BH

BHIA3 Grupo Casas Bahia S.A. – Cotação Hoje

📈 Ação B3 Consumo Cíclico

Grupo Casas Bahia S.A.

CNPJ: 33041260065290

Preço Atual
R$ 1,38
+4.55%
Cotação oficial B3 em tempo real
Análise Fundamentalista • Estratégia de Longo Prazo

Selo de Investimento:

⚠️ Atenção

Atende a 3 de 12 critérios. Alguns múltiplos ou métricas de endividamento exigem cautela.

Pontuação dos Critérios 3/12 (25.0%)
Mínimo Buy & Hold: 8/12 Status: Atenção

Checklist Fundamentalista de 12 Critérios

Critérios auditados automaticamente
Dívida Líquida < Lucro Líquido (12M)
Lucro Líquido não positivo ou dados indisponíveis

A dívida líquida da empresa é menor que o lucro líquido dos últimos 12 meses

ROE > 5%
ROE atual: -107.71% (Abaixo de 5%)

Retorno sobre o Patrimônio Líquido historicamente superior a 5%

Histórico de Dividendos (> 4% a.a.)
Yield médio histórico: 159.40% a.a.

Histórico consistente de distribuição de proventos acima de 4% a.a.

Crescimento de Receita ou Lucro (> 5%)
CAGR Receita 5A: 0.20%

Crescimento de receitas ou lucros superior a 5% nos últimos anos

P/VP abaixo de 5
P/VP negativo (-0.16x) - Patrimônio Líquido negativo

Preço sobre Valor Patrimonial negociado abaixo de 5x

Setor com mais de 100 anos
Setor: Consumo Cíclico

Atuação em setor perene e consolidado há mais de um século

Empresa Blue Chip
Ação fora da lista das principais Blue Chips

Companhia de grande porte, alta liquidez e liderança setorial

Mais de 30 anos de mercado
Data de fundação não mapeada

Companhia fundada há mais de 30 anos com histórico comprovado

P/L abaixo de 30
P/L negativo ou nulo (-0.10x)

Preço sobre Lucro negociado abaixo de 30x

Dív. Líquida/EBITDA < 2
Dív. Líq/EBITDA: 2.71x (Acima de 2)

Alavancagem financeira controlada com Dívida Líquida/EBITDA menor que 2x

EV/EBIT abaixo de 7
EV/EBIT atual: 4.77x (Abaixo de 7)

Enterprise Value sobre EBIT operacional negociado abaixo de 7x

Tag Along entre 80% e 100%
Tag Along de 80% (Proteção de 80% a 100%)

Proteção aos acionistas minoritários com Tag Along de 80% a 100%

ℹ️ Análise algorítmica fundamentalista calculada em tempo real com base em demonstrativos CVM/B3. Não constitui recomendação de compra ou venda.
💰
Valuation por Dividendos

Método Barsi (Preço Teto)

Abaixo do Preço Teto (Margem de Segurança)

Estratégia focada em renda passiva com cálculo do preço máximo para obter no mínimo 6% ao ano em proventos com base na média dos últimos 5 anos.

Preço Teto Projetado (Yield 6%)
R$ 36,66
DPA Médio (5 anos) R$ 2,20
Margem de Segurança +2556.52%
Ajustar parâmetros na Calculadora Barsi
Fórmula: DPA Médio ÷ 0,06 Alvo: Yield ≥ 6% a.a.
📐
Value Investing

Fórmula de Graham (Preço Justo)

Fórmula de Benjamin Graham determinando o valor intrínseco a partir dos múltiplos conservadores de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5.

ℹ️ Fórmula não aplicável (Prejuízo ou PL negativo) A Fórmula de Graham só é aplicável para empresas com Lucro por Ação (LPA) e Patrimônio Líquido (VPA) positivos.
Ajustar parâmetros na Calculadora Graham
Fórmula: √(22,5 × LPA × VPA) Fator 22,5 = P/L 15 × P/VP 1,5
⚠️ Aviso Legal: As estimativas do Método Barsi e da Fórmula de Graham são modelos matemáticos teóricos baseados em dados públicos da B3/CVM. Não constituem recomendação de investimento, compra ou venda.

O ativo BHIA3 (Grupo Casas Bahia S.A.) está sendo negociado hoje a R$ 1,38, acumulando uma variação de +4.55% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 0,29 e a máxima de R$ 4,17. A companhia está inserida no setor de Consumo Cíclico, atuando no segmento de Eletrodomésticos. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de -0.10x e P/VP de -0.16x. Com Dividend Yield acumulado nos últimos 12 meses de 70.60%.

Abertura
R$ 1,36
Fec. Ant: R$ 1,39
Variação Dia
Min: R$ 1,31
Max: R$ 1,46
52 Semanas
Mín: R$ 0,29
Máx: R$ 4,17
Volume
24.983.000
Moeda: BRL

Histórico de Cotação: BHIA3

Evolução do preço diário oficial e indicadores de tendência

Mínima no Período --
Máxima no Período --
Variação no Período --
Tendência Técnica --
Carregando cotações históricas...

Indicadores de Valuation

-0.10
-0.16
R$ -16,23
R$ -8,16
P/Receita (PSR)
0.05
P/FCO
0.08
P/FCL
0.09
EV/Receita Líq.
0.22
EV/FCO
0.39
EV/FCL
0.39
Earning Yield
20.98%
Enterprise Value
R$ 6,40 Bi

Indicadores de Endividamento

Dív. Líq./EBITDA
2.71
Dív. Líquida/PL
1.80
Dívida Líquida
R$ 5,00 Bi
Liq. Corrente
0.64
PL/Ativos
0.08
Passivos/Ativos
0.92
Liq. Seca
0.44
Liq. Imediata
0.06

Indicadores de Eficiência

Margem EBIT
-7.58%

Indicadores de Rentabilidade

1.60%
14.80%
-51.00%
Giro do Ativo
0.88

Indicadores de Crescimento

CAGR Receita
0.20%

Dados Financeiros

Margens
Margem Bruta 31.19%
Margem EBITDA -4.03%
Margem Operacional -7.58%
Margem Líquida -44.42%
Fluxo de Caixa
FCO R$ 16,56 Bi
FCL R$ 16,36 Bi
Caixa Total R$ 1,30 Bi
Caixa/Ação R$ 1,28
Receita e Dívida
Receita Total R$ 29,73 Bi
Lucro Bruto R$ 9,27 Bi
EBITDA R$ -1.197,00 Mi
Dívida Total R$ 17,70 Bi
Crescimento (Trimestral YoY)
Receita (YoY) 5.29%
Lucro (YoY) -640.25%

