BNBR3F Banco do Nordeste do Brasil S.A. – Cotação Hoje
Banco do Nordeste do Brasil S.A.
Selo de Investimento:
⚠️ AtençãoAtende a 3 de 12 critérios. Alguns múltiplos ou métricas de endividamento exigem cautela.
Checklist Fundamentalista de 12 Critérios
Critérios auditados automaticamenteA dívida líquida da empresa é menor que o lucro líquido dos últimos 12 meses
Retorno sobre o Patrimônio Líquido historicamente superior a 5%
Histórico consistente de distribuição de proventos acima de 4% a.a.
Crescimento de receitas ou lucros superior a 5% nos últimos anos
Preço sobre Valor Patrimonial negociado abaixo de 5x
Atuação em setor perene e consolidado há mais de um século
Companhia de grande porte, alta liquidez e liderança setorial
Companhia fundada há mais de 30 anos com histórico comprovado
Preço sobre Lucro negociado abaixo de 30x
Alavancagem financeira controlada com Dívida Líquida/EBITDA menor que 2x
Enterprise Value sobre EBIT operacional negociado abaixo de 7x
Proteção aos acionistas minoritários com Tag Along de 80% a 100%
Método Barsi (Preço Teto)
Estratégia focada em renda passiva com cálculo do preço máximo para obter no mínimo 6% ao ano em proventos com base na média dos últimos 5 anos.
Fórmula de Graham (Preço Justo)
Fórmula de Benjamin Graham determinando o valor intrínseco a partir dos múltiplos conservadores de P/L ≤ 15 e P/VP ≤ 1,5.
Resumo Fundamentalista de BNBR3F
O ativo BNBR3F (Banco do Nordeste do Brasil S.A.) está sendo negociado hoje a R$ 111,00, acumulando uma variação de -0.80% no pregão. Nos últimos 12 meses, a cotação oscilou entre a mínima de R$ 97,06 e a máxima de R$ 132,09. Em termos de valuation, o papel negocia a um múltiplo P/L de 3.97x.
Histórico de Cotação: BNBR3F
Evolução do preço diário oficial e indicadores de tendência
Indicadores de Valuation Instituição Financeira
Sobre a BNBR3F
Dividendos
Nenhum dividendo
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The Economist: Próximo presidente do Brasil será 'nepo baby' vingativo ou esquerdista decadente
Poucos países têm a sorte do Brasil. Não enfrenta ameaça de invasão. Sua economia é mais resiliente às tarifas sem sentido de Donald Trump do que a de quase qualquer outro país. Desfruta de relações relativamente amistosas com as duas superpotências. Acima de tudo, está repleto de recursos cobiçados. Mas, enquanto o Brasil se prepara para as eleições gerais de 4 de outubro, um velho ditado —de que é o país do futuro e sempre será— volta a soar verdadeiro. Em vez de capitalizar suas vantagens, o Brasil está praticamente fadado a optar por mais quatro anos de impasse polarizado. Empatados nas pesquisas estão Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente de 80 anos conhecido como Lula, e Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro, ex-presidente populista que cumpre pena de 27 anos por tramar um golpe após perder a reeleição em 2022. É como se fosse Bernie Sanders contra Donald Trump Jr. —se o Trump mais jovem tivesse ligações com o submundo do crime. Lula e Flávio segurando imagens de Nossa Senhora Aparecida, personagem de celeuma da semana - Instagram de Janja e Bruno Santos/Reprodução / Folhapress A disputa é um concurso de impopularidade. Brasileiros temem que Lula leve a economia à ruína, enquanto escolher Flávio pode significar guerras culturais, estrago ambiental e relações desconfortavelmente próximas com o governo Trump. Nenhum dos dois candidatos receberá o mandato robusto necessário para enfrentar o mal-estar fiscal do país ou a disfunção institucional. Paira sobre a eleição um sórdido escândalo de corrupção envolvendo festas regadas a bacanal e um banqueiro playboy, que enredou toda a classe política e também o poderoso Supremo Tribunal Federal —até aqui, a última linha de defesa contra uma elite que trabalha para si mesma. As apostas dificilmente poderiam ser mais arriscadas. O governo vive muito além de suas posses, e seus credores começam a ficar inquietos. Trump trata a América Latina como um playground pessoal: sequestrou o presidente da Venezuela, sustenta o da Argentina, endossa populistas de direita afinados com ele numa série de eleições e explode barcos no Caribe. Se o Brasil, o maior país da região e um centro de gravidade rival, se alinhar de perto aos Estados Unidos, ele ficará ainda mais encorajado. Para completar, quem