CTKA4F Karsten S.A.Non-Cum Perp Pfd Registered Shs – Cotação Hoje
Karsten S.A.Non-Cum Perp Pfd Registered Shs
Selo de Investimento:
⚠️ AtençãoAtende a 2 de 12 critérios. Alguns múltiplos ou métricas de endividamento exigem cautela.
Checklist Fundamentalista de 12 Critérios
Critérios auditados automaticamenteA dívida líquida da empresa é menor que o lucro líquido dos últimos 12 meses
Retorno sobre o Patrimônio Líquido historicamente superior a 5%
Histórico consistente de distribuição de proventos acima de 4% a.a.
Crescimento de receitas ou lucros superior a 5% nos últimos anos
Preço sobre Valor Patrimonial negociado abaixo de 5x
Atuação em setor perene e consolidado há mais de um século
Companhia de grande porte, alta liquidez e liderança setorial
Companhia fundada há mais de 30 anos com histórico comprovado
Preço sobre Lucro negociado abaixo de 30x
Alavancagem financeira controlada com Dívida Líquida/EBITDA menor que 2x
Enterprise Value sobre EBIT operacional negociado abaixo de 7x
Proteção aos acionistas minoritários com Tag Along de 80% a 100%
Método Barsi (Preço Teto)
Estratégia focada em renda passiva com cálculo do preço máximo para obter no mínimo 6% ao ano em proventos com base na média dos últimos 5 anos.
Fórmula de Graham (Preço Justo)
Fórmula de Benjamin Graham determinando o valor intrínseco a partir dos múltiplos conservadores de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5.
Resumo Fundamentalista de CTKA4F
O ativo CTKA4F (Karsten S.A.Non-Cum Perp Pfd Registered Shs) está sendo negociado hoje a R$ 30,00, acumulando uma variação de -4.00% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 25,00 e a máxima de R$ 65,00. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de 3.11x.
Oscilação dos Últimos 12 Meses
Indicadores de Valuation
Indicadores de Endividamento
Sobre a CTKA4F
Dividendos
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Menos Palantir, mais Europa. Onde entra Portugal na corrida pela soberania digital?
A Europa quer reduzir a dependência da Palantir, enquanto tenta criar alternativas europeias. Em Portugal, a soberania digital levanta outra questão: onde pode o país encaixar nesta corrida? Durante anos, a Europa habituou-se a depender de tecnologia norte-americana para algumas das funções mais críticas da sua economia e segurança. A dependência tornou-se tão natural que, em muitos casos, a discussão sobre quem desenvolveu o software, quem controla a “máquina” ou quem pode aceder aos dados passou para segundo plano. Agora, essa relação está a ser posta em causa. Com a Europa a colocar na ordem de prioridades de segurança a soberania digital dos blocos americano e chinês. Numa luta entre blocos, que papel pode ter Portugal? O tema da soberania digital em temas de defesa — e da dependência europeia da tecnologia de terceiros — é, particularmente, notório no caso da Palantir. A empresa americana de análise de dados e inteligência artificial (IA) é fornecedora de algumas das organizações mais sensíveis do bloco europeu, desde serviços de informações e forças de segurança até sistemas de saúde. Fundada em 2003 com o objetivo de ajudar agências de informações a utilizar dados de forma segura, hoje os seus produtos Gotham — sistema operacional de tomada de decisões — e Foundry — sistema operacional baseado em ontologia para empresas — são utilizados por governos em muitas parte do mundo para analisar e responder a ameaças de segurança nacional, pode ler-se no site da companhia. O problema que agora bate à porta das capitais europeias não é saber se a tecnologia funciona. A questão é outra: até que ponto uma Europa que depende de tecnologia desenvolvida por empresas fora do continente pode considerar-se verdadeiramente soberana quando estão em causa os seus dados, a sua defesa e a sua segurança? O sistema físico é importante, naturalmente, mas a verdadeira diferenciação está cada vez mais na autonomia, no software, nos sensores, nas comunicações, na fusão de dados e na inteligência que permite tomar melhores decisões. É por isso que a soberania deve ser pensada para além do hardware. Rui Lobo Diretor da Tekever do sul da Europa A pergunta tornou-se mais urgente à