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MULT3 Multiplan Empreendimentos Imobiliarios SA – Cotação Hoje

Construção e Imobiliário 📈 Ação B3

Multiplan Empreendimentos Imobiliarios SA

CNPJ: 07816890000153

Preço Atual
R$ 26,39
+0.04%

O ativo MULT3 (Multiplan Empreendimentos Imobiliarios SA) está sendo negociado hoje a R$ 26,39, acumulando uma variação de +0.04% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 26,02 e a máxima de R$ 35,96. A companhia está inserida no setor de Construção e Imobiliário, atuando no segmento de Exploração de Imóveis. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de 9.77x e P/VP de 2.00x. O ativo possui histórico de distribuição de proventos aos investidores, permitindo calcular o dividendo médio e a margem de segurança para estratégias de renda passiva.

Abertura
R$ 26,82
Fec. Ant: R$ 26,38
Variação Dia
Min: R$ 26,15
Max: R$ 26,98
52 Semanas
Mín: R$ 26,02
Máx: R$ 35,96
Volume
4.317.800
Moeda: BRL

Oscilação dos Últimos 12 Meses

Carregando gráfico...

Indicadores de Valuation

9.77
2.00
R$ 2,70
R$ 13,16
10.46
P/Receita (PSR)
4.24
P/FCO
8.77
P/FCL
17.74
EV/Receita Líq.
7.29
EV/FCO
15.07
EV/FCL
30.49
Earning Yield
9.56%
Enterprise Value
R$ 23,26 Bi
R$ 13,54 Bi

Indicadores de Endividamento

Dív. Líq./EBITDA
4.12
Dív. Líquida/PL
1.54
Dívida Líquida
R$ 9,73 Bi
Liq. Corrente
1.64
PL/Ativos
0.48
Passivos/Ativos
0.52
Liq. Seca
1.42
Liq. Imediata
0.32

Indicadores de Eficiência

Margem EBIT
69.62%

Indicadores de Rentabilidade

20.52%
13.45%
10.49%
Giro do Ativo
0.24

Indicadores de Crescimento

CAGR Receita
18.21%
CAGR Lucro
7.42%

Dados Financeiros

Margens
Margem Bruta 82.54%
Margem EBITDA 73.85%
Margem Operacional 69.62%
Margem Líquida 43.42%
Fluxo de Caixa
FCO R$ 1,54 Bi
FCL R$ 763,13 Mi
Caixa Total R$ 506,82 Mi
Caixa/Ação R$ 0,99
Receita e Dívida
Receita Total R$ 3,19 Bi
Lucro Bruto R$ 2,64 Bi
EBITDA R$ 2,36 Bi
Dívida Total R$ 5,67 Bi
Crescimento
Receita 18.21%
Lucro 7.42%

Resultados Financeiros

Indicador (Anual) 2025 2024 2023 2022
Receita Total R$ 2.739,08 Mi R$ 2.544,79 Mi R$ 2.029,57 Mi R$ 1.797,61 Mi
Lucro Bruto R$ 2.246,04 Mi R$ 2.121,41 Mi R$ 1.735,69 Mi R$ 1.458,69 Mi
EBITDA R$ 1.865,60 Mi R$ 1.709,53 Mi R$ 1.358,38 Mi R$ 1.068,50 Mi
Lucro Líquido R$ 1.141,23 Mi R$ 1.340,99 Mi R$ 1.020,55 Mi R$ 769,39 Mi

Sobre a MULT3

Setor
Construção e Imobiliário
Indústria
Exploração de Imóveis
Funcionários
70.416
Market Cap
R$ 7,96 Bi
Descrição do Negócio

A Multiplan Empreendimentos Imobiliarios S.A. atua no planejamento, desenvolvimento, propriedade e administracao de ativos imobiliarios, com foco em shopping centers e empreendimentos comerciais no Brasil. A companhia tem acoes listadas na B3 sob o ticker MULT3. A operacao contempla aquisicao de terrenos, desenvolvimento de projetos, locacao de espacos e gestao de ativos proprios e de terceiros. O portifolio inclui shopping centers, torres comerciais, servicos de estacionamento e receitas associadas a publicidade, eventos e administracao condominial. Fundada em 1974 e sediada no Rio de Janeiro, a empresa construiu uma plataforma de longo prazo orientada por renda de locacao e valorizacao imobiliaria em mercados urbanos de alta densidade de consumo.

