VI

VIVT3

Telecomunicações

Telefonica Brasil S.A.

CNPJ: 02558157000162

Preço Atual
R$ 32,46
-0.67%
Abertura
R$ 32,68
Fec. Ant: R$ 32,35
Variação Dia
Min: R$ 32,20
Max: R$ 32,68
52 Semanas
Mín: R$ 29,81
Máx: R$ 43,47
Volume
5.416.900
Moeda: BRL

Oscilação dos Últimos 12 Meses

Carregando gráfico...

Indicadores de Valuation

Dividend Yield
4.00%
P/L
16.55
P/VP
1.52
LPA
R$ 1,97
VPA
R$ 21,54
EV/EBITDA
4.73
EV/EBIT
11.74
P/EBITDA
4.17
P/EBIT
10.34
P/Receita (PSR)
1.74
P/FCO
5.04
P/FCL
11.43
EV/Receita Líq.
1.97
EV/FCO
5.72
EV/FCL
12.98
Earning Yield
8.52%
Enterprise Value
R$ 119,71 Bi
Valor de Mercado
R$ 105,44 Bi

Indicadores de Endividamento

Dív. Líq./EBITDA
0.56
Dív. Líquida/PL
0.21
Dívida Líquida
R$ 14,26 Bi
Liq. Corrente
1.10
PL/Ativos
0.54
Passivos/Ativos
0.46
Liq. Seca
1.03
Liq. Imediata
0.36

Indicadores de Eficiência

Margem Bruta
44.93%
Margem EBITDA
41.73%
Margem EBIT
16.81%
Margem Líquida
10.51%

Indicadores de Rentabilidade

ROE
9.18%
ROIC
11.03%
ROA
4.89%
Giro do Ativo
0.47

Indicadores de Crescimento

CAGR Receita
7.01%
CAGR Lucro
11.56%

Dados Financeiros

Margens
Margem Bruta 44.93%
Margem EBITDA 41.73%
Margem Operacional 16.81%
Margem Líquida 10.51%
Fluxo de Caixa
FCO R$ 20,92 Bi
FCL R$ 9,22 Bi
Caixa Total R$ 9,15 Bi
Caixa/Ação R$ 2,84
Receita e Dívida
Receita Total R$ 60,66 Bi
Lucro Bruto R$ 27,26 Bi
EBITDA R$ 25,31 Bi
Dívida Total R$ 39,85 Bi
Crescimento
Receita 7.01%
Lucro 11.56%

Resultados Financeiros

Indicador (Anual) 2025 2024 2023 2022
Receita Total R$ 59.595,00 Mi R$ 55.845,05 Mi R$ 52.100,15 Mi R$ 48.041,16 Mi
Lucro Bruto R$ 26.669,63 Mi R$ 24.492,89 Mi R$ 22.684,75 Mi R$ 20.609,48 Mi
EBITDA R$ 9.859,28 Mi R$ 8.673,51 Mi R$ 7.917,82 Mi R$ 6.597,91 Mi
Lucro Líquido R$ 6.177,54 Mi R$ 5.557,33 Mi R$ 5.039,98 Mi R$ 4.057,90 Mi

Sobre a VIVT3

Setor
Telecomunicações
Indústria
Telecomunicações
Funcionários
34.000
Market Cap
R$ 105,06 Bi
Descrição do Negócio

A Telefônica Brasil S.A., listada na B3 sob o ticker VIVT3, foi constituída em 1998 e atua no setor de telecomunicações no Brasil com a marca comercial Vivo. A companhia integra o grupo espanhol Telefónica e opera serviços de conectividade para consumidores e empresas. As operações incluem telefonia móvel, telefonia fixa, banda larga, transmissão de dados e serviços digitais associados. A empresa mantém rede de infraestrutura para oferta de serviços convergentes e monetização em diferentes segmentos de clientes. No ambiente competitivo, a Telefônica Brasil disputa mercado com outras operadoras nacionais em mobilidade, fibra e serviços corporativos. O desempenho é influenciado por competição de preços, investimento em rede e evolução regulatória do setor de telecom. A companhia possui atuação nacional e base de clientes de grande escala. Em termos operacionais, reporta dezenas de milhões de acessos e cerca de 34 mil empregados, com presença ampla em centros urbanos e expansão contínua da infraestrutura de telecomunicações.