Resultados Financeiros

Indicador (Anual) 2025 2024 2023 2022
Receita Total R$ 29.197,00 Mi R$ 27.206,00 Mi R$ 28.847,00 Mi R$ 30.898,00 Mi
Lucro Bruto R$ 8.909,00 Mi R$ 8.377,00 Mi R$ 8.055,00 Mi R$ 9.590,00 Mi
EBIT / Lucro Operacional R$ 1.343,00 Mi R$ 510,00 Mi R$ -1.161,00 Mi R$ 1.161,00 Mi
Lucro Líquido R$ -2.988,00 Mi R$ -1.045,00 Mi R$ -2.625,00 Mi R$ -342,00 Mi

Sobre a BHIA3

Setor
Consumo Cíclico
Indústria / Segmento
Eletrodomésticos
Funcionários
57.500
Market Cap
R$ 1,29 Bi
Descrição do Negócio

O Grupo Casas Bahia S.A., listado na B3 sob BHIA3, atua no varejo de bens duráveis e eletroeletrônicos no Brasil, com operação omnicanal que combina lojas físicas, comércio eletrônico e marketplace. A companhia opera marcas de varejo conhecidas nacionalmente e mantém estrutura de logística, distribuição e serviços financeiros para apoiar vendas parceladas e recorrência de clientes. A base de receita inclui venda de produtos, serviços e intermediação em canais digitais. A dinâmica de resultados é influenciada por consumo das famílias, custo de crédito, inadimplência, nível de estoques e eficiência logística. O setor de varejo de eletrodomésticos é sensível a renda disponível, juros e competição de preço entre grandes plataformas. Nos últimos anos, a empresa passou por reorganização de marca e ajustes operacionais para reduzir alavancagem, melhorar geração de caixa e priorizar rentabilidade por canal e categoria de produto.

DIVIDENDO R$ 0,0119
Pagamento: 21/06/2018
JCP R$ 0,0270
Pagamento: 28/12/2017
DIVIDENDO R$ 0,0021
Pagamento: 10/11/2016
DIVIDENDO R$ 0,0005
Pagamento: 23/06/2016
DIVIDENDO R$ 0,1725
Pagamento: 17/06/2015
DIVIDENDO R$ 0,5651
Pagamento: 08/11/2013
DIVIDENDO R$ 0,6443
Pagamento: N/A
DIVIDENDO R$ 0,0145
Pagamento: 07/06/2013
DIVIDENDO R$ 0,0318
Pagamento: N/A
JCP R$ 0,3473
Pagamento: 20/05/2008

Notícias relacionadas

Transportadora do MT investe meio bilhão para colocar caminhões elétricos na rota dos grãos
China •

Transportadora do MT investe meio bilhão para colocar caminhões elétricos na rota dos grãos