JCP R$ 0,2851
Pagamento: 30/06/2027
JCP R$ 0,2855
Pagamento: 30/03/2026
JCP R$ 0,3065
Pagamento: 29/12/2025
JCP R$ 0,2456
Pagamento: 30/09/2026
JCP R$ 0,2456
Pagamento: 30/06/2026
JCP R$ 0,2252
Pagamento: 31/03/2026
JCP R$ 0,4093
Pagamento: 22/12/2025
JCP R$ 0,2353
Pagamento: 25/09/2025
JCP R$ 0,2337
Pagamento: 20/06/2025
JCP R$ 0,1548
Pagamento: 31/03/2025

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BlackRock reduz participação na B3 para 9,959% após venda de ações
B3 19/08/2026

BlackRock reduz participação na B3 para 9,959% após venda de ações

Gestora alienou ações ordinárias da B3 e passou a deter 502,56 milhões de ações ON, enquanto papéis B3SA3 operavam em alta de 1,40% nesta quarta-feira (19/08) A BlackRock reduziu novamente sua participação acionária na B3 (BOV:B3SA3) após alienar ações ordinárias da companhia. Segundo informações divulgadas ao mercado, em 14 de agosto a posição agregada da gestora passou a somar 498.329.835 ações ON e 1.408.980 American Depositary Receipts (ADRs), equivalentes a 4.226.940 ações ordinárias. Com isso, a participação total chegou a 502.556.775 ações ON, correspondentes a aproximadamente 9,959% das ações ordinárias emitidas pela B3. A movimentação chama atenção porque a BlackRock permanece entre os principais acionistas da B3, mas vem reduzindo sua exposição ao longo dos últimos meses. Em julho, por exemplo, a gestora já havia comunicado uma participação agregada equivalente a 9,996% das ações ordinárias da companhia. Além das ações e ADRs, a BlackRock informou deter 27.400.158 instrumentos financeiros derivativos com liquidação exclusivamente financeira referenciados em ações ordinárias da B3. Esses contratos representam aproximadamente 0,543% do total de ações ON emitidas pela companhia. A mudança na participação não representa, por si só, uma alteração no controle da companhia. A B3 possui estrutura acionária pulverizada e não conta com um acionista ou grupo de acionistas controlador direto ou indireto. Para o mercado, o principal ponto de atenção está na movimentação de uma das maiores gestoras globais em um ativo de elevada liquidez. A venda pode influenciar a percepção sobre o fluxo institucional para B3SA3, embora a alteração acionária também possa estar relacionada a decisões de alocação de portfólio dos fundos administrados pela BlackRock. No pregão desta quarta-feira (19/08), as ações da B3 eram negociadas a R$ 14,50, alta de 1,40%, às 15h47. O papel abriu a sessão a R$ 14,67 e chegou a oscilar entre a mínima de R$ 14,35 e a máxima de R$ 14,93. O desempenho mostra que, até o momento, a redução da participação da BlackRock não impediu a valorização de B3SA3. O movimento ocorre em uma sessão positiva para a bolsa de valores brasileira, com o Ibovespa também operando em alta. A ação acumula uma faixa de negociação entre R$ 12,12 e R$ 20,33 nas últimas 52 semanas, indicando que o preço atual permanece mais próximo da mínima desse intervalo do que do topo anual. A B3 S.A. – Brasil, Bolsa, Balcão é a principal infraestrutura de negociação e pós-negociação do mercado de capitais brasileiro. A companhia administra ambientes para negociação de ações, derivativos, renda fixa e outros instrumentos financeiros, além de oferecer serviços de registro, compensação, liquidação e dados de mercado. A companhia também apresentou crescimento de receita no segundo trimestre de 2026, reforçando a importância do desempenho operacional e dos volumes negociados para sua geração de resultados. A redução da participação da BlackRock adiciona mais um elemento ao radar de quem acompanha as ações B3SA3, mas o movimento deve ser analisado em conjunto com fluxo de mercado, resultados, perspectivas para o mercado de capitais e desempenho operacional da companhia. Acompanhe as cotações, indicadores e próximas divulgações da B3 na ADVFN para avaliar os próximos passos do papel. QUER SABER COMO GANHAR MAIS? A ADVFN oferece algumas ferramentas bem bacanas que vão te ajudar a ser um trader de sucesso Monitor - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. Portfólio - Acompanhe seus investimentos, simule negociações e teste estratégias. News Scanner - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. Agenda Econômica - Eventos que impactam o mercado, em um só lugar. Cadastre-se