vencer a eleição vai nomear quatro dos 11 ministros do Supremo, moldando o país por uma geração. Verde e ouro O Brasil é um verdadeiro Eldorado. Enquanto o resto do mundo enfrenta escassez de petróleo e de alternativas renováveis, o Brasil transborda de ambos. Em agosto, a Petrobras descobriu seu primeiro petróleo na Margem Equatorial, a província petrolífera de crescimento mais rápido do mundo, na costa nordeste da América do Sul. Isso deve, com o tempo, reforçar sua já prodigiosa produção nos campos do pré-sal, na costa leste do país. Nada menos que 89% da eletricidade brasileira vem de fontes renováveis, majoritariamente hidrelétricas. Energia eólica e solar cresceram tão rápido que a rede muitas vezes não consegue absorver toda a produção. O excedente de energia verde poderia alimentar data centers e transformar o Brasil num polo de produção de aço de baixo carbono e de combustíveis limpos para aviação e navegação. A abundância em energia é equiparada pela de alimentos. Até os anos 1970, a fome severa era comum, o que empurrou milhões de migrantes —incluindo um jovem Lula e seus sete irmãos— do árido Nordeste para as megacidades do Sul. Depois, avanços na pesquisa agrícola abriram o interior à pecuária e à agricultura. Neste ano, o Brasil deve ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agrícola do mundo. Hoje é líder em carne bovina, café, algodão, suco de laranja, soja e cana-de-açúcar. No ano passado, Trump precisou revogar tarifas que havia imposto a produtos agrícolas brasileiros durante o julgamento de Bolsonaro, depois que elas ajudaram a elevar os preços de alimentos nos Estados Unidos. Também há riqueza no subsolo. O Brasil tem a segunda maior reserva mundial de terras raras, grupo de minerais usados em muitos produtos de alta tecnologia, hoje produzidos e processados quase exclusivamente por empresas chinesas. O Brasil poderia, assim, ser central nos esforços de países ocidentais para garantir fornecedores alternativos. Emissários europeus e americanos estão "nos assediando por acordos de terras raras, num sentido positivo", diz um diplomata em Brasília. Essa fartura de energia, alimentos e minerais fez do Brasil o maior receptor de investimento estrangeiro direto entre os países em desenvolvimento no ano passado, atrás apenas da China. Atraiu US$ 77 bilhões, bem à frente dos US$ 39 bilhões da Índia. "O Brasil tem ativos concretos que vão ganhar valor num mundo de maior conflito geopolítico", diz Christopher Garman, do Eurasia Group, consultoria de Nova York. Constelação de queixas Ainda assim, problemas graves seguram a economia, apesar do entusiasmo estrangeiro. Juros reais de 9% estão sufocando o crescimento. Eles impulsionaram uma alta na inadimplência de empresas e no endividamento das famílias. Lula enfrenta dilema parecido com o de Joe Biden, outro líder idoso cuja campanha de reeleição sofreu porque eleitores se sentiam pessimistas com a economia. Mais da metade dos brasileiros diz que a economia está em estado ruim ou muito ruim, fatia que vem subindo nos últimos meses. Cerca de 9 milhões de empresas estão inadimplentes, ante 4 milhões uma década atrás, quando o Brasil estava em recessão. O pagamento de dívidas consome 30% da renda média das famílias, segundo a Tendências, consultoria de São Paulo —o maior nível desde que a série começou a ser medida, em 2004. A raiz do problema é o próprio endividamento pesado do governo, que empurra os juros para cima para todo mundo. Sua dívida soma quase 100% do PIB. O déficit passa de 9% do PIB. O governo paga uma fatia do PIB em juros maior que a de qualquer grande país, exceto Egito e Paquistão. O histórico de hiperinflação e recessões do Brasil deixa credores especialmente cautelosos. Boa parte da dívida está atrelada a juros locais, o que significa que, toda vez que eles sobem, o custo de rolar a dívida sobe também. Ao longo de três mandatos como presidente —de 2003 a 2011 e desde 2023— Lula gastou generosamente em transferências de renda e crédito subsidiado. Em 17 de setembro, por exemplo, aumentou em 15% os pagamentos do programa social-bandeira do governo, o Bolsa Família. Os brasileiros gastaram de bom grado esse dinheiro extra, o que manteve a economia crescendo e o desemprego baixo. Mas a produtividade estagnou, e os consumidores parecem estar desacelerando. Economistas