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Os 10 heróis mais emblemáticos que o cinema já nos deu
Existem várias características que definem um bom herói. Seus valores, os desafios que precisa enfrentar, o sacrifício que realiza, ou mesmo o fato de ter encarado um vilão icônico. É justamente essa jornada que define o quão memorável esse personagem vai ser. No cinema, não faltam exemplos de grandes heróis. Sem qualquer exagero, podemos dizer que os filmes nada mais são do que os mitos modernos, onde essas narrativas do herói lendário que vence os obstáculos para transformar o mundo à sua volta acontecem. É na tela grande que acompanhamos essas jornadas e nos inspiramos quando vemos tais figuras dando as caras. Continua após a publicidade Heróis mais emblemáticos do cinema Pensando nisso, o Canaltech listou os 10 melhores heróis da história do cinema para mostrar o quão variados esses novos mitos podem ser e como eles ainda podem nos inspirar de formas tão únicas hoje em dia. Rocky Balboa Sarah Connor Homem de Ferro Batman Neo Katniss Everdeen Ellen Ripley James Bond Indiana Jones Luke Skywalker O Canaltech está no WhatsApp! Entre no canal e acompanhe notícias e dicas de tecnologia WhatsApp Continua após a publicidade Rocky Balboa Nem todo o herói precisa salvar o mundo. Às vezes, ele pode ser simplesmente a pessoa comum que decide encarar um desafio que parece ser muito maior do que ele consegue aguentar — e pode ser que, no fim, ele nem mesmo saia vitorioso. Ainda assim, é a persistência que marca esse indivíduo heróico, e é isso que define o nosso amado Rocky Balboa. O boxeador de Sylvester Stallone começou sua saga nos cinemas sendo justamente esse indivíduo comum sendo um chamado para aventura dentro do mundo do esporte. Desafiado pelo campeão Apollo Creed, ele não queria vencer e se tornar famoso, apenas provar seu valor quando todo mundo o olhava como um perdedor dentro e fora dos ringues. Essa é justamente a principal característica de toda a Jornada do Herói: a transformação do indivíduo. Mais do que mostrar ao mundo quem ele é, a luta foi para que ele próprio entendesse que era alguém muito maior do que acreditava ser. É claro que, a partir do segundo filme, a narrativa mudou e vimos Rocky se tornar um verdadeiro campeão e tendo que enfrentar adversários que realmente carregavam a aura do vilão. Porém, ele nunca deixou de ser o herói de sempre. Sarah Connor Há quem diga que o herói de O Exterminador do Futuro é o próprio Exterminador, mas vamos ser bem sinceros: quem realmente carrega o futuro nas costas é Sarah Connor. Embora seu filho seja visto como o grande salvador da humanidade na guerra contra as máquinas, ele só chegou lá porque a mãe se mostrou a grande heroína da resistência antes. Continua após a publicidade No primeiro filme, ela é só aquela jovem que não entende bem o que está acontecendo, enquanto foge de um T-800 programado para matá-la. Contudo, superado esse susto inicial, ela entende o tamanho da bronca que está por vir e se prepara de um jeito que a transforma em um ícone. Tanto que, em O Exterminador do Futuro 2, ela já é uma personagem completamente diferente e muito mais poderosa. Isso é significativo por uma série de razões. Além da atuação incrível de Linda Hamilton, temos o fato de que Sarah Connor é uma das primeiras protagonistas femininas realmente badass do cinema. Em 1991, quando o longa chegou às telonas, eram poucas as protagonistas femininas em Hollywood, e ela conseguiu o seu lugar nesse panteão com