Ou o Brasil acaba com os juros altos, ou os juros altos acabam com o Brasil
Selic 19/08/2026

Ou o Brasil acaba com os juros altos, ou os juros altos acabam com o Brasil

As taxas de juros estão acima de dois dígitos no Brasil desde fevereiro de 2022 O NeoFeed conversou com empresários, economistas e advogados, que explicam como os juros altos estão asfixiando investimentos, corroendo balanços e empurrando o país para uma crise estrutural A situação é agravada por problemas fiscais e uma política monetária restritiva, que exigem uma reforma abrangente para restaurar a confiança e reduzir os juros. A combinação de juros altos e um ambiente econômico desafiador impede o crescimento sustentável do país. Empresários como Rubens Menin e Ricardo Lacerda destacam que os juros altos inviabilizam investimentos e corroem os balanços das empresas, levando a uma crise estrutural. A recuperação judicial se tornou comum, especialmente entre micro e pequenas empresas, enquanto grandes companhias buscam reestruturações extrajudiciais. As altas taxas de juros no Brasil, que permanecem acima de 10% desde fevereiro de 2022, têm gerado uma onda de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial entre empresas, com 21 delas na B3 e um aumento significativo na inadimplência. O endividamento das famílias também atingiu níveis recordes. O naturalista e botânico francês Auguste de Saint-Hilaire disse, no século 19, uma frase que se transformou em uma metáfora dos grandes problemas brasileiros. "Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil". A "praga" no século 21 são as altas taxas de juros, que estão acima de 10% desde fevereiro de 2022 - hoje estão em 14%. A consequência dessa política de juros acima de dois dígitos por tanto tempo na economia real é uma onda de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. Na B3, por exemplo, há 21 empresas de capital aberto em RJ e outras 4 em RE. São nomes como Toky, dona da Tok&Stok, GPA, Raízen, Oncoclínicas, Ambipar, AgroGalaxy, Bombril, Estrela e Rossi Residencial, entre outros nomes. A varejista Casas Bahia é o nome mais recente nessa lista. A inadimplência também explodiu. De acordo com a Serasa Experian, em junho deste ano, o número de CNPJs com dívidas em atraso chegou a 9,1 milhões, atingindo um valor de R$ 232,9 bilhões. O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho de 2026, o maior patamar histórico da série da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). No caso das empresas, pode-se justificar que chegaram a essa situação por diversas razões que vão de má gestão, M&As mal digeridos, estratégias equivocadas e estruturas de capital que deixaram de ser sustentáveis. Mas há um fator que é comum a todas: as taxas de juros acima de dois dígitos. O NeoFeed ouviu, nesta semana, empresários, economistas e advogados sobre os juros e as causas que têm levado o Brasil a praticar essa política monetária. De uma certa maneira, o sentimento reinante pode ser resumido parafraseando Saint-Hilaire: "Ou o Brasil acaba com os juros altos, ou os juros altos acabam com o Brasil". “Conheço várias empresas que pararam de fazer investimentos”, afirma Rubens Menin, dono de um grupo diversificado de negócios que tem marcas como MRV, Log, Inter, além dos grupos de mídia CNN Brasil e Itatiaia e SAF do Clube Atlético Mineiro. “Não há investimento que pague Selic de 14%, mais spread. Acaba indo para 18%, 20%. Primeiro, tem pouco recurso disponível, depois o recurso é muito caro e, por último, o investimento não dá o retorno. Não tem jeito, esses juros altos estão arrebentando com o futuro do Brasil”, complementa. “Não há investimento que pague Selic de 14%, mais spread. Esses juros altos estão arrebentando com o futuro do Brasil", diz Rubens Menin Para Ricardo Lacerda, fundador e CEO do BR Partners, a questão é muito mais complexa. “O problema não é só que o juro está alto por muito tempo. Quando se olha para o futuro, ele fica alto indefinidamente. E isso é impossível de conviver. Isso faz com que a capacidade de se financiar das empresas desapareça”, diz Lacerda. Em sua visão, quando os juros estavam em um dígito, uma companhia podia carregar uma dívida equivalente a três ou quatro vezes seu Ebitda e encontrar um caminho relativamente administrável de desalavancagem. Hoje, empresas com alavancagem de duas a 2,5 vezes podem enfrentar dificuldades para reduzir o passivo. "Isso vai gerar uma crise muito grande. Vamos ter problemas sérios de crédito. É preciso trabalhar para reverter essa expectativa. Não dá para conviver com isso por tempo indeterminado", afirma Lacerda. Economia real O efeito