ao mesmo tempo em que mantêm bases industriais diversificadas e grandes plataformas de exportação destinadas aos Estados Unidos, como Canadá, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Taiwan. O nível 3 reúne economias menores que, segundo a Casa Branca, apresentam volumes mais baixos de transshipment ilegal, mas possuem características que podem facilitar o redirecionamento de produtos ligados à China. É o grupo que reúne o maior número de países e inclui, entre outros, Camboja, Laos e Panamá. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... O relatório define como produtos "ligados à China" mercadorias que não são necessariamente declaradas como de origem chinesa ao entrar nos Estados Unidos, mas que apresentam indícios de origem econômica, controle ou conteúdo chinês. Entre os elementos considerados estão componentes produzidos na China, propriedade ou financiamento chinês, relações com fornecedores ou fabricantes chineses, etapas de produção realizadas no país ou histórico das rotas comerciais. A Casa Branca afirma que o transshipment pode envolver montagem ou processamento limitado, troca de etiquetas, reembalagem, emissão de novas faturas ou alterações de documentação destinadas a criar a aparência de uma origem nacional diferente para a mercadoria. O próprio relatório ressalva, porém, que a redução das importações americanas diretamente da China e o aumento da participação de terceiros países não demonstram, por si só, que todo esse deslocamento corresponda a transshipment ilegal. Parte da mudança pode refletir alterações legítimas na produção, nos investimentos e nas fontes de fornecimento. Além da classificação por níveis de risco, o relatório coloca Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru em uma categoria denominada "corredores latino-americanos". Segundo o documento, a função associada a esse grupo envolve redirecionamento de mercadorias pelos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenamento alfandegado e montagem regional. Peter Navarro, conselheiro sênior da Casa Branca para Comércio e Indústria, afirmou em entrevista a jornalistas nesta quinta acompanhada pela Folha, que a estratégia do governo não será direcionada apenas aos países de origem das mercadorias, mas também àqueles que viabilizam o transbordo. Segundo Navarro, acordos comerciais negociados pelo governo Trump passarão a incluir uma cláusula sobre a prática, com previsão de punições para tentativas de triangular mercadorias. "Se você tentar fazer transshipment, enfrentará penalidades, e elas serão duras", afirmou. Ele disse que a estratégia é atuar sobre os países que classificou como "facilitadores" da prática. Durante o briefing, Navarro afirmou ainda que o combate à triangulação deverá fazer parte das negociações comerciais conduzidas pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Segundo ele, dados da alfândega poderão ser usados para apontar aos parceiros comerciais quais produtos estariam sendo triangulados e exigir que a prática seja interrompida. Navarro afirmou ainda que o governo estima entre US$ 40 bilhões e US$ 75 bilhões por ano em mercadorias envolvidas na prática. Segundo ele, os cálculos são conservadores e o valor real pode ser maior. O assessor disse ainda que o reforço da fiscalização poderá resultar em "dezenas de bilhões de dólares" adicionais em arrecadação para o Tesouro americano. "A percepção convencional era de que o transshipment ocorria, mas era relativamente pequeno e envolvia apenas alguns países. Mas nós encontramos mais de 40 países", disse ele. O documento também descreve o desenvolvimento de um sistema chamado "Detective Border", que utiliza inteligência artificial para analisar dados do comércio internacional. Segundo o relatório, algoritmos podem comparar a origem declarada das mercadorias, seu histórico de rotas e o conteúdo dos produtos com padrões esperados para identificar inconsistências e direcionar a fiscalização da alfândega americana para operações consideradas de maior risco. Navarro afirmou que a Casa Branca trabalha com a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) há mais de seis meses no desenvolvimento do sistema e que a expectativa é atingir escala plena ainda neste ano. Segundo ele, a ferramenta permitirá analisar embarques destinados aos Estados Unidos e estimar, antes da chegada das mercadorias aos portos americanos, a probabilidade de que uma carga ou parte dela envolva transshipment. A partir dessa análise, os embarques poderão ser classificados por nível de risco para que a alfândega priorize aqueles considerados mais suspeitos. Navarro afirmou ainda que, quando uma irregularidade for identificada em um embarque, a alfândega poderá, em determinadas circunstâncias, revisar operações anteriores. Segundo ele, é possível retroagir por até um ano e cobrar tarifas não apenas sobre a carga identificada, mas sobre outros embarques realizados durante esse período. O conselheiro afirmou que o governo espera que a ampliação da fiscalização resulte na cobrança de dezenas de bilhões de dólares adicionais em tarifas. Ele também disse esperar que a medida proteja empregos e cadeias produtivas americanas.