muita facilidade. Homem de Ferro Continua após a publicidade Não é só de velharia que se faz essa lista, embora a primeira aparição do Homem de Ferro no Universo Cinematográfico da Marvel já tenha mais de 10 anos. Ainda assim, é inegável o quanto a chegada do herói vivido por Robert Downey Jr. mexeu com a indústria como um todo. Quando Homem de Ferro estreou, o personagem era um completo desconhecido do grande público e até mesmo dos fãs de quadrinhos. Mas o sucesso foi tão grande, e o trabalho do Marvel Studios em costurar seu universo compartilhado foi tão bem pensado, que Hollywood passou a se espelhar no herói. Por isso mesmo, de todos os Vingadores, Tony Stark se tornou o grande rosto do estúdio e do cinema de herói como um todo. Ele sempre foi um dos mais populares entre o público e representa toda a revolução que a Marvel proporcionou. Continua após a publicidade Além disso, ele carrega todas as características que marcam o herói moderno. Embora seja cínico e faça da ironia seu maior charme, ele passa muito bem por essa transformação do indivíduo egoísta e egocêntrico até alguém que está disposto a se sacrificar pelo bem do mundo. É o herói em sua essência. Batman Do outro lado da banca de revistas, temos o Batman. O Homem-Morcego está entre os heróis dos quadrinhos mais famosos do mundo e, nos cinemas, já ganhou diversas adaptações. Existe uma popularidade tão grande do personagem que ele conseguiu ofuscar até mesmo o Superman, que sempre foi o ícone do que é ser herói. Continua após a publicidade Por mais que ele seja quase uma antítese do Homem de Aço, representando muito mais a figura de sombra e vingança, o Batman não é um dos heróis mais famosos do mundo por acaso. Toda a sua cruzada contra a criminalidade tem um quê catártico que funciona muito bem (apesar de toda a problemática que carrega), e a ideia de ser um símbolo de esperança em meio à escuridão da violência é algo realmente interessante de se ver. Neo Matrix foi um divisor de águas para o cinema, então é natural que seu protagonista seja tão emblemático quanto a história da guerra entre a humanidade e as máquinas. Muito do que torna o personagem de Keanu Reeves esse herói emblemático é justamente o quanto ele personifica muitos arquétipos do herói clássico, mas com uma roupagem tão moderna quanto a própria saga Matrix. Sem se preocupar com sutilezas, a série apresenta Neo como o Escolhido, a figura messiânica há muito tempo aguardada para trazer a salvação para uma humanidade perdida. Há uma conotação religiosa que é escancarada na trama, mas que é muito bem trabalhada no roteiro para fazer que essa estrutura, que a gente já conhece tão bem dentro e fora das telas, se torne atraente para o público que só quer uma boa pipoca e cenas de ação. Continua após a publicidade Para isso, as Irmãs Wachowski deram a essa imagem clássica uma roupagem cheia de referências da cultura pop, do Superman a elementos de anime, o que faz de Neo um herói bastante único. Katniss Everdeen Protagonista da franquia Jogos Vorazes, Katniss Everdeen fez sucesso nas telonas com a performance de Jennifer Lawrence. Inspirada na saga literária de Suzanne Collins, a franquia se passa em um universo distópico onde uma jovem, através de suas ações, inicia uma revolução contra um sistema totalitário. Continua após a publicidade Ao longo de quatro filmes, Katniss se tornou um símbolo de resistência não somente dentro da narrativa, mas também fora dela ao influenciar uma geração de garotas com uma personalidade forte e