Dividendos

JCP R$ 0,1878
Pagamento: 30/04/2027
JCP R$ 0,1878
Pagamento: 30/04/2027
JCP R$ 0,1142
Pagamento: 27/04/2026
JCP R$ 0,0626
Pagamento: 30/04/2027
JCP R$ 0,1017
Pagamento: 31/12/2026
JCP R$ 0,1095
Pagamento: 30/04/2026
JCP R$ 0,1063
Pagamento: 30/04/2026
JCP R$ 0,1186
Pagamento: 30/04/2026
JCP R$ 0,1248
Pagamento: 30/04/2026
JCP R$ 0,0779
Pagamento: 30/04/2026

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PF deflagra Operação Obadias 3:4 contra invasão de contas da Caixa em Sergipe
TecMundo 19/06/2026

PF deflagra Operação Obadias 3:4 contra invasão de contas da Caixa em Sergipe

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (19) a Operação Obadias 3:4, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso investigado por invasão de contas digitais da Caixa Econômica Federal e por desvio de recursos de correntistas. Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão nas cidades de Carira e Itabaiana, em Sergipe, e em Araguaína, no Tocantins. A ação contou com a participação de cerca de 20 policiais federais. smart_display Nossos vídeos em destaque Prejuízo passa de R$ 492 mil A investigação apura a invasão de mais de 142 contas digitais da Caixa, causando prejuízo superior a R$ 492 mil. Desse total, aproximadamente R$ 240 mil teriam sido direcionados para Sergipe por meio de contas bancárias abertas em nome de terceiros. Contas digitais costumam ser o principal alvo desse tipo de fraude, já que permitem ao criminoso movimentar valores sem precisar de contato físico com agências. (Imagem: Getty Images/Reprodução) Para isso, os investigados teriam utilizado documentos falsos, com a finalidade de ocultar a origem ilícita dos valores. Além das buscas, a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 255.575,09 em ativos financeiros vinculados ao grupo. Leia Mais Anatel lança ferramenta para rastrear bloqueios de TV Box no Brasil Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de furto mediante fraude, associação criminosa, uso de documento falso, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Segunda operação contra fraudes bancárias em junho Essa é a segunda operação da Polícia Federal contra fraudes bancárias que o TecMundo registra em junho. No início do mês, a corporação deflagrou a Operação Linha Fantasma, que mirava um esquema de fraudes praticadas por SMS e centrais telefônicas falsas. A Polícia Federal tem intensificado, ao longo de 2026, operações voltadas especificamente a fraudes bancárias eletrônicas e invasão de contas digitais. (Imagem: Getty Images/Reprodução) Naquele caso, os golpistas enviavam mensagens em massa informando supostas compras ou transações suspeitas, orientando as vítimas a entrar em contato com números 0800 falsos. Ao telefone, induziam o contato a fornecer dados pessoais e bancários, ou a realizar procedimentos que permitiam o acesso indevido às contas. A Linha Fantasma também identificou movimentação financeira fracionada, possivelmente usada para dificultar o rastreamento dos valores desviados. A operação partiu de informações do Projeto Tentáculos, parceria entre a PF e a Abecs (Associação das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). Leia Mais Japão cria drones de guerra feitos de papelão que voam a mais de 100 km/h Fraudes de identidade somam quase 1,5 milhão de tentativas no Brasil Casos como o da Operação Obadias 3:4 fazem parte de um cenário mais amplo de fraudes contra contas e identidades digitais no país. Levantamento da Serasa Experian, o Mapa da Fraude, identificou 1.495.696 tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade no primeiro trimestre de 2026, alta de 36,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. Levantamento da Serasa Experian mostra que o setor financeiro concentra a maior fatia das tentativas de fraude de identidade no país, à frente de telefonia e varejo. (Imagem: Serasa Experian/Reprodução) O volume equivale a uma tentativa a cada 5 segundos. Segundo a Serasa Experian, esse número poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso os golpes não fossem barrados. O setor financeiro concentra a maior parte das tentativas. Basicamente, 6 a cada 10 ocorrências registradas envolvem bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de crédito, justamente o tipo de ambiente digital visado em casos como o da Caixa investigado pela PF. Entre os segmentos mapeados, "Meios de Pagamento" lidera em volume, com 644.586 tentativas, seguido por "Telefonia" (313.200) e "Bancos e Cartões" (259.160). Leia Mais Homem filma mulher com óculos e exige dinheiro para apagar vídeo das redes Acompanhe o TecMundo nas redes sociais. Inscreva-se em nossa newsletter e canal do YouTube.