medida que a IA passou de uma promessa tecnológica para uma ferramenta operacional. Em março nos Estados Unidos, o sistema Maven, desenvolvido em grande parte pela Palantir, foi transformado num programa oficial do Pentágono, garantindo financiamento e utilização de longo prazo pelas Forças Armadas norte-americanas. O sistema é usado para processar dados provenientes de satélites, drones, radares e outros sensores e apoiar a identificação e avaliação de ameaças. “É imprescindível que invistamos agora e com foco para aprofundar a integração da inteligência artificial em toda a Força Conjunta e estabelecer a tomada de decisões habilitada por IA como a pedra angular da nossa estratégia”, afirmou o subsecretário de Defesa norte-americano Steve Feinberg numa carta direcionada ao Pentágono e aos comandantes militares dos EUA, citado pela Reuters. A Palantir tem desde 2008 uma parceria com o Exército dos Estados Unidos, com as soluções de software a serem “implementadas em praticamente todas as áreas de missão do Exército, garantindo que os dados estejam acessíveis em todos os escalões para uma tomada de decisão rápida e ágil, permitindo que o combatente supere o adversário em inteligência e velocidade”, explicita a Palantir no seu site. E a tecnologia de IA da Palantir tem sido usada pelo Pentágono para acelerar a definição de alvos no conflito do Irão. A adoção do Palantir pelo Pentágono mostra até onde chegou a integração entre análise de dados e operações militares. A guerra moderna está cada vez mais dependente da capacidade de recolher informação e tomar decisões rapidamente. “As necessidades das forças armadas não são estáticas. Doutrinas, ameaças e ambientes operacionais mudam muito rapidamente”, destaca Rui Lobo, diretor da Tekever para a Europa do Sul, ao ECO/eRadar. “Não estamos simplesmente a construir aeronaves: estamos a construir computadores com asas. O sistema físico é importante, naturalmente, mas a verdadeira diferenciação está cada vez mais na autonomia, no software, nos sensores, nas comunicações, na fusão de dados e na inteligência que permite tomar melhores decisões. É por isso que a soberania deve ser pensada para além do hardware“, reforça Rui Lobo. A Palantir também continua exponencialmente a crescer. No início de agosto, a empresa reviu em alta a previsão de receitas para 2026 para, pelo menos, 8,15 mil milhões de dólares (pouco mais de 7 mil milhões de euros), impulsionada pela procura por ferramentas de análise de dados e IA, sobretudo nos Estados Unidos. “O nosso negócio está a crescer a uma velocidade e escala que nunca vimos antes”, assinalou o CEO da empresa com sede em Denver, Alex Karp. As vendas ao Governo norte-americano cresceram 90% no segundo trimestre, para 809 milhões de dólares (cerca de 702 milhões de euros). Enquanto a Europa discute como reduzir a dependência, a empresa continua a ganhar escala e a aprofundar a integração da sua tecnologia em áreas críticas. A “caixa mágica” que transforma dados em decisões Parte do sucesso da Palantir está precisamente na forma como apresenta uma tecnologia que, para o utilizador final, pode parecer simples. Grandes quantidades de informação provenientes de sistemas diferentes são integradas numa única arquitetura, relacionadas entre si e disponibilizadas de forma a permitir que uma organização encontre relações, padrões e respostas anteriormente dispersos por diferentes bases de dados. É uma lógica particularmente útil para organizações onde a informação está fragmentada. Uma agência de informações pode cruzar pessoas, veículos, localizações e eventos; uma força militar pode relacionar imagens de satélite, radares, drones ou informações de inteligência; uma empresa pode juntar dados de produção, logística, clientes e cadeia de abastecimento. O que os americanos fazem eu também consigo copiar. Isto não é viável porque no dia que conseguirmos copiar, quando quisermos copiar, eles já estão mais avançados. Isso significa que a economia europeia também vai estar atrás. Ninguém tem capital como os Estados Unidos e eles conseguem com isso desenvolver tecnologia topo de gama. Os europeus estão aqui ‘entalados’. Não temos dinheiro