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Startup de IA que disparou ao ostentar vínculos com Trump agora luta pela sobrevivência
Nova York | Financial Times Um CEO polêmico e um ex-governador do Texas revelaram no ano passado planos para construir o maior campus de energia para data centers de IA do mundo nas planícies do estado americano, que apelidaram de "Projeto Manhattan dos tempos modernos". A Fermi, empresa fundada por Toby Neugebauer e Rick Perry, que foi o primeiro secretário de Energia de Donald Trump, levantou quase US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) em uma oferta pública inicial em outubro, que avaliou a companhia em US$ 15 bilhões (R$ 77,6 bilhões). Mas a maioria dos investidores do IPO agora enfrenta perdas catastróficas. Rick Perry, ex-secretário de energia de Donald Trump, que liderou a Fermi até este ano - Tom Brenner/Reuters Desde a abertura de capital, a Fermi não conseguiu assinar contrato com nenhum grande locatário, perdeu mais de US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) em financiamento e sofreu um colapso no preço das ações. A turbulência levou à demissão de Neugebauer, desencadeando uma disputa na diretoria sobre quem deveria controlar o grupo. O conflito transformou os cofundadores em adversários, com Neugebauer buscando destituir Perry na batalha pelo futuro da Fermi. Especialistas questionam se a empresa conseguirá algum dia cumprir suas grandes promessas. Alguns de seus fundadores e executivos prosperaram desde então, com vendas líquidas de US$ 65 milhões (R$ 336 milhões) em ações após o fim do período de lock-up. Mas a empresa enfrenta prazos de seus credores e uma ação coletiva de investidores, que alegam que a Fermi exagerou a demanda de locatários. A trajetória da Fermi também levanta questões sobre capitalismo de compadrio sob o presidente dos EUA, depois que a empresa inicialmente batizou seu complexo de 2.130 hectares de "Campus de Energia Avançada e Inteligência Presidente Donald J. Trump". Em sua primeira teleconferência de resultados, Neugebauer disse que a empresa se beneficiou de "um empurrãozão enorme" do governo para garantir turbinas a gás. Empreendimentos com a marca Trump —mesmo sem seu envolvimento direto— podem atrair investidores que esperam ganhar favores ou capturar "valor semelhante ao de ações meme", disse Ann Lipton, professora de direito empresarial da Faculdade de Direito da Universidade do Colorado. "Isso distorce os princípios econômicos básicos por trás do sistema capitalista", acrescentou. No último ano, uma enxurrada de empresas ligadas a Donald Trump Jr. e Eric Trump abriu capital e depois enfrentou quedas acentuadas. A varejista online de armas GrabAGun Digital Holdings e a mineradora de criptomoedas American Bitcoin perderam 76% e 89% de seu valor desde que abriram capital. O tempo agora está correndo contra a Fermi. A empresa disse estar "comprometida em seguir as regras" e as "melhores práticas" ao lidar com o governo. Analistas e investidores que ainda estão otimistas com a Fermi citam sua licença ambiental para 6 gigawatts e um acordo de fornecimento com a cidade de Amarillo para 9,5 milhões de litros de água por dia como prova de que a empresa continua viável. Mas alguns especialistas do setor expressaram dúvidas sobre se os clientes estarão dispostos a fechar negócio com a Fermi, dado o conflito que ela enfrentou até agora. "Desenvolvedores bem-sucedidos são aqueles que dão aos usuários finais o que eles precisam, sem nenhum drama", disse Matthew Weinstein, copresidente da equipe de construção civil e setor imobiliário do escritório de advocacia Cozen O'Connor. Neugebauer permanece desafiador sobre seu papel na crise, atribuindo os problemas da Fermi a uma queda nas ações alimentada por vendas de insiders. "Todo mundo quer que eu sinta arrependimento e tristeza. Eu realmente não sinto", disse Neugebauer ao FT durante férias em Papua-Nova Guiné, insistindo que "a Fermi é uma das grandes histórias de sucesso de startups de todos os tempos" e que a única coisa que "deu errado" foi "a ação". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... Marius Haas, presidente do conselho da Fermi, disse acreditar que o Projeto Matador está no caminho certo, com o interesse comercial tendo "acelerado nas últimas semanas". "O ativo fala por si", disse ele. Em seu pedido de IPO (oferta pública inicial), a Fermi disse que teria construído cerca de 93 mil metros quadrados de infraestrutura de IA até abril de 2026 e entregaria até 1 GW de energia até o final do ano. Imagens de satélite do local sugerem que a construção permanece em estágio inicial, com algumas cercas e tubulações de água e gás adicionadas. Os investidores foram seduzidos pelo prospecto de IPO e pelo roadshow da Fermi, que prometia um campus de energia pioneiro para impulsionar a revolução da IA. O complexo abrangeria quase 4.000 campos de futebol americano, com 11 GW de turbinas a gás, quatro grandes reatores nucleares e fontes renováveis. Mas céticos questionaram a escala e a estratégia. "Definitivamente levantou suspeitas", disse Ben Alingh, diretor-executivo da Monarch Energy, uma concorrente no ramo imobiliário para data centers. "Parecia um pouco sem foco." Perry passou uma década e meia como governador do Texas antes de duas tentativas malsucedidas de chegar à presidência. Durante sua campanha de 2012, ele prometeu abolir o Departamento de Energia, a agência que mais tarde lideraria por quase três anos no primeiro mandato de Trump. Ele também participou do programa de competição de dança Dancing with the Stars. Como secretário de Energia de Trump, ele promoveu os combustíveis fósseis e a energia nuclear dos EUA. Por sorte, criou o escritório de inteligência artificial do departamento. Após deixar o governo, atuou nos conselhos de empresas de energia e saúde antes de se voltar para aproveitar o boom da IA fundando a Fermi. Neugebauer também tinha um passado e uma personalidade coloridos. Ele fundou a empresa de private equity Quantum Capital Group em 1998, ajudando a transformá-la em uma grande player no financiamento de energia upstream durante o boom de commodities do final do século 20 e início do século 21. Sua influência nos negócios se espalhou pelo estado, tornando-se proprietário do clube de futebol da Major League Soccer Austin FC em 2019. Em determinado momento, ele morou em uma mansão em Dallas inspirada na Casa Branca. Como filho de um congressista americano pelo Texas, Neugebauer também estava imerso na política republicana do estado. Ele ofereceu viagens em seu avião particular ao então governador Perry e doou para sua campanha presidencial de 2012. Mas depois ele se desentendeu com alguns de seus aliados de direita como chefe da GloriFi, uma startup de fintech anti-woke voltada para americanos inclinados ao Maga, que pediu falência no início de 2023. A GloriFi entrou em colapso após não conseguir lançar produtos-chave no prazo e ficar sem dinheiro. A empresa fechou antes de conseguir concluir sua fusão de US$ 1,7 bilhão via Spac. O empreendimento atraiu apoio de Peter Thiel, Vivek Ramaswamy e Candace Owens. Seu fracasso gerou litígios, com o administrador judicial da GloriFi processando Neugebauer, alegando que má gestão e transações em interesse próprio derrubaram a empresa, o que ele nega. O ex-diretor-executivo processou apoiadores, incluindo Thiel e Ramaswamy, alegando que eles espalharam alegações prejudiciais sobre a GloriFi que desencorajaram investidores. Ambos os casos ainda não chegaram a um desfecho final. Mas Neugebauer parecia ter encontrado um prêmio ainda maior —fornecer energia para empresas de tecnologia de IA em meio a uma enorme crise de oferta de eletricidade. A aposta se desfez quase tão rapidamente quanto havia inflado. Nos meses