Multidão, miséria, tensão e alívio: memórias do jogo da paz entre Haiti e Brasil em 2004
UOL - Notícias 19/06/2026

Multidão, miséria, tensão e alívio: memórias do jogo da paz entre Haiti e Brasil em 2004

São Paulo Brasil e Haiti se enfrentam nos EUA na noite desta sexta-feira (19). A seleção de Carlo Ancelotti entra em campo sob clima de desconfiança, após o tenso empate contra Marrocos na estreia da Copa. Há 22 anos, sob outro peso, desconfiança e tensão também rondavam Porto Príncipe antes do jogo da paz entre Haiti e Brasil. O miserável país passava por distúrbios, um presidente acabara de ser deposto e militares brasileiros sob o comando da ONU estavam lá para conter a onda de violência. Multidão de haitianos nas ruas de Porto Príncipe, no Haiti, acompanha o desfile da seleção brasileira a bordo de Urutus das tropas brasileiras - Antônio Gaudério - 18.ago.2004//Folhapress A ida de Lula, ainda em seu primeiro mandato, e de jogadores estrelados então campeões do mundo, como Ronaldo e Ronaldinho, era motivo de preocupação de Exército e segurança presidencial. O Haiti vivia um caos, e comitiva presidencial, delegação da seleção e jornalistas tiveram de se adequar a tudo isso. BRASIL x HAITI Filadélfia, 21h30 Globo, STB, SporTV, CazéTV, ge tv (Globoplay) e NSports Este jornalista, que à época acompanhava o dia a dia da Presidência em Brasília como repórter, foi enviado pela Folha para essa cobertura. Na viagem, estive ao lado dos colegas Sérgio Rangel (repórter que seguia a seleção) e Antônio Gaudério (repórter-fotográfico). Antes do embarque, todos receberam uma série de vacinas obrigatórias (febre amarela, Sabin, hepatite A, hepatite B, dupla adulto, dupla viral, meningocócica A/C, febre tifóide e antirrábica). Lula, sua comitiva e toda a delegação da seleção fizeram um bate-volta ao Haiti. Chegaram pela manhã e retornaram logo após o fim da partida. O país tinha rebeldes armados nas ruas e uma infraestrutura precária (isso antes do terremoto que devastaria o país seis anos depois, com saldo estimado de 200 mil mortos). A passagem-relâmpago foi impactante. Na chegada, ao desembarcar, havia um cheiro forte e desagradável, reflexo da falta de rede de esgoto e de sistema de coleta de lixo. Do lado de fora, na primeira cena vista na rua pela comitiva, um morador se abaixou para beber a água que passava pela sarjeta. O clima de tensão logo se transformou em espanto dos visitantes. Milhares de haitianos estavam nas ruas para acompanhar a passagem da seleção. Eles se amontoavam em clima de histeria à espera de um aceno dos jogadores, esses posicionados em cima de urutus do Exército. Copa 2026 A newsletter da Folha com o que você precisa saber sobre o Mundial Carregando... Fanáticos pelo Brasil, dois anos antes eles haviam obrigado o governo local a decretar dois dias de feriado diante das comemorações pela conquista do pentacampeonato. A vida de repórter naquele dia também ocorreu sob tensão. O envio das reportagens com todos os relatos sobre a visita presidencial e o jogo da seleção (goleada de 6 a 0) só ocorreram no início da noite graças a uma conexão discada (lembram disso?) a partir de uma linha de telefone disponível em uma cabine do estádio. A visita ocorreu sem sobressaltos. Com isso, Lula ganhou pontos em sua política externa, os jogadores se emocionaram e os jornalistas enviaram suas reportagens. No fim, foi um alívio geral, algo que a seleção de Ancelotti busca na Copa do Mundo com uma vitória nesta sexta-feira na Filadélfia.