esperam crescimento anual médio de cerca de 1% em 2027 e 2028. No início deste mês, Lula ofereceu uma solução alarmante: "precisamos acabar com essa bobagem de fazer superávit e manter disciplina fiscal." Inevitavelmente, o Brasil está ficando para trás. Em 1980, os brasileiros eram nitidamente mais ricos que chilenos e colombianos, para não falar de turcos e chineses, medido pelo PIB per capita ajustado pelo custo de vida. Hoje, os colombianos alcançaram o Brasil, e os demais estão todos muito mais ricos. Os Bolsonaros, populistas inveterados, não são muito melhores. Bolsonaro rompeu um teto de gastos que havia sido imposto em 2016 para recuperar a confiança do mercado. Para melhorar suas chances de reeleição, triplicou o valor pago pelo Bolsa Família e quase dobrou o número de beneficiários. Embora Flávio prometa sobriedade fiscal, em julho, quando sua aprovação começou a cair entre as mulheres, prometeu celular e internet gratuitos a 70 milhões delas. Os dois candidatos terão dificuldade em enfrentar os grupos de interesse que empurram os gastos para cima. Um deles é o dos aposentados, que conseguiram garantir aumentos constantes em seus benefícios. O salário mínimo no Brasil é reajustado anualmente com base na inflação e no crescimento do PIB dos dois anos anteriores. As aposentadorias são indexadas ao salário mínimo, assim como o auxílio-doença, o seguro-desemprego e outros benefícios. Isso significa que, para cada aumento de um real no salário mínimo mensal, o gasto público anual sobe R$ 400 milhões. Essa indexação está devorando o orçamento federal: 90% dele hoje vai para gastos obrigatórios, majoritariamente aposentadorias. Na trajetória atual, não sobrará dinheiro para gastos discricionários até 2029, precipitando uma paralisação do governo. Esse mimo aos idosos tira dos jovens escolas, saúde e estradas melhores. O Brasil gasta 10% do PIB com aposentadorias, quase o mesmo que o Japão, mesmo com uma população muito mais jovem. Enquanto isso, investe apenas 18% do PIB, menos da metade da fatia da Índia. Funcionários públicos mimados são outro peso sobre o orçamento. A Constituição diz que nenhum servidor pode ganhar mais que os ministros do Supremo, que recebem R$ 46.366,19 por mês. Ainda assim, mais de 67 mil servidores ganham bem mais que isso, graças a auxílios não tributados de moradia, transporte e outros. Esses "supersalários", como a imprensa local os apelidou, elevam o rendimento médio de juízes e promotores a 48 vezes o valor nacional (o juiz mais bem pago dos Estados Unidos ganha apenas seis vezes o salário médio do país). "O Brasil foi feito refém pelos servidores públicos do topo da pirâmide", diz Guilherme Coelho, da Republica.org, organização de pesquisa que analisa desperdício no governo. Benefícios fiscais imerecidos são um terceiro fardo. Brechas de impostos, algumas delas costuradas na própria Constituição, custam impressionantes 7% do PIB ao ano, ante 2% em 2003. "Aqui as empresas não competem por fatia de mercado, mas por fatia do governo", diz um economista. Médicos, advogados e outros profissionais liberais também desfrutam de acordos vantajosos. Em tese, os dois candidatos estão decididos a combater interesses enraizados. Lula eliminou alguns benefícios fiscais e dificultou a criação de novos. Um assessor de Flávio ataca com entusiasmo os "parasitas" do Estado. Daniella Marques, que lidera a política econômica de sua campanha, já elogiou Javier Milei, o presidente libertário da Argentina, como "um ótimo exemplo". Mas, quando pressionada, sua equipe oferece poucos detalhes concretos. Na prática, quem vencer terá dificuldade em conter esses gastos. A reforma da Previdência é politicamente difícil no Brasil como em qualquer outro lugar. Na última década, uma sucessão de presidentes fracos cedeu o controle de um quarto do gasto discricionário a parlamentares, para distribuir em seus redutos com pouca fiscalização. Boa parte do dinheiro acabou no bolso de aliados, em vez de ir para escolas ou postos de saúde locais. Nos últimos quatro anos, Lula não conseguiu restaurar a ordem. O próximo Congresso deve ser dominado por partidos de direita, o que pode tornar ainda mais difícil governar. Flávio também não conseguiu conquistar muitos deles. Para avançar sua agenda, qualquer um dos dois precisaria continuar comprando