determinada. Com sua própria jornada do herói, Katniss é até hoje um grande exemplo de independência, coragem e resiliência. Ellen Ripley Mais uma heroína clássica do cinema é Ellen Ripley, personagem interpretada por Sigourney Weaver na franquia Alien. Heroína dos pés a cabeça, Ripley é uma das figuras mais celebradas da cultura pop justamente por toda a sua relevância e influência nas telonas. Continua após a publicidade Seja lutando contra Xenomorfos ou tentando salvar um gatinho, Ripley é um exemplo de determinação, sendo uma heroína com um forte senso de responsabilidade. Sempre perseverante, Ripley nunca desiste de seus objetivos, fazendo tudo possível para sobreviver e ainda resgatar aqueles que precisam de ajuda em momentos decisivos. James Bond O clássico também tem espaço entre os ícones do cinema — e poucos heróis conseguem carregar esse título tão bem (e por tanto tempo) quanto o nosso bom e velho James Bond. O agente 007 está aí há mais de 50 anos e já ganhou diversas facetas, adaptando-se aos períodos em que foi retratado e mostrando que um bom herói é aquele que consegue sobreviver às mudanças dos tempos em grande estilo. Continua após a publicidade Por isso, é difícil olhar para Bond como essa figura sólida e única. Cada ator que viveu o agente adicionou uma nova camada à sua personalidade, enriquecendo a mitologia e deixando o personagem mais complexo a cada nova aventura. Ao mesmo tempo, ele tem algumas características que seguem imutáveis durante todo o tempo. E é nessa mistura de um charme e um cinismo bastante datado com essas modernizações que reside o verdadeiro valor e carisma de Bond, James Bond. Indiana Jones Quando a gente pensa em aventura, é a imagem de Indiana Jones que vem à mente. Isso tudo porque a trilogia original é tão marcante e icônica que nada impediu que o bom e velho Indy fosse esquecido. Quer uma prova do quanto esse herói é simbólico? Além da figura do explorador de chapéu e chicote ter se tornado sinônimo de aventureiro, a própria trilha sonora da série também passou a embalar toda e qualquer menção a histórias do tipo. Isso sem falar que temos uma geração de historiadores e arqueólogos que seguiram por esse rumo na tentativa de se tornar um Indiana Jones. O mais curioso é que, apesar de ser tão marcante assim, o personagem foge bastante da representação clássica do herói. Ele é irônico, com um jeito meio cafajeste e até cara de bad boy, ficando bem longe de ser aquela figura limpa e dourada do herói que a gente idealiza. É justamente esse jeito meio marrento que o coloca no panteão dos grandes nomes do cinema. Luke Skywalker Não há nenhum herói dos filmes capaz de destronar Luke Skywalker, e há uma boa razão para que o protagonista da saga Star Wars seja o grande sinônimo do que é ser um herói: ele é a mais perfeita representação da Jornada do Herói. A história do jovem que vive em um planeta distante e que é chamado para uma aventura apenas para se tornar o maior guerreiro da galáxia, enquanto derrota o próprio pai e derruba um Império do mal é uma versão moderna do monomito, a estrutura que a gente acompanha desde o princípio dos tempos. Todos os mitos e lendas que conhecemos nos levam até o jovem Luke, e ele incorpora tudo isso de forma incrível. Pode parecer exagero, mas o próprio George Lucas admite isso, e pesquisadores que estudam mitologias antigas olham para o maior de todos, os Skywalker, justamente dessa forma. Em linhas gerais, é quase como se Luke fosse o Teseu de nossa mitologia da cultura pop.
