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ETFs ativos já podem ser lançados com apoio da B3 antes de regulação da CVM
Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você Gerando resumo Abrir o resumo Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3: bolsa busca regulamentar ETFs short, alavancados e ativos no país Foto: B3/Divulgação O lançamento do primeiro fundo de índice (ETFs) ativo do mercado brasileiro, o JEPI39 da gestora de fundos do banco americano J.P Morgan, já foi realizado há cerca de um mês na B3, com toque de sino e tudo. Mas a regulação do produto pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ainda não chegou. O banco recebeu no começo do ano uma isenção da autarquia para lançar alguns produtos nesse formato. Mas Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, aponta que, como não há uma proibição explícita dos ETFs ativos na regulação, e o aval depende de uma interpretação, as gestoras que quiserem lançar produtos do tipo, principalmente, as brasileiras, “já podem, e têm o apoio total da B3.″ Leia mais “O caminho está aberto. A CVM passou por mudanças na equipe e a regulação está demorando mais por conta disso”, disse o executivo, durante painel de um evento promovido pela gestora Leto Capital. Ele disse que já tem muita gente “em conversas” para lançar os produtos. Publicidade ETFs ativos permitem mudanças na composição, sem ser 100% fiel a um índice PUBLICIDADE Os ETFs ativos são fundos em que um gestor seleciona os ativos para tentar superar o mercado ou atingir um objetivo específico de investimento, enquanto o ETF passivo apenas acompanha um índice. Bancos, como o JP Morgan, acreditam que ele nada mais é que uma embalagem mais eficiente, transparente e barata para os fundos tradicionais. Nos Estados Unidos, onde o segmento movimenta trilhões de dólares, esse tipo de produto representa mais de 70% dos novos lançamentos e conta com entusiasmo de gestores e investidores. ETFs shorts e alavancados também esperam na fila da regulação; potencial é gigante Masagão também apontou que a Bolsa não espera pela regulação apenas dos ETFs ativos, mas também os ETFs shorts, que são muito comuns lá fora, assim como os alavancados. “Estamos em conversas com a CVM para ter os três tipos de produto”. Publicidade Perspectivas Masagão estima que, em até cinco anos, 5% do patrimônio sob gestão da indústria de fundos nacional pode migrar para ETFs, o que representa mais de R$ 500 bilhões. O crescimento vai ser puxado especialmente pelos de renda fixa e crédito privado, segundo o executivo. Já vemos ETFs que aplicam em ouro, na Argentina, China e em terras raras. Mas a grande classe de ativos que impulsionou o seu crescimento foi a renda fixa Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3 Hoje, as estratégias de ETFs de renda fixa se concentram em títulos do Tesouro Nacional: existem apenas três ETFs de crédito privado. Mas, para Masagão, o potencial dessa classe de ativos é “gigantesco”, especialmente os incentivados. “O crédito privado representa quase 20% do volume negociado no mercado, o que demonstra que já existe liquidez. Vamos conseguir começar a migrar papéis para negociação em tela e começar a ter transparência do preço da marcação de cota.” Publicidade Para os incentivados, será necessário harmonizar a tributação com a dos fundos tradicionais, de forma a manter o incentivo, o que exigirá uma negociação com a Receita Federal.
Fundo imobiliário CACR11 volta a suspender dividendos e cotas despencam 18% na bolsa
O fundo imobiliário Cartesia Recebíveis Imobiliários (CACR11) anunciou que não distribuirá os dividendos referentes ao mês de junho, prolongando a suspensão dos pagamentos aos cotistas em meio à crise enfrentada pelo fundo. A decisão foi mal recebida pelo mercado e faz as cotas despencarem 17% nesta quarta-feira (1), ampliando para mais de 70% a queda acumulada no ano. Em comunicado ao mercado, a administradora BRL Trust informou que os recursos permanecerão no fundo para reforçar a posição de caixa e preservar a liquidez da carteira. A proposta ainda será submetida à aprovação dos cotistas em assembleia geral extraordinária, realizada por consulta formal. Segundo o edital de convocação, a administração pede autorização para não distribuir, no mínimo, 95% dos resultados apurados no semestre encerrado em 30 de junho de 2026, como normalmente prevê a regulamentação dos fundos imobiliários. No comunicado divulgado ao mercado, a Cartesia afirma que as operações investidas possuem "estruturas de garantias reais adequadas e formalizadas", além de reiterar que segue trabalhando para restabelecer uma posição de caixa considerada saudável. A nova suspensão dos dividendos ocorre em um momento delicado para o CACR11. No último mês, os cotistas reprovaram as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025, mesmo após o fundo contratar uma nova auditoria para reemitir os balanços em meio aos questionamentos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A sequência de eventos também inclui a inadimplência do CRI Helvetia, reestruturações financeiras envolvendo os empreendimentos Alto Lindóia, Santo André e Itaparica, além de atrasos e aumento da exposição do fundo em operações como Savoie e Real Park. Um levantamento realizado pelo Valor Investe mostrou que apenas essas seis operações somam aproximadamente R$ 468 milhões em saldo devedor, valor equivalente a 101% do patrimônio líquido do CACR11, segundo os relatórios gerenciais divulgados pelo fundo. A suspensão dos dividendos já havia sido adotada nos meses anteriores como forma de preservar o caixa da carteira. Agora, com um novo mês sem distribuição de rendimentos, o mercado voltou a reagir negativamente, aprofundando a desvalorização das cotas do fundo na B3. A consulta formal permanecerá aberta até 16 de julho, e o resultado da assembleia deverá ser divulgado no dia seguinte.