o apoio do Congresso. O Congresso não é a única instituição com motivações questionáveis. Em 2023, o Supremo passou a permitir que ministros julgassem casos envolvendo empresas ou pessoas ligadas a parentes seus. Oito dos dez ministros atuais do Supremo têm parentes trabalhando em escritórios de advocacia que representam partes em processos na Corte. Clientes sem escrúpulos os contratam na esperança de receber tratamento especial. A disseminação do tráfico de influência ficou evidente com o colapso do Banco Master, instituição tomada por fraudes. Seu dono, Daniel Vorcaro, dava festas luxuosas para políticos e juízes, trazendo de avião profissionais do sexo da Rússia, da Venezuela e de outros países. Tinha preferência por garotas de programa estrangeiras porque elas não entendiam as conversas dos clientes. Numa festa de Halloween num clube chamado "Madame Satan", compareceram 120 mulheres e apenas 20 homens, a maioria políticos. "O Davi está surtando perguntando se as suíças vêm", dizia uma mensagem de texto entre o banqueiro e seu operador, numa aparente referência a Davi Alcolumbre, presidente do Congresso (ele nega). Depois que Vorcaro foi preso tentando fugir num jato particular em novembro passado, a Polícia Federal vasculhou seus oito celulares. Quase metade do Supremo tinha ligações com ele, revelou a apuração. Mensagens sugerem que Vorcaro pagou uma acompanhante para um ministro, comprou uma participação de US$ 4 milhões num hotel de outro e contratou a esposa e os filhos de outros dois ministros com contratos generosos, mas vagos. As instituições brasileiras chegaram, assim, a um ponto de destruição mútua assegurada. Só o Supremo pode investigar políticos por crimes como corrupção. E só políticos podem fazer impeachment de ministros do Supremo —o que estão prometendo fazer. Deputados e senadores têm incentivo para mirar juízes que os investigam, enquanto juízes têm incentivo para mirar parlamentares que querem seu impeachment. O fato de o escândalo do Banco Master envolver toda a elite significa que um acordo de bastidores pode, no fim, livrar todo mundo. Desordem, sem avanço Nenhum dos dois favoritos consegue enfrentar essa podridão. Flávio faz parte dela. Ele afirmou nunca ter conhecido Vorcaro, o que tornou constrangedor o vazamento, em maio, de uma gravação dos dois conversando —especialmente porque ele chama o banqueiro de "meu irmão" e pede dinheiro para bancar um filme sobre o pai. Foram repassados R$ 65 milhões, a maior parte dos quais acabou numa conta bancária ligada ao irmão de verdade de Flávio, Eduardo, que mora no Texas. Flávio também já foi investigado por supostamente embolsar salários de funcionários fantasmas enquanto era vereador no Rio (ele nega) e por seus laços com criminosos locais. Um contato particularmente infame foi Adriano da Nóbrega, ex-capitão da polícia que depois chefiou um grupo de extermínio. Flávio indicou Nóbrega para receber uma medalha depois que ele foi preso por homicídio, e deu empregos à esposa e à mãe dele (diz que não sabia que elas estavam em sua folha de pagamento). Já Lula, embora não tenha sido implicado no caso Banco Master, tem aliados que foram. Seu partido continua manchado por escândalos de corrupção anteriores, e seu filho é investigado por tráfico de influência. A campanha tem sido mesquinha e vazia de conteúdo. A principal proposta de Flávio é perdoar o pai e abrir impeachment contra os ministros que o condenaram. Neste mês, o ex-comandante da Aeronáutica, Carlos Baptista Júnior, publicou um livro detalhando como Bolsonaro tentou convencê-lo, e a outros comandantes militares, a dar um golpe, levantando ideias sobre como anular a eleição que acabara de perder. Bolsonaro só abandonou o plano depois que o comandante do Exército o avisou: "se você fizer isso, vou ter que prendê-lo". Como o pai, Flávio lançou dúvidas sobre as urnas eletrônicas brasileiras, alegando falsamente que o mesmo modelo foi usado numa eleição fraudada na Venezuela —uma invenção completa. Não está claro se ele aceitaria uma vitória de Lula. As outras propostas de Flávio são retórica vazia. Ele diz que vai decretar que "o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo" e promete castração química para estupradores. Uma vitória sua significaria alinhamento estreito com Trump. Flávio e sua família fizeram lobby