seguintes ao seu lançamento, a Fermi não conseguiu assinar contrato com um locatário de destaque e o preço de suas ações despencou. Nos bastidores, figuras-chave da empresa começaram a se voltar umas contra as outras, levando ao rompimento das relações entre Neugebauer e o conselho da Fermi e à sua demissão em meados de abril. Em um documento apresentado à Securities and Exchange Commission, a Fermi justificou a demissão de Neugebauer, dizendo que ele havia demonstrado "um padrão de comportamento ameaçador, abusivo e intimidador tanto dentro quanto fora da Fermi". Também disse que ele havia "prejudicado severamente" os relacionamentos da Fermi com potenciais locatários, investidores e parceiros, afirmando que alguns "condicionaram sua disposição de continuar fazendo negócios com a Fermi" a Neugebauer não mais controlar a empresa. Neugebauer rejeita as alegações de que seu comportamento foi ameaçador, abusivo e intimidador ou que prejudicou a posição da empresa junto aos clientes, dizendo que no momento em que foi demitido, estava envolvido em "negociações ativas" com vários potenciais locatários. Funcionários seniores com experiência em infraestrutura de gás natural e construção deixaram a empresa logo após sua formação, com algumas pessoas familiarizadas com as saídas atribuindo-as ao comportamento de Neugebauer. Neugebauer diz que eles foram demitidos por mau desempenho. Em discussões com a Oracle, Neugebauer encerrou as negociações após acusar o grupo de banco de dados de não negociar de boa-fé, segundo pessoas familiarizadas com a reunião. Neugebauer disse ao FT que as negociações com a Oracle fracassaram porque ele não acreditava que eles estavam levando o processo a sério. "Senti que eles desperdiçaram meses do nosso tempo", disse Neugebauer. Em dezembro, um investimento proposto de US$ 150 milhões anunciado apenas semanas antes, que se acredita ter sido da Amazon, não se concretizou. O preço das ações da Fermi despencou, caindo 75,4% até o final do ano.
Startup de IA que disparou ao ostentar vínculos com Trump agora luta pela sobrevivência
Nova York | Financial Times Um CEO polêmico e um ex-governador do Texas revelaram no ano passado planos para construir o maior campus de energia para data centers de IA do mundo nas planícies do estado americano, que apelidaram de "Projeto Manhattan dos tempos modernos". A Fermi, empresa fundada por Toby Neugebauer e Rick Perry, que foi o primeiro secretário de Energia de Donald Trump, levantou quase US$ 700 milhões (R$ 3,6 bilhões) em uma oferta pública inicial em outubro, que avaliou a companhia em US$ 15 bilhões (R$ 77,6 bilhões). Mas a maioria dos investidores do IPO agora enfrenta perdas catastróficas. Rick Perry, ex-secretário de energia de Donald Trump, que liderou a Fermi até este ano - Tom Brenner/Reuters Desde a abertura de capital, a Fermi não conseguiu assinar contrato com nenhum grande locatário, perdeu mais de US$ 100 milhões (R$ 517 milhões) em financiamento e sofreu um colapso no preço das ações. A turbulência levou à demissão de Neugebauer, desencadeando uma disputa na diretoria sobre quem deveria controlar o grupo. O conflito transformou os cofundadores em adversários, com Neugebauer buscando destituir Perry na batalha pelo futuro da Fermi. Especialistas questionam se a empresa conseguirá algum dia cumprir suas grandes promessas. Alguns de seus fundadores e executivos prosperaram desde então, com vendas líquidas de US$ 65 milhões (R$ 336 milhões) em ações após o fim do período de lock-up. Mas a empresa enfrenta prazos de seus credores e uma ação coletiva de investidores, que alegam que a Fermi exagerou a demanda de locatários. A trajetória da Fermi também levanta questões sobre capitalismo de compadrio sob o presidente dos EUA, depois que a empresa inicialmente batizou seu complexo de 2.130 hectares de "Campus de Energia Avançada e Inteligência Presidente Donald