Momento B3: Allied, Copasa, Melnick, Sabesp, T4F e os principais destaques desta quinta-feira (13)
B3
13/08/2026

Momento B3: Allied, Copasa, Melnick, Sabesp, T4F e os principais destaques desta quinta-feira (13)

Esse é o Momento B3 do dia 13 de agosto de 2026, com tudo o que você precisa saber sobre as empresas negociadas na B3! Atualização constante durante o pregão. 💥 Confira os destaques corporativos de hoje 💥 Allied (ALLD3) A Allied reportou lucro líquido de R$ 36,6 milhões no 2T26, mais que o dobro do registrado no mesmo período de 2025, com crescimento de 130,8%. A margem líquida avançou de 1,1% para 2,5%. Azzas (AZZA3) A Azzas reportou no segundo trimestre de 2026 lucro líquido de R$ 106,5 milhões, queda de 62,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Banco do Brasil (BBAS3) O Banco do Brasil apresentou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), alta de 3,3% na comparação anual e de 13,9% sobre os três primeiros meses do ano. O resultado veio acima dos R$ 3,6 bilhões projetados por analistas, segundo estimativas compiladas pela LSEG. Saiba mais… Copasa (CSMG3) A Copasa encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com lucro líquido ajustado de R$ 275,5 milhões, queda de 4,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. O resultado mostra uma companhia que segue avançando operacionalmente, mas enfrenta uma pressão cada vez maior das despesas financeiras e do aumento do endividamento. Saiba mais… Desktop (DESK3) A Desktop encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 29,2 milhões, queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da retração no lucro, o balanço financeiro mostrou avanço operacional, com receita líquida consolidada de R$ 322 milhões e EBITDA ajustado de R$ 172,4 milhões. Saiba mais… Grupo GPS (GGPS3) O Grupo GPS reportou lucro líquido de R$ 378 milhões no segundo trimestre de 2026 (2T26), avanço de 204% em relação aos R$ 124,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado da companhia, negociada na bolsa de valores por meio das ações Grupo GPS, foi impulsionado principalmente pela reversão de provisões relacionadas ao tema do Sistema S, que trouxe impacto positivo líquido de aproximadamente R$ 230 milhões no trimestre. Saiba mais… Grupo Multi (MLAS3) O Grupo Multi encerrou o segundo trimestre de 2026 com um salto expressivo no lucro líquido, que alcançou R$ 142,2 milhões, alta de 619,1% em relação aos R$ 19,8 milhões registrados no mesmo período de 2025. A margem líquida também avançou de 2,1% para 14,8%, reforçando a melhora da rentabilidade da companhia. Saiba mais… Kepler Weber (KPLE3) A Kepler Weber encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com lucro líquido de R$ 6,3 milhões, uma queda de 56,1% em relação aos R$ 14,4 milhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado trimestral da companhia veio acompanhado de retração da receita e do Ebitda, evidenciando a pressão sobre as margens no período. Saiba mais… Log-In (LOGN3) A Log-In apresentou lucro líquido de R$ 133,2 milhões no 2T26, salto de 431% frente ao lucro de R$ 25,1 milhões registrado um ano antes. O resultado foi beneficiado principalmente pelo ganho com a venda dos navios Log-In Pantanal e Log-In Resiliente. Melnick (MELK3) A Melnick encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 34,1 milhões, queda de 13,1% em relação ao 2T25. Apesar da retração do lucro nominal, a margem líquida antes da participação dos minoritários avançou para 18,6%, ante 14,8% um ano antes. Metal Leve (LEVE3) A Mahle Metal Leve divulgou nesta quarta-feira, 12, após o fechamento do mercado, que teve no segundo trimestre de 2026 (2T26) lucro líquido de R$ 159,5 milhões, alta de 25,8% na comparação com o