EQ

EQTL3 – Cotação Equatorial S.A.

Energia

Equatorial S.A.

CNPJ: 03220438000173

Preço Atual
R$ 34,25
+0.06%

Resumo Fundamentalista de EQTL3

O ativo EQTL3 (Equatorial S.A.) está sendo negociado hoje a R$ 34,25, acumulando uma variação de +0.06% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 33,61 e a máxima de R$ 46,32. A companhia está inserida no setor de Energia, atuando no segmento de Energia Elétrica. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de 24.38x e P/VP de 1.65x. O ativo possui histórico de distribuição de proventos aos investidores, permitindo calcular o dividendo médio e a margem de segurança para estratégias de renda passiva.

Abertura
R$ 34,11
Fec. Ant: R$ 34,26
Variação Dia
Min: R$ 34,11
Max: R$ 34,43
52 Semanas
Mín: R$ 33,61
Máx: R$ 46,32
Volume
10.520.800
Moeda: BRL

Oscilação dos Últimos 12 Meses

Carregando gráfico...

Indicadores de Valuation

24.38
1.65
R$ 1,40
R$ 20,75
16.01
P/Receita (PSR)
0.80
P/FCO
14.58
P/FCL
-4.33
EV/Receita Líq.
2.25
EV/FCO
41.23
EV/FCL
-12.24
Earning Yield
6.25%
Enterprise Value
R$ 121,85 Bi
R$ 43,10 Bi

Indicadores de Endividamento

Dív. Líq./EBITDA
7.44
Dív. Líquida/PL
2.78
Dívida Líquida
R$ 78,75 Bi
Liq. Corrente
1.57
PL/Ativos
0.26
Passivos/Ativos
0.74
Liq. Seca
1.55
Liq. Imediata
0.52

Indicadores de Eficiência

Margem EBIT
14.08%

Indicadores de Rentabilidade

6.77%
6.55%
1.49%
Giro do Ativo
0.49

Indicadores de Crescimento

CAGR Receita
9.24%
CAGR Lucro
-51.61%

Dados Financeiros

Margens
Margem Bruta 25.57%
Margem EBITDA 19.57%
Margem Operacional 14.08%
Margem Líquida 3.27%
Fluxo de Caixa
FCO R$ 2,96 Bi
FCL R$ -9.950,90 Mi
Caixa Total R$ 9,22 Bi
Caixa/Ação R$ 7,32
Receita e Dívida
Receita Total R$ 54,06 Bi
Lucro Bruto R$ 13,82 Bi
EBITDA R$ 10,58 Bi
Dívida Total R$ 77,37 Bi
Crescimento
Receita 9.24%
Lucro -51.61%

Resultados Financeiros

Indicador (Anual) 2025 2024 2023 2022
Receita Total R$ 52.073,80 Mi R$ 45.366,67 Mi R$ 40.985,08 Mi R$ 27.132,51 Mi
Lucro Bruto R$ 13.607,26 Mi R$ 13.056,96 Mi R$ 12.142,53 Mi R$ 8.566,77 Mi
EBITDA R$ 8.136,91 Mi R$ 8.636,46 Mi R$ 7.647,41 Mi R$ 5.277,21 Mi
Lucro Líquido R$ 2.503,93 Mi R$ 3.767,80 Mi R$ 2.876,28 Mi R$ 1.922,00 Mi

Sobre a EQTL3

Setor
Energia
Indústria
Energia Elétrica
Market Cap
R$ 42,12 Bi
Descrição do Negócio

A Equatorial Energia S.A., listada na B3 sob o ticker EQTL3, foi constituída em 16 de junho de 1999 e atua no setor elétrico brasileiro. A companhia opera como holding com foco em infraestrutura de utilidades, com base histórica em distribuição de energia. Os negócios abrangem distribuição, transmissão e geração de energia elétrica, além de atuação em telecomunicações e saneamento em ativos específicos. A empresa combina concessões reguladas e operações de infraestrutura com perfil de longo prazo. No ambiente competitivo, a Equatorial disputa ativos e concessões com outros grupos de energia e infraestrutura no Brasil. O desempenho operacional depende de eficiência na gestão de distribuidoras, qualidade de serviço e execução de investimentos em segmentos regulados. A companhia atua em múltiplos estados brasileiros, com presença em concessões de distribuição de energia e expansão para outras frentes de utilidades. Em escala, atende milhões de unidades consumidoras em ampla cobertura territorial e mantém portfólio diversificado de ativos de infraestrutura.