J. Trump". Em sua primeira teleconferência de resultados, Neugebauer disse que a empresa se beneficiou de "um empurrãozão enorme" do governo para garantir turbinas a gás. Empreendimentos com a marca Trump —mesmo sem seu envolvimento direto— podem atrair investidores que esperam ganhar favores ou capturar "valor semelhante ao de ações meme", disse Ann Lipton, professora de direito empresarial da Faculdade de Direito da Universidade do Colorado. "Isso distorce os princípios econômicos básicos por trás do sistema capitalista", acrescentou. No último ano, uma enxurrada de empresas ligadas a Donald Trump Jr. e Eric Trump abriu capital e depois enfrentou quedas acentuadas. A varejista online de armas GrabAGun Digital Holdings e a mineradora de criptomoedas American Bitcoin perderam 76% e 89% de seu valor desde que abriram capital. O tempo agora está correndo contra a Fermi. A empresa disse estar "comprometida em seguir as regras" e as "melhores práticas" ao lidar com o governo. Analistas e investidores que ainda estão otimistas com a Fermi citam sua licença ambiental para 6 gigawatts e um acordo de fornecimento com a cidade de Amarillo para 9,5 milhões de litros de água por dia como prova de que a empresa continua viável. Mas alguns especialistas do setor expressaram dúvidas sobre se os clientes estarão dispostos a fechar negócio com a Fermi, dado o conflito que ela enfrentou até agora. "Desenvolvedores bem-sucedidos são aqueles que dão aos usuários finais o que eles precisam, sem nenhum drama", disse Matthew Weinstein, copresidente da equipe de construção civil e setor imobiliário do escritório de advocacia Cozen O'Connor. Neugebauer permanece desafiador sobre seu papel na crise, atribuindo os problemas da Fermi a uma queda nas ações alimentada por vendas de insiders. "Todo mundo quer que eu sinta arrependimento e tristeza. Eu realmente não sinto", disse Neugebauer ao FT durante férias em Papua-Nova Guiné, insistindo que "a Fermi é uma das grandes histórias de sucesso de startups de todos os tempos" e que a única coisa que "deu errado" foi "a ação". Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... Marius Haas, presidente do conselho da Fermi, disse acreditar que o Projeto Matador está no caminho certo, com o interesse comercial tendo "acelerado nas últimas semanas". "O ativo fala por si", disse ele. Em seu pedido de IPO (oferta pública inicial), a Fermi disse que teria construído cerca de 93 mil metros quadrados de infraestrutura de IA até abril de 2026 e entregaria até 1 GW de energia até o final do ano. Imagens de satélite do local sugerem que a construção permanece em estágio inicial, com algumas cercas e tubulações de água e gás adicionadas. Os investidores foram seduzidos pelo prospecto de IPO e pelo roadshow da Fermi, que prometia um campus de energia pioneiro para impulsionar a revolução da IA. O complexo abrangeria quase 4.000 campos de futebol americano, com 11 GW de turbinas a gás, quatro grandes reatores nucleares e fontes renováveis. Mas céticos questionaram a escala e a estratégia. "Definitivamente levantou suspeitas", disse Ben Alingh, diretor-executivo da Monarch Energy, uma concorrente no ramo imobiliário para data centers. "Parecia um pouco sem foco." Perry passou uma década e meia como governador do Texas antes de duas tentativas malsucedidas de chegar à presidência. Durante sua campanha de 2012, ele prometeu abolir o Departamento de Energia, a agência que mais tarde lideraria por quase três anos no primeiro mandato de Trump. Ele também participou do programa de competição de dança Dancing with the Stars. Como secretário de Energia de Trump, ele promoveu os combustíveis fósseis e a energia nuclear dos EUA. Por sorte, criou o escritório de inteligência artificial do departamento. Após deixar o governo, atuou nos conselhos de empresas de energia e saúde antes de se voltar para aproveitar o boom da IA