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Brasil precisa transformar solidariedade em filantropia estruturada
Engenheiro e mestre em administração, diretor geral do IDG (Museu do Amanhã, Paço do Frevo, Museu das Favelas e Museu das Amazônias, entre outros) e Fellow do Science Museum Group Há uma característica tradicional nas sociedades latinas: a centralidade das relações pessoais. Somos povos que valorizam o vínculo afetivo, a convivência, a solidariedade entre familiares e amigos. Ajudamos parentes, apoiamos vizinhos, mobilizamos grupos inteiros diante de tragédias. Mas embora sejamos reconhecidos pela empatia, ainda participamos pouco da filantropia individual estruturada. Segundo o mais recente Censo do Gife (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas), em 2024 o setor privado respondeu por 74%, ou R$ 4,3 bilhões, do investimento social no Brasil apurado no estudo. Famílias e contribuições independentes corresponderam a 26%, ou R$ 1,5 bilhão. Carolina Monteiro de Barros em uma das bibliotecas que ajudou a equipar em escola pública de Canoas (RS), em 2024 08.mai.2025 - Divulgação/União BR Nos Estados Unidos, no mesmo ano, o volume de doações correspondeu a US$ 592,5 bilhões. Desse total, 66% vieram de indivíduos e apenas 7% de empresas. Vale notar que o sistema tributário americano contribui para isso: doações a organizações qualificadas são dedutíveis do imposto de renda, o que cria um incentivo concreto à filantropia individual. No Brasil, mecanismos similares existem, mas de forma muito mais restrita e ainda pouco conhecidos. Seria simplista atribuir apenas à renda a fragilidade da filantropia individual brasileira. Há também um componente cultural. Durante muito tempo, consolidou-se entre nós a ideia de que a responsabilidade pela transformação social pertence ao Estado ou às grandes empresas. O cidadão comum, mesmo quando deseja contribuir, muitas vezes não se percebe como agente relevante desse processo. Essa percepção precisa mudar. A maioria das contribuições individuais no Brasil ainda segue uma lógica assistencialista, pontual, anônima e sem vínculo. Em muitos casos, ainda doamos mais para responder à urgência do que para sustentar transformações estruturais de longo prazo. Evento na sede da B3 em SP reúne lideranças empresariais e do setor de investimento social privado do país. B3/Cauê Diniz Gilson Finkelsztain, CEO da B3, abriu o evento anunciando os R$ 290 milhões que a bolsa brasileira destinou a mil projetos em todo o país. B3/Cauê Diniz B3 Social em parceria com Comunitas e Gife faz toque de campainha pela filantropia. B3/Cauê Diniz Neca Setubal, da Fundação Tide Setubal, destaca papel fundamental de empresas no combate a desigualdades no país. B3/Cauê Diniz Giovanni Harvey, diretor-executivo do Fundo Baobá e ex-secretário nos governos Lula e Dilma, foi um dos convidados do evento na B3. B3/Cauê Diniz B3 destaca sua fachada no centro de São Paulo em homenagem ao Dia Nacional da Filantropia. B3/Cauê Diniz Alexandre Thiollier (BRK Ambiental) e Ana Bouchain (B3) discutem táticas de atuação no investimento social privado. B3/Cauê Diniz Aron Zylberman, do Instituto Cyrela, fala do compromisso de doar no mínimo 1% do lucro líquido abraçado pela empresa. B3/Cauê Diniz Rodrigo Pipponzi (MOL Impacto, Instituto ACP e RD Saúde) comenta experiência como articulador de investimento social privado no país. B3/Cauê Diniz Patricia Loyola (Comunitas) e Cássio França (Gife) debatem dados e tendências da filantropia. B3/Cauê Diniz Em centros mais maduros de filantropia, essa cultura se apoia no senso de pertencimento institucional. Universidades, museus, hospitais e organizações sociais cultivam relações contínuas com seus apoiadores, que passam a se perceber como parte ativa da sustentabilidade dessas instituições. Quando quem doa se sente corresponsável pelo resultado, a confiança deixa de ser um ato de fé e passa a ser uma relação construída. No Brasil, frequentemente somos solidários diante da emergência, mas pouco comprometidos com a construção permanente das instituições sociais. O desafio está justamente em transformar esse impulso generoso em vínculo permanente. Isso exige mudança dos dois lados: das organizações, que precisam construir pertencimento, e dos doadores, que precisam aprender a acompanhar impacto e fortalecer iniciativas comprometidas com transformação de longo prazo. O próprio conceito de cidadania precisa ser ampliado. Votar é fundamental, pagar impostos também. Mas participar da vida coletiva vai além: inclui apoiar causas e projetos capazes de produzir impacto duradouro. Nenhum país reduz desigualdades profundas apenas pela ação do governo ou do mercado. Sociedades