junto ao governo Trump para impor tarifas e sanções a desafetos de Bolsonaro. Em comícios de campanha, apoiadores já desfilaram com bandeiras americanas e bonecos infláveis de Trump segurando Lula pela nuca. Flávio parece disposto a aceitar as amplas exigências americanas sobre terras raras. A Casa Branca quer que o Brasil a notifique antes de qualquer venda de empresas ou ativos envolvendo minerais críticos, e que limite o investimento de "entidades estrangeiras de preocupação" —na prática, dando aos Estados Unidos poder de veto sobre o uso dos minerais brasileiros. Ainda assim, a Faria Lima, a Wall Street brasileira, está cautelosamente se alinhando a Flávio, na esperança de que ele cumpra o discurso de corte de gastos. Lula, por sua vez, fala em investir em defesa e inteligência artificial. Tem histórico sólido de redução do desmatamento. Defendeu leis para estimular investimento em data centers e em terras raras, ainda que com forte participação estatal. "Queremos construir uma cadeia produtiva com valor agregado, não simplesmente exportar matéria-prima de forma colonial, deixando para trás só buracos no chão", diz Guilherme Boulos, ministro que trabalha na campanha de Lula. Mas não há dinheiro para pagar pelas ideias de Lula, e ele não tem um plano crível para equilibrar as contas do governo. Em comícios, ele discursa por horas, falando principalmente de suas glórias passadas e de sua trajetória de vida. Sua esposa, bem mais jovem, passou a postar vídeos dele se exercitando para provar que está em forma. Em público, ele usa um chapéu panamá para esconder cicatrizes da remoção de uma pinta e de uma cirurgia após uma queda na banheira. O Brasil não é uma causa perdida. Mesmo com a política mergulhando em escândalo dissoluto, uma sociedade civil robusta, uma imprensa livre pujante e uma polícia federal independente seguem responsabilizando os poderosos. "Pelo menos no Brasil as investigações de corrupção realmente acontecem", observa Celso Rocha de Barros, acadêmico. Jornalistas na Índia e na Turquia talvez olhem para isso com inveja. O Brasil venceu a fome, a hiperinflação, o regime militar e uma tentativa de golpe em poucas décadas. Apesar da disfunção, se vira. O próximo mandato presidencial, porém, deve ser uma bagunça. Nenhum dos dois principais candidatos parece disposto a consertar as contas do governo. Nenhum terá o apoio necessário no Congresso para promover reformas de verdade. Nem o próprio Congresso nem o Judiciário podem corrigir a podridão institucional do Brasil, já que ambos estão implicados nela. As coisas vão piorar antes de melhorar. Texto da The Economist, traduzido por Marcelo Azevedo e publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado em www.economist.com
4 números que revelam os desafios da economia brasileira
Em semanas de eleição, é natural que o debate gire em torno de candidatos, pesquisas e expectativas. Mas o que vai definir o patrimônio dos brasileiros nos próximos dez anos não é o resultado de outubro, e sim tudo o que acontecerá depois disso. Porque, independentemente de quem vencer, o próximo presidente vai herdar exatamente o mesmo Brasil que temos hoje. E esse Brasil, quando olhamos os números com frieza, está mandando sinais muito claros. Este não é um conteúdo sobre candidatos. É sobre o que precisa ser cobrado de qualquer um deles e sobre o que fazer com a sua carteira enquanto essa cobrança não surte efeito. 4 indicadores que revelam os desafios da economia brasileira Enquanto o debate eleitoral gira em torno de slogans, os indicadores que realmente importam para quem investe, trabalha e produz contam uma história bem menos animadora. Recuperação judicial atinge número recorde de empresas Hoje, 6.341 empresas estão em recuperação judicial no Brasil. Juros altos, crédito escasso e caixa apertado seguem empurrando cada vez mais negócios para os tribunais. Inclusive empresas com histórico de grande credibilidade, como Raízen, GPA e Braskem, precisaram recorrer a recuperações extrajudiciais para renegociar dívidas bilionárias. Endividamento das famílias bate recorde no Brasil O endividamento das famílias chegou a 49,9% da renda anual em julho, no topo da série do Banco Central: metade de tudo o que se ganha em um ano já é dívida. A inadimplência no crédito às famílias bateu 6%, recorde, e a Serasa