e somos lentos. André Godinho Luz CEO da Infinite Foundry O segredo está menos num único algoritmo do que na arquitetura que permite ligar os diferentes dados e sistemas. A própria documentação técnica da Palantir descreve o ontology — software operacional que transforma dados brutos de uma empresa num “gémeo digital” do mundo real — como uma camada que dá uma representação unificada aos diferentes tipos de informação e permite relacionar objetos, eventos e documentos. É precisamente este ponto que André Godinho Luz, CEO da Infinite Foundry, considera decisivo. “O que os americanos fazem eu também consigo copiar. Isto não é viável porque no dia que conseguirmos copiar, quando quisermos copiar, eles [os norte-americanos] já estão mais avançados. Isso significa que a economia europeia também vai estar atrás. Temos a síndrome de copiar os americanos”, afirma ao ECO/eRadar. Para o empresário, cuja empresa está envolvida no projeto AMIDA-UT para a criação de gémeos digitais de ambientes urbanos para antecipar cenários de resposta operacional no terreno, o problema europeu começa antes da tecnologia. Está na capacidade financeira para desenvolver e escalar essas soluções. “Ninguém tem capital como os Estados Unidos e eles conseguem com isso desenvolver tecnologia topo de gama. Os europeus estão aqui ‘entalados’. Não temos dinheiro e somos lentos.” É uma diferença que se torna especialmente importante na IA. Os grandes modelos norte-americanos, desenvolvidos por empresas como OpenAI e Anthropic, podem ser ligados às bases de dados de uma organização para gerar informação e automatizar tarefas. A Palantir vai um passo além ao colocar essa capacidade dentro de uma arquitetura própria de dados e operações. “O que a Palantir fez e faz foi perceber que, se eu chegar e tu despejares todos os teus dados para a minha caixa mágica, vais saber muito mais coisas e, com isso, conseguir ser muito mais rápido a tomar decisões”, sintetizou André Godinho Luz. Quando os dados deixam de ser apenas dados A integração de IA em sistemas empresariais e públicos criou uma nova corrida para modernizar software que, em alguns casos, tem décadas. O mesmo acontece com organizações que possuem enormes volumes de informação mas não têm capacidade interna para os tratar ou relacionar. Para Godinho Luz, a tentação é precisamente essa: entregar a informação a uma plataforma que consegue organizá-la rapidamente. “É demasiado tentador e é fácil.” O problema surge quando a informação integrada deixa de ser apenas informação operacional e passa a incluir segredos industriais, dados comerciais, informação de segurança ou elementos sobre o funcionamento interno de uma organização. “O risco de entregar os meus segredos para alguém que eu não sei o que é que vai fazer com aquilo, é extremamente elevado”, vinca o diretor executivo da Infinite Foundry. É aqui que uma distinção importante entra no debate: ter os dados dentro de uma infraestrutura europeia não é necessariamente o mesmo que controlar a tecnologia que os processa. “Existe o medo da Palantir usar os europeus. Não queremos ‘dar o ouro ao bandido’ porque isto é tão estratégico globalmente. É quase como se fosse uma arma nuclear. Quem a tiver vai ter uma vantagem competitiva relativamente a toda a gente”, acrescenta André Godinho Luz. António Gameiro Marques, antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança, considera que a questão é mais abrangente. “Normalmente falamos nos dados, mas há também os metadados. Os metadados também são dados, mas são dados sobre os dados”, refere ao ECO/eRadar. Dificilmente agarrávamos no nosso dinheiro e o púnhamos em bancos americanos a não ser que não tivéssemos bancos europeus ou portugueses. Então, porque é que fazemos isso com os nossos dados? A Comissão Europeia acordou para isso e os próprios Estados-membros também. Contra-almirante António Gameiro Marques Antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança Os dados sobre uma pessoa podem incluir a própria informação pessoal, enquanto os metadados permitem saber quando determinada informação foi criada, onde foi produzida, com que frequência é consultada ou que comportamentos