mesmo trimestre de 2025 (2T25). Moura Dubeux (MDNE3) A Moura Dubeux divulgou nesta quarta-feira, 12, que teve no segundo trimestre de 2026 (2T26) o maior lucro líquido trimestral de sua: R$ 173,9 milhões, crescimento de 44,6% em relação ao mesmo trimestre de 2025 (2T25). MRV&CO (MRVE3) A MRV&CO encerrou o segundo trimestre de 2026 com prejuízo líquido consolidado de R$ 626,3 milhões, uma redução de 22,7% em relação à perda registrada no mesmo período de 2025. Apesar do resultado negativo, o balanço financeiro trouxe sinais de recuperação operacional, com receita líquida de R$ 2,99 bilhões, alta de 10,7% na comparação anual, e lucro líquido ajustado de R$ 73,8 milhões. Saiba mais… Rumo (RAIL3) A Rumo apresentou lucro líquido ajustado de R$ 688 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 5,8% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da retração anual, o resultado veio acima das expectativas do mercado, que apontavam para lucro de R$ 526,4 milhões, segundo dados compilados pela LSEG. O balanço foi divulgado na quarta-feira (12/08). Saiba mais… Sabesp (SBSP3) A Sabesp divulgou nesta quarta-feira, 12, lucro líquido ajustado de R$ 1,15 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 41,2% em relação ao mesmo período de 2025. Simpar (SIMH3) A Simpar encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com lucro líquido ajustado de R$ 52 milhões nas operações continuadas, revertendo o prejuízo ajustado de R$ 42 milhões registrado no mesmo período de 2025. O resultado veio acompanhado de melhora operacional e de uma redução relevante da alavancagem financeira do grupo. Saiba mais… Suzano (SUZB3) A Suzano registrou lucro líquido de R$ 1,81 bilhão no segundo trimestre de 2026 (2T26), queda de 64% frente aos R$ 5,01 bilhões registrados no mesmo período de 2025. O resultado trimestral foi pressionado principalmente pela piora do resultado financeiro, pela redução da receita líquida e pelo aumento dos custos de produção, em meio à valorização do real frente ao dólar e aos impactos das tensões geopolíticas sobre custos e logística. Saiba mais… T4F (SHOW3) A T4F registrou prejuízo líquido de R$ 14,6 milhões no segundo trimestre de 2026, piora significativa em relação ao prejuízo de R$ 0,1 milhão observado no mesmo período de 2025. Track&Field (TFCO4) A Track&Field registrou lucro líquido ajustado de R$ 44,3 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. A margem líquida ajustada, porém, caiu 1,1 ponto percentual, para 15,8%. Ultrapar (UGPA3) A Ultrapar Participações encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,7 bilhão, alta de 46% na comparação anual. O resultado da companhia veio acima das expectativas dos analistas, enquanto o EBITDA ajustado recorrente avançou 2,5 vezes, para R$ 3,66 bilhões. O balanço financeiro também trouxe uma notícia relevante para quem acompanha as ações Ultrapar: a empresa aprovou R$ 1,085 bilhão em dividendos, equivalentes a R$ 1 por ação, além de um programa de recompra de até 18 milhões de ações. Saiba mais… Unifique (FIQE3) A Unifique divulgou nesta quarta-feira, 12, após o fechamento do mercado, que teve no segundo trimestre de 2026 (2T26) lucro líquido de R$ 45,9 milhões, leve alta de 1,5% na comparação com o mesmo trimestre de 2025 (2T25). Vale (VALE3) A Vale informou que sua subsidiária Vale Base Metals (VBM) decidiu avançar com o projeto de Flotação de Partículas Grossas (Coarse Particle Flotation, ou CPF) no Complexo de Cobre Salobo, no Pará. Vittia (VITT3) A Vittia reportou prejuízo líquido ajustado de R$ 17,4 milhões no 2T26, uma melhora de 17,8% em relação ao prejuízo de R$ 21,2 milhões registrado no mesmo período do ano passado. A margem líquida ajustada passou de -21,4% para-15,3%.

Quanto o dólar precisa subir para empatar com a Selic? Fizemos a conta
Selic
13/08/2026

Quanto o dólar precisa subir para empatar com a Selic? Fizemos a conta

“Aqui eu ganho 14% ao ano com a Selic; lá, eu ganho 4% em dólar. Isso é mais que o triplo. Por que eu trocaria por um retorno menor?” Essa é a dúvida mais comum de quem considera diversificar parte do patrimônio no exterior. E, à primeira vista, faz sentido — só que essa comparação está incompleta. Ela ignora justamente a variável que mais importa quando o assunto é investir em moeda forte: o câmbio. A comparação simples entre 14% e 4% não fecha a conta Comparar 14% em real com 4% em dólar como se fossem a mesma coisa é comparar duas moedas diferentes como se fossem uma só. Se você ainda está decidindo se vale a pena diversificar para renda fixa americana, confira também nossa comparação completa entre renda fixa no Brasil e nos EUA. Aqui, o foco é mais específico: entender como calcular corretamente esse retorno considerando o câmbio. O retorno em dólar não fica em dólar para sempre: ele volta para o real quando você resgata. É exatamente aí que mora o pulo do gato: o que importa não é o juro isolado de cada país, mas sim quanto o câmbio se mexe entre o dia que você aplica e o dia que resgata. Quanto o dólar precisaria subir para empatar com o Brasil? Vamos deixar isso concreto com uma conta: se você investe R$ 100 mil no Brasil por dois anos, rendendo 14% ao ano, no fim do período terá R$ 129.960. Agora imagine que, em vez disso, você converte esses R$ 100 mil em dólar em um câmbio de R$ 5,18, o que dá US$ 19.305. Aplicando esse valor a 4% ao ano por dois anos, você chega a US$ 20.880. Traduzindo: de volta para o real, para esse valor em dólar empatar com os R$ 129.960 que você teria ficando no Brasil, o câmbio precisaria estar em R$ 6,22 no resgate. Ou seja, a pergunta certa não é "14% é melhor que 4%?". A pergunta certa é: o dólar vai subir de R$ 5,18 para R$ 6,22 em dois anos? Isso equivale a uma desvalorização do real de 9,6% ao ano no período. O que a história do dólar frente ao real mostra Confira abaixo um gráfico com a trajetória do dólar frente ao real desde o Plano Real, e a variação percentual de cada ano. Fonte: Banco Central do Brasil (PTAX, valores aproximados). Elaboração: Nord Research Nesses 32 anos, a desvalorização média do real ficou em torno de 7,5% ao ano, com mediana bem parecida, em 7,4%. Só que essa média esconde uma volatilidade enorme: em mais de um terço dos anos desse histórico, a desvalorização passou dos 9,6% necessários para o nosso exemplo e, em vários deles, disparou muito além disso, com anos de 15%, 30% e até mais de 50% de alta do dólar. Se tirarmos do histórico o superciclo de commodities (2003 a 2007), a desvalorização média passa para 11,3% a.a. Não por acaso, esses picos costumam vir em momentos de crise cambial, eleição ou estresse fiscal — exatamente o tipo de coisa que não falta no radar do Brasil. Então não, pedir 9,6% ao ano de desvalorização não é um cenário exótico. É um número que fica bem dentro do que a nossa moeda historicamente entrega, às vezes até de forma modesta perto do que já vimos por aqui. Por que o real desvaloriza estruturalmente Isso não acontece por azar. O real perde valor frente ao dólar de forma estrutural porque a nossa inflação, historicamente, é mais alta do que a americana. Quando um país tem inflação mais alta que o outro, o