Márcio Dias, Max Paixão e Luís Fernando Navarini (ao volante), executivos da Navarini, testam caminhão durante a formalização do acordo, na sede da XCMG, em Xuzhou, na China Grupo Navarini, de Sorriso, adquire 251 veículos pesados da chinesa XCMG e promete eletrificar mais de 1,4 mil quilômetros para levar mais de 5 milhões de toneladas de grãos aos portos do Arco Norte No Brasil, o escoamento da produção agrícola é considerado um desafio para as cadeias de grãos. O óleo diesel, por exemplo, representa cerca de 35% dos custos totais no transporte rodoviário de cargas, influenciando o valor final do frete. Desta forma, o mercado sempre buscou alternativas à dependência de combustíveis fósseis, como o uso de biodiesel, ou o etanol produzido a partir de cana e milho. Porém, a tecnologia ainda esbarra em gargalos operacionais e até políticos. Outro caminho seria a utilização de caminhões elétricos, mas aqui o terreno fica ainda mais sinuoso. Durante muito tempo, havia quase um consenso dizendo que o modelo poderia funcionar para cargas mais leves e rotas mais curtas, mas que não era adequado ao trabalho pesado e às distâncias do transporte de safras. Além disso, a falta de pontos de recarga e as más condições das estradas inviabilizaria a substituição de carretas a diesel por cavalos mecânicos elétricos. Uma transportadora do interior de Mato Grosso, porém, decidiu entrar na contramão nessa discussão. Com sede na capital da soja, Sorriso, e especializada no transporte de grãos, o Grupo Navarini assinou, no início de setembro, um contrato com a fabricante chinesa XCMG para a compra de 251 caminhões elétricos pesados. O investimento previsto é de R$ 500 milhões e deve resultar na renovação total da frota da empresa, que este ano deve movimentar cerca de 4 milhões de toneladas, transformando-a na maior da América Latina em caminhões elétricos pesados. “Se na China o custo de energia é 70% mais caro que no Brasil e funciona, aqui também deve dar certo”, afirma Luis Fernando Navarini, fundador da Transportadora Navarini, em entrevista ao AgFeed, ao explicar porque resolveu acelerar em uma pista em que poucos se propuseram a percorrer. Ele começou a estudar as marcas chinesas há dois anos. Depois, conta, levou a ideia aos quatro principais clientes da transportadora, em busca de parceria. “Apenas um acreditou na minha ideia”, diz. O projeto começou a sair do papel efetivamente em 2025, quando Navarini iniciou a realização de testes em operações reais no agronegócio com veículos totalmente elétricos. “Testamos temperatura, ambiente, autonomia. Zeramos a bateria em alguns casos, para verificar o tempo de reação. O torque é instantâneo no caminhão elétrico e o motor é mais forte do que em um caminhão a combustão”, compara o empresário. No início de setembro, ele e outros executivos do grupo voaram para Xuzhou, na China, onde fica a sede da XCMG e selaram o negócio. Líder no segmento de máquinas pesadas na China, a XCMG é terceira maior fabricante do setor no mundo e pioneira na introdução de caminhões elétricos no Brasil. No Brasil desde 2014, a companhia detém quatro unidades: uma fábrica em Pouso Alegre (MG), um centro de distribuição de peças e serviços em Guarulhos (SP), e duas unidades com foco em mineração nas cidades de Contagem (MG) e Parauapebas (PA). Os caminhões adquiridos são do modelo E7-95T. Serão produzidos na fábrica chinesa e chegarão no Brasil a partir de janeiro do ano que vem. Rota elétrica Além do meio bilhão investido na compra dos veículos, o projeto tem outra frente não menos importante e cujos valores a Navarini não divulgou: resolver o desafio do abastecimento dos caminhões nas longas distâncias entre as lavouras do Mato Grosso e os portos no Pará. É aí que entra o cliente que acreditou na ideia, um grupo que atua na produção agrícola e na bionergia em Mato Grosso, com receita superior a R$ 8 bilhões. “No início, em parceria com a Agrícola Alvorada, vamos eletrificar a rota de Confresa (MT) até Barcarena (PA)”, diz Navarini. Trata-se de uma distância de 1,4 mil quilômetros, “numa das regiões mais remotas do Brasil”, como ele define, até o porto, que escoa mais de 10 milhões de toneladas por ano. “Depois nós vamos eletrificar todo Mato Grosso até o fim do ano que vem”, promete. A frota elétrica da transportadora já começa a operar no primeiro trimestre de 2027, promovendo economia no negócio. “Hoje a eletricidade dá uma diferença de mais ou menos 70% no custo em relação ao diesel. Então, eu consigo ter uma geração de caixa na minha logística”, analisa. “E o mais importante é a sustentabilidade. É um veículo 100% elétrico e sustentável. A nossa frota vai gerar, por ano, uma economia em crédito de carbono estimada em 72 mil toneladas”. De acordo com a XCMG, o caminhão utiliza propulsão elétrica e não emite gases de efeito estufa, além de oferecer redução de ruído e de necessidades de manutenção. Ele pesa 74 toneladas e tem 120 toneladas de tração, com desempenho que equivale ao dos maiores cavalos mecânicos a diesel do mercado. “Nossos caminhões vão chegar com voltagem de 528 kW, super avançados. Eles têm autonomia de mais ou menos 230 quilômetros carregados, com 50 toneladas de carga”, afirma o empresário. Segundo ele, os pontos de carregamento serão localizados a cada 150 quilômetros, de forma com que os caminhões trabalhem com uma margem de 20% a 80% de carga. Isso, de acordo com Navarini, traz eficiência à operação de carregamento, que deve durar em torno de 35 minutos. “É uma logística extremamente matemática”, diz Navarini. Energia nos negócios A aquisição materializa o projeto iniciado em 2024, quando Luís Fernando Navarini idealizou que a transportadora poderia ser a primeira do agronegócio brasileiro a eletrificar a frota. “Meu pai é funcionário público e, ironicamente, é eletricista, aposentado da Companhia Paranaense de Energia. Então, um filho de eletricista sendo pioneiro na eletrificação da frota rodoviária”, conta, emocionado. Fundada por ele, em 2023, a TN Logística Integrada é especializada no transporte rodoviário de cargas. No agro atende negócios que vão desde grãos, sementes e algodão até açúcar e fertilizantes. Para 2027, a transportadora projeta um volume de 5,5 milhões de toneladas embarcadas, com reforço dos caminhões elétricos. O grupo é composto, hoje, por Navarini e outros experientes executivos como sócios. “Márcio Dias trabalhou 13 anos como gerente da Brasil Central, uma das maiores do Brasil. Max Paixão trabalhou muitos anos em grandes transportadoras, em frota. E João Paulo trabalhou nove anos na Bom Futuro, uma das maiores empresas de algodão do Brasil”, apresenta o empresário. A companhia atua em onze estados brasileiros: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia, Pará, Piauí, Tocantins e Maranhão. Agora, com a aproximação com a XCMG, abre uma nova frente de negócios na mobilidade elétrica pesada no Brasil. Além de cliente, a Navarini se torna concessionária da marca chinesa, já com a previsão de abertura de sete filiais para dar suporte pós-venda e incentivar a cultura elétrica para a logística do agro. “Em Mato Grosso serão três lojas: Sorriso, Cuiabá e Rondonópolis. No Paraná, elas serão abertas em Cascavel, Maringá, Guarapuava e Curitiba”, antecipa. Com a ampliação, a empresa deve dobrar o quadro de funcionários, passando dos atuais 240 colaboradores, para mais de 400 - contando com embarcadores e motoristas. Resumo Grupo Navarini, de Sorriso (MT) investe R$ 500 milhões na compra de 251 caminhões elétricos pesados da chinesa XCMG Transportadora pretende eletrificar rotas de grãos entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte a partir de 2027 Projeto aposta em menor custo operacional e redução de emissões, com pontos de recarga planejados para longas distâncias

Preferência por Lula, cautela ao criticar Flávio: como a China (e a imprensa local) vê a eleição no Brasil
UOL - Notícias •

Preferência por Lula, cautela ao criticar Flávio: como a China (e a imprensa local) vê a eleição no Brasil