Dividendos

JCP R$ 0,1333
Pagamento: 30/12/2026
JCP R$ 0,8048
Pagamento: 17/11/2025
JCP R$ 0,6452
Pagamento: 17/11/2025
DIVIDENDO R$ 0,5316
Pagamento: 28/05/2025
JCP R$ 0,1686
Pagamento: 28/05/2025
JCP R$ 0,0891
Pagamento: 20/02/2025
DIVIDENDO R$ 0,4500
Pagamento: 10/06/2024
DIVIDENDO R$ 0,3500
Pagamento: 09/06/2023
DIVIDENDO R$ 0,6400
Pagamento: 29/12/2022
DIVIDENDO R$ 0,7200
Pagamento: 29/12/2021

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Do petróleo aos royalties: o impacto bilionário da Margem Equatorial na economia
Notícias de Economia 18/08/2026

Do petróleo aos royalties: o impacto bilionário da Margem Equatorial na economia

A eventual produção de petróleo nos seis estados da Margem Equatorial pode adicionar bilhões à economia brasileira, além de colocar o país entre os cinco maiores produtores de óleo no mundo. A região, com 2.200 quilômetros de extensão, que vai do extremo norte do Amapá ao litoral do Rio Grande do Norte, é considerada a mais nova fronteira marítima de exploração de combustíveis fósseis no Brasil, um "novo pré-sal". Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a região tem potencial estimado em 30 bilhões de barris de óleo. Segundo cálculos da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a futura produção pode adicionar até R$ 175 bilhões ao PIB brasileiro, criar 495 mil empregos formais e gerar cerca de R$ 11,2 bilhões em impostos indiretos. Um estudo da consultoria Oxford Economics estima que a produção pode passar dos atuais 3,8 milhões de barris/dia para cerca de 5 milhões. Hoje, Estados Unidos, com 13 milhões de barris/dia, Arábia Saudita, com 9,9 milhões, e Rússia, com 9,7 milhões, são os maiores produtores do mundo. Os números dimensionam o potencial econômico de uma região que voltou ao centro das atenções após a Petrobras identificar hidrocarbonetos no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, em águas profundas da Bacia da Foz do Amazonas. A descoberta confirma a presença de petróleo ou gás natural nas formações analisadas, mas ainda não permite saber se há reservas em volumes comercialmente viáveis. O estudo da CNI calcula os efeitos que uma futura produção pode provocar nas economias de Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. Além da atividade diretamente ligada à extração, entram na conta fornecedores, serviços especializados e o efeito renda, impacto provocado pelo consumo associado aos salários gerados pela cadeia.A Petrobras prevê investir US$ 3 bilhões na região nos próximos cinco anos e perfurar 15 poços. A busca por novas reservas ganhou peso no planejamento da estatal diante da expectativa de que a produção do pré-sal atinja o pico entre 2030 e 2032. Atualmente, a indústria de óleo e gás representa 17% do PIB industrial, com estimativas de investimentos de cerca de US$ 165 bilhões no Brasil. Quanto a produção pode movimentar nos estados O Simulador de Impacto na Margem Equatorial, desenvolvido pelo Observatório Nacional da Indústria (ONI), permite calcular os efeitos da atividade a partir de variáveis como produção, preço do barril e câmbio. Em uma simulação de 300 mil barris por dia em cada estado, com petróleo a US$ 80,20 e dólar a R$ 5,20, o valor anual da produção alcança R$ 45 bilhões por unidade da federação analisada. Nesse cenário, o impacto nominal sobre o PIB a preços de mercado fica próximo de R$ 34 bilhões em cada estado: O Ceará registra R$ 34,005 bilhões; Maranhão, com R$ 33,846 bilhões; Rio Grande do Norte, com R$ 33,686 bilhões; Amapá, com R$ 33,490 bilhões; Piauí, com R$ 33,377 bilhões; Pará, com R$ 33,257 bilhões. A geração estimada de empregos varia de 155.632 no Pará a 170.520 no Ceará. Maranhão aparece próximo, com 170.390 postos. Rio Grande do Norte teria 163.424; Amapá, 162.261; e Piauí, 158.997. Nos tributos indiretos, os valores ficam entre R$ 1,901 bilhão no Amapá e R$ 2,022 bilhões no Ceará. Embora o impacto nominal sobre o PIB fique próximo de R$ 34 bilhões nos seis estados, o peso relativo da atividade muda de forma significativa conforme o tamanho de cada economia. No Amapá, por exemplo, o valor adicionado bruto projetado pelo simulador equivale a um impacto de 193,5% sobre a base de comparação estadual. O valor bruto da produção teria impacto de 296,3%, enquanto os tributos indiretos alcançariam 162,2%. O efeito relativo diminui nos estados com economias maiores. O impacto sobre o valor adicionado bruto é de 66,8% no Piauí, 49,6% no Rio Grande do Norte, 37,8% no Maranhão, 22,3% no Ceará e 19,3% no Pará. A diferença mostra como um mesmo volume hipotético de produção pode ter efeitos distintos sobre cada economia. No emprego total, por exemplo, o impacto estimado chega a 44,6% no Amapá, ante 11% no Piauí e no Rio Grande do Norte, 6,7% no Maranhão, 4,1% no Ceará e 4% no Pará. Royalties podem chegar a bilhões por bloco Além dos efeitos sobre PIB e emprego, o simulador dimensiona as receitas associadas à produção de um único bloco. Em uma concessão com royalties de 5%, o valor anual simulado é de R$ 2,283 bilhões. Com alíquota de 10%, sobe para R$ 4,567 bilhões. No cenário apresentado para partilha, com percentual de 15%, chega a R$ 6,850 bilhões. A ferramenta estima ainda R$ 5,023 bilhões em participação especial, compensação financeira adicional associada a campos de grande volume de produção ou rentabilidade, em um cenário de concessão com percentual de 11%. Outros R$ 342,49 milhões aparecem destinados a P&D&I, pesquisa, desenvolvimento e inovação, considerando percentual de 0,75%. No maior cenário de royalties apresentado pelo simulador, um único bloco poderia gerar R$ 6,85 bilhões por ano, além de outros efeitos econômicos associados à produção. Para a CNI, a disponibilidade de receitas dessa magnitude amplia a importância da governança dos recursos. A entidade cita gargalos históricos em saneamento, educação, energia, transporte e conectividade nesses estados como desafios para transformar a renda do petróleo em efeitos econômicos de longo prazo. Descoberta ainda precisa provar viabilidade comercial O cenário econômico projetado pela CNI ainda está distante da etapa atual da exploração na Foz do Amazonas. A licença concedida pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autoriza apenas a fase exploratória. Se a companhia encontrar volumes economicamente viáveis, terá de avançar na delimitação da descoberta, com novos poços e coleta de dados para determinar o tamanho e a qualidade do reservatório. Após uma eventual declaração de comercialidade, um Plano de Desenvolvimento terá de ser apresentado à ANP em até 180 dias. O documento define os investimentos, estruturas e etapas necessárias para colocar o campo em produção. Também será necessário um novo processo de licenciamento ambiental. A autorização atual não permite instalar e operar um campo produtor. Se o projeto seguir o cronograma de outras áreas marítimas complexas, o intervalo entre a perfuração exploratória e o início da produção pode levar de sete a dez anos, o que coloca uma eventual extração comercial no horizonte de até 2035 É nesse intervalo que a dimensão econômica da Margem Equatorial começará a ficar mais clara. A confirmação de hidrocarbonetos abre uma nova etapa de avaliação geológica, mas o impacto bilionário calculado para a região dependerá do tamanho das reservas, da capacidade de produção e dos investimentos necessários para transformar uma descoberta em um campo comercial.

Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas
UOL - Notícias 18/08/2026

Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

Londres | BBC News Brasil A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região. Presidente Lula comemora descoberta de petróleo na Foz do Amazonas - Ricardo Stuckert/Divulgação/Presidência da República Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto. O QUE SABEMOS ONDE ESTÁ O PETRÓLEO O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico. Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação. SERÃO NECESSÁRIOS NOVOS POÇOS A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias. A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. "É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou a presidente da estatal. Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais - Petrobras/Divulgação POR QUE A PETROBRAS APOSTA NA FOZ DO AMAZONAS - E O QUE ELA TEM A VER COM O PRÉ-SAL A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma "nova fronteira energética do Brasil", nas palavras do presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), Roberto Furian. A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico. Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035. O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras. A DESCOBERTA NÃO É, POR ENQUANTO, COMERCIAL Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial. Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial. HÁ CONTROVÉRSIAS A autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro. O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis. EXPECTATIVA JÁ MUDOU A REGIÃO Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável. A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque. Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária. O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água. O QUE AINDA NÃO SABEMOS QUANTO PETRÓLEO EXISTE NO MORPHO Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume. Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área. A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes. SE A DESCOBERTA SERÁ ECONOMICAMENTE VIÁVEL Também não há resposta para essa pergunta. A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial. QUANDO - OU SE - HAVERÁ PRODUÇÃO DE PETRÓLEO Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área. Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo - ou mesmo se isso acontecerá. Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viável - Petrobras/Divulgação QUAIS SERÃO OS IMPACTOS AMBIENTAIS E SOCIAIS DA EXPLORAÇÃO Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos. Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas. Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração. Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças. Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental. Texto publicado originalmente aqui