lhe estão associados. “Se alguém depois quiser perceber comportamentos para intercetar ou tirar partido vai aos metadados, não vai aos dados.” Uma arquitetura tecnológica não precisa necessariamente de transferir todo o conteúdo de uma base de dados para gerar informação estratégica sobre quem a utiliza. Os padrões de utilização podem, por si só, revelar informação sensível. “Dificilmente agarrávamos no nosso dinheiro e o púnhamos em bancos americanos a não ser que não tivéssemos bancos europeus ou portugueses. Então, porque é que fazemos isso com os nossos dados?”, questiona Gameiro Marques. “A Comissão Europeia acordou para isso e os próprios Estados-membros também.” Europa acordou mas o “despertador” tocou tarde A Comissão Europeia apresentou, a 3 de junho, o European Technological Sovereignty Package para aumentar a soberania tecnológica da UE, abordando a dependência de fornecedores norte-americanos e chineses. As medidas tocam um vasto leque de áreas, como os semicondutores (vulgarmente chamados de chips), a computação na nuvem, o desenvolvimento de inteligência artificial (IA), o uso de soluções tecnológicas de código aberto (open source) e a digitalização do setor energético, entre muitas outras. O objetivo declarado é reduzir dependências de fornecedores externos e aumentar a capacidade europeia para desenvolver, implementar e proteger tecnologias críticas. A França foi um dos países que decidiu transformar o discurso em política concreta. Em junho, Paris rescindiu o contrato com a norte-americana de análise de dados e substitui-a pela francesa ChapsVision na Direção-Geral de Segurança Interna (DGSI), após anos a utilizar a plataforma norte-americana. A decisão foi apresentada pelo Governo francês como parte de uma estratégia de soberania tecnológica. O próprio primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que a França não pode depender da “boa vontade de alguns parceiros” estrangeiros e defendeu o desenvolvimento de ferramentas europeias. O executivo adiantou que o país planeia investir mais de 655 milhões de euros em inteligência artificial até 2030 e disponibilizar um assistente de IA aos funcionários do governo, desenvolvido pela francesa Mistral. A Europa tem uma base tecnológica, científica e industrial muito forte, mas continua a existir dependência externa em algumas capacidades críticas. A cooperação com aliados continuará a ser fundamental para a segurança europeia. Esse é um desafio simultaneamente tecnológico e industrial. Não basta desenvolver boa tecnologia: é necessário criar capacidade de produção, conhecimento, cadeias de fornecimento e competências dentro da Europa, e fazê-lo a uma escala compatível com as necessidades atuais de defesa e segurança. Rui Lobo Diretor da Tekever para a Europa do Sul Na Alemanha, o debate ganhou uma dimensão semelhante. O ministro da Transformação Digital e Modernização do Estado alemão, Karsten Wildberger, reiterou em abril que a Europa precisava de uma alternativa à Palantir, mas reconheceu que, enquanto essa alternativa não tiver capacidade comparável, “a segurança torna-se prioritária”. Segundo o governante, existem empresas europeias capazes de preencher esse espaço, mas aumentar a escala poderá demorar dois ou três anos. Mas, mais do que a questão do tempo, será que o bloco europeu deve tentar reproduzir o que a Palantir alcançou? “A Europa acordou para a realidade, de não querer ajudar os americanos. Se quisermos ganhar a corrida da IA, temos de olhar para o modelo americano, até para o modelo chinês, e tentar ter uma ideia de fazer uma coisa diferente. Tentar criar uma empresa europeia que faça o mesmo que a Palantir, não é viável porque a Palantir já está no mercado. E eles não param“, adverte André Godinho Luz. Porém, reconhecer a dependência é mais fácil do que a mitigar. O problema europeu começa na escala “A Europa tem uma base tecnológica, científica e industrial muito forte, mas continua a existir dependência externa em algumas capacidades críticas. Existem diferenças claras de escala, quer em termos de investimento quer de dimensão de mercado”, acautela Rui Lobo. O diretor da Tekever para o sul da Europa