poder de compra da moeda dele encolhe mais rápido, e o câmbio tende a se ajustar para equilibrar essa diferença ao longo do tempo. É basicamente o mesmo motivo pelo qual um pão que custava R$ 0,50 há vinte anos custa muito mais hoje: o dinheiro perde força de compra dentro do próprio país — e perde força de compra também na comparação com quem imprime uma moeda mais estável. Por que diversificar em dólar protege seu patrimônio No fim, o ponto não é só se proteger da inflação medida pelo IPCA. É se proteger da perda de poder de compra de forma mais ampla: contra viagens, contra produtos importados, contra a educação dos filhos fora, contra qualquer coisa que você compre em um mundo precificado, em boa parte, em dólar. Ter uma fatia do patrimônio em moeda forte não é abrir mão de rentabilidade em nome do medo. É reconhecer que 14% em uma moeda que historicamente perde valor não é automaticamente melhor do que 4% em uma moeda que historicamente ganha valor frente à sua. A conta só fecha quando você coloca as duas moedas na mesma régua — e é isso que a maioria das pessoas esquece de fazer. Se você quer entender quanto do seu patrimônio faz sentido ter em moeda forte, converse com a equipe da Nord Wealth. A análise é gratuita e pode fazer toda a diferença.

Investidores da Anthropic apostam em avaliação de US$ 2 trilhões em IPO recorde
UOL - Notícias
13/08/2026

Investidores da Anthropic apostam em avaliação de US$ 2 trilhões em IPO recorde

San Francisco (EUA) | Financial Times Investidores da Anthropic esperam que a startup de inteligência artificial (IA) abra o capital em outubro com uma avaliação de US$ 2 trilhões (R$ 10,41 trilhões) ou mais, cifra vertiginosa que superaria a SpaceX e faria da estreia do laboratório de IA a maior oferta pública inicial (IPO) de ações de todos os tempos. Meia dúzia de investidores da empresa disse que o rápido avanço da receita da Anthropic permitiria que ela mais do que dobrasse sua avaliação atual no IPO planejado para a primavera no Hemisfério Sul. Uma listagem nesse patamar poderia render bilhões de dólares em ganhos aos primeiros investidores da empresa, fundada há cinco anos, mas também colocaria à prova mercados acionários cada vez mais apreensivos com o boom da IA. Anthropic pode abrir IPO recorde - Dado Ruvic/-17.jul.26/ Reuters Os investidores da Anthropic afirmam que a demanda crescente pelos modelos e pelas ferramentas avançadas de IA do laboratório justifica suas elevadas expectativas. Eles estimam que a receita anualizada da criadora do Claude ficará entre US$ 100 bilhões (R$ 520,44 bilhões) e US$ 120 bilhões (R$ 624,53 bilhões) até o fim de 2026 —segundo a métrica preferida da startup, que projeta as vendas de um ano inteiro com base no desempenho recente—, um aumento de mais de dez vezes ao longo de 2026. "Se a Anthropic está crescendo 800% ao ano, seria de esperar que, na estimativa mais conservadora possível, fosse negociada a 30 vezes —a receita—", disse um dos investidores do grupo. "Isso faria dela uma empresa de US$ 3 trilhões (R$ 15,61 trilhões)." A Anthropic não tem uma empresa americana comparável com ações em bolsa que pudesse servir de referência para sua avaliação. Mas companhias vistas como beneficiárias da IA, como o grupo de inteligência de dados Palantir e a empresa de computação em nuvem Nebius, foram negociadas neste ano a cerca de 55 vezes a receita. Vários investidores disseram que os principais