Londres Um dos maiores parceiros comerciais, um dos grandes países do planeta, uma fonte vital de produtos agrícolas, um aliado nos Brics e um importante ator regional em um continente fortemente influenciado pelos Estados Unidos. Essa é a visão que alguns órgãos de imprensa da China têm noticiado sobre o Brasil e as eleições presidenciais do próximo domingo (4). Nas últimas semanas, a imprensa chinesa tem dado destaque ao pleito brasileiro, com especial enfoque aos dois principais candidatos —Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), favoritos para irem a um segundo turno. Ambos aparecem nas primeiras posições de intenções de voto nos dois turnos da eleição, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Veículos chineses –que são amplamente controlados pelo governo de Pequim– vêm dando destaque à eleição brasileira - Getty Images A China é o terceiro país com o pior índice de liberdade de imprensa, segundo ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, e praticamente tudo o que é publicado pela imprensa do país reflete o pensamento ou tem o aval do governo de Pequim. Para explicar como a China —e a imprensa chinesa— estão vendo a eleição presidencial de domingo, a BBC News Brasil conversou também com Kerry Allen, analista de Mídia da China do BBC Monitoring. Na avaliação de Kerry Allen, o interesse do governo chinês está refletido na cobertura que a imprensa local faz do processo eleitoral brasileiro. O BBC Monitoring é um departamento especializado da BBC que monitora, traduz e analisa mais de 3.000 veículos em mais de 150 países e 100 línguas. Allen monitora a mídia chinesa e produz relatórios de análise. Ela afirma que o Brasil costuma ser mencionado pelo presidente Xi Jinping como parte da "diplomacia de grandes países" —um tratamento especial dado pela China a alguns países. "Com o Brasil, você ouvirá frequentemente essa frase de 'diplomacia de grandes países' sendo usada, que são os países mais poderosos, os grandes países, aqueles com grandes populações, os mais influentes. Essa grande escala é vista como muito importante [por Pequim]", afirma. Allen diz que o mercado de mídia chinês é amplamente dominado pela presença do Estado —que controla praticamente todos os veículos de grande circulação e audiência. Portanto, praticamente tudo que é veiculado na imprensa possui uma chancela do governo de Pequim. Na sua visão, a cobertura da imprensa chinesa da eleição brasileira parece demonstrar uma certa preferência de Pequim por Lula. "Eu diria que, se há um candidato preferido da China, é Lula", afirma Allen à BBC News Brasil. "Muitos veículos de comunicação têm se mostrado muito positivos em relação a ele, falando sobre como, por exemplo, o jornal Global Times o considera o político de esquerda mais influente do Brasil. Dizem que ele possui uma base sólida de apoio popular, vasta experiência em governança e uma imagem internacional positiva." No entanto, ela diz que a imprensa chinesa tem sido cautelosa em não se mostrar crítica a Flávio Bolsonaro —dado que Pequim não quer estar em posição antagônica ao Brasil caso ele vença a eleição. "Acho que, em linhas gerais, a China espera que, independentemente de quem assumir o poder, as relações positivas sejam mantidas", afirma Allen. "Há um consenso implícito de que Lula já possui uma relação consolidada com Xi Jinping. E há um reconhecimento das falas de Flávio Bolsonaro de que as relações comerciais e econômicas não sofrerão alterações [caso ele seja eleito]", afirma Allen. 'ELEIÇÃO POLARIZADA' O Reference News —jornal de grande circulação que pertence à agência estatal Xinhua— descreve a eleição como "uma das mais polarizadas da história do Brasil". Jornal mais influente da China em assuntos internacionais —e também um dos mais lidos—, o Global Times, diz que a eleição terá um "impacto profundo no cenário político do país e em toda a região". O Global Times vê Lula e Flávio Bolsonaro com condições iguais de ganhar a disputa. Para o jornal, Lula teria uma vantagem no lado econômico, por suas políticas de bem-estar social e distribuição de renda. Já Flávio Bolsonaro ganharia mais votos entre os que estão preocupados com segurança. Alguns veículos —como o Global Times a revista China Newsweek— questionam também a idade avançada de Lula no pleito. "Lula afirma que caminha por uma hora todos os dias e que treina especificamente as pernas e os braços. O presidente brasileiro de 80 anos está bem ciente de que a idade é um tema inevitável", afirma a China Newsweek. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando... Outro tema recorrente na imprensa chinesa é se uma eventual vitória da direita no Brasil poderia provocar um afastamento entre Brasília e Pequim —dada a proximidade de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. Uma reportagem no site de notícias e tecnologia NetEase afirma que a política latino-americana não é guiada por ideologia e que "quem realmente entende o Brasil sabe que a bússola política do país nunca é determinada pelas preferências pessoais do presidente, mas sim pela direção de um navio cargueiro". O jornal afirma que a direita brasileira aprendeu que os interesses chineses são vitais para a economia nacional e que "quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste". Confira abaixo como a imprensa chinesa está noticiando a eleição brasileira. APELO DA ESQUERDA E DIREITA É 'PRATICAMENTE O MESMO' O Global Times, conhecido por suas posturas antiamericanas, publicou uma longa reportagem sobre a eleição brasileira no final de agosto. Nela, o jornal afirmou que, "como é o país de esquerda mais importante da América Latina", a eleição brasileira terá um "impacto profundo no cenário político do país e em toda a região". A eleição é apresentada como uma disputa em aberto, com pequena margem de votos entre os Lula e Flávio Bolsonaro. O jornal afirma que Lula tem três vantagens como candidato. "Primeiro, ele continua sendo o político de esquerda mais influente no Brasil, com uma base sólida de apoio popular, vasta experiência governamental e uma imagem internacional positiva", afirma a reportagem de 31 de agosto. "Segundo, ele mantém uma campanha que combina 'esquerda com moderados e centristas', e o vice-presidente Geraldo Alckmin, um político veterano de origem conservadora, contribui para conquistar o apoio do setor empresarial e dos eleitores de centro", continua. "Terceiro, a economia brasileira tem demonstrado certa resiliência nos últimos anos, e políticas como as transferências sociais e a promoção do emprego para as classes mais baixas têm ajudado Lula a consolidar sua base", conclui. O influente Global Times publicou longa reportagem com o título: "A disputa eleitoral no Brasil está se acirrando: segurança e condições de vida da população se tornam o foco do conflito" - Reprodução Mas o jornal destaca que um dos pontos negativos de Lula é sua idade avançada e problemas de saúde. "Lula completará 81 anos em outubro de 2026 e foi diagnosticado com câncer de pele em maio deste ano, tendo se submetido a radioterapia superficial preventiva no couro cabeludo", afirma o Global Times. "Sua idade avançada, saúde debilitada, o desgaste social decorrente de seu longo mandato, somados às fortes preocupações com a segurança na sociedade brasileira, estão diminuindo suas chances de vitória." Além disso, o jornal destaca que, apesar das promessas econômicas às classes mais pobres do Brasil, Lula "tem dificuldades em apresentar um cenário de forte recuperação econômica, o que limita o apelo de suas políticas econômicas aos eleitores de centro". Flávio Bolsonaro é retratado como herdeiro da base de apoio de seu pai, Jair Bolsonaro, que inclui "grupos evangélicos conservadores, alguns grupos agrícolas e comerciais, eleitores anti-PT e apoiadores de políticas de segurança linha-dura". "O problema é que Flávio também carrega um fardo pesado: seu pai foi condenado em um caso relacionado a uma tentativa fracassada de golpe, e os conflitos políticos e jurídicos de sua família estão intimamente interligados; seu irmão, Eduardo Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por pressionar governos estrangeiros nos EUA a influenciar o