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Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes
São Paulo O cenário não está bom para pegar ou pagar um empréstimo. E ele não deve melhorar tão cedo. Essa é a avaliação de economistas, analistas e dos próprios bancos privados para o restante de 2026, em meio a juros mais altos do que o esperado e a um elevado comprometimento da renda das famílias brasileiras. "Eu acho que o ciclo do crédito vai ser desafiador", disse Milton Maluhy, presidente do Itaú Unibanco, maior banco do país, durante teleconferência com analistas nesta quarta-feira (5). "Vivemos hoje um excesso de crédito dado pelo mercado." O executivo disse que, neste momento, prefere abrir mão de crescimento e participação de mercado a correr o risco de lidar com a inadimplência depois. Movimentação no Feirão Limpa Nome da Serasa, que oferece descontos para quem quer renegociar dívidas e sair da inadimplência, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo (SP) - Rafaela Araújo - 31.mar.26/Folhapress O Bradesco também prometeu cautela. "Não estamos fazendo loucura. Estamos reduzindo o crédito pessoal e fazendo colateralizado", disse o presidente Marcelo Noronha a jornalistas, nesta quinta (6). A cautela dos executivos se reflete nas reservas para perdas com calotes que os três maiores bancos privados do país —Itaú Unibanco, Bradesco e Santander— fizeram no segundo trimestre, conforme mostraram nos balanços divulgados nas duas últimas semanas. Somados, os três bancos provisionaram R$ 28,7 bilhões, uma alta de 12,4% em comparação com o mesmo período de 2025. O colchão de segurança inflou mais do que os empréstimos. A carteira de crédito subiu apenas 9,4% no período, indo a R$ 3,37 trilhões. "É um momento difícil para o setor bancário. A inflação está corroendo a renda das famílias e o juro alto está reduzindo a capacidade de financiamento das empresas", diz Daniel Utsch, gestor da Nero Capital. Em maio deste ano, a inadimplência geral do sistema financeiro atingiu o pico da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Naquele mês, 4,74% de todo o crédito concedido estava em atraso há mais de 90 dias. Em junho, após o início do Desenrola 2.0, esse indicador teve ligeira queda para 4,68%, ainda bem acima da média histórica de 3,29%. Segundo Flávio Ataliba, pesquisador do FGV IBRE, o percentual reflete não só a Selic a 14%, mas a precificação de juros futuros ainda altos, dada a percepção de risco fiscal no Brasil —quanto mais medo de calote, mais se cobra para emprestar dinheiro— o que encarece o custo do dinheiro como um todo. Além disso, no início do ano, o mercado esperava que a Selic caísse para a faixa de 12%. Agora, se espera apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa, levando-a para 13,75%. "Outro ponto de atenção é a inflação dos alimentos, que compromete mais de 23% do orçamento das famílias que ganham até um salário mínimo", afirma Ataliba. Neste ano, o comprometimento de renda dos lares também chegou ao maior valor da série do BC. O endividamento das famílias com os bancos em relação à renda acumulada dos últimos 12 meses foi a 49,93% em janeiro, mês em que os brasileiros costumam se enrolar com as contas de início de ano. O percentual é o pico da série iniciada em 2005 e se mantinha bem próximo disso até maio, último dado disponível. Apesar de o desemprego estar na mínima, a perspectiva para os próximos meses não é de melhora, já que o mercado espera uma desaceleração da atividade econômica como fruto de juros altos. "A transmissão da Selic na ponta é muito lenta. Olhando esses sinais, a tendência é que a inadimplência piore ou, no mínimo, se estabilize no segundo semestre", diz Ataliba. Para Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, o fim da guerra no Oriente Médio e um El Niño menos intenso poderiam abrir espaço para mais reduções da Selic, o que beneficiaria o mercado de crédito. "Mas, para discutirmos juros estruturalmente mais baixos e uma aceleração sustentável do ciclo de cortes, é inevitável falar sobre o fiscal." Os bancos dizem ver um ajuste fiscal no próximo mandato presidencial, independentemente do candidato eleito. "Quando você tem juros mais elevados, somados a uma inadimplência e a um comprometimento da renda bastante elevados, o risco para os bancos aumenta. Isso gera um maior custo do crédito e uma postura mais cuidadosa por parte dessas empresas", diz Yihao Lin. Por enquanto, a postura de maior cautela das instituições financeiras se manifesta na restrição de crédito para consumidores de baixa renda e na preferência por empréstimos com garantia. A oferta é focada no crédito consignado CLT, no financiamento imobiliário e de veículos com colateral e linhas com garantia do governo via FGI (Fundo Garantidor para Investimentos) e o FGO (Fundo Garantidor de Operações) para pequenas e médias empresas. Ainda assim, os três principais bancos privados do país aumentaram as suas proteções contra calotes no segundo trimestre. Itaú Unibanco e Bradesco afirmaram que a provisão contra devedores duvidosos (PDD) acompanhou o crescimento da carteira de crédito como um todo. Já o Santander citou o cenário macroeconômico. O braço brasileiro da instituição da Espanha teve o pior balanço no segundo trimestre entre os pares, avaliam analistas, com o lucro abaixo do esperado dado o maior gasto com PDD. Segundo a XP, a carteira de crédito do Santander segue praticamente estagnada e o banco ainda atravessa uma fase de ajuste do portfólio e de reconhecimento de riscos. "Avaliamos que a normalização do custo do crédito ainda deve levar alguns trimestres", dizem os analistas da corretora. Até o Itaú, que tem o menor índice de inadimplência entre os pares (apenas 1,9% há seis trimestres), teve deterioração. O BTG classificou os resultados do segundo trimestre de 2026 como mais fracos do que o habitual, mas destacou a solidez dos ativos da carteira de crédito. "O nível de provisões parece bastante conservador, e o capital principal continua se fortalecendo." O banco também revisou para baixo a sua projeção de 2026 para a receita com serviços e seguros, uma linha mais sensível à atividade econômica. Agora, a instituição projeta um crescimento entre 2% e 5%, ante 5% a 9% esperados anteriormente. Segundo o Itaú, o ajuste está relacionado, principalmente, à maior volatilidade no mercado do que a projetada no início do ano. Além disso, há uma menor receita com tarifas de cartões, enquanto os custos deste produto para a média e alta renda seguem em alta para o banco. Folha Mercado Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes. Carregando... O Bradesco, por sua vez, ainda enfrenta uma maior inadimplência. Mesmo elevando o percentual de créditos com garantia de 58,5% para 61% de toda a carteira, os empréstimos ao varejo ainda preocupam, diz o Citi. Segundo os analistas, o custo de crédito dos clientes do Bradesco subiu para 5,9%, ante 5,5% no início do ano. "Daqui para frente, a principal discussão será se o ritmo de crescimento das receitas e os ganhos de eficiência conseguirão continuar superando os custos de crédito mais elevados, à medida que o ciclo de crédito brasileiro se torna mais desafiador", diz o Citi. Apesar do cenário, os executivos do Bradesco reafirmaram suas previsões de resultado para o ano. O banco espera uma expansão de 8,5% a 10,5% para a carteira de crédito. Considerando o crescimento de 11,6% da carteira no primeiro semestre deste ano, os executivos esperam uma desaceleração gradual nas concessões.
TRXF11: maior aquisição da história do FII em operação de R$ 2,13 bi
TRXF11: maior aquisição da história do FII em operação de R$ 2,13 bi O fundo imobiliário TRXF11 (TRX Real Estate) informou a maior operação de sua trajetória ao comprometer aproximadamente R$ 2,13 bilhões na aquisição de participação em dois fundos imobiliários sob gestão da Cy.Capital, plataforma do Grupo Cyrela. O negócio contempla cinco imóveis, sendo quatro galpões logísticos e um edifício corporativo de alto padrão. Pelo volume financeiro, a transação figura entre as maiores já efetivadas por um fundo imobiliário no país e consolida a estratégia da gestora de ampliar a exposição ao segmento logístico. O conjunto adquirido soma cerca de 251 mil metros quadrados de Área Bruta Locável (ABL), assentados em aproximadamente 580 mil metros quadrados de terreno, com ativos em São Paulo, Rio de Janeiro e Extrema (MG), próximos a eixos logísticos relevantes. Além dos galpões, o pacote inclui um prédio corporativo em São Paulo, atualmente locado por uma empresa do segmento de banco digital por meio de contrato de longo prazo. A TRX Investimentos destacou que a operação inaugura uma parceria estratégica com a Cy.Capital, que atua em logística, residencial e crédito imobiliário e administra aproximadamente R$ 2,9 bilhões em capital comprometido. Logística lidera o portfólio do TRXF11 Concluída a compra, os ativos logísticos passam a representar 45,11% da Área Bruta Locável (ABL) do TRXF11, tornando-se a principal classe do portfólio. O varejo responde por 39,18%, seguido por educação, shopping centers, hospitais, saúde, hotelaria e renda urbana. Após a transação, o fundo passa a deter 120 imóveis, com elevada concentração em regiões metropolitanas. De acordo com a gestora, 87,98% do valor investido está alocado nesses mercados, enquanto mais de 68% da receita permanece atrelada a contratos atípicos. O prazo médio dos contratos fica em 11,39 anos, mantendo o foco em previsibilidade de receitas e relações de longo prazo com os locatários. A exposição ao comércio eletrônico também cresce: empresas do setor passam a representar 20,57% da receita imobiliária, com grandes operadores logísticos entre os principais inquilinos. Para Luiz Augusto do Amaral, CEO da TRX Investimentos, os imóveis adquiridos têm padrão institucional e se situam em áreas estratégicas para logística e mercado corporativo, em linha com o objetivo de ampliar a geração de renda e preservar o valor patrimonial no longo prazo. TRXF11 avança no Nordeste com galpão no Recife Em paralelo à operação bilionária, o TRXF11 assinou um Memorando de Entendimentos (MOU) para adquirir 70% de um galpão logístico last mile localizado em Jaboatão dos Guararapes (PE), na Região Metropolitana do Recife. O investimento previsto é de R$ 210 milhões, e o ativo é ocupado por uma das maiores empresas de comércio eletrônico do país, já integrante da base de locatários do fundo. A participação do TRXF11 corresponde a 48 mil metros quadrados de ABL, equivalente a 70% da área locável do empreendimento. O imóvel fica às margens da BR-101, com acesso direto à BR-232, ao Porto de Suape e ao Aeroporto Internacional do Recife, atributos que favorecem operações de última milha. Segundo a gestora, o ativo atende a uma área com alto potencial de consumo: a Região Metropolitana do Recife reúne mais de 4 milhões de habitantes, enquanto Pernambuco possui cerca de 9,5 milhões de moradores. Estratégia amplia ativos voltados ao e-commerce De acordo com a TRX Investimentos, a aquisição apresenta cap rate anual de 8,19% e contrato de locação com vencimento em fevereiro de 2030, o que reforça a geração recorrente de receitas do portfólio. Para Gabriel Barbosa, sócio e gestor da TRX Investimentos, a operação está alinhada à diretriz de ampliar a presença do fundo em imóveis logísticos próximos aos principais centros consumidores, característica que tende a elevar a eficiência operacional dos locatários e a preservar o valor dos ativos ao longo do tempo. O movimento dá continuidade à expansão logística iniciada nos últimos meses. Em junho, o TRXF11 já havia anunciado o desenvolvimento de quatro galpões destinados ao comércio eletrônico nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais.
HGRE11: emissão de até R$ 700 milhões para ampliar capacidade de investimentos
HGRE11: emissão de até R$ 700 milhões para ampliar capacidade de investimentos Os cotistas do fundo imobiliário HGRE11 (Pátria Escritórios) aprovaram a realização da 10ª emissão de cotas, autorizando uma oferta pública que poderá movimentar até R$ 700 milhões. A decisão foi tomada por consulta formal encerrada em 30 de julho e representa mais um passo na estratégia de expansão do portfólio do FII. A efetivação da oferta, porém, ainda depende da definição de seus termos e do lançamento ao mercado. Conforme a ata de apuração, participaram da votação investidores que representavam 5,5% das cotas emitidas. Entre os votos válidos, 98,68% foram favoráveis à proposta, 0,49% contrários e 0,83% se abstiveram, o que garantiu a aprovação da matéria. A emissão será executada por meio de oferta pública destinada, inicialmente, a investidores profissionais, sob o regime de melhores esforços de colocação. Os cotistas terão direito de preferência na proporção de sua participação, conforme cronograma e data-base a serem divulgados. O preço de emissão será calculado com base no valor patrimonial por cota imediatamente anterior ao início da oferta. HGRE11 define diretrizes para a 10ª emissão A autorização dada pelos cotistas não implica captação imediata de R$ 700 milhões. Na prática, concede à administração e à gestão do fundo a possibilidade de estruturar a operação nos termos previstos pela regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Quando convocou a assembleia, o fundo informou que os recursos poderão ser direcionados principalmente à aquisição de ativos compatíveis com a política de investimentos, bem como ao cumprimento de obrigações e ao reforço do caixa. O montante efetivamente captado dependerá da demanda durante a distribuição das novas cotas. O regulamento aprovado prevê ainda a possibilidade de um lote adicional, caso haja interesse suficiente, e a realização de distribuição parcial. Nesse caso, a oferta poderá ser encerrada antes de atingir o valor máximo, desde que seja alcançado o montante mínimo previsto na documentação. Gestão preserva capacidade de crescimento A aprovação da emissão ocorre em meio a um processo de reorganização do portfólio. No início de julho, o fundo anunciou a rescisão consensual do compromisso de venda de um terreno localizado na região central de São Paulo. A negociação foi encerrada porque não foram obtidas, dentro dos prazos contratuais, as aprovações urbanísticas necessárias para o empreendimento previsto no local. Com o distrato, o imóvel voltou à livre disposição do fundo para novas negociações ou outras alternativas de desenvolvimento. Na operação, o FII devolverá parte dos valores recebidos como sinal ao comprador, mas manterá R$ 2,25 milhões referentes a indenizações e remuneração contratual, conforme estabelecido no acordo. A gestão informou que poderá avaliar novas estratégias para maximizar o valor do ativo para os cotistas. Embora a emissão aprovada não esteja vinculada a uma aquisição específica, a combinação entre a possibilidade de captar novos recursos e a manutenção do terreno no portfólio amplia a flexibilidade da gestão para executar sua estratégia de reciclagem e expansão de ativos. Como é o portfólio do fundo O FII é de gestão ativa e tem foco em lajes corporativas. Seu objetivo é adquirir, administrar, locar e eventualmente alienar imóveis comerciais capazes de gerar renda recorrente e ganho de capital ao longo do tempo. O patrimônio líquido do fundo gira em torno de R$ 1,7 bilhão, e as cotas são negociadas com desconto em relação ao valor patrimonial, segundo dados de mercado. Nos próximos meses, o mercado acompanhará a definição do cronograma da oferta, do preço de emissão e dos ativos que eventualmente poderão ser incorporados ao portfólio com os recursos da nova captação. Até lá, a decisão da assembleia representa apenas a autorização para que a operação seja estruturada, e não a confirmação de sua execução integral.