na economia real fica cada vez mais visível nos balanços. Observe o exemplo da rede de supermercado GPA, que recorreu a uma recuperação extrajudicial e renegociou R$ 4,5 bilhões em dívidas, reduzindo o passivo sujeito à operação para R$ 2,3 bilhões e alongando seu prazo de dois anos e quatro meses para seis anos. “Uma das reflexões importantes que temos de ter sobre os juros não é somente o nível em que eles estão, mas a duração”, diz Alexandre Santoro, CEO do GPA. “Ter uma alta por um trimestre ou outro é uma coisa, mas um ciclo como o que estamos vivendo é diferente.” Além da reestruturação financeira, a companhia também precisa adequar sua estrutura ao tamanho atual da operação. Centros logísticos construídos para um GPA muito maior estão com capacidade ociosa e devem ser negociados. E a abertura de novas lojas, ao menos neste momento, está descartada. "Para você fazer um investimento, é preciso ter uma clareza muito grande do retorno. E, num cenário como esse, com o dinheiro muito caro e os juros muito altos, aumenta o custo de um possível erro. Portanto, não tem sentido fazer expansão. Vamos, no momento adequado, investir nas lojas que já temos. E, mesmo assim, com muita disciplina. Porque, de novo, a margem de erro é muito pequena”, afirma Santoro. O GPA está no varejo, um dos setores mais sensíveis às taxas de juros. Mas o segmento em que as RJs mais crescem é no agro, apesar dos recordes sucessivos de produção. A explicação é financeira. O setor exige capital antes de produzir receita. O produtor compra insumos, planta, financia a operação e só recebe depois da colheita. Nesse intervalo, está exposto simultaneamente a juros, preços internacionais e clima. Uma boa safra, portanto, não impede uma crise de balanço. “Nos últimos três anos, a inadimplência aumentou a ocorrência de reestruturações no agro e criou um ciclo vicioso e negativo”, afirma Eron Martins, CEO da Belagrícola. “O problema não é que o juro está alto por muito tempo. Quando se olha para o futuro, ele fica alto indefinidamente", diz Ricardo Lacerda, do BR Partners Martins chegou à distribuidora agrícola em fevereiro para liderar seu plano de recuperação extrajudicial. Antes, esteve à frente da recuperação judicial da AgroGalaxy, iniciada em setembro de 2024. Na Belagrícola, o ajuste teve efeitos concretos: a empresa reduziu pela metade seu quadro de funcionários em quatro meses e concentrou a operação em regiões de maior margem, maior rentabilidade e menor exposição ao risco de crédito. “Vai haver um incremento nos processos de recuperação, seja na forma judicial ou extrajudicial, porque, infelizmente, as companhias não terão tempo hábil para continuar respirando por muito mais tempo sem um acordo”, diz Giuliano Colombo, sócio da área de reestruturação do escritório Pinheiro Neto Advogados. Para ele, o ritmo de cortes da Selic é lento para trazer um maior alívio às empresas. Colombo estima que as companhias demorem até quatro trimestres para incorporar os benefícios dos cortes ocorridos em 2026. “A tendência é que ainda ocorram processos grandes e ‘icônicos’ de recuperação, ao menos até o próximo ano”, afirma. O custo na bolsa O custo das reestruturações também aparece na bolsa de valores. Um levantamento da consultoria Elos Ayta, com companhias abertas em recuperação judicial ou extrajudicial, feito para o NeoFeed, mostra que, entre as 23 empresas com histórico de negociação disponível desde a entrada no processo, 22 acumulam queda nas ações - a única exceção é a Hotéis Othon. Na mediana, a perda chega a 66,25%. Entre as grandes empresas, parte crescente das reestruturações migrou da recuperação judicial para a extrajudicial, instrumento menos estigmatizado e que permite negociar previamente com os credores. Somente Raízen, GPA e Oncoclínicas somam cerca de R$ 75 bilhões em passivos reorganizados dessa maneira. “Temos casos de companhias que passaram por reestruturações, melhorias de eficiência e turnaround, mas o resultado desse esforço ainda é insuficiente para pagar o serviço da dívida, que disparou nos últimos anos”, diz Ivo Waisberg, sócio-fundador da TWK Advogados. “Não tem milagre que faça o resultado operacional cobrir essa diferença.” Os "sem crédito" A duração faz o juro percorrer toda a companhia. Primeiro, aumenta o custo de carregar a própria dívida. Depois, atinge o consumidor, que também passa a comprometer uma parcela maior da renda com juros. A pressão que começou na despesa financeira volta, então, para a empresa por meio da receita. Quando o risco aumenta e os balanços se deterioram, o crédito fica mais caro - ou desaparece. “São poucos