sistema judiciário brasileiro", afirma o jornal. O Global Times afirma que, para os brasileiros comuns, as questões mais urgentes nesta eleição não são ideológicas —de "esquerda ou direita"— mas sim sobre a segurança nos seus bairros, os preços de alimentos e combustíveis, a disponibilidade de empregos para os jovens e a mobilidade social. A reportagem afirma que as prioridades dos eleitores definirão quem irá conquistar seus "corações e mentes". "Se as principais demandas do público forem segurança de renda, bem-estar social e estabilidade nacional, Lula é mais persuasivo; se o combate ao crime e a manutenção da ordem social forem as principais preocupações, a direita tem maior probabilidade de despertar emoções", afirma a reportagem. "O candidato verdadeiramente vitorioso não é aquele que grita os slogans ideológicos mais estridentes, mas sim aquele que convence os eleitores de que pode proteger o sustento das pessoas e manter a segurança dos bairros", pontua o jornal. "A julgar pelas preferências atuais dos eleitores, tanto a esquerda quanto a direita têm seus pontos fortes em determinadas questões, e seu apelo é praticamente o mesmo", afirma o Global Times. RELAÇÃO COM CHINA PODE PIORAR? Uma das preocupações noticiadas em alguns veículos é se Flávio Bolsonaro —que é fortemente alinhado aos EUA de Donald Trump, maior rival de Pequim no palco internacional— promoveria algum tipo de afastamento do Brasil em relação à China caso venha a ser eleito. "Muitas pessoas que acompanham as notícias internacionais provavelmente se perguntam: se Lula, o presidente, for de fato derrotado pelo candidato de direita, as relações sino-brasileiras irão piorar?", questiona reportagem publicada na segunda-feira (28) pelo NetEase, um portal de notícia e tecnologia considerado influente entre os mais jovens. A reportagem da NetEase cita uma reunião a portas fechadas com empresários na Confederação Nacional da Agricultura do Brasil na qual Flávio Bolsonaro teria tranquilizado líderes empresariais presentes de que as relações comerciais e econômicas com a China não mudariam caso ele vença a eleição. "Esse forte contraste entre o que acontece dentro e fora dos palcos revela o instinto de sobrevivência dos políticos brasileiros", afirma o texto da NetEase. "Para o Brasil, um país que depende fortemente da exportação de produtos primários para gerar excedentes em moeda estrangeira, o mercado chinês não é uma questão opcional, mas sim uma tábua de salvação para toda a economia nacional", afirma a reportagem. Reportagem de veículo chinês disse que 'realidade deu um tapa na cara' de Jair Bolsonaro sobre as relações entre Brasil e China - Getty Images O NetEase afirma que governadores de Estados com grande produção agrícola e a bancada ruralista no Congresso brasileiro estão entre os principais defensores das relações comerciais entre Brasil e China. "Voltando no tempo a 2018, quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, ele inicialmente seguiu o exemplo do presidente rebelde do norte [Donald Trump], entoando slogans ideológicos e até mesmo ultrapassando os limites na questão de Taiwan. Mas qual foi o resultado? Menos de um ano após o início de seu mandato, a realidade lhe deu um tapa na cara", afirma a reportagem. "O setor agropecuário brasileiro ficou em polvorosa, e governadores de todo o país alertaram o governo federal para que não prejudicasse seus próprios meios de subsistência", diz. E afirma, em seguida, que o próprio Bolsonaro trocou de postura sobre a China. "No segundo semestre de 2019, Bolsonaro liderou diligentemente uma grande delegação à China, sorrindo amplamente diante das câmeras e enfatizando repetidamente a importância da parceria estratégica com o país. A atual elite política de direita do Brasil aprendeu muito com essa experiência. Tornou-se mais astuta e pragmática." EUA 'CONCORRENTE' DO BRASIL A reportagem também apresenta a China como um executor concreto de investimentos no Brasil —como a construção de linhas de transmissão pela State Grid Corporation of China ou a instalação de montadoras como a BYD e GWM— enquanto os EUA oferecem apenas "conceitos vagos" de aliança. "Há alguns anos, a Ford Motor Company anunciou repentinamente o fechamento de sua fábrica centenária em Camaçari, na Bahia, sem qualquer aviso prévio. Milhares de trabalhadores locais perderam seus empregos da noite para o dia, e toda a área da fábrica ficou reduzida a ruínas tomadas pelo mato", diz a reportagem. "Na época, o governo local recorreu a Washington em busca de ajuda, na esperança de que uma empresa americana pudesse assumir o controle, mas sequer recebeu uma resposta educada. Quem, afinal, salvou aquele parque industrial? Foi a montadora chinesa BYD." A NetEase destaca que os EUA seguirão tentando influenciar o Brasil a se afastar da China, mas que Washington não possui "recursos financeiros concretos" e que só oferece a Brasília "conceitos vagos como valores, alianças democráticas e acordos exclusivos de segurança". "Muitos podem perguntar: os EUA não vão pressionar o Brasil? Washington vai simplesmente ficar de braços cruzados enquanto a maior economia da América Latina se aproxima cada vez mais da China? A pressão certamente existe; os políticos de Washington têm sido incrivelmente ativos na América Latina nos últimos anos", afirma o texto da NetEase. 'Quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste', afirma reportagem do portal NetEase - Getty Images Além disso, na visão do site chinês, Brasil e EUA são concorrentes econômicos, mais do que parceiros. "Pedir ao Brasil que abrace um concorrente direto e abandone um grande cliente que compra seus produtos em grandes quantidades todos os anos é uma decisão suicida para os negócios, que nenhum político brasileiro com um mínimo de bom senso tomaria." A reportagem conclui que, qualquer que seja o presidente eleito pelo Brasil em outubro, as relações com a China não mudarão. "Quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste. Nenhum presidente eleito pode arcar com as consequências catastróficas da soja não vendida, do fechamento de portos e da desvalorização da moeda." A questão da soberania brasileira frente a ameaças do presidente americano Donald Trump também foi apontada pela revista China Newsweek como importante na eleição brasileira. "Lula disse que o Brasil deve estar preparado para impedir que forças externas cruzem a fronteira e 'levem o presidente embora', e que essa preparação visa a manutenção da paz. Embora o nome de [Nicolás] Maduro [da Venezuela] não tenha sido mencionado, quase todos entenderam a mensagem implícita", afirma a China Newsweek. CHINA E LIBERDADE DE IMPRENSA A imprensa chinesa é uma das mais controladas pelo governo em todo o mundo —e praticamente tudo o que é publicado nos jornais e exibido nas televisões está alinhado ao Partido Comunista Chinês e ao governo de Pequim. A internet também é fortemente controlada pelo governo. A China está em antepenúltimo lugar em um ranking de 2026 de liberdade de imprensa da organização RSF (Repórteres Sem Fronteiras) —na frente apenas de Eritreia e Coreia do Norte, entre 180 países. Nesse ranking, que é liderado pela Noruega, o Brasil ocupa a 52ª posição e os EUA, a 64ª. A China é o país que mais prende jornalistas no mundo, com mais de 100 detidos atualmente, segundo a RSF. Alguns dos principais veículos de imprensa da China são a Agência de Notícias Xinhua, a China Central Television, a China National Radio, os jornais China Daily, People's Daily e Global Times, e os portais NetEase (163.com) e Sohu. Segundo a RSF, o Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês envia diariamente um comunicado detalhado a todos os veículos de comunicação, contendo diretrizes editoriais e tópicos censurados. "Jornalistas independentes e blogueiros que ousam divulgar informações 'sensíveis' são frequentemente submetidos a vigilância, assédio e detenção e, em alguns casos, tortura", afirma um relatório da RSF. "Para obter e renovar suas credenciais de imprensa, os jornalistas precisam baixar o aplicativo de propaganda 'Estude Xi, Fortaleça o País', que pode coletar seus dados pessoais." Este texto foi originalmente publicado aqui.