executivos da Anthropic ainda não haviam definido a avaliação pretendida para o IPO, nem mesmo em conversas privadas. Os investidores, porém, elaboraram seus próprios modelos financeiros. As projeções otimistas surgem apesar dos desafios crescentes, entre eles o aumento da concorrência de rivais chinesas, a pressão pela regulamentação da IA e uma disputa latente com o governo dos Estados Unidos. Essas preocupações, em especial a proibição temporária imposta pelo Departamento de Comércio aos melhores modelos da Anthropic, contribuíram para a desaceleração do crescimento geral da receita em junho, segundo dois investidores a par do assunto. Ainda assim, afirmaram que a empresa se recuperou e continuou crescendo a um ritmo extraordinário, mesmo para os padrões do Vale do Silício. A Anthropic não quis responder a reportagem. A startup liderada por Dario Amodei apresentou documentos à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) em junho, dando início a um período de silêncio que limita anúncios públicos sobre seu desempenho financeiro. A Anthropic ganhou terreno neste ano em relação às rivais OpenAI e Google, lançando modelos que superaram os concorrentes e concentrando-se nas vendas para clientes empresariais. O grupo anunciou em maio que sua receita anualizada havia ultrapassado US$ 47 bilhões (R$ 244,61 bilhões). Fundos de capital de risco, fundos soberanos e outros investidores institucionais aportaram pouco menos de US$ 100 bilhões (R$ 520,44 bilhões) na empresa em 2026. A avaliação da Anthropic superou a da OpenAI pela primeira vez em maio, chegando a US$ 965 bilhões (R$ 5,02 trilhões) , incluindo o novo investimento. Mas o grupo também enfrenta incertezas consideráveis. A empresa entrou repetidamente em conflito com o governo Trump e continua em uma disputa judicial contra o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, que classificou a Anthropic como um risco à cadeia de suprimentos no início deste ano. Desde então, a Anthropic foi obrigada a retirar por um breve período seus principais modelos, Fable 5 e Mythos 5, após ser atingida por controles de exportação impostos pelo Departamento de Comércio em junho. O episódio assustou alguns clientes que dependem dos modelos da Anthropic. Os clientes também estão cada vez mais sensíveis ao preço do acesso aos melhores modelos. Diante da disparada dos custos, em alguns casos eles revogaram orientações para que os funcionários maximizassem o uso de IA e optaram por modelos menos potentes e mais baratos. O modelo líder de mercado da Anthropic custa mais de duas vezes e meia o preço de uso do principal modelo da OpenAI, enquanto alternativas chinesas de pesos abertos, que também melhoraram drasticamente neste ano, custam uma fração desse valor, segundo a Artificial Analysis, que analisa modelos de IA. A Anthropic ampliou sua participação de mercado entre empresas americanas no mês passado, segundo dados do grupo de pagamentos Ramp. Mas analistas da empresa constataram que as companhias estavam "chegando ao limite dos gastos com IA" e recorrendo a alternativas mais baratas. "É fácil apontar desafios", disse um investidor da Anthropic que também aportou recursos em grupos de IA como a OpenAI e na SpaceX, que abriu o capital em junho com uma avaliação de US$ 1,77 trilhão (R$ 9,21 trilhões). "Mas a empresa continua na liderança em desempenho, posicionamento e naquilo a que as pessoas querem se expor."