defende, contudo, que soberania não significa isolamento. “A cooperação com aliados continuará a ser fundamental para a segurança europeia. Significa, isso sim, assegurar que a Europa tem capacidade própria suficiente para tomar decisões, controlar tecnologias críticas e adaptar rapidamente as suas capacidades às necessidades operacionais.” O desafio está “menos na qualidade da engenharia europeia e mais na capacidade de transformar essa inovação em escala industrial com suficiente rapidez”, considera o diretor da unicórnio nacional. É uma dificuldade que se repete em vários setores. A Europa tem universidades, investigadores, empresas e tecnologia, mas tem dificuldade em criar empresas com a dimensão financeira necessária para competir com os gigantes norte-americanos. Naquilo que é estruturante, a Europa ainda depende muito de outras geografias que não são só norte-americanas, são chinesas também. Nós não estamos numa situação muito boa face a esse aspeto. Era preciso criar algo que fosse um consórcio de empresas europeias. Um agregado de competências em vários países da União Europeia, uma indústria pan-europeia António Gameiro Marques Antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança A fragmentação é uma das principais fragilidades da União Europeia, constituída por “muitas ‘empresazinhas’ pequeninas”. “Era preciso criar algo que fosse um consórcio de empresas europeias. Um agregado de competências em vários países da União Europeia, uma indústria pan-europeia“, frisa o contra-almirante Gameiro Marques. O antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança recorre à Airbus como exemplo: “Devia haver um mecanismo em que, mais uma vez usando a analogia com a Airbus, houvesse oportunidades para, na dimensão de cada um dos Estados-membros, haver participação.” A fragmentação do bloco europeu aparenta ser o nosso ‘calcanhar de Aquiles’. “A Europa continua a ser um mercado de defesa relativamente fragmentado. Os diferentes países têm doutrinas, processos de aquisição, requisitos técnicos e procedimentos de segurança distintos. Ao contrário de outros grandes mercados, não existe uma única autoridade de procurement nem um único mercado verdadeiramente integrado”, aponta o diretor da Tekever para a Europa do Sul. “Naquilo que é estruturante, a Europa ainda depende muito de outras geografias que não são só norte-americanas, são chinesas também. Nós não estamos numa situação muito boa face a esse aspeto. Todavia, estamos melhores do que estávamos há uns anos”, lembra Gameiro Marques. Mas, para obter escala, será que a Europa investe o suficiente? “Não. Porque os investimentos são verticais”, respondeu perentoriamente o antigo diretor do Gabinete Nacional de Segurança, quando questionado se a Europa investe o suficiente para competir com os Estados Unidos e a China. E Portugal? O país não tem dimensão financeira nem mercado interno para replicar, sozinho, os gigantes tecnológicos norte-americanos. Mas isso não significa que esteja condenado a ser apenas consumidor de tecnologia desenvolvida por outros. Pelo contrário, Portugal tem competência, mas precisa de a transformar em escala, produto e capacidade de decisão. “Portugal tem todas as condições para desempenhar um papel relevante nesta transformação. Tem talento de engenharia, universidades, indústria e empresas tecnológicas capazes de desenvolver sistemas complexos e competir internacionalmente“, destaca Rui Lobo. A própria trajetória da empresa, que nasceu no país e hoje está a tentar levantar 500 milhões de euros junto dos investidores — o que a concretizar-se, fará voar a avaliação da unicórnio nacional para 5,5 mil milhões de euros — demonstra que é possível partir de Portugal para construir tecnologia sofisticada com dimensão internacional. Mas a ambição não deve passar por concentrar toda a capacidade num único país. “Pensamos a soberania europeia precisamente como uma capacidade distribuída”, afirma. O objetivo é criar capacidade local onde a empresa está presente e “ligar essas capacidades numa rede europeia comum”. Não somos um país de produto. A esmagadora maioria da indústria portuguesa é uma indústria de fabricar para