Copa do Mundo de 2026: mensagem de esperança do Haiti em rara aparição nas finais
Conflitos pelo Mundo 19/06/2026

Copa do Mundo de 2026: mensagem de esperança do Haiti em rara aparição nas finais

O trauma e a esperança por trás da rara participação do Haiti na Copa do Mundo Crédito, Getty Images Author, Mani Djazmi Role, BBC Sport Published Há 1 hora Tempo de leitura: 9 min Por dois dias, a violência parou. A chegada do então campeão mundial Brasil para uma partida de exibição no Haiti, devastado por conflitos, paralisou a capital Porto Príncipe em 2004. “Você tem certeza de que os brasileiros estão jogando no Haiti? Parece que os brasileiros estão em casa”, lembra o jornalista haitiano Pierre Richard Midy que seus amigos estrangeiros lhe perguntaram. Parecia mesmo. Com bandeiras brasileiras sendo levantadas, camisas verdes e amarelas e pintura facial, milhares de moradores se alinharam nas ruas e subiram nas árvores para ter uma visão melhor de seus heróis, incluindo Ronaldo, Ronaldinho e Roberto Carlos. Com a única participação do Haiti na Copa do Mundo masculina em 1974, os torcedores há muito tempo recorriam ao Brasil como sua equipe para torcer no Mundial. Sua paixão aumentou ainda mais nas últimas duas décadas por meio dos principais papéis do Brasil no apoio à manutenção da paz, ajuda humanitária e migração. O Haiti perdeu a partida por 6 a 0, mas o amistoso organizado pela Organização das Nações Unidas (ONU) foi muito mais importante em uma nação insular caribenha dominada pela guerra de gangues. Midy relembra “uma atmosfera de paz” e que as gangues pareciam “prontas para virar a página e cessar o fogo por dois dias”. Este ano, os haitianos estão aproveitando a rara chance de não apenas torcer por sua própria equipe na Copa do Mundo, mas também jogar contra o Brasil novamente. Ambos estão no Grupo C, ao lado da Escócia e do Marrocos. As ruas foram limpas e as bandeiras haitianas foram penduradas com orgulho, enquanto os fãs estão encontrando maneiras criativas de assistir à ação em um país onde há uma escassez crônica de eletricidade. Mais uma vez, o futebol para eles é uma questão de esperança, não de resultados. Crédito, Getty Images Legenda da foto, A segurança estava rígida quando o Brasil visitou o Haiti com o troféu da Copa do Mundo em 2004 Em grande parte sob controle de gangues e enfrentando uma crise humanitária agravada por desastres naturais, como o terremoto de 2010 que matou mais de 100 mil pessoas, o Haiti é tão perigoso que a seleção nacional não disputa uma partida em casa há cinco anos. Seu técnico nunca pisou na ilha, a maioria dos jogadores nasceu no exterior e será difícil para os torcedores acompanharem a Copa do Mundo de perto, já que as restrições de viagem aos Estados Unidos impostas pelo governo do presidente Donald Trump — somadas aos custos — tornam essa possibilidade praticamente inalcançável. "Temos muitos jogadores que nunca estiveram no Haiti. Então, antes dos jogos, eu costumava compartilhar com eles a realidade do país e a responsabilidade que carregamos nos ombros", disse Duckens Nazon, maior artilheiro da história da seleção haitiana. "Quando vestimos essa camisa, é mais do que uma partida comum. Somos a primeira nação negra independente do mundo. Temos muita história. Precisamos assumir esse papel." Um jogador que conhece essa realidade melhor do que ninguém é Woodensky Pierre, o único atleta da seleção que atua no futebol haitiano. O volante foi criado na favela de Cité Soleil e joga pelo Violette AC, um dos maiores clubes do Haiti. O estádio do time, o Stade Sylvio Cator, sediava os jogos da seleção até ser tomado por gangues há dois anos. O Violette conquistou o campeonato nacional um mês antes da Copa do Mundo, mas, em uma demonstração de como é a vida cotidiana no Haiti, o início da partida decisiva foi atrasado por causa de tiros. Woodensky, como é conhecido, foi convocado inicialmente por Sébastien