projetos, hoje, em que você vai conseguir ter uma rentabilidade em um patamar de 20%, 25% que justifique você fazer um investimento”, diz Leopoldo de Bruggen e Silva, CEO da Sequoia. Para a empresa de logística, que está em recuperação extrajudicial desde março do ano passado, em um mercado já seletivo, empresas nessa situação vão para “o último lugar da fila” do crédito. “Não tem sentido fazer expansão. Vamos, no momento adequado, investir nas lojas que já temos", diz Alexandre Santoro, do GPA Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, identifica a mesma transmissão de outro lado da economia. “As famílias são empurradas para linhas de crédito mais caras, como o rotativo, acelerando o endividamento”, afirma. Menos renda disponível significa menos consumo, justamente quando as empresas também enfrentam custos financeiros maiores. Para Vitória, o aperto monetário prolongado tem relação direta com uma política fiscal que manteve a demanda aquecida por mais tempo e obrigou a política monetária a fazer um trabalho maior para desacelerar a economia. “Agora que o impulso fiscal perdeu força e o espaço para novos estímulos se esgotou, o peso total dos juros elevados está finalmente sendo sentido pela economia”, diz ela. Corrosão e despesas financeiras O que tem acontecido nesses últimos anos é que o lucro das empresas vem sendo corroído por despesas financeiras, o que culmina na recuperação judicial. A projeção dos especialistas é que mais empresas entrem nessa situação ao longo deste segundo semestre. No fim do primeiro semestre, havia 6.341 empresas em recuperação judicial, de acordo com o Monitor RGF-Bizdoc, um levantamento produzido pelas consultorias RGF e Bizdoc, especializadas em reestruturação. Em 12 meses, o estoque havia crescido 21,2%. Considerando uma base mais ampla de CNPJs, eram 7.980 registros. Há, atualmente, 1.028 empresas classificadas como grandes ou muito grandes em recuperação judicial. Mas o próprio levantamento mostra que, no topo da pirâmide, empresas pressionadas passaram a utilizar com maior frequência a recuperação extrajudicial. Ao mesmo tempo, o problema começa a descer de tamanho: desde 2023, a incidência de recuperação judicial cresceu entre micro, pequenas e médias empresas. “Assim como qualquer outro fenômeno conjuntural, os juros atingem com mais força quem está vulnerável”, diz Claudio Damasceno, sócio da RGF Bizdoc. É o caso do Grupo Gennius Brasil, que controla as marcas Habib’s (restaurante de comida árabe), Ragazzo (rede de massas), Mita (marmitas para delivery) e Tendall Grill (churrascaria). Conforme revelou com exclusividade o NeoFeed, a dona do Habib’s pediu no início de julho à Justiça uma blindagem de execuções de cobranças por um período de 60 dias para tentar evitar a RJ com uma dívida acumulada de R$ 312,4 milhões. “Estamos em uma fase de tantos casos que nem todos estão no radar”, afirma Marcelo Ricupero, sócio da área de reestruturação e insolvência do Mattos Filho. Em crises anteriores, o mercado normalmente possuía uma espécie de lista de companhias consideradas candidatas naturais a uma recuperação, as chamadas usual suspects. Agora, esse radar ficou mais difuso. Questão estrutural do País Se o juro é tão prejudicial para investimento e crescimento, por que continua tão alto? Para Márcio Holland, professor da FGV EESP e ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a resposta não está apenas na conjuntura. “As causas principais incluem uma reforma monetária e fiscal inacabada desde o Plano Real”, afirma Holland, que é autor do livro Taxa de Juros no Brasil, lançado recentemente. Segundo Holland, o Brasil combina problemas fiscais, particularidades de seu mercado de crédito e questões institucionais que ajudam a explicar por que permanece há décadas entre os países que pagam os maiores juros do mundo. O ex-Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda chama atenção para um paradoxo recente: mesmo em um período de crescimento econômico robusto, a dívida pública avançou. “É um ciclo que se retroalimenta. O PIB cresceu mais de 3% ao ano, mas a dívida pública avançou dez pontos percentuais, para 81,9% do PIB. É um contrassenso”, afirma, acrescentando que o País, segundo ele, gasta mais de R$ 1 trilhão por ano com juros da dívida pública. Por essa razão, uma das demandas dos empresários ouvidos pelo NeoFeed é que o governo que ganhar a eleição, independente de quem for, ajuste as contas públicas. "Precisamos pensar no Brasil para um cenário de curto, médio e longo prazos. E não apenas fazer planos para navegar 500 milhas ou mil milhas", afirma Laércio Cosentino, da Totvs "Temos