fundando a Fermi. Neugebauer também tinha um passado e uma personalidade coloridos. Ele fundou a empresa de private equity Quantum Capital Group em 1998, ajudando a transformá-la em uma grande player no financiamento de energia upstream durante o boom de commodities do final do século 20 e início do século 21. Sua influência nos negócios se espalhou pelo estado, tornando-se proprietário do clube de futebol da Major League Soccer Austin FC em 2019. Em determinado momento, ele morou em uma mansão em Dallas inspirada na Casa Branca. Como filho de um congressista americano pelo Texas, Neugebauer também estava imerso na política republicana do estado. Ele ofereceu viagens em seu avião particular ao então governador Perry e doou para sua campanha presidencial de 2012. Mas depois ele se desentendeu com alguns de seus aliados de direita como chefe da GloriFi, uma startup de fintech anti-woke voltada para americanos inclinados ao Maga, que pediu falência no início de 2023. A GloriFi entrou em colapso após não conseguir lançar produtos-chave no prazo e ficar sem dinheiro. A empresa fechou antes de conseguir concluir sua fusão de US$ 1,7 bilhão via Spac. O empreendimento atraiu apoio de Peter Thiel, Vivek Ramaswamy e Candace Owens. Seu fracasso gerou litígios, com o administrador judicial da GloriFi processando Neugebauer, alegando que má gestão e transações em interesse próprio derrubaram a empresa, o que ele nega. O ex-diretor-executivo processou apoiadores, incluindo Thiel e Ramaswamy, alegando que eles espalharam alegações prejudiciais sobre a GloriFi que desencorajaram investidores. Ambos os casos ainda não chegaram a um desfecho final. Mas Neugebauer parecia ter encontrado um prêmio ainda maior —fornecer energia para empresas de tecnologia de IA em meio a uma enorme crise de oferta de eletricidade. A aposta se desfez quase tão rapidamente quanto havia inflado. Nos meses seguintes ao seu lançamento, a Fermi não conseguiu assinar contrato com um locatário de destaque e o preço de suas ações despencou. Nos bastidores, figuras-chave da empresa começaram a se voltar umas contra as outras, levando ao rompimento das relações entre Neugebauer e o conselho da Fermi e à sua demissão em meados de abril. Em um documento apresentado à Securities and Exchange Commission, a Fermi justificou a demissão de Neugebauer, dizendo que ele havia demonstrado "um padrão de comportamento ameaçador, abusivo e intimidador tanto dentro quanto fora da Fermi". Também disse que ele havia "prejudicado severamente" os relacionamentos da Fermi com potenciais locatários, investidores e parceiros, afirmando que alguns "condicionaram sua disposição de continuar fazendo negócios com a Fermi" a Neugebauer não mais controlar a empresa. Neugebauer rejeita as alegações de que seu comportamento foi ameaçador, abusivo e intimidador ou que prejudicou a posição da empresa junto aos clientes, dizendo que no momento em que foi demitido, estava envolvido em "negociações ativas" com vários potenciais locatários. Funcionários seniores com experiência em infraestrutura de gás natural e construção deixaram a empresa logo após sua formação, com algumas pessoas familiarizadas com as saídas atribuindo-as ao comportamento de Neugebauer. Neugebauer diz que eles foram demitidos por mau desempenho. Em discussões com a Oracle, Neugebauer encerrou as negociações após acusar o grupo de banco de dados de não negociar de boa-fé, segundo pessoas familiarizadas com a reunião. Neugebauer disse ao FT que as negociações com a Oracle fracassaram porque ele não acreditava que eles estavam levando o processo a sério. "Senti que eles desperdiçaram meses do nosso tempo", disse Neugebauer. Em dezembro, um investimento proposto de US$ 150 milhões anunciado apenas semanas antes, que se acredita ter sido da Amazon, não se concretizou. O preço das ações da Fermi despencou, caindo 75,4% até o final do ano.