1ª quilombola doutora em Direito do Brasil compartilha trajetória
A pequena Vercilene, natural da comunidade quilombola Kalunga, no município de Cavalcante (GO), com seus 8 anos, no trabalho da roça junto a seus pais, capinando, suja de carvão. Essa é a primeira imagem do filme que passou pela cabeça de Vercilene Francisco Dias (36) ao se tornar a primeira doutora quilombola em Direito do Brasil. Cresceu vendo as relações de conflitos que afetavam os seus, sua comunidade, de grupos dizendo que aquele território não os pertencia. Seu primeiro sonho foi se tornar militar, para "prender pessoas más", como contava seu padrinho, que lhe presenteou com soldados de brinquedo. O sentimento de poder combater a ameaça à sua família e à sua comunidade sempre permaneceu em Vercilene. Ao longo do caminho, diante de novas descobertas e entendimentos, decidiu cursar Direito. Após a graduação na área, a goiana se tornou a primeira mestre quilombola em Direito. E, após a aprovação e defesa da tese de doutorado "Começo, Meio e Começo" - O Direito Achado entre os Vãos do Território Quilombola Kalunga pela Universidade de Brasília (UnB), tornou-se também a primeira quilombola doutora em Direito do país. "A universidade me ensinou, do ponto de vista tradicional, do ensino, do conhecimento do Direito e da linguagem jurídica. Mas o conhecimento que carrego, de sensibilidade e de atuação, veio de uma relação muito comunitária, construída a muitas mãos, dessa relação com o lugar onde vivi, de onde venho e do espaço que ocupo dentro do território Kalunga, dentro dessa coletividade." Vercilene Francisco Dias Vercilene é doutora em Direito pela Universidade de Brasília (UnB). Leia também: Brasileiro visitou todos os países do mundo em menor tempo e se tornou o 1º negro a realizar o feito Tópicos desta notícia Primeira quilombola doutora em Direito do Brasil Aos 11 anos, Vercilene saiu de sua comunidade para trabalhar e estudar. Foi morar em Arraias, no Tocantins. Ela destaca que, desde então, esse foi um processo de "descobertas, difícil e muito doloroso". Fez o ensino médio, a graduação e o mestrado em Goiânia (GO). Formou-se em Direito pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Ao chegar à universidade, lidar com as diferenças das relações, da linguagem e da alimentação, foi um "choque cultural muito perverso", enfatiza. O trabalho foi algo sempre muito presente. Foi necessário para a subsistência ao longo das etapas escolares. Uma trajetória marcada por dificuldades, mas também coragem e força. "Quanto mais as pessoas tentavam me impedir de chegar a esses espaços, mais forças eu tinha para chegar. Quanto mais violência, mais determinação eu tinha." Ao entrar na universidade, Vercilene se sentia uma pessoa invisível. Ela relata que quem mais a enxergou foram os colegas das ações de movimentos sociais. No primeiro semestre, ingressou no Núcleo de Assessoria Jurídica Popular Universitária. Em 2013, integrou o coletivo União dos Estudantes Indígenas e Quilombolas, uma iniciativa com o intuito de oferecer formações aos próprios servidores públicos sobre quem eram esses povos, por que estavam ali e por que mereciam ser tratados como os demais. Entre as ações dos coletivos em que participou, havia mobilização diretamente com a reitoria por espaços de lazer, para falar de cultura e da comida de suas comunidades. Havia reuniões em que os estudantes quilombolas se encontravam para comer os alimentos que suas comunidades produzem e consomem. Momentos "para rememorar, contar histórias e falar de onde cada pessoa era, de seu lugar, território e comunidade". Esse movimento foi construído e fortalecido para que a universidade passasse a olhar para essas pessoas e as entendesse, afirma Vercilene. "Eu não quero estar no Direito apenas para ocupar uma cadeira. Não quero ser doutora apenas para ocupar uma cadeira ou ter um título. Eu quero que a nossa presença seja transformadora, que transforme aquilo que entendemos como Direito, como justiça e como produção de conhecimento." Defesa da tese de doutorado de Vercilene. Crédito: Arquivo. Vercilene destaca que houve um amadurecimento político, profissional e acadêmico da sua conclusão do mestrado até hoje. Nesse período, trabalhou com