contabiliza 84 milhões de brasileiros negativados (metade dos adultos do país). Dívida pública cresce e preocupa o mercado A dívida bruta chegou a 82,9% do PIB em agosto, o maior patamar em cinco anos. E o mercado já projeta 87% do PIB em 2027, praticamente o pico da pandemia. Aumento da saída fiscal de brasileiros acende alerta Até agosto, cerca de 46,6 mil brasileiros formalizaram saída fiscal do país, contra 31,7 mil em todo o ano de 2025. A direção é inequívoca. Os quatro indicadores que o debate eleitoral não está discutindo Some a isso a tributação de dividendos acima de R$ 50 mil mensais, em vigor desde janeiro, e uma reforma tributária que caminha para um dos maiores IVAs do mundo. O retrato fica completo: o país está tornando cada vez mais caro empreender, investir e permanecer. Não à toa, a frase que mais escuto de empresários nas últimas semanas é alguma variação de: “Essa eleição vai decidir se eu continuo investindo aqui”. Não é exagero. Essa, infelizmente, é a agonia de quem gera emprego, paga imposto e luta por um Brasil melhor. A saída fiscal deixou de ser exceção e passou a ser decisão patrimonial Como a dívida pública influencia juros e crescimento econômico Nenhum desses indicadores é um problema isolado. Todos são sintomas da mesma doença: um Estado que gasta mais do que arrecada e financia a diferença com juro alto. A engrenagem é simples. Com as contas públicas desequilibradas, o Banco Central precisa manter a Selic elevada (hoje em 13,75%) mesmo após cinco cortes, com juro real ainda na casa de 8%. Juro alto encarece o crédito, que sufoca a empresa, que trava investimento e contratação, que pressiona a renda, que alimenta a inadimplência. E o governo, com a dívida crescendo, busca mais arrecadação, o que só reforça o ciclo. Só em 2026, os juros adicionaram 6,5 pontos percentuais do PIB à dívida bruta. Nenhuma política pública resiste a essa conta por muito tempo. A trajetória da dívida é o principal motivo do juro alto — e o principal ponto a ser cobrado Por isso, o foco precisa ser um só: equilibrar as contas públicas para permitir juros estruturalmente mais baixos e devolver competitividade à economia. Sem isso, qualquer plano de governo não para em pé. Quais medidas podem melhorar o cenário econômico Independentemente de quem for eleito, a agenda a ser cobrada é a mesma: controle real de gastos, com regras críveis e não apenas no papel; previsibilidade tributária, sem mudanças a cada semestre; e um ambiente em que empreender volte a valer a pena. Mas e se essa cobrança não surtir efeito? As consequências não são abstratas. É a continuação e a aceleração de tudo o que mostramos acima: mais empresas em recuperação judicial, mais famílias endividadas, mais capital e talento indo embora do nosso país. Hoje o real está forte, sustentado por juros altos e commodities. Mas câmbio não é blindagem permanente, basta ver as histórias de alguns vizinhos e pares emergentes. Em um cenário de deterioração fiscal, a moeda costuma ser a primeira válvula de escape. E o empreendedor, desanimado, simplesmente para de investir por aqui. Como proteger sua carteira em um cenário de incerteza econômica Essa é a pergunta que mais recebemos, e a resposta da Nord não depende de quem vencer no domingo, afinal, não tomamos decisões com base em cenários binários. Ela depende de construir um portfólio que funcione em mais de um cenário. Não aposte o patrimônio no resultado da urna. Movimentos bruscos às vésperas de uma eleição dividida costumam custar caro. Carteira se ajusta por processo, e nunca por pesquisa eleitoral. Movimentos bruscos às vésperas de uma eleição dividida costumam custar caro. Carteira se ajusta por processo, e nunca por pesquisa eleitoral. Reduza a dependência de um único país . Internacionalização é item obrigatório em qualquer alocação de um brasileiro que leva investimentos e liberdade financeira a sério. Ela deve ser construída de forma recorrente, não apenas quando o dólar dispara. . Internacionalização é item obrigatório em qualquer alocação de um brasileiro que leva investimentos e liberdade financeira a sério. Ela deve ser construída de forma recorrente, não apenas quando o dólar dispara. Proteja o poder de compra . Títulos atrelados à inflação seguem oferecendo juros reais historicamente elevados e cumprem papel de