terceiros, mas fabricamos para marcas de bastante prestígio. Nós fabricamos produtos de alta gama. Não há assim muita concorrência no mundo e se conseguirmos melhorar a competitividade, temos efetivamente um nicho brutal no mercado. André Godinho Luz CEO da Infinite Foundry Nesse modelo, Portugal pode desempenhar um papel próprio. O desafio passa por transformar essas competências em “capacidade operacional e industrial que contribua não apenas para Portugal, mas para uma Europa mais forte tecnologicamente e com maior capacidade de decisão”. André Godinho Luz identifica a própria estrutura tradicional da indústria portuguesa como uma vantagem. “Não somos um país de produto. A esmagadora maioria da indústria portuguesa é uma indústria de fabricar para terceiros, mas fabricamos para marcas de bastante prestígio”, explica o CEO da Infinite Foundry. Essa especialização pode deixar de ser apenas uma limitação e transformar-se numa oportunidade se for acompanhada por maior competitividade tecnológica. “Nós fabricamos produtos de alta gama. Não há assim muita concorrência no mundo e se conseguirmos melhorar a competitividade, temos efetivamente um nicho brutal no mercado”, aponta Godinho Luz. A vantagem estaria em usar a indústria portuguesa “como test-bed“ para novas tecnologias, aproximando software, IA e automação de uma base industrial que já existe. “Estamos bem posicionados para tirarmos benefício da nossa indústria tradicional. Tens a oportunidade, mas tens este bloqueio mental europeu. É o drama que tens em Portugal e que limita muitas vezes conseguirmos voar para lugares mais altos”, defende. Queremos criar capacidade local nos países onde estamos presentes e, simultaneamente, ligar essas capacidades numa rede europeia comum. Portugal pode ser um dos centros dessa rede. Tem talento de engenharia, universidades, indústria e empresas tecnológicas capazes de desenvolver sistemas complexos e competir internacionalmente. O objetivo deve ser transformar essas competências em capacidade operacional e industrial que contribua não apenas para Portugal, mas para uma Europa mais forte tecnologicamente e com maior capacidade de decisão. Rui Lobo Diretor da Tekever para a Europa do Sul É aqui que as vantagens e limitações portuguesas se cruzam com o problema europeu. Portugal pode contribuir com empresas, universidades, indústria e conhecimento especializado, mas dificilmente terá capacidade para construir sozinho toda a cadeia tecnológica necessária para competir com os EUA ou a China. A resposta deve assentar também em sistemas de código aberto, que permitam maior interoperabilidade e reduzam a dependência de plataformas fechadas. “Na Europa está-se a adotar uma política de desenvolvimento de sistemas desta natureza com fonte aberta, com código aberto. E isto acelera o desenvolvimento e permite que sistemas diversos possam cooperar, por oposição a sistemas fechados, como são os sistemas norte-americanos”, adverte Gameiro Marques. A questão passa menos por Portugal construir sozinho uma alternativa à Palantir e mais por encontrar o lugar que consegue ocupar numa indústria europeia mais integrada. Se utilizar uma tecnologia estrangeira, deve conseguir compreender como funciona, controlar os dados, manter capacidade de operação e, sobretudo, garantir uma alternativa caso essa tecnologia deixe de estar disponível. Para Gameiro Marques, o passo seguinte terá de ser político e não apenas tecnológico. “Tem que ser assim, tem que ser a União Europeia, mas para isso tem que se modificar a arquitetura política. Devíamos evoluir nesse sentido sob o risco de sermos um sítio muito aprazível de visitar e de viver, mas, a prazo, deixarmos de ser aquilo que devíamos ser, ombrear com os outros”. Portugal entra nesta equação com uma vantagem e uma limitação. Tem empresas capazes de desenvolver tecnologia competitiva a partir do país, mas continua a precisar de escala europeia para transformar essa capacidade num verdadeiro ativo de soberania. É aí que a discussão sobre a Palantir deixa de ser apenas uma questão de fornecedor e passa a ser uma questão sobre o lugar que Portugal quer ocupar na próxima geração tecnológica europeia.