Preferência por Lula, cautela ao criticar Flávio: como a China (e a imprensa local) vê a eleição no Brasil
Folha - Poder •

Preferência por Lula, cautela ao criticar Flávio: como a China (e a imprensa local) vê a eleição no Brasil

Londres Um dos maiores parceiros comerciais, um dos grandes países do planeta, uma fonte vital de produtos agrícolas, um aliado nos Brics e um importante ator regional em um continente fortemente influenciado pelos Estados Unidos. Essa é a visão que alguns órgãos de imprensa da China têm noticiado sobre o Brasil e as eleições presidenciais do próximo domingo (4). Nas últimas semanas, a imprensa chinesa tem dado destaque ao pleito brasileiro, com especial enfoque aos dois principais candidatos —Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), favoritos para irem a um segundo turno. Ambos aparecem nas primeiras posições de intenções de voto nos dois turnos da eleição, segundo o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Veículos chineses –que são amplamente controlados pelo governo de Pequim– vêm dando destaque à eleição brasileira - Getty Images A China é o terceiro país com o pior índice de liberdade de imprensa, segundo ranking da organização Repórteres Sem Fronteiras, e praticamente tudo o que é publicado pela imprensa do país reflete o pensamento ou tem o aval do governo de Pequim. Para explicar como a China —e a imprensa chinesa— estão vendo a eleição presidencial de domingo, a BBC News Brasil conversou também com Kerry Allen, analista de Mídia da China do BBC Monitoring. Na avaliação de Kerry Allen, o interesse do governo chinês está refletido na cobertura que a imprensa local faz do processo eleitoral brasileiro. O BBC Monitoring é um departamento especializado da BBC que monitora, traduz e analisa mais de 3.000 veículos em mais de 150 países e 100 línguas. Allen monitora a mídia chinesa e produz relatórios de análise. Ela afirma que o Brasil costuma ser mencionado pelo presidente Xi Jinping como parte da "diplomacia de grandes países" —um tratamento especial dado pela China a alguns países. "Com o Brasil, você ouvirá frequentemente essa frase de 'diplomacia de grandes países' sendo usada, que são os países mais poderosos, os grandes países, aqueles com grandes populações, os mais influentes. Essa grande escala é vista como muito importante [por Pequim]", afirma. Allen diz que o mercado de mídia chinês é amplamente dominado pela presença do Estado —que controla praticamente todos os veículos de grande circulação e audiência. Portanto, praticamente tudo que é veiculado na imprensa possui uma chancela do governo de Pequim. Na sua visão, a cobertura da imprensa chinesa da eleição brasileira parece demonstrar uma certa preferência de Pequim por Lula. "Eu diria que, se há um candidato preferido da China, é Lula", afirma Allen à BBC News Brasil. "Muitos veículos de comunicação têm se mostrado muito positivos em relação a ele, falando sobre como, por exemplo, o jornal Global Times o considera o político de esquerda mais influente do Brasil. Dizem que ele possui uma base sólida de apoio popular, vasta experiência em governança e uma imagem internacional positiva." No entanto, ela diz que a imprensa chinesa tem sido cautelosa em não se mostrar crítica a Flávio Bolsonaro —dado que Pequim não quer estar em posição antagônica ao Brasil caso ele vença a eleição. "Acho que, em linhas gerais, a China espera que, independentemente de quem assumir o poder, as relações positivas sejam mantidas", afirma Allen. "Há um consenso implícito de que Lula já possui uma relação consolidada com Xi Jinping. E há um reconhecimento das falas de Flávio Bolsonaro de que as relações comerciais e econômicas não sofrerão alterações [caso ele seja eleito]", afirma Allen. 'ELEIÇÃO POLARIZADA' O Reference News —jornal de grande circulação que pertence à agência estatal Xinhua— descreve a eleição como "uma das mais polarizadas da história do Brasil". Jornal mais influente da China em assuntos internacionais —e também um dos mais lidos—, o Global Times, diz que a eleição terá um "impacto profundo no cenário político do país e em toda a região". O Global Times vê Lula e Flávio Bolsonaro com condições iguais de ganhar a disputa. Para o jornal, Lula teria uma vantagem no lado econômico, por suas políticas de bem-estar social e distribuição de renda. Já Flávio Bolsonaro ganharia mais votos entre os que estão preocupados com segurança. Alguns veículos —como o Global Times a revista China Newsweek— questionam também a idade avançada de Lula no pleito. "Lula afirma que caminha por uma hora todos os dias e que treina especificamente as pernas e os braços. O presidente brasileiro de 80 anos está bem ciente de que a idade é um tema inevitável", afirma a China Newsweek. Eleições Hoje Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados Carregando... Outro tema recorrente na imprensa chinesa é se uma eventual vitória da direita no Brasil poderia provocar um afastamento entre Brasília e Pequim —dada a proximidade de Flávio Bolsonaro com Donald Trump. Uma reportagem no site de notícias e tecnologia NetEase afirma que a política latino-americana não é guiada por ideologia e que "quem realmente entende o Brasil sabe que a bússola política do país nunca é determinada pelas preferências pessoais do presidente, mas sim pela direção de um navio cargueiro". O jornal afirma que a direita brasileira aprendeu que os interesses chineses são vitais para a economia nacional e que "quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste". Confira abaixo como a imprensa chinesa está noticiando a eleição brasileira. APELO DA ESQUERDA E DIREITA É 'PRATICAMENTE O MESMO' O Global Times, conhecido por suas posturas antiamericanas, publicou uma longa reportagem sobre a eleição brasileira no final de agosto. Nela, o jornal afirmou que, "como é o país de esquerda mais importante da América Latina", a eleição brasileira terá um "impacto profundo no cenário político do país e em toda a região". A eleição é apresentada como uma disputa em aberto, com pequena margem de votos entre os Lula e Flávio Bolsonaro. O jornal afirma que Lula tem três vantagens como candidato. "Primeiro, ele continua sendo o político de esquerda mais influente no Brasil, com uma base sólida de apoio popular, vasta experiência governamental e uma imagem internacional positiva", afirma a reportagem de 31 de agosto. "Segundo, ele mantém uma campanha que combina 'esquerda com moderados e centristas', e o vice-presidente Geraldo Alckmin, um político veterano de origem conservadora, contribui para conquistar o apoio do setor empresarial e dos eleitores de centro", continua. "Terceiro, a economia brasileira tem demonstrado certa resiliência nos últimos anos, e políticas como as transferências sociais e a promoção do emprego para as classes mais baixas têm ajudado Lula a consolidar sua base", conclui. O influente Global Times publicou longa reportagem com o título: "A disputa eleitoral no Brasil está se acirrando: segurança e condições de vida da população se tornam o foco do conflito" - Reprodução Mas o jornal destaca que um dos pontos negativos de Lula é sua idade avançada e problemas de saúde. "Lula completará 81 anos em outubro de 2026 e foi diagnosticado com câncer de pele em maio deste ano, tendo se submetido a radioterapia superficial preventiva no couro cabeludo", afirma o Global Times. "Sua idade avançada, saúde debilitada, o desgaste social decorrente de seu longo mandato, somados às fortes preocupações com a segurança na sociedade brasileira, estão diminuindo suas chances de vitória." Além disso, o jornal destaca que, apesar das promessas econômicas às classes mais pobres do Brasil, Lula "tem dificuldades em apresentar um cenário de forte recuperação econômica, o que limita o apelo de suas políticas econômicas aos eleitores de centro". Flávio Bolsonaro é retratado como herdeiro da base de apoio de seu pai, Jair Bolsonaro, que inclui "grupos evangélicos conservadores, alguns grupos agrícolas e comerciais, eleitores anti-PT e apoiadores de políticas de segurança linha-dura". "O problema é que Flávio também carrega um fardo pesado: seu pai foi condenado em um caso relacionado a uma tentativa fracassada de golpe, e os conflitos políticos e jurídicos de sua família estão intimamente interligados; seu irmão, Eduardo