diversas organizações e espaços de luta. Representou as comunidades quilombolas em vários locais e atuou no movimento nacional. Atualmente atua como assessora, mas já coordenou a assessoria jurídica da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Brasil. Mulheres quilombolas no espaço de produção científica Por muito tempo, mulheres negras e a comunidade quilombola, no geral, foram tratadas pela universidade e pelas organizações somente como objetos de pesquisa. Vercilene destaca a importância da presença dessas mulheres e sujeitos nesses espaços para se tornarem, sobretudo, produtoras(es) do conhecimento científico. Ser uma mulher negra quilombola e ocupar este espaço historicamente restrito, especialmente no campo jurídico, é muito significativo, reforça. "Nosso conhecimento muitas vezes é roubado e utilizado como se fosse do pesquisador" Ocupar o espaço da universidade é, na visão de Vercilene, uma forma de construir uma contracolonialidade e escrever a história dos próprios sujeitos quilombolas. No Direito, ela considera que é desafiador para o próprio Poder Judiciário entender que estes corpos podem ocupar este lugar. Ela destaca que carregar estes marcadores que a constituem é ter muita responsabilidade. "É olhar para trás e ver o quanto as mulheres que vieram antes de mim cuidaram desse espaço para que eu estivesse aqui hoje." Vercilene defende que sua tese pertence a ela e à sua comunidade. Crédito: Arquivo Pessoal. Em seu último trabalho acadêmico, ela enfatiza a coletividade de sua pesquisa. "Essa tese não é minha. Eu apenas a escrevo. Ela é nossa. Ela é do território. Eu sou do território. Eu estive no território, eu ouvi as pessoas, eu senti. Então, ela é uma tese nossa. Eu escrevo ela". Vercilene considera que o conhecimento das comunidades quilombolas é muito desvalorizado, que as pessoas desses grupos são tratadas como ignorantes. Nesse sentido, estar nas universidades é essencial para dar mais visibilidade a este coletivo e evidenciar as potencialidades construídas a partir dos quilombolas. Vercilene na cozinha de sua casa, na comunidade Kalunga. Crédito: Reprodução Instagram @vercikalunga. Comunidade Kalunga A comunidade Kalunga está localizada no maior território quilombola do Brasil em extensão, com mais de 262 mil hectares. Situada no norte do estado de Goiás, na região da Chapada dos Veadeiros, nos municípios de Cavalcante, Teresina de Goiás e Monte Alegre de Goiás, conta com cerca de 10 mil habitantes. O termo Kalunga é de origem africana e significa "mar grande, lugar sagrado, de proteção, onde estão a liberdade e a ancestralidade". Vercilene conta que a comunidade convive com o processo de regularização fundiária desde a década de 1980, movido por várias lideranças femininas, mulheres negras de resistência, como é o caso de Dona Procópia, indicada ao Prêmio Nobel da Paz. Para a goiana, o Brasil precisa conhecer o Kalunga para além do território composto por cachoeiras e belezas, caso de Santa Bárbara, "uma das cachoeiras mais lindas do Brasil". "A Santa Bárbara existe porque a gente existe. As cachoeiras do território Kalunga existem porque a gente existe. A gente estava lá protegendo essas cachoeiras." Conhecer esse povo está muito além de uma visita às cachoeiras e lazer na região. É entender a espiritualidade, a luta, quem são as pessoas que vivem ali, qual a cultura e história dos Kalunga. Saiba mais: O que são os quilombos e qual a sua história? Por Lucas Afonso Jornalista
O julgamento da Meta que pode mudar a forma como Facebook e Instagram funcionam para mais jovens
O julgamento que pode mudar como Facebook e Instagram funcionam para mais jovens Crédito, Getty Images Published Há 4 minutos Tempo de leitura: 6 min A empresa é acusada de ter desenvolvido deliberadamente plataformas viciantes para o público jovem e de ter violado leis de proteção à infância. Os Estados americanos que movem a ação pedem bilhões de dólares à Meta e querem que a empresa faça mudanças no funcionamento de suas plataformas. O procurador-geral do Kentucky, Russell Coleman, classificou o caso como "a maior ação de defesa do consumidor da história dos Estados Unidos". O julgamento ocorre no tribunal federal em Oakland, na Califórnia. A juíza