Como a expectativa de petróleo na Foz do Amazonas já está mudando o Oiapoque: 'É um bairro atrás do outro'
BBC Brasil 18/08/2026

Como a expectativa de petróleo na Foz do Amazonas já está mudando o Oiapoque: 'É um bairro atrás do outro'

Como a expectativa de petróleo na Foz do Amazonas já está mudando o Oiapoque: 'É um bairro atrás do outro' Crédito, Uesclei Costa Legenda da foto, Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque, com moradores que chegam na esperança dos recursos do petróleo Author, Role, Da BBC News Brasil em São Paulo Published Há 13 minutos Tempo de leitura: 10 min Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o Amapá. Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil — mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP). "Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", diz Sheila, já em sua nova casa, em Oiapoque. Ela se refere ao boom econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos, uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 quilômetros de estrada, 100 deles sem asfalto. Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras acaba de encontrar petróleo em águas profundas, segundo anúncio feito na segunda-feira (17/08). Autorizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras segue com pesquisas para saber se a exploração de petróleo ali, a 175 quilômetros da costa, é economicamente viável. Após ter encontrado o petróleo, a estatal prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. Em 6 de janeiro, a Petrobras havia interrompido a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração. Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, em um fluxo de dinheiro inédito ali. Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima. Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem, e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros Estados e até outros países, como a própria Sheila. "Eu vim também pela melhoria que eu tenho certeza que o petróleo vai trazer para o município. É a expectativa de todos os moradores", diz a moradora do Belo Monte, bairro que está na zona de expansão da cidade movida pelos migrantes. Essa região, nos arredores do aeródromo de Oiapoque, sofreu uma transformação drástica nos últimos anos, com desmatamento e construção de centenas de casas em ocupações sem nenhuma estrutura. Nas contas de Zione de Paiva, conhecida como a Loira do Belo Monte, presidente da associação do bairro, mais de cem casas foram construídas só ali no último ano, chegando a 450. "São pessoas que estão vindo para Oiapoque atrás de um emprego, atrás de uma oportunidade", diz Loira. Além do Belo Monte, ocupações ainda mais recentes, como Areia Branca, Nova Conquista e Independência, tem visto, dia após o outro, novas construções subindo e novos moradores chegando. Crédito, Acervo pessoal Legenda da foto, Sheila Cals voltou da Guiana Francesa para morar em nova ocupação no Oiapoque A Prefeitura de Oiapoque, cujo comando está nas mãos de Delegado Inácio (PDT), eleito em abril de 2026 em uma eleição suplementar convocada após a cassação de Breno Almeida (PP) por compra de votos, não contabiliza os novos moradores que estão chegando. Mas alguns dados dão algumas pistas. Para 2026, havia 807 novos estudantes interessados em vagas nas escolas municipais, informou em ofício à BBC News Brasil a Secretaria de Educação do Oiapoque. O número representa um acréscimo de 16% de alunos na rede municipal, que tinha cerca de 5 mil alunos. Segundo a secretaria, aberturas de anexos e utilização de estruturas estão sendo feitas para atender "a chegada massiva de moradores em busca de emprego, impulsionada pela expectativa de extração de petróleo na margem equatorial". Já a secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informou verificar "um índice de crescimento considerável nos últimos anos", apesar de não ter uma contagem. Somente em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construções e transferências, "reflexo direto do investimento em obras comerciais e residenciais" nos últimos anos. O geógrafo Edenilson Moura, professor na Universidade Federal do Amapá (Unifap), no campus Binacional de Oiapoque, tem fotografado as novas construções pelas ruas justamente para documentar as transformações na cidade. "A cidade está cheia de edificações sendo construídas. Não são prédios muito altos, como em outros padrões de verticalização de distintas realidades urbanas brasileiras, mas hoje já percebo edifícios de quatro, cinco pavimentos sendo erguidos. Isso por si só já demonstra um novo modelo de organização do espaço urbano de Oiapoque", diz Moura. Crédito, Edenilson Moura/Acervo pessoal Legenda da foto, Novas construções se espalham também na área central da cidade Com a prospecção de petróleo em andamento, Oiapoque tem sido base da Petrobras. A empresa reformou o aeroporto para receber voos fretados da Azul levando funcionários que chegam de Macapá e partem dali em helicópteros para plataformas em alto mar. Com a chegada de funcionários e de migrantes, também crescem os aluguéis. Uma moradora relatou que o valor pago subiu de R$ 1,2 mil para R$ 1,9 mil de um mês para o outro. Uma empresária que aluga um estacionamento diz que o valor cobrado dobrou no último ano. Mas, além do aumento da demanda, a cidade tem vivido um cenário de especulação, avalia a corretora de imóveis Ivete Sarmento. Segundo ela, no mercado está havendo um desequilíbrio entre os que cobram valores realistas e os que reajustam sem controle. "Você olha o valor e pensa: de onde a pessoa tirou isso, sabe?", ela diz. "Tem pessoas que estão usando do oportunismo desses boatos de que vai ganhar muito dinheiro muito rapidamente. Enfim, uma ilusão", diz Sarmento. Para a corretora, a disparada de preços de aluguéis na cidade pode ter efeito cascata até em alimentos, algo tradicionalmente caro na cidade fronteiriça. "A partir do momento que você aluga um imóvel caro, o empresário que alugou vai ter que colocar esse valor dentro do produto dele para poder vender", diz. Oiapoque está elaborando seu primeiro plano diretor, o que pode balizar o preço do metro quadrado. Novos bairros Crédito, Uesclei Costa Legenda da foto, Mesma região registrada em 2021 e em setembro de 2025, em fotografias que mostram o avanço de desmatamento e aumento da ocupação A região que simboliza a nova fase do Oiapoque é uma área que vai das margens da BR-156, antes da chegada ao centro da cidade, até perto da comunidade Vila Vitória. É um terreno com mais de três quilômetros de comprimento. O início dessa ocupação começa ainda nos anos 2000, em uma área que foi invadida perto do aeroporto da cidade, hoje chamado de bairro Infraero, o único em que algumas famílias possuem o título das suas propriedades. Em 2017, diante dessa primeira ocupação, a Aeronáutica, dona original da área, doou 213 hectares para a prefeitura, no intuito de regularização fundiária das famílias. "A prefeitura não se mobilizou para fazer um projeto, uma cidade planejada. Então, ela permitiu que as pessoas fossem invadindo de qualquer jeito", lembra a corretora Ivete Sarmento, há 23 anos na cidade. A expansão sobre o terreno de mata continuou especialmente a partir de 2020, sempre junto à expectativa de tempos melhores para Oiapoque. Surgiram ali na sequência as ocupações dos bairros de Belo Monte e Nova Conquista. Nos últimos três anos, vieram o Areia Branca, a Matinha e o Independência. Diante da expansão sem controle, a prefeitura entrou em 2025 com um processo de reintegração de posse de toda a área, mas o Tribunal de Justiça do Amapá determinou uma mediação, visto que há "traços típicos de um conflito fundiário coletivo de grande escala, envolvendo extensa área urbana ocupada há mais de uma década". A ideia é que sejam impedidas novas construções e uma organização da área ocupada. Para o professor Edenilson Moura, a história do Oiapoque e desses novos bairros revela uma cidade que vive de expectativas por ciclos econômicos, como a arrastada construção da Ponte Binacional que liga o Amapá à Guiana Francesa e promessa de facilidade de visto para transitar entre os dois territórios. "Mas às vezes o desenvolvimento social não chega da forma que as pessoas imaginam", diz Moura. A ponte ligando Oiapoque a Saint-Georges foi inaugurada em 2017, mas a cobrança dos franceses de mais de 60 euros (R$ 376) em visto e taxas de seguro por carro nunca fez o tráfego deslanchar. A travessia em pequenos barcos, que escapam da fiscalização, segue sendo a mais utilizada. Ainda sem o petróleo, a economia da cidade é baseada no comércio fronteiriço, especialmente de franceses que viajam para comprar produtos mais baratos, além da pesca e da agricultura. Os bairros mais novos, em geral, estão sendo ocupados com casas muito simples, de madeira, em ruas de terra e até sem acesso à água. Segundo relatos feitos à reportagem, além dos que chegaram pela necessidade de moradia, outro grupo ocupou vários lotes, na expectativa de revenderem mais na frente, se a fartura do petróleo chegar. "Os órgãos fizeram vista grossa e foram deixando", diz a bióloga Joessy de Cássia, que começou a construir sua casa em 2024 na recém-criada ocupação do Independência e virou a presidente da associação dos moradores. Segundo ela, inicialmente a ocupação surgiu porque a cidade inchada não tinha mais para onde crescer. Oiapoque fica às margens de um rio, cercada por áreas militares e de preservação. Mas que agora, com o início da prospecção da Petrobras, toda a ocupação acelerou. "Bastou as pessoas fazerem a primeira derrubada de árvores para o povo se proliferar", diz Joessy. Crédito, Joessy de Cássia/Acervo pessoal Legenda da foto, Ocupação Independência foi uma das últimas a surgir Mesmo com a falta de estrutura urbana, novos moradores seguem construindo suas casas para um futuro que consideram promissor. Elis Pereira, de 47 anos, vive há 25 na Guiana Francesa, onde trabalha no ramo alimentício junto ao marido. Ela começou a construir uma casa no Oiapoque para uma nova fase na vida. "Decidi voltar às minhas raízes. A França vem sofrendo uma crise há anos e, com isso, os impostos são altíssimos, o custo de vida é alto, tudo é caro", diz Elis. "Oiapoque é um dos melhores lugares para se viver no momento. Com a entrada da Petrobras, valorizou demais. Com qualquer empreendimento, você ganha dinheiro." Como funcionários da Petrobras têm se instalado na cidade, o comércio tem se aquecido com os novos consumidores. Além da subida nos aluguéis, hotéis também estão com alta procura. Em nota à BBC News Brasil, a Petrobras disse que gera "impactos positivos" com sua presença na região, como geração de emprego e aumento de arrecadação, diante da maior demanda por serviços na cidade. Mas a empresa disse que não é sua função realizar obras de urbanização e infraestrutura no município. A Petrobras disse que mantém projetos sociais e ambientais ativos na Margem Equatorial, área que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá. Não foi especificado quantos atendem especificamente a população de Oiapoque. Crédito, Joessy de Cássia/Acervo pessoal Legenda da foto, Novos bairros de Oiapoque não contam com nenhuma infraestrutura urbana Enquanto as promessas de regularização e urbanização não se concretizam e os royalties ainda não chegam, as presidentes das associações de moradores dizem que já não há mais espaço para novos residentes, pois todos os terrenos, mesmo sem casas, já foram ocupados. Elas esperam agora que a região passe para uma nova etapa, com mais organização e infraestrutura, diante dos recursos prometidos que chegarão ao município. "Mas olha, vou te dizer, Oiapoque está crescendo em população, mas não em desenvolvimento", define Sheila Cals, recém-chegada à cidade. Os moradores, novos e velhos, também acompanham atentos o que está acontecendo em alto mar, no poço da Petrobras. Será que vai ter petróleo viável para ser explorado ali? Quando esses recursos chegarão? E o que acontece se o petróleo vazar — motivo de preocupação entre os ambientalistas críticos ao projeto? Para Sheila, que apostou suas fichas na mudança a Oiapoque, o projeto precisa andar. "Até a data de hoje, eu não soube de nenhum acidente com a Petrobras na exploração de petróleo. Essa conversa para não liberar petróleo é coisa política", avalia. Já para Loira, presidente da associação de moradores do Belo Monte, há uma preocupação generalizada, mesmo entre os que estão torcendo pelo projeto. "A gente tem receio, sim, porque se houver vazamento de petróleo, vai afetar muitas famílias que vivem da pesca e dependem desse rio", avalia. "Mas, para muita gente que depende de emprego, a expectativa é maior do que o receio", ela conclui. Mapa feito por Caroline Souza, da equipe de jornalismo visual da BBC News Brasil

Perguntas Frequentes sobre EQTL3

Qual é a cotação de EQTL3 hoje na B3?
A cotação de EQTL3 hoje está em R$ 34,25. Durante o pregão, registrou mínima de R$ 34,11 e máxima de R$ 34,43.
Quanto a EQTL3 paga de dividendos?
A empresa distribui proventos periodicamente na forma de dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio). Você pode conferir a tabela completa com as últimas datas de corte (Data Com) e pagamento na seção de Dividendos acima.
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O que significa o P/L e o P/VP de EQTL3?
O P/L (Preço sobre Lucro) indica quantos anos levaria para reaver o capital investido através dos lucros da empresa. Já o P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) indica se o papel está sendo negociado acima ou abaixo de seu patrimônio líquido contábil.

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