proteção em cenários de pressão fiscal. . Títulos atrelados à inflação seguem oferecendo juros reais historicamente elevados e cumprem papel de proteção em cenários de pressão fiscal. Revise a estrutura, não só os ativos . Tributação de dividendos, ITCMD progressivo e reforma tributária mudaram a conta de holdings, sucessão e distribuição de lucros. Para o empresário, empresa e pessoa física precisam ser planejadas juntas. . Tributação de dividendos, ITCMD progressivo e reforma tributária mudaram a conta de holdings, sucessão e distribuição de lucros. Para o empresário, empresa e pessoa física precisam ser planejadas juntas. Se a saída fiscal estiver no radar, faça com método. Uma saída mal planejada gera bitributação, contas encerradas na hora errada e problemas que levam anos para resolver. Planejamento patrimonial ganha importância em cenários desafiadores Ambientes previsíveis perdoam a falta de estrutura. Ambientes imprevisíveis cobram caro por ele. O Brasil de hoje está no segundo grupo. Por isso, mais do que nunca, é hora de estar bem acompanhado. Na Nord Wealth, olhamos o patrimônio de forma holística: alocação local e internacional, tributação, sucessão e proteção patrimonial integradas. Isso, sempre reforçando a nossa máxima, o alinhamento de interesses: nosso modelo é fee-based, sem comissão de produto. A nossa única meta é que o seu patrimônio atravesse os próximos anos protegido, qualquer que seja o resultado de domingo. Vote, torça e acompanhe a apuração. Mas, na segunda-feira, comece a cobrar e a se planejar. A Nord Wealth é a consultoria de wealth management independente da Nord Investimentos e a mais premiada do Brasil: é a única top performer presente nos rankings da XP e do BTG. Fundada em 2020, já soma mais de R$ 12 bilhões sob consultoria. Diferentemente das assessorias ligadas a bancos e corretoras, opera no modelo fee-based, em que o cliente remunera a consultoria diretamente e recebe de volta as comissões pagas pelos produtos financeiros. Por isso, nenhuma recomendação depende do que gera mais receita para quem recomenda. Uma equipe de mais de 20 analistas cobre renda fixa, renda variável, crédito privado, criptoativos e investimentos no exterior, com acesso a mais de 12 instituições financeiras no Brasil e parceiros internacionais.
Em Berlim, executivos cobram continuidade para destravar ferrovias no Brasil
Berlim O Brasil é o país do futuro. Desgastado, o clichê funciona para a infraestrutura ferroviária do "país de logística estrangulada", como descreve um executivo brasileiro na maior feira do setor no mundo, a InnoTrans, realizada na semana passada em Berlim. O evento bianual reuniu na capital alemã mais de 3.000 expositores de 59 países. Como de hábito, chamava a atenção do público a exibição de 113 veículos no imenso pátio interno da Messe Berlim. Trens-balas, composições movidas a hidrogênio e até bondes urbanos chegaram ao local por diversos meios, mas também por trilhos, que alcançam o centro de exposição por uma espécie de terminal particular. A discussão, como em quase todo lugar neste momento, era o advento da inteligência artificial, que poderia gerar de US$ 20 bilhões a US$ 50 bilhões em receitas adicionais à indústria, segundo cálculos da consultoria BCG. Vellink, modelo de trem regional da chinesa CRRC, recebe visitantes da InnoTrans, maior feira de infraestrutura ferroviária do mundo, realizada em Berlim, na semana passada - John MacDougall/AFP Em termos globais, não há como falar de crise. O crescimento anual esperado é superior a 3% anuais até 2031, com a região Ásia-Pacífico liderando os investimentos, especialmente na Índia. África e Oriente Médio têm a maior quantidade de planos de expansão. Publicidade As menções ao Brasil são breves, a despeito de ser um dos maiores mercados do mundo para o transporte ferroviário. "O Brasil é ‘o gigante por natureza’, mas precisamos de tranquilidade", afirma Victor Araújo, CEO da subsidiária brasileira da Plasser & Theurer, empresa familiar austríaca, uma das líderes mundiais da área. "Falta continuidade, é difícil entender o país. Se é complicado para nós, imagine para alguém sentado em Viena, apesar de ter 23 unidades ao redor do mundo." Publicidade Araújo observa que o setor ferroviário tem um ciclo longo de investimento e é dependente de dinheiro público. O