Yvonne Gonzalez Rogers é responsável pelo caso. Ela já presidiu outros processos envolvendo grandes empresas de tecnologia, incluindo uma disputa judicial entre Elon Musk e a OpenAI. O resultado pode ter consequências não apenas para a Meta, mas para a forma como empresas de tecnologia desenvolvem produtos voltados a crianças e adolescentes. Entenda a seguir o que está em jogo. O julgamento que começa nesta terça-feira é resultado de uma ação apresentada contra a Meta por uma coalizão de Estados americanos em outubro de 2023. Na ação, um grupo de procuradores-gerais acusou a empresa de usar recursos viciantes para "prender" os usuários em suas plataformas, além de esconder os riscos associados a seus produtos. Na época, a Meta já estava sob forte pressão depois que Frances Haugen, ex-gerente de produto do Facebook, depôs ao Congresso dos Estados Unidos e afirmou que a empresa sabia que seus produtos, especialmente o Instagram, estavam prejudicando jovens. As declarações de Haugen levaram procuradores de vários Estados a abrir investigações sobre as práticas da empresa. Essas investigações posteriormente serviram de base para a ação conjunta movida contra a Meta. A Meta tentou impedir o avanço do processo ou fazer com que ele fosse dividido em julgamentos menores, mas não conseguiu. Agora, quatro dos Estados que movem a ação — Califórnia, Colorado, Kentucky e Nova Jersey — apresentam seus argumentos no julgamento. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Frances Haugen testemunhou no Congresso dos EUA sobre as práticas de segurança da empresa De que a Meta é acusada? Um grupo de 29 Estados americanos acusa a Meta de cometer diversas violações de leis federais e estaduais criadas para proteger crianças e adolescentes. Entre elas está a suposta violação da Children's Online Privacy Protection Act (COPPA), lei federal americana que busca proteger crianças menores de 13 anos de práticas de empresas que atuam na internet. Os Estados afirmam que a Meta projetou o Facebook e o Instagram para serem viciantes para crianças e adolescentes, com recursos como reprodução automática de vídeos e os Stories do Instagram desenvolvidos para mantê-los nas plataformas pelo maior tempo possível. Segundo a acusação, a empresa também dificulta que os jovens reduzam o tempo de uso das plataformas por meio de recursos como notificações frequentes, que têm o objetivo de fazê-los voltar aos aplicativos. Os Estados afirmam ainda que a Meta induziu consumidores a erro sobre a segurança de suas plataformas para usuários jovens e coletou e utilizou de forma inadequada dados pessoais de crianças enquanto elas usavam seus serviços. O que os Estados querem? Crédito, Getty Images Os Estados americanos que movem a ação não estão apenas buscando uma indenização da Meta. Eles também exigem mudanças substanciais no funcionamento do Instagram e do Facebook, especialmente para usuários jovens. Segundo a acusação, diversos recursos das plataformas foram desenvolvidos para manter crianças e adolescentes conectados com a maior frequência e pelo maior tempo possível. Entre as mudanças exigidas estão: implementação da verificação dos pais ou responsáveis para usuários adolescentes; alteração dos algoritmos de recomendação, "capazes de estimular a liberação de dopamina"; retirada de diversos filtros de imagem que modificam a aparência das pessoas nas fotos; fim da reprodução automática de vídeos, Os Estados também querem que a Meta proíba a criação de múltiplas contas e elimine as postagens que desaparecem, como os Stories do Instagram. A Meta nega de forma consistente as acusações de que não tenha protegido crianças e adolescentes. A empresa também rejeita a alegação de que tenha projetado deliberadamente suas plataformas para serem viciantes ou violado leis de proteção à privacidade infantil. Em nota, uma porta-voz da empresa afirmou que a Meta "discorda veementemente dessas acusações" e está confiante de que as evidências vão demonstrar seu "compromisso de longa data com o apoio aos jovens". A empresa afirma ter adotado diversas medidas para proteger usuários mais jovens, incluindo controles parentais, recursos de segurança e a configuração de contas de adolescentes como privadas por padrão. O que já aconteceu no primeiro dia de julgamento A acusação abriu o julgamento com uma série de alegações sobre o que a Meta sabia a respeito dos efeitos de suas plataformas sobre crianças e adolescentes. Megan O'Neill, procuradora-geral adjunta da Califórnia, afirmou que a empresa teria desenvolvido recursos para "fisgar" usuários, mantê-los nas plataformas, coletar seus dados e esconder os riscos do público. O'Neill disse que a Meta afirmava ao Congresso americano, aos usuários e aos pais que Instagram e Facebook eram seguros para crianças, enquanto, segundo ela, escondia os riscos que conhecia. Segundo a procuradora, o caso não é sobre acabar com o Instagram ou negar que as redes sociais possam ter benefícios, mas sobre determinar se a Meta enganou o público sobre os riscos para crianças, agiu de maneira injusta e violou a lei federal americana de proteção à privacidade infantil (COPPA). A acusação também apresentou documentos internos que, segundo O'Neill, mostram que a Meta sabia que crianças menores de 13 anos usavam Instagram e Facebook apesar das próprias regras da empresa. De acordo com um dos documentos citados, 20% das crianças de 11 anos e 30% das de 12 anos nos Estados Unidos estariam no Instagram. O'Neill também criticou as ferramentas criadas para limitar o tempo de uso, afirmando que elas serviam mais para "melhorar a imagem pública" da Meta e fazer os pais se sentirem melhor do que para reduzir efetivamente o uso. Depois da apresentação da acusação, a defesa começou a expor sua versão do caso. O advogado Paul Schmidt afirmou que a Meta já reconhecia publicamente preocupações relacionadas ao uso das redes sociais. Ele citou uma publicação de 2019 sobre usuários que consideravam problemático o uso das plataformas e disse que a empresa criou ferramentas para ajudar a administrar o tempo gasto nos aplicativos. A defesa também deverá apresentar documentos internos e testemunhas para argumentar que a Meta adotou medidas para melhorar a segurança e o bem-estar dos usuários. Quanto tempo deve durar o julgamento e quem deve testemunhar? Crédito, Getty Images Legenda da foto, Mark Zuckerberg é esperado para testemunhar no tribunal O julgamento deve durar de seis a oito semanas. Entre os principais nomes esperados para depor está Mark Zuckerberg, fundador e presidente-executivo da Meta. Também deve testemunhar Adam Mosseri, chefe do Instagram, que ocupa o cargo há oito anos e é um dos principais defensores da empresa. Outro nome importante é Arturo Béjar, ex-diretor de engenharia do Facebook e ex-funcionário responsável por questões relacionadas à integridade e ao bem-estar dos usuários. Béjar se tornou um denunciante da empresa e já testemunhou contra a Meta em outro processo. O que pode acontecer se a Meta perder Embora a Meta já tenha enfrentado outros processos relacionados à proteção de crianças e adolescentes, o caso é considerado uma das maiores ameaças às operações da empresa até agora. Uma eventual derrota poderia forçar mudanças significativas na maneira como milhões de jovens usam as redes sociais. Outros casos Além do julgamento que começa nesta terça-feira, a Meta enfrenta atualmente milhares de processos movidos por autoridades e famílias nos Estados Unidos relacionados à segurança de crianças e adolescentes. No início deste mês, um juiz do Novo México determinou que a empresa pagasse outros US$ 567 milhões por não ter alertado o público sobre os riscos que suas plataformas representavam para crianças. O valor se somou a US$ 375 milhões em multas que a Meta já havia sido condenada a pagar no mesmo caso. A decisão resultou na maior multa já aplicada à empresa por questões relacionadas à segurança infantil. Na ocasião, o juiz Bryan Biedscheid classificou a gigante das redes sociais como uma "perturbação pública" comparável à poluição do ar, e determinou que o dinheiro fosse destinado a um fundo para reduzir danos futuros. A Meta afirmou na época que discordava da decisão e que iria recorrer. Em março, a empresa também perdeu um processo considerado histórico em Los Angeles, no qual um júri concluiu que a Meta poderia ser responsabilizada por desenvolver plataformas viciantes.
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