Técnica sem erro, mais velocidade e agressividade nas barreiras levaram Piu a recorde
São Paulo Na segunda barreira, Alison dos Santos já havia feito o que antes não era sua especialidade: largar para cima. Na quarta, tinha alcançado os adversários sem perder velocidade. Daí até a chegada, sustentou o ritmo e a técnica para construir, barreira a barreira, os 45s80 do novo recorde mundial dos 400 metros com barreiras. Estabelecida pelo brasileiro na quinta-feira (27), na etapa de Zurique da Diamond League, a marca é resultado de uma consistente evolução técnica. Para alcançar o feito, Piu, como o paulista é conhecido, combinou uma largada mais agressiva, técnica precisa para atacar os obstáculos e capacidade de sustentar a velocidade até a chegada. A mudança ajuda a explicar por que conseguiu baixar em quase um segundo a marca de 46s72 registrada nos Jogos de Tóquio. "Foi uma corrida sem erro técnico, sem desacelerar na descida da barreira, entrando de forma agressiva em cada barreira", afirma Evandro Lázari, professor de Atletismo da Unicamp e treinador com mais de 20 convocações para a seleção brasileira, incluindo Jogos Olímpicos e Mundiais. O brasileiro Alison dos Santos corre para quebrar o recorde mundial dos 400 m com barreiras - Denis Balibouse - 27.ago.26/Reuters Para Lázari, o desempenho de Piu reuniu os principais elementos necessários para esse tipo de disputa. "Técnica, velocidade, resistência e força de vontade", resume. A largada foi uma das principais diferenças em relação ao Alison do início de carreira. O brasileiro costumava fazer uma primeira metade mais controlada e crescer na chegada. Desta vez, atacou desde o início. "Até a quarta barreira ele foi muito forte, e ele também teve uma chegada muito forte", analisa Jorge Bichara, consultor de esportes do COB (Comitê Olímpico do Brasil). "Ele conseguiu largar forte e manter esse nível. Então ele tinha uma estratégia de alcançar os seus adversários até a quarta barreira e ele conseguiu." Na segunda barreira, Alison já havia descontado uma pequena desvantagem inicial em vantagem sobre Karsten Warholm. Lázari vê também um componente físico e técnico nessa transformação. Piu é alto e essa característica pode ajudá-lo na transposição dos obstáculos. O recorde, portanto, não foi apenas consequência de correr mais rápido, já que nos 400m com barreiras qualquer erro em uma das dez barreiras pode quebrar o ritmo. Além da estatura, Alison consegue alternar as pernas de ataque, recurso que ajuda a manter a sequência da prova sem depender de um lado específico. Esse domínio técnico se soma à evolução física. Aos 26 anos, Alison está em um momento diferente de seus principais rivais. Karsten Warholm tem 30, e Rai Benjamin, 29. O contexto recente mostra o brasileiro em melhor forma. Enquanto Warholm e Benjamin mantêm como melhores marcas da carreira os tempos obtidos em Tóquio, Alison vem baixando repetidamente seus próprios limites. Das 34 melhores marcas da história dos 400m com barreiras, 14 pertencem a Warholm, 11 a Benjamin e nove a Alison. Quatro das nove marcas do brasileiro foram obtidas em 2026. Os 45s80 são, portanto, mais um ponto de uma curva de evolução recente. Bichara vê essa evolução como resultado de uma preparação específica. Alison escolhe provas, pistas e adversários de acordo com os momentos da temporada. "Ele seleciona momentos e pistas e adversários onde ele encontre esse nível de possibilidade de confronto", explicou. "E isso só faz ele crescer, porque é um nível de concentração, um nível de atenção muito alto nesse nível de prova." Foi o que aconteceu em Zurique. Felipe de Oliveira, seu treinador, costuma assistir às provas da área de aquecimento. Desta vez, foi para a arquibancada porque o próprio atleta estava seguro de que faria uma grande corrida. O ambiente de preparação também mudou ao longo da carreira. Alison começou a treinar nos Estados Unidos em 2019 e decidiu permanecer no país durante a pandemia de Covid-19. Segundo