REITs: saiba o que são e o rendimento em 5 anos
Fundos Imobiliários Brasileiros
13/08/2026

REITs: saiba o que são e o rendimento em 5 anos

Os REITs ganharam espaço entre investidores brasileiros interessados em acessar o mercado imobiliário no exterior. Sigla para “Real Estate Investment Trusts”, eles existem há mais de seis décadas nos Estados Unidos e se assemelham aos FIIs negociados na B3, com foco em imóveis geradores de renda. Entender o que são REITs, sua origem e o retorno recente ajuda a esclarecer dúvidas comuns sobre o tema entre investidores que buscam exposição internacional. O que são REITs? Os REITs são empresas listadas em bolsa que possuem, operam ou financiam imóveis geradores de renda. Ao comprar uma ação de um REIT, o investidor passa a ter direito a parte dos aluguéis e das receitas do portfólio, em estrutura semelhante à dos fundos imobiliários brasileiros. O modelo está atrelado a uma exigência tributária: para manter o benefício fiscal, um REIT precisa distribuir ao menos 90% do lucro tributável aos acionistas a cada ano. Essa regra favorece o pagamento recorrente de proventos ao longo do tempo. A estrutura foi criada por lei nos Estados Unidos em 1960, quando o Congresso americano permitiu que investidores comuns aplicassem em imóveis de grande porte por meio de ações, sem a necessidade de comprar os ativos diretamente. Desde então, o formato se expandiu para dezenas de países. Boa parte dos maiores fundos imobiliários dos EUA atua além dos imóveis tradicionais. Além de escritórios e shopping centers, há REITs de torres de telecomunicação, data centers, galpões de logística e unidades de self-storage. A Realty Income, por exemplo, é conhecida pelo pagamento mensal de dividendos. As estimativas apontam mais de US$ 60 bilhões em dividendos pagos pelos REITs americanos ao longo de 2026. Desempenho dos REITs nos últimos cinco anos O retorno dos REITs é cíclico e sensível aos juros, o que gera variações de desempenho de um ano para outro. A referência mais usada para acompanhar o setor é o índice amplo replicado pelo ETF VNQ, que mede o retorno total em dólar, incluindo valorização das cotas e dividendos reinvestidos. Nos últimos cinco anos, o índice teve forte alta na retomada pós-pandemia, seguida de queda expressiva em 2022, quando o Federal Reserve elevou os juros com rapidez, e depois mostrou recuperação parcial. No acumulado do período, o retorno ficou em torno de 30% em dólar, com média aproximada de 6% ao ano. Para o investidor brasileiro, o resultado final ainda depende da variação do dólar frente ao real. Entre os ativos de maior peso do setor, a Prologis lidera em galpões logísticos, com dividend yield ao redor de 3%. A American Tower, dona de torres de telecomunicação e data centers, paga cerca de 4%, e a Public Storage, líder em self-storage, fica próxima de 3,8%. A Realty Income distribui entre 5% e 5,5% em dividendos mensais, enquanto a Welltower, focada em imóveis de saúde, é atualmente a maior do mercado em valor. Em termos nominais, o dividend yield dos grandes REITs, entre 3% e 5,5%, é inferior ao dos FIIs no Brasil, diferença ligada ao patamar de juros nos EUA em relação à Selic. Comparação com os FIIs brasileiros A estrutura de REITs e FIIs é próxima, mas há diferenças no rendimento e na tributação. Os FIIs costumam pagar rendimento nominal mais alto, frequentemente entre 8% e 12% ao ano, reflexo dos juros elevados no Brasil, enquanto os REITs tendem a pagar percentuais menores em um ambiente de juros e inflação inferiores. Na tributação, os rendimentos de FIIs são, pela regra atual, isentos de Imposto de Renda para a pessoa física, benefício que está em discussão na reforma tributária. Já os dividendos de REITs sofrem retenção de 30% na fonte pelo governo americano antes de chegar ao investidor estrangeiro. Há ainda a diferença cambial: os FIIs distribuem em reais, e os REITs em dólar, adicionando o câmbio como fator de risco e retorno. Quanto à frequência, ambos os mercados têm distribuições recorrentes, com casos de pagamento mensal. Vantagens e riscos de investir em imóveis no exterior Entre os pontos favoráveis, os REITs oferecem diversificação geográfica e cambial, com parte do patrimônio exposta ao dólar, além de acesso a segmentos pouco representados na bolsa brasileira, como data centers e torres de telecomunicação. O mercado americano também é maior, mais líquido e tem histórico mais longo de distribuição de proventos. Os riscos acompanham essas características. A exposição cambial pode reduzir o retorno caso o real se valorize frente ao dólar. A tributação é menos favorável, com os 30% retidos na fonte sobre os dividendos. E o setor é bastante sensível à alta de juros, como ficou evidente em 2022. Investir no exterior também exige estrutura adicional, via corretora internacional, BDRs ou ETFs negociados no Brasil, além de atenção às regras de declaração de bens fora do país. Para quem busca renda em dólar e diversificação, os REITs são uma alternativa a ser estudada, considerando câmbio, tributação e o ciclo de juros nos Estados Unidos.