Duplicatas escriturais
01/07/2026 B3 está pronta para atuar como escrituradora de duplicatas escriturais Empresas e financiadores já podem se preparar para adesão ao novo modelo São Paulo, 01 de julho de 2026 – O Banco Central anunciou oficialmente o lançamento do Ecossistema de Duplicatas Escriturais e a B3, a bolsa do Brasil, que já recebeu autorização para atuar na atividade de escrituração, está pronta para a próxima fase da iniciativa, que representa um avanço importante para o fortalecimento e a modernização do mercado de crédito no país. A próxima fase do projeto será a produção assistida, um ambiente real em que empresas, financiadores e demais participantes poderão operar com duplicatas escriturais, se adaptando ao novo modelo de negociação e evoluindo o ecossistema antes da obrigatoriedade entrar em vigor. “Esse período será fundamental para a consolidação do novo ecossistema. A B3 está preparada para oferecer uma jornada personalizada que preza pelo menor impacto nas operações dos financiadores, bancos e fundos e das empresas, contas a receber e contas a pagar. Nossa prioridade é contribuir para um mercado de crédito mais eficiente, confiável e com segurança e gerar valor aos nossos clientes para além das exigências regulatórias, explica Roberta Fortunato, superintendente de duplicatas escriturais da B3. A implementação da obrigatoriedade da emissão da duplicata escritural será gradual e escalonada por porte da empresa. Após esse período de produção assistida, inicia a contagem de prazo de 180 dias para a obrigação de emissão sob a forma escritural as duplicatas de grandes empresas, avançando posteriormente para médias empresas (360 dias) e pequenas empresas (540 dias). Com a aproximação da obrigatoriedade, as empresas e os financiadores, como bancos e fundos, já podem se antecipar à nova dinâmica do mercado e iniciar sua jornada de adaptação ao modelo escritural. A adoção antecipada surge como uma estratégia para mitigar riscos operacionais, aumentar a segurança das transações e ampliar o acesso ao crédito em um ambiente mais transparente e digital. Para os financiadores, estar preparado para atuar no novo ecossistema pode ser um diferencial para oferecer taxas mais competitivas e manter uma posição de destaque no mercado. Para as empresas, a adesão antecipada permite que iniciem esse processo de forma planejada. Entre os principais ganhos da adoção antecipada está o tempo para adaptação. Ao entrar no modelo antes da obrigatoriedade, as empresas podem testar fluxos operacionais, treinar equipes e ajustar sistemas de forma gradual, sem a pressão dos prazos regulatórios. Além disso, as empresas tendem a consolidar práticas mais consistentes em inovação, transparência e segurança, ao mesmo tempo em que podem obter ganhos operacionais, como maior eficiência na gestão de recebíveis, mitigação de riscos e ampliação de acesso a crédito. Com a entrada em vigor da obrigatoriedade, as organizações que já tiverem realizado esse processo estarão com estruturas e rotinas mais consolidadas, o que facilita a adaptação ao novo ambiente. “A chegada da duplicata escritural tende a tornar o mercado de crédito seguro e acessível, com redução de custos e na ampliação nas oportunidades de financiamento às empresas. Na B3, estamos desenvolvendo iniciativas para expandir a proposta de valor da duplicata, investindo no uso de inteligência de dados para estruturar soluções que vão além da obrigatoriedade, incluindo o desenvolvimento de indicadores, análises e ferramentas que além de trazer mais segurança, facilitam a tomada de decisão”, explica Roberta Fortunato.