Migné apenas com base em vídeos na internet, já que o técnico da seleção haitiana não tinha como vê-lo jogar pessoalmente. "Esse jogador vem de um dos bairros mais perigosos do Haiti. Ele joga por instinto, porque aprendeu cedo que hesitar pode custar tudo", disse Midy. "Ele é muito importante para o povo haitiano porque representa a ideia de que 'não estamos mortos, ainda temos talento aqui'. Ele sempre diz: 'Não estou apenas carregando a bola, estou carregando as esperanças do lugar de onde venho'." Nazon espera que o exemplo de Woodensky — e da seleção haitiana como um todo — possa deixar um legado capaz de inspirar a paz. "É isso que tentamos transmitir à nova geração", afirmou. "Vocês não são obrigados a pegar em armas. Não são obrigados a entrar para gangues, traficar ou usar drogas. Existem muitas formas de sair dessa situação." Em 2021, o país mergulhou no caos após o assassinato do presidente Jovenel Moïse. Desde então, ele nunca foi substituído por um presidente eleito, o que abriu espaço para que as gangues ampliassem seu poder e influência. Segundo a Anistia Internacional, 5.600 pessoas foram mortas no Haiti somente em 2024. A população do país é estimada em cerca de 11,5 milhões de habitantes. Crédito, Getty Images Legenda da foto, O Haiti é o primeiro país caribenho a se classificar para mais de uma edição da Copa do Mundo masculina O Haiti vem disputando seus jogos "em casa" a cerca de 800 quilômetros de distância, em Curaçao. Dezesseis dos jogadores da seleção nasceram fora do Haiti, distribuídos por cinco países diferentes. O elenco de 26 atletas reúne jogadores de 25 clubes espalhados por 15 países. Quem conseguiu transformar essas peças dispersas em uma equipe coesa foi o francês Sébastien Migné, que foi auxiliar técnico de Camarões na Copa do Mundo do Catar, em 2022. "Ele é um técnico mágico", disse Midy. "Quando assisto aos jogos do Haiti, não consigo explicar como ele faz isso. Eu perguntei a ele, e ele respondeu: 'Não sou eu, são os jogadores. Não tenho nenhum segredo. Apenas digo para colocarem o coração em campo'." E é exatamente isso que faz Nazon, nascido na França, filho de pais haitianos. Segundo Midy, sua paixão pelo país lhe rendeu status de herói nacional, independentemente dos 44 gols marcados em 80 partidas pela seleção. "Nós o chamamos de 'chouchou' do Haiti", disse ele, usando o termo francês carinhoso que significa algo como "queridinho". "Os haitianos sempre veem nele o exemplo de alguém que se sente mais haitiano do que muitas pessoas que nasceram e cresceram no Haiti." Seu companheiro de equipe Hannes Delcroix, ex-zagueiro do Burnley, nasceu no Haiti, mas foi adotado por uma família belga quando tinha apenas dois anos de idade. Ele nunca voltou ao país e só nos últimos anos retomou contato com sua mãe biológica e suas irmãs. "Eu nunca as vi pessoalmente, mas conversamos de vez em quando por telefone", contou. "No começo é uma sensação estranha, porque não existe vínculo nem conexão." "Acho que eu só queria saber se ela estava bem, saudável, se todos estavam em segurança. E se havia alguma forma de eu ajudar." Talvez essa reconexão com sua família biológica tenha sido o que o levou a optar por defender a seleção haitiana em 2025. "Chega um momento em que você se pergunta o que quer para sua vida e por qual país deseja jogar. E, para mim, a resposta foi Haiti", afirmou o jogador de 27 anos, que disputou uma partida pela seleção da Bélgica em 2020. Os mais céticos poderiam argumentar que Delcroix escolheu o Haiti apenas porque a equipe estava perto de garantir vaga na Copa do Mundo. Mas ele diz que a decisão se transformou em uma jornada de autodescoberta. "Sempre esteve no fundo da minha mente a possibilidade de jogar pelo Haiti. Na primeira vez em que nos reunimos, senti que não estava sozinho", disse. "Quando estou com a seleção haitiana, isso me ajuda muito a entender melhor a cultura e a língua. Eu