Bolsonaro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por pressionar governos estrangeiros nos EUA a influenciar o sistema judiciário brasileiro", afirma o jornal. O Global Times afirma que, para os brasileiros comuns, as questões mais urgentes nesta eleição não são ideológicas —de "esquerda ou direita"— mas sim sobre a segurança nos seus bairros, os preços de alimentos e combustíveis, a disponibilidade de empregos para os jovens e a mobilidade social. A reportagem afirma que as prioridades dos eleitores definirão quem irá conquistar seus "corações e mentes". "Se as principais demandas do público forem segurança de renda, bem-estar social e estabilidade nacional, Lula é mais persuasivo; se o combate ao crime e a manutenção da ordem social forem as principais preocupações, a direita tem maior probabilidade de despertar emoções", afirma a reportagem. "O candidato verdadeiramente vitorioso não é aquele que grita os slogans ideológicos mais estridentes, mas sim aquele que convence os eleitores de que pode proteger o sustento das pessoas e manter a segurança dos bairros", pontua o jornal. "A julgar pelas preferências atuais dos eleitores, tanto a esquerda quanto a direita têm seus pontos fortes em determinadas questões, e seu apelo é praticamente o mesmo", afirma o Global Times. RELAÇÃO COM CHINA PODE PIORAR? Uma das preocupações noticiadas em alguns veículos é se Flávio Bolsonaro —que é fortemente alinhado aos EUA de Donald Trump, maior rival de Pequim no palco internacional— promoveria algum tipo de afastamento do Brasil em relação à China caso venha a ser eleito. "Muitas pessoas que acompanham as notícias internacionais provavelmente se perguntam: se Lula, o presidente, for de fato derrotado pelo candidato de direita, as relações sino-brasileiras irão piorar?", questiona reportagem publicada na segunda-feira (28) pelo NetEase, um portal de notícia e tecnologia considerado influente entre os mais jovens. A reportagem da NetEase cita uma reunião a portas fechadas com empresários na Confederação Nacional da Agricultura do Brasil na qual Flávio Bolsonaro teria tranquilizado líderes empresariais presentes de que as relações comerciais e econômicas com a China não mudariam caso ele vença a eleição. "Esse forte contraste entre o que acontece dentro e fora dos palcos revela o instinto de sobrevivência dos políticos brasileiros", afirma o texto da NetEase. "Para o Brasil, um país que depende fortemente da exportação de produtos primários para gerar excedentes em moeda estrangeira, o mercado chinês não é uma questão opcional, mas sim uma tábua de salvação para toda a economia nacional", afirma a reportagem. Reportagem de veículo chinês disse que 'realidade deu um tapa na cara' de Jair Bolsonaro sobre as relações entre Brasil e China - Getty Images O NetEase afirma que governadores de Estados com grande produção agrícola e a bancada ruralista no Congresso brasileiro estão entre os principais defensores das relações comerciais entre Brasil e China. "Voltando no tempo a 2018, quando Jair Bolsonaro assumiu a Presidência, ele inicialmente seguiu o exemplo do presidente rebelde do norte [Donald Trump], entoando slogans ideológicos e até mesmo ultrapassando os limites na questão de Taiwan. Mas qual foi o resultado? Menos de um ano após o início de seu mandato, a realidade lhe deu um tapa na cara", afirma a reportagem. "O setor agropecuário brasileiro ficou em polvorosa, e governadores de todo o país alertaram o governo federal para que não prejudicasse seus próprios meios de subsistência", diz. E afirma, em seguida, que o próprio Bolsonaro trocou de postura sobre a China. "No segundo semestre de 2019, Bolsonaro liderou diligentemente uma grande delegação à China, sorrindo amplamente diante das câmeras e enfatizando repetidamente a importância da parceria estratégica com o país. A atual elite política de direita do Brasil aprendeu muito com essa experiência. Tornou-se mais astuta e pragmática." EUA 'CONCORRENTE' DO BRASIL A reportagem também apresenta a China como um executor concreto de investimentos no Brasil —como a construção de linhas de transmissão pela State Grid Corporation of China ou a instalação de montadoras como a BYD e GWM— enquanto os EUA oferecem apenas "conceitos vagos" de aliança. "Há alguns anos, a Ford Motor Company anunciou repentinamente o fechamento de sua fábrica centenária em Camaçari, na Bahia, sem qualquer aviso prévio. Milhares de trabalhadores locais perderam seus empregos da noite para o dia, e toda a área da fábrica ficou reduzida a ruínas tomadas pelo mato", diz a reportagem. "Na época, o governo local recorreu a Washington em busca de ajuda, na esperança de que uma empresa americana pudesse assumir o controle, mas sequer recebeu uma resposta educada. Quem, afinal, salvou aquele parque industrial? Foi a montadora chinesa BYD." A NetEase destaca que os EUA seguirão tentando influenciar o Brasil a se afastar da China, mas que Washington não possui "recursos financeiros concretos" e que só oferece a Brasília "conceitos vagos como valores, alianças democráticas e acordos exclusivos de segurança". "Muitos podem perguntar: os EUA não vão pressionar o Brasil? Washington vai simplesmente ficar de braços cruzados enquanto a maior economia da América Latina se aproxima cada vez mais da China? A pressão certamente existe; os políticos de Washington têm sido incrivelmente ativos na América Latina nos últimos anos", afirma o texto da NetEase. 'Quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste', afirma reportagem do portal NetEase - Getty Images Além disso, na visão do site chinês, Brasil e EUA são concorrentes econômicos, mais do que parceiros. "Pedir ao Brasil que abrace um concorrente direto e abandone um grande cliente que compra seus produtos em grandes quantidades todos os anos é uma decisão suicida para os negócios, que nenhum político brasileiro com um mínimo de bom senso tomaria." A reportagem conclui que, qualquer que seja o presidente eleito pelo Brasil em outubro, as relações com a China não mudarão. "Quer o Brasil vire para a esquerda ou para a direita, seus navios cargueiros continuarão a seguir para o leste. Nenhum presidente eleito pode arcar com as consequências catastróficas da soja não vendida, do fechamento de portos e da desvalorização da moeda." A questão da soberania brasileira frente a ameaças do presidente americano Donald Trump também foi apontada pela revista China Newsweek como importante na eleição brasileira. "Lula disse que o Brasil deve estar preparado para impedir que forças externas cruzem a fronteira e 'levem o presidente embora', e que essa preparação visa a manutenção da paz. Embora o nome de [Nicolás] Maduro [da Venezuela] não tenha sido mencionado, quase todos entenderam a mensagem implícita", afirma a China Newsweek. CHINA E LIBERDADE DE IMPRENSA A imprensa chinesa é uma das mais controladas pelo governo em todo o mundo —e praticamente tudo o que é publicado nos jornais e exibido nas televisões está alinhado ao Partido Comunista Chinês e ao governo de Pequim. A internet também é fortemente controlada pelo governo. A China está em antepenúltimo lugar em um ranking de 2026 de liberdade de imprensa da organização RSF (Repórteres Sem Fronteiras) —na frente apenas de Eritreia e Coreia do Norte, entre 180 países. Nesse ranking, que é liderado pela Noruega, o Brasil ocupa a 52ª posição e os EUA, a 64ª. A China é o país que mais prende jornalistas no mundo, com mais de 100 detidos atualmente, segundo a RSF. Alguns dos principais veículos de imprensa da China são a Agência de Notícias Xinhua, a China Central Television, a China National Radio, os jornais China Daily, People's Daily e Global Times, e os portais NetEase (163.com) e Sohu. Segundo a RSF, o Departamento de Propaganda do Partido Comunista Chinês envia diariamente um comunicado detalhado a todos os veículos de comunicação, contendo diretrizes editoriais e tópicos censurados. "Jornalistas independentes e blogueiros que ousam divulgar informações 'sensíveis' são frequentemente submetidos a vigilância, assédio e detenção e, em alguns casos, tortura", afirma um relatório da RSF. "Para obter e renovar suas credenciais de imprensa, os jornalistas precisam baixar o aplicativo de propaganda 'Estude Xi, Fortaleça o País', que pode coletar seus dados pessoais." Este texto foi originalmente publicado aqui.