Fictor propõe fundo para credores e financiamento de R$ 150 milhões em plano de recuperação judicial
São Paulo A Fictor protocolou nesta terça-feira (23) um plano de recuperação judicial que prevê duas alternativas para pagamento dos credores. A primeira depende da obtenção de um financiamento de até R$ 150 milhões na modalidade DIP ("debtor-in-possession"), espécie de empréstimo concedido a empresas em recuperação. A segunda prevê a criação de um fundo que distribuiria cotas aos credores em vez de pagamentos em dinheiro. Foram listadas no plano 40 empresas do grupo organizadas em quatro eixos: holding e financeiro, alimentos, agro e energia/infraestrutura. Camiseta do Palmeiras com patrocínio da Fictor - Divulgação/Palmeiras Na opção A, a Fictor terá até 18 meses para contratar o financiamento DIP. Caso consiga captar os recursos, os pagamentos serão feitos em duas etapas. Microempresas e empresas de pequeno porte teriam prioridade, com limite de R$ 8.000 por credor. Depois, receberiam os quirografários (sem privilégio legal de recebimento) com créditos de até R$ 100 mil, em tabela regressiva que vai de 100% para créditos até R$ 5.000 a um teto fixo de R$ 23,7 mil para créditos entre R$ 55 mil e R$ 100 mil. Créditos acima dos R$ 100 mil não entram nessa faixa. Se o financiamento não for obtido dentro do prazo, os credores que escolherem essa modalidade sofrerão deságio de 95% sobre seus créditos. Os 5% remanescentes seriam pago em 15 parcelas anuais, com carência de 60 meses e correção pela Taxa Referencial mais juros de 1% ao ano. O ponto central do plano B passa pela estruturação do chamado "Fundo Credores", destinado a empresas e pessoas que estejam enquadrados nas classes de quirografários (classe III), garantia real (II), micro e empresas de pequeno porte (IV). Pelas regras, as três classes receberiam cotas em vez de um pagamento em dinheiro —os valores serão distribuídos conforme o valor da dívida com a empresa. Os quirografários teriam direito a 65% das cotas, enquanto os credores com garantia real e as micro e pequenas empresas receberiam 10%. O grupo Fictor reteria os 25% restantes para "manutenção das atividades e preservação da continuidade operacional do grupo". Esse fundo seria organizado em seis estruturas separadas, cada uma destinada a um tipo de ativo. A primeira seria o Fictor Securitizadora, que ficaria com três carteiras de crédito inadimplidos, incluindo dívidas vencidas, judicializadas ou em negociação. O segundo administraria recebíveis do braço imobiliário do grupo, enquanto o terceiro, batizado de Fictor Pay, centralizaria parcelamentos e renegociações com clientes em atraso. Os outros três fundos cobrem os segmentos de energia, com recebíveis de contrato de fornecimento e geração distribuída; um fundo de créditos contra o Instituto do Açúcar e do Álcool, autarquia federal extinta em 1997; e um fundo para ativos de empresas investidas que não integrem o patrimônio da Fictor. Os credores que não manifestarem preferência em 15 dias após a homologação do plano de pagamentos serão enquadrados diretamente na opção B. Os débitos trabalhistas foram enquadrados de outra forma, com pagamento integral em até 12 meses da homologação, limitado a 150 salários mínimos por credor. O excedente é tratado como crédito quirografário. O plano também prevê a extinção automática de garantias pessoais de sócios e avalistas após a homologação, o que contraria o entendimento consolidado do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que não admite esse efeito para terceiros garantidores. A Fictor entrou com pedido de recuperação em fevereiro deste ano, reportando uma dívida de R$ 4,2 bilhões. À época, a companhia alegava grave cenário de instabilidade e perda de confiança após a tentativa de comprar o Banco Master por R$ 3 bilhões antes da liquidação decretada pelo Banco Central, no final do ano passado. CALOTE LEGALIZADO A proposta não agradou advogados que integram a disputa na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo). É o caso de Vitor Gomes Rodrigues de Mello, que representa um grupo de credores. "O plano de recuperação judicial apresentado pelo Grupo Fictor propõe condições que, na prática, anulam o direito dos credores. Um perdão de 95% da dívida, com início de pagamento em 5 anos e prazo de 15 anos para quitação, não é uma negociação, mas sim uma tentativa de calote legalizado", disse o advogado. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... Ele afirma que mais grave ainda é a tentativa de liberar ilegalmente sócios e avalistas, o que contraria o entendimento do Judiciário sobre o tema. "Os credores estão dispostos a negociar uma solução que viabilize a empresa, mas não podem aceitar um plano desequilibrado e que viola a lei, deixando um prejuízo quase total para quem um dia acreditou e fomentou a atividade do grupo." A Fictor afirma no documento que não tem poderes para assinar em nome de 22 empresas, incluindo todas as companhias do segmento de energia, como a WTT Participações, que conseguiu liminar na Justiça destituindo o grupo Fictor da gestão de uma joint venture comandada pelas empresas.