executivo lembra de uma comparação frequentemente feita por pessoas do meio: um quilômetro de rodovia custa R$ 4 milhões; um quilômetro de ferrovia, R$ 30 milhões. Se o investimento é alto, o retorno a longo prazo é imbatível. "Você vê em outros países o que acontece. Depois que deslancha, o frete cai, os custos ficam mais baratos e o transporte, mais rápido." C-Level Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisões Essa era a intenção do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A atual administração chega ao fim deste ano ostentando o recorde de concessões de infraestrutura da história do país, com 50 leilões nas áreas de rodovias, portos e aeroportos, mais do que o alcançado nos governos Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso. No setor ferroviário, no entanto, R$ 154,9 bilhões de investimento previsto em projetos vão ser herdados pelo próximo governo. Somente um dos oito leilões da lista do Ministério dos Transportes deve ser realizado ainda neste ano, o do Corredor Minas-Rio. O certame será realizado por "chamamento público", em que a malha é oferecida em troca de investimento, modelagem que o governo adotou para buscar interessados em trechos hoje subutilizados ou abandonados. Publicidade Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), também presente à InnoTrans, vê o futuro do setor com otimismo, apesar dos muitos entraves. "Nos últimos cinco anos… Considerando que tivemos uma pandemia, então dois anos, houve um aumento de 25% do investimento na malha ferroviária, ou R$ 50 bilhões." Segundo o regulador, que tem cargo de Estado e continuará na agência no próximo mandato presidencial, qualquer que seja o eleito, a projeção "conservadora" para os próximos cinco anos é repetir a cifra com um novo crescimento em torno de 25% ou mesmo 30%. "Isso movimenta todo o ecossistema da indústria ferroviária." Os executivos aguardam. "Estou neste meio desde 2011. Alguns projetos andaram, mas continuam sendo os mesmos projetos, com embalagem, roupagem diferente", afirma Araújo, ponderando que vê avanços importantes na parte de carga com as autorizações, as concessões sem pagamento de outorga. "Hoje, para a gente entregar uma máquina, levamos em torno de 24 a 36 meses, dependendo do modelo. Uma decisão de um capex [investimento] desse tamanho não é comprar picolé. A falta de visão de longo prazo dificulta", diz o executivo da Plasser, que também defende uma versão do Finame do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) voltada para serviços. "Há muito equipamento no Brasil que precisa de atualização. Seria uma forma de acelerar a modernização da estrutura ferroviária." O país tem hoje 30 mil quilômetros de ferrovias concedidas à iniciativa privada, mas apenas 10 mil são operacionais. Publicidade A indústria voltada para o setor, no entanto, vai bem no país, segundo Leonardo Alves, diretor do braço brasileiro da Goldschmidt, "apesar de toda a situação que a gente vive". Há projeção de crescimento para os próximos três anos, com 8% previstos só para 2027. A perspectiva de novos leilões, autorizações e concessões é positiva, segundo o dirigente da empresa alemã, outra gigante do ramo. "A ida para esse modal não é mais uma questão de opção, é necessidade. A logística no Brasil está completamente estrangulada", afirma Alves. "Grandes players, como, por exemplo, a Bunge, no Centro-Oeste, já estão tentando propor ao governo projetos de construção de ferrovias. O rodoviário não aguenta mais." No horizonte de Alves e de autoridades da área está a perspectiva de resolução de projetos até aqui intrincados, como a Ferrogrão, a Ferrovia Centro-Atlântica, a Malha Oeste e o Anel Ferroviário do Sudeste, que liga o porto de Vitória no Espírito Santo ao porto do Açu, no Rio. Nesse último caso, com um mecanismo que carimba os recursos arrecadados para gastos na própria área, percebido como uma novidade promissora pela indústria. Publicidade "Deixamos bem encaminhada para este governo, sendo reeleito, ou outro que venha uma agenda bem estruturada e estruturante para os primeiros 6 meses do próximo ano. Projetos bem relevantes, que incluem também a conclusão da renovação da Ferrovia Tereza Cristina, no sul do Brasil, da FTL, a maior do Nordeste, muitas coisas", afirma Sampaio.
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