Bichara, aquele período em Chula Vista, na Califórnia, foi um dos grandes saltos de qualidade de sua preparação. Alison estava entre os brasileiros que treinavam no centro de preparação olímpica quando as restrições da pandemia começaram. Ele poderia voltar ao Brasil ou permanecer confinados no local. Decidiu ficar. "Ele e o treinador conseguiram uma condição boa de treinamento, excelente, posso dizer", afirma Bichara. O resultado apareceu já em Tóquio, quando Alison conquistou a medalha de bronze. No fim de 2023, veio a decisão de estabelecer nos EUA, outro momento decisivo. "A decisão crucial para esse resultado foi ele decidir e conseguir se adaptar a uma vida fora do Brasil", afirma. A mudança permitiu maior concentração na carreira e proximidade com o treinador. Para Pablo Ramon Domingos, treinador de atletismo, a evolução de 2026 mostra que a comissão técnica conseguiu acelerar o início da prova sem abandonar a característica que já diferenciava Alison. "O que parece ter acontecido na temporada do Piu foi terem dedicado mais tempo à velocidade máxima no início e, depois da velocidade máxima nova, trabalhado a resistência de velocidade." O efeito apareceu justamente na combinação entre as duas partes da prova. Segundo Domingos, "melhorou-se o início sem perder a qualidade do final de prova", algo que ajuda a explicar como Alison conseguiu sustentar a vantagem construída sobre Warholm até a chegada. É também por isso que os 45s80 não precisam ser tratados como ponto final. O brasileiro ainda está em evolução, e é forte favorito à medalha de ouro nos Jogos de Los Angeles. Principais resultados da carreira de Piu Jogos Olímpicos Tóquio 2021: bronze nos 400m com barreiras, com 46s72 Paris 2024: bronze nos 400m com barreiras, com 47s26 Mundial de Atletismo Doha 2019: 7º lugar nos 400m com barreiras, com 48s28 Eugene 2022: ouro nos 400m com barreiras, com 46s29 Budapeste 2023: 5º lugar nos 400m com barreiras, com 48s10 Tóquio 2025: prata nos 400m com barreiras, com 46s84 Diamond League 2022: campeão da Diamond League nos 400m com barreiras - 46s98 na final em Zurique 2024: campeão da Diamond League nos 400m com barreiras - 47s93 na final em Bruxelas Jogos Pan-Americanos Lima 2019: ouro nos 400m com barreiras, com 48s45
Novo recordista, Piu diminuiu tempo da prova em quase 10s em uma década
O velocista evoluiu no ano seguinte, já no Mundial de Atletismo, em Doha, no Qatar. Ele chegou em sétimo em prova vencida pelo norueguês Karsten Warholm, mas conquistou a melhor marca da carreira até então: 48s28. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, Warholm bateu o próprio recorde mundial e estabeleceu a marca (45s94) que foi quebrada por Piu nesta quinta-feira. Rai Benjamin ficou em segundo na prova, também quebrando o recorde. Piu terminou em terceiro e conseguiu o melhor tempo sul-americano: 46s72. Título mundial em 2022 e frustração em 2023. O brasileiro conquistou a medalha de ouro em Eugene, superando Benjamin e Warholm, com 46s29. No ano seguinte, entretanto, Piu bateu nas barreiras na final e ficou em quinto, em Budapeste, na Hungria. O melhor tempo de sua temporada aconteceu na semifinal (47s38). Em 2024, Piu venceu a etapa da Diamond League, em Oslo, na Noruega, e cravou a melhor marca do ano — em casa, Warholm tropeçou na última barreira. A competição que reúne a elite do atletismo anualmente também viu o melhor tempo do brasileiro em 2025: 46s65. Enfim, o recorde mundial Alison 'Piu' dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400 metros com barreiras Imagem: Romina Amato/REUTERS Piu dominou a prova na etapa da Diamond League em Zurique, na Suíça, correndo os 400 m com barreiras em 45s80. Foram 14 centésimos a menos do que o recorde anterior, de Warholm.
Perguntas Frequentes sobre CTKA4F
Qual é a cotação de CTKA4F hoje na B3?
Quanto a CTKA4F paga de dividendos?
Como calcular o Preço Teto de CTKA4F?
O que significa o P/L e o P/VP de CTKA4F?
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