de brigar pelos juros, mas brigar também por um Brasil mais competitivo. E um Brasil que tem um plano. Precisamos pensar no Brasil para um cenário de curto, médio e longo prazos. E não apenas fazer planos para navegar 500 milhas ou mil milhas", afirma Laércio Cosentino, presidente do conselho de administração da Totvs. Menin faz coro à opinião de Cosentino. "É muito difícil baixar os juros com o déficit fiscal não resolvido. Todos os candidatos à presidência precisam passar a mensagem de que vão atacar esse problema, independentemente de quem ganhar a eleição." Lacerda, do BR Partners, reforça. "Passada a eleição, vamos precisar de um fato novo para que o governo ganhe credibilidade e para que a trajetória da dívida pública se reverta. A palavra choque fiscal é um pouco dramática e dura. Não acho que seja a palavra adequada. Mas precisamos de um fato novo." De onde vêm os juros altos? Os economistas Tiago Berriel e Mateus Della, do BTG Pactual, analisaram a alta dos juros nominais brasileiros de dez anos desde a média observada entre 2017 e 2019. Naquele período, a taxa estava próxima de 9,9%. Em julho de 2026, havia alcançado aproximadamente 14,5%. Uma abertura de cerca de 4,6 pontos percentuais. De acordo com o estudo, a maior parte desse movimento não veio simplesmente de um aumento do prêmio cobrado pelo investidor para correr o risco Brasil. Cerca de 305 pontos-base (aproximadamente dois terços da abertura) vieram do componente de juros esperados. E os outros 159 pontos-base vieram do prêmio a termo. Na conclusão de Berriel e Della, o mercado está dizendo tanto que o Brasil ficou mais arriscado quanto que é preciso cobrar mais para emprestar ao País. E, com isso, o País precisará conviver com juros maiores por mais tempo. Mas o estudo do BTG mostra que nem tudo está na conta do que acontece em Brasília. Olhando apenas para a parcela explicada pelos fundamentos que podem ser observados, pouco mais de 60% é doméstica e pouco menos de 40% externa. O principal choque externo foi a alta do juro real americano. Segundo o estudo, historicamente um aumento de 100 pontos-base no TIPS americano de cinco anos está associado a cerca de 98 pontos-base nos juros nominais brasileiros de dez anos. Do lado doméstico, o fiscal aparece pelo lado da demanda com uma política fiscal expansionista, que mantém a economia mais aquecida, aumenta o juro neutro de curto prazo e exige uma política monetária mais restritiva para controlar a inflação. Se essa dinâmica persiste, investidores passam a incorporar juros maiores também nas expectativas de longo prazo. O Copom realizou quatro cortes consecutivos da Taxa Selic, o que baixou o juro de 15% para 14% ao ano. Mas o estudo do BTG mostra por que isso, isoladamente, pode não ser suficiente para devolver o Brasil rapidamente ao regime financeiro anterior. Em uma simulação feita por Berriel e Della, uma redução da Selic de 14,25% para 10%, mantendo as demais condições constantes, produziria uma queda de apenas cerca de 80 pontos-base no componente esperado dos juros de dez anos. Isso significa que uma redução de mais de quatro pontos percentuais na taxa básica não eliminaria, sozinha, a mudança estrutural incorporada à curva. Para um movimento mais expressivo, segundo o estudo, seria necessário combinar a flexibilização monetária com melhora das expectativas de inflação e um ambiente fiscal que levasse o mercado a enxergar um juro de equilíbrio menor. É nesse terreno que Raul Velloso, especialista em contas públicas e Previdência, vê o principal desafio. “O problema é, primeiro, fiscal e, dentro dele, previdenciário”, afirma. Os números comprovam o economista: as despesas com aposentadorias e pensões chegaram a R$ 1,287 trilhão em 2025, equivalente a 44% das despesas da União e 11% do PIB. Holland também rejeita a ideia de que uma nova regra fiscal, isoladamente, seja suficiente. “É inútil criar uma regra fiscal nova sem mexer nos gastos públicos. Cria-se um teto, mas as despesas acabam sempre estourando o teto. Não adianta, esse teto é de vidro”, afirma. “Tampouco basta gerar superávit primário um ano e no outro voltar ao déficit porque é ano eleitoral.” No fim, o Brasil parece preso a um paradoxo que se repete há décadas: tenta crescer carregando um custo financeiro que corrói qualquer impulso de desenvolvimento. Os números mostram que o país inteiro está respirando com dificuldade. A travessia não depende apenas de cortes na Selic, mas de uma reconstrução de confiança: fiscal, institucional e econômica. O Brasil venceu a saúva e se tornou uma potência agrícola. Conseguirá vencer a armadilha dos juros altos?