Perguntas Frequentes sobre BHIA3

Qual é a cotação de BHIA3 hoje na B3?
A cotação de BHIA3 hoje está em R$ 1,38. Durante o pregão, registrou mínima de R$ 1,31 e máxima de R$ 1,46.
Quanto a BHIA3 paga de dividendos?
A empresa distribui proventos periodicamente na forma de dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio). Você pode conferir a tabela completa com as últimas datas de corte (Data Com) e pagamento na seção de Dividendos acima.
Como calcular o Preço Teto de BHIA3?
O Preço Teto (Método Barsi e Décio Bazin) estabelece o preço máximo a pagar para obter um retorno mínimo em proventos (ex: 6% ao ano). Utilize nossa Calculadora de Preço Teto de BHIA3 para calcular automaticamente a margem de segurança e o Preço Justo de Graham.
O que significa o P/L e o P/VP de BHIA3?
O P/L (Preço sobre Lucro) indica quantos anos levaria para reaver o capital investido através dos lucros da empresa. Já o P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) indica se o papel está sendo negociado acima ou abaixo de seu patrimônio líquido contábil.

Fonte de Dados Oficiais & Transparência

Informações de cotações e demonstrações financeiras sincronizadas com dados públicos da B3 e CVM.

Aviso Legal: Os dados e ferramentas disponibilizados pelo Cotações Hoje têm propósito exclusivamente informativo e educacional, não constituindo recomendação de investimento.