não falo (o idioma) crioulo, então é algo que realmente quero aprender mais profundamente." Crédito, Getty Images Legenda da foto, Torcedores comemoraram nas ruas de Porto Príncipe quando o Haiti selou a qualificação para a Copa do Mundo A qualificação do ano passado para a Copa do Mundo foi alcançada em um dia já significativo para o Haiti, 18 de novembro. É a mesma data da revolta de escravos que derrubou o domínio colonial de Napoleão na Batalha de Vertieres em 1803. A equipe planejava usar uma camisa com a imagem dessa batalha, mas foi forçada a mudar o design poucos dias antes da Copa do Mundo depois de ser informada de que não cumpria as regras da Fifa que proíbem 'mensagens ou slogans políticos, religiosos ou pessoais' no kit. Mudar o design do kit não é a única maneira pela qual eles tiveram que se adaptar, com os torcedores no Haiti precisando improvisar para poder assistir às partidas. Midy explica que, durante as Copas do Mundo anteriores, os jovens reuniram recursos para alugar ou comprar um pequeno gerador ou criar suas próprias zonas de torcedores, enquanto famílias com sistemas de energia independentes abriram suas portas para amigos e vizinhos e transformaram suas salas de estar em vibrantes centros de futebol. “Este ano, no entanto, a empolgação atingiu outro nível”, disse ele. “Em bairros populares, organizações e grupos locais estão distribuindo kits que incluem televisores e sistemas inversores movidos a energia solar para ajudar os residentes a acompanhar o torneio.” Crédito, Getty Images Legenda da foto, Torcedores do Haiti aplaudiram seu time na derrota por 2 a 1 para o Perú neste mês Embora a seleção não dispute uma partida em casa desde a derrota por 1 a 0 para o Canadá, em 2021, os jogadores continuam contando com apoio nas diferentes cidades por onde passam. Isso se deve ao tamanho da diáspora haitiana, estimada em quase dois milhões de pessoas espalhadas pelo mundo. No amistoso preparatório para a Copa do Mundo contra o Peru, disputado há duas semanas em Miami — cidade que abriga um bairro conhecido como Little Haiti — a comunidade haitiana do sul da Flórida ajudou a lotar o Nu Stadium. O Haiti disputa nesta sexta (19/06) sua segunda partida na Copa, contra o Brasil. No passado, talvez houvesse mais haitianos torcendo pela seleção brasileira do que pela própria equipe nacional. Mas Duckens Nazon acredita que o Haiti agora merece o apoio incondicional de seu povo. "É realmente louco pensar que, no seu próprio país, antes havia mais gente torcendo por outra seleção", afirmou o atacante, que passou por 13 clubes ao longo da carreira, entre eles St Mirren, Coventry City e Oldham Athletic. "Eles não tinham nada em que se agarrar para dizer: 'Tenho orgulho' ou 'Tenho uma seleção nacional'. Mas agora têm uma seleção que está disputando a Copa do Mundo, então devem se orgulhar disso. Eles podem gostar do Brasil, podem gostar de outras equipes, mas devem torcer por nós." Crédito, Getty Images Legenda da foto, Haverá alguma lealdade dividida quando o Haiti enfrentar o Brasil? E, junto com esse apoio, vem a esperança de que o futebol possa voltar a funcionar como uma pausa — ainda que temporária — na violência que assola o país. "Todos os líderes de gangues gostam de futebol", disse Midy. "Depois da classificação para a Copa do Mundo, vi vídeos de líderes de gangues comemorando como qualquer outra pessoa nas ruas, com música." Duckens Nazon se lembra de cenas parecidas em 2019, quando o Haiti chegou às semifinais da Copa Ouro da Concacaf. "Eles nos mostraram alguns vídeos. Foi algo impressionante. Nunca tinha visto nada parecido na minha vida. Havia muita gente nas ruas — integrantes de gangues e civis juntos — simplesmente aproveitando aquele momento", contou. "Tenho certeza de que isso vai acontecer durante a Copa do Mundo. Mas queremos levar esse espírito e esse ambiente para sempre, e não apenas durante um, dois ou três jogos."