mais equilibradas possuem uma sociedade civil forte, participativa e financeiramente sustentada pelos próprios cidadãos. No dia 28 de setembro de 2024, os jovens voluntários do projeto pintaram a área externa da quadra poliesportiva da Associação de Apoio à Criança em Risco. Divulgação/Mão na Massa/ Arthur Schahin, fundador do Mãos na Massa, esteve na Fatec-SP em maio de 2024 para palestrar sobre a trajetória da ONG. Divulgação/Mão na Massa/ Arthur Schahin, fundador do Mãos na Massa. Divulgação/Mão na Massa/ Voluntários do realizaram a pintura das paredes internas da brinquedoteca do Instituto Guerreiros do Norte (projeto social que oferece hospedagem e apoio a crianças e jovens em tratamento de câncer em São Paulo). Divulgação/Mão na Massa/ Arthur Schahin, presidente do Mãos na Massa, e o coordenador de obras, Adriel Messias, na construção do projeto Villa Abrigo, que consistiu na construção de uma EcoVila com quatro casas sustentáveis. Divulgação/Mão na Massa/ Casas construídas com materiais reciclados. Divulgação/Mão na Massa/ Na foto a equipe do Voluntariado Jovem após realizar a reforma da casa de Diolice,de 33 anos, que ficou tetraplégica após a remoção de um tumor na medula.. Divulgação/Mão na Massa/ A equipe de voluntariado do Projeto Mãos na Massa. Divulgação/Mão na Massa/ Em setembro de 2022, as voluntárias do Mãos na Massa realizaram a construção da casa de Dona Cida, na zona norte de São Paulo. Divulgação/Mão na Massa/ Há sinais positivos no Brasil e que configuram inequívoca oportunidade. As novas gerações demonstram crescente interesse por agendas sociais e ambientais. O avanço das plataformas digitais facilita pequenas doações recorrentes. Ao mesmo tempo, o país apresenta modelos de gestão cada vez mais comprometidos com governança e transparência na aplicação dos recursos captados, aspecto fundamental para o fortalecimento da confiança pública e para o avanço da filantropia individual. Nossa tradição latina nos ensinou o valor dos laços humanos. Talvez tenha chegado a hora de transformar essa vocação afetiva em compromisso coletivo permanente. Doar não é apenas ajudar. É participar ativamente da construção do país que desejamos deixar para as próximas gerações compreendendo a filantropia não apenas como caridade episódica, mas também como investimento social no futuro do país.
Dólar Sobe para R$ 5,20 em Dia de Alta Global da Moeda Norte-americana
O dólar fechou a quarta-feira (24) em alta no Brasil e novamente na faixa dos R$ 5,20, acompanhando o avanço da moeda norte-americana no exterior, em mais uma sessão de busca global pela divisa e por títulos norte-americanos. O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,28%, aos R$ 5,2006, o maior valor desde 30 de março deste ano, quando fechou em R$ 5,2461. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,25% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,20% na B3, aos R$ 5,2035. Na terça-feira, a moeda norte-americana à vista já havia fechado em alta, em uma sessão marcada pela venda de ações e pela compra de dólar e de títulos norte-americanos, com investidores em busca de ativos de segurança em todo o mundo em meio a preocupações com a trajetória de juros nos Estados Unidos e com os gastos das grandes empresas com IA. Leia Também Pré-mercado: Fevereiro se Encerra com Foco na Inflação Americana Ata do Copom Mostra Selic Ascendente. O Que Isso Significa para a Economia? Pré-mercado: Bolsas Caem com Tarifas Comerciais Americanas Pré-mercado: Alívio com Aprovação da Reforma Tributária O Brasil Não Aguenta Mais Dois Anos de Governo Lula Pré-mercado: Dólar Seguirá Definindo Expectativas Esta quarta-feira seguiu um tom parecido, com o dólar e os títulos norte-americanos novamente atraindo compras. Assim, o dólar subiu ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas de países emergentes como o real, o sol peruano, o peso chileno e o peso mexicano. Newsletter Forbes Daily As principais notícias do mercado financeiro De segunda a sexta-feira no seu email Assinar Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação. Às 17h09, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,22%, a 101,610. No Brasil, investidores também atuaram considerando um horizonte em que o Federal Reserve tende a subir juros em 2026 e o Banco Central poderá promover novos cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,25% ao ano — um cenário de redução do diferencial de juros brasileiro, tornando o país menos atrativo ao capital externo. Na cotação máxima do dia, às 9h48, o dólar à vista foi negociado a R$5,2228 na venda (+0,71%). No fim da manhã, sem efeitos sobre as cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho. À tarde, o