Os motivos que fazem Ibovespa fechar em queda pelo 11º pregão consecutivo
B3 19/08/2026

Os motivos que fazem Ibovespa fechar em queda pelo 11º pregão consecutivo

O Ibovespa teve desvalorização de 0,27% nesta terça-feira, 18, recuando para os 166,3 mil pontos. A bolsa de valores brasileira encerrou em baixa pelo décimo primeiro pregão seguido, após ter tentado uma recuperação no início do dia, que vinha do retorno pontual de investidores estrangeiros. “Ainda falta, porém, confiança do investidor local, que segue enxergando mais vantagem em renda fixa do que em ações, sobretudo enquanto durar a incerteza sobre o resultado da eleição presidencial e o formato do ajuste fiscal a ser feito no próximo governo”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Hoje, o índice também operou de olho na piora do humor externo e por dados fracos da economia americana. O ambiente externo fica mais defensivo às vésperas da ata do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que sai amanhã e deve dar pistas sobre os próximos passos dos juros nos Estados Unidos. O conflito no Oriente Médio continua sem sinal de solução, já que Donald Trump negou qualquer negociação em andamento com o Irã. Continua após a publicidade O peso das tensões caiu sobre o barril de petróleo brent, que teve leve alta e ficou cotado acima dos 91 dólares. Com isso, o dólar encerrou em valorização, cotado a 5,22 reais, ganhando terreno também contra outras moedas emergentes. Continua após a publicidade Entre as demais ações de peso no principal índice da B3, os bancos o acompanharam e operaram no negativo. O Santander (SANB11) liderou as perdas, com baixa de 1,18%, seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3), que recuou 0,84%. O Bradesco (BBDC4) caiu 0,62%, enquanto o Itaú (ITUB4) teve desvalorização de 0,50%. Continua após a publicidade Os fatos que mexem no bolso são o destaque da análise no programa Mercado: Continua após a publicidade

Perguntas Frequentes sobre MULT3

Qual é a cotação de MULT3 hoje na B3?
A cotação de MULT3 hoje está em R$ 26,39. Durante o pregão, registrou mínima de R$ 26,15 e máxima de R$ 26,98.
Quanto a MULT3 paga de dividendos?
A empresa distribui proventos periodicamente na forma de dividendos e JCP (Juros sobre Capital Próprio). Você pode conferir a tabela completa com as últimas datas de corte (Data Com) e pagamento na seção de Dividendos acima.
Como calcular o Preço Teto de MULT3?
O Preço Teto (Método Barsi e Décio Bazin) estabelece o preço máximo a pagar para obter um retorno mínimo em proventos (ex: 6% ao ano). Utilize nossa Calculadora de Preço Teto de MULT3 para calcular automaticamente a margem de segurança e o Preço Justo de Graham.
O que significa o P/L e o P/VP de MULT3?
O P/L (Preço sobre Lucro) indica quantos anos levaria para reaver o capital investido através dos lucros da empresa. Já o P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) indica se o papel está sendo negociado acima ou abaixo de seu patrimônio líquido contábil.

Fonte de Dados Oficiais & Transparência

Informações de cotações e demonstrações financeiras sincronizadas com dados públicos da B3 e CVM.

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