BC informou que o Brasil recebeu US$8,196 bilhões líquidos em junho até o dia 19, após um forte fluxo de entrada de moeda no país na semana passada. Petróleo O preço de referência do petróleo mundial caiu mais de US$ 3, fechando em seu nível mais baixo desde antes do início da guerra no Irã, à medida que as preocupações com a oferta diminuíram com a saída de mais petroleiros retidos do Estreito de Ormuz. Os futuros do petróleo Brent fecharam com queda de US$ 3,34, ou 4,3%, a US$ 73,74 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos fechou com queda de US$ 2,87, ou 3,9%, a US$ 70,34 o barril. O Brent atingiu uma mínima de US$ 73,12, seu nível mais baixo desde 27 de fevereiro, um dia antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, enquanto os futuros do petróleo dos EUA caíram abaixo de US$70 por barril pela primeira vez desde 2 de março. O fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz é semelhante ao registrado antes do início da guerra no Irã, já que os petroleiros saem dessa importante via navegável com a ajuda de escoltas militares, afirmou o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Cerca de 20 milhões de barris de petróleo saíram do Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, disse Wright durante discurso no Fórum Global de Energia da Reuters, em Nova York, acrescentando que o retorno à navegação normal foi adiado devido às minas iranianas no estreito. O Irã não terá mais a capacidade de bloquear o estreito daqui para frente, disse Wright, acrescentando que os EUA garantirão o fluxo de petróleo mesmo sem um acordo com Teerã. Três petroleiros retidos, transportando 5 milhões de barris de petróleo, estavam saindo do estreito nesta quarta-feira, com dois deles rumo à Ásia, segundo dados de navegação, à medida que o acordo provisório entre o Irã e os EUA libera mais suprimentos retidos no Golfo. Ibovespa O principal índice da bolsa paulista fechou em queda nesta quarta-feira, revertendo os ganhos registrados na abertura do pregão após perder fôlego ao longo da tarde. O movimento foi puxado principalmente pelo recuo das ações da Petrobras, que figuraram entre as maiores pressões negativas do dia, em uma sessão marcada pelo ajuste de posições dos investidores após a divulgação recente da ata do Copom e em meio a um ambiente externo mais cauteloso para ativos de risco. O Ibovespa encerrou o dia com um declínio de 0,59%, situando-se na casa dos 172 mil pontos, após ter flertado com a estabilidade e testado patamares superiores no início dos negócios. A perda de momentum ao longo do dia refletiu o peso de setores de grande relevância, como o de commodities e energia, onde as ações da Petrobras PN e da Vale ON operaram em terreno negativo, anulando o suporte técnico visto na véspera e o desempenho positivo de papéis pontuais do setor financeiro. No cenário internacional, a aversão ao risco prevaleceu com o peso do setor de tecnologia nas bolsas norte-americanas e as oscilações nos preços do petróleo no mercado futuro. Profissionais do mercado financeiro destacaram que o tom mais rígido adotado pelas autoridades monetárias locais seguiu no radar dos investidores, limitando o apetite por compras de ações brasileiras no curto prazo e favorecendo a realização de lucros.
B3 (B3SA3) ajusta valor de JCP e acionistas receberão até R$ 0,22 por ação em julho – Money Times
(Imagem: Divulgação/B3) A B3 (B3SA3) informou nesta quarta-feira (24) um ajuste nos valores dos juros sobre capital próprio (JCP) aprovados para distribuição aos acionistas, referentes ao segundo trimestre de 2026 e também a saldos não utilizados de exercícios anteriores. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE Segundo aviso aos acionistas, o valor bruto do JCP referente ao segundo trimestre passou de R$ 0,07109695943 para R$ 0,07119249473 por ação. Já o valor bruto do JCP extraordinário foi ajustado de R$ 0,14978292015 para R$ 0,14998418834 por ação. Somados, os proventos correspondem a R$ 0,22117668307 por ação em valores brutos. Considerando a retenção de imposto de renda de 17,5%, o valor líquido total é de aproximadamente R$ 0,18247076353 por ação para os investidores sujeitos à tributação padrão. O pagamento será realizado em 7 de julho de 2026, com base na posição acionária de 24 de junho de 2026. As ações da companhia passam a ser negociadas na condição “ex-JCP” a partir desta quinta-feira (25). O ajuste ocorre após aprovação do Conselho de Administração da operadora da bolsa brasileira em reunião realizada em 18 de junho. Segundo a companhia, a revisão alterou apenas os valores por ação dos proventos já anunciados anteriormente. CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE