EUR/BRL
MoedaEuro/Real Brasileiro
Atualizado: 2026-09-17 13:55:00
Resumo Cambial: Euro/Real Brasileiro
O câmbio de Euro/Real Brasileiro (EUR/BRL) está cotado a R$ 5,9168 para compra e R$ 5,9168 para venda, registrando uma variação de +0.24% no pregão atual. Nas últimas horas de negociação, a moeda registrou a cotação mínima de R$ 5,8844 e a máxima de R$ 5,9414.
Outras Moedas em Destaque
Compare cotações de câmbio comercial e turismo das principais moedas do mundo
Notícias relacionadas
União Europeia oferece vaga ao Canadá e acena para o Brasil e outros países
Paris Esta é a edição da Euro Radar, a newsletter da Folha sobre a Europa. Quer recebê-la todas as quintas no seu email? Inscreva-se abaixo: Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Carregando... Circulavam rumores há dias, mas os eurodeputados se levantaram assim mesmo. Nesta quarta-feira (16), em Estrasburgo, no discurso anual sobre o Estado da União, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, virou-se para o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, sentado na primeira fila, e disse: "Gostaria de trabalhar com vocês para abrir a porta para que o Canadá seja o primeiro membro associado da União Europeia" —um título que, até esta quarta, não existia em nenhum tratado do bloco. O gesto, segundo a própria UE, não deve ser exclusividade canadense. Bernd Lange, que preside a comissão de comércio do Parlamento Europeu, disse que o bloco deveria buscar o mesmo tipo de aproximação com outras potências médias —e citou nominalmente Brasil, Indonésia, Japão e Coreia do Sul. O Reino Unido, que desde 2025 negocia um "reset" pós-Brexit com Bruxelas —já fechou um acordo sobre Gibraltar em julho e negocia agora entrada no mercado interno de eletricidade europeu—, é outro nome que ronda essa conversa. Ursula von der Leyen e Mark Carney no Parlamento Europeu, nesta quarta-feira (16), em Estrasburgo - Yves Herman/Reuters O anúncio dá corpo a uma tese que Carney vem defendendo desde janeiro, quando discursou em Davos sobre a necessidade de "potências médias" se unirem diante da nova geopolítica comercial de Donald Trump. "Quando negociamos bilateralmente com uma potência hegemônica, negociamos a partir da fraqueza: aceitamos o que nos é oferecido", disse ele na ocasião. "Isso não é soberania. É a performance da soberania, com subordinação de fato." Trump respondeu pessoalmente ao discurso, à época. Assim como a China, o Canadá impôs tarifas retaliatórias aos Estados Unidos na guerra comercial de Trump —mesmo dependendo do mercado americano para cerca de 75% de suas exportações. A paternidade do conceito de "membro associado", segundo o Le Monde, é do chanceler alemão Friedrich Merz, que o imaginou originalmente para a Ucrânia. Qualquer avanço formal exigirá aprovação unânime dos 27 países-membros. As resistências já apareceram na própria sessão desta quarta: o eurodeputado Nicola Procaccini, do Fratelli d'Italia (Irmãos da Itália), partido de extrema direita da primeira-ministra Giorgia Meloni, acusou Von der Leyen de "se curvar" ao canadense. Dez países, entre eles França e Itália, sequer ratificaram o Ceta, o acordo de livre-comércio UE-Canadá assinado em 2016. Carney, por sua vez, foi comedido no vocabulário. Descartou buscar a adesão plena —o artigo 49 do Tratado da União Europeia reserva a filiação a Estados europeus— e passou a falar em "aliança única", pedindo apenas que os dez países pendentes ratifiquem o Ceta, o acordo comercial já em vigor entre os dois lados. A reação de Trump não demorou. Na noite desta quarta, chamou a proposta de "ridícula" e ameaçou: se considerar isso um "ato hostil", vai impor "tarifas muito sérias" ou simplesmente parar de comercializar com a Europa. Nesta quinta de manhã, a Comissão Europeia respondeu por intermédio do porta-voz de comércio, Olof Gill: a aproximação com o Canadá "não é dirigida contra ninguém". Em Bruxelas, diplomatas já classificam a integração plena como "totalmente irrealista". No Canadá, o líder da oposição conservadora, Pierre Poilievre, resumiu a resistência doméstica: "Nunca seremos o 51º estado americano. E nunca seremos o 28º estado da União Europeia." O Canadá é apenas o primeiro teste de uma estratégia. A UE já namora outros parceiros. A cúpula UE-Canadá em Montreal, marcada para 29 e 30 de outubro, deve mostrar se sobrou alguma coisa da euforia de Estrasburgo. Frase da Semana Dentro de poucos anos, a inteligência artificial vai inspecionar mercadorias na fronteira, decidir quais declarações de impostos são auditadas, despachar trens, vigiar pacientes em enfermarias e processar pagamentos bancários Alarme com o pé no acelerador Foi um fim de semana insólito no Vale do Silício. Dario Amodei, da Anthropic, pediu que as empresas de ponta desacelerem o ritmo de avanço da IA. Sam Altman, da OpenAI, concordou. Elon Musk também: reproduziu um tweet seu de 2014, no qual dizia que a IA é "potencialmente mais perigosa que armas nucleares". Rivais raramente concordam em algo. Dessa vez, concordaram em pedir freio. Donald Trump discordou, em viagem à Irlanda. Segundo ele, os Estados Unidos lideram a corrida da IA sobre a China e pretendem seguir na frente. Quem vence essa corrida, disse o presidente, vence o resto. Na segunda (14), foi além. Num post no Truth Social, falou em um "complô malévolo" contra a IA e os data centers. O CEO da Anthropic Dario Amodei discursa em conferência na Califórnia, EUA - Carlos Barria - 15.set.26/Reuters A rivalidade com Pequim ajuda a explicar a resistência de Trump. O nervosismo do mercado financeiro explica o resto. A cada sinal de incerteza sobre a IA, o mercado reage: a Nasdaq caiu 0,8% na segunda, a Nvidia 3,4%, a japonesa SoftBank, acionista da OpenAI, despencou 10,7%. Com as eleições de meio de mandato marcadas para 3 de novembro, qualquer solavanco nas ações de tecnologia pesa contra o governo Trump. O pano de fundo piora. Os juros dos títulos americanos de dez anos bateram 5,04% nesta terça, o maior nível desde 2007, puxados pela alta do petróleo. O Brent passou dos US$ 109 em meio à guerra no Oriente Médio. Do outro lado do Atlântico, a pressão regulatória também cresce: dois dias depois, em Estrasburgo, Von der Leyen anunciou o "Kids Act", limitando o acesso de menores a chatbots de IA e redes sociais na Europa. Fé na regulação Enquanto Vale do Silício e Casa Branca discutem se travam ou aceleram a inteligência artificial, o papa Leão 14 escolheu o mesmo tema para sua primeira viagem à França, entre os dias 25 e 28 de setembro. No dia 25, visita à sede da Unesco, em Paris —a primeira visita de um papa à organização em mais de quatro décadas. O encontro, batizado de "dia de reflexão sobre inteligência artificial, educação e paz", inclui um fórum da juventude sobre a era digital e um discurso do próprio papa. A viagem segue com missas em Paris, Lourdes e Metz, mas é o capítulo da Unesco que carrega o recado mais direto: para o Vaticano, a IA também é questão de fé. Papa Leão 14 durante audiência geral semanal na praça São Pedro, no Vaticano - Andreas Solaro - 2.set.26/AFP A França no aperto A França enfrenta um aperto triplo: fiscal, energético e agora eleitoral. Os juros de sua dívida de dez anos bateram 4,5% nesta semana, o maior nível desde 2008, com o spread em relação à Alemanha alcançando 99 pontos-base, o mais largo desde 2012. Analistas do Goldman Sachs classificam o país como "particularmente vulnerável". O petróleo piora o quadro: o fechamento do oleoduto saudita e a tomada do estreito de Bab al-Mandab pelos rebeldes houthis elevaram o diesel a recordes na bomba, e pescadores bloquearam nesta terça (15) um depósito de combustível em Fos-sur-Mer. O governo Lecornu prepara o orçamento de 2027 com apenas sete meses até o primeiro turno da eleição presidencial, na qual Marine Le Pen lidera as pesquisas com folga, na casa dos 34%. No Radar O que monitorar até a próxima quarta-feira (23) 18 de setembro - O Banco do Japão decide sobre juros, com o mercado precificando 80% de chance de alta, para 1,25% —o maior nível em 31 anos. - O Banco do Japão decide sobre juros, com o mercado precificando 80% de chance de alta, para 1,25% —o maior nível em 31 anos. 21 de setembro - Abre a Climate Week NYC, em paralelo à Assembleia Geral da ONU. Reúne governos, empresas e investidores para discutir a transição energética, num ano em que a disputa por eletricidade entre data centers de IA e a indústria tradicional ganhou peso inédito. - Abre a Climate Week NYC, em paralelo à Assembleia Geral da ONU. Reúne governos, empresas e investidores para discutir a transição energética, num ano em que a disputa por eletricidade entre data centers de IA e a indústria tradicional ganhou peso inédito. 22 de setembro - Abre o Debate Geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. O Brasil discursa primeiro, como manda a tradição desde os anos 1950, seguido pelos Estados Unidos, país-sede. Corre em paralelo à disputa pela sucessão de António Guterres no cargo de secretário-geral, que termina o mandato em dezembro. Fora de Pauta O Petit Palais, em Paris, inaugurou nesta semana a primeira grande retrospectiva de Eva Gonzalès (1847-1883), única aluna aceita no ateliê de Édouard Manet. São quase cem obras —óleos, pastéis, gravuras— reunidas pela primeira vez desde uma homenagem póstuma organizada dois anos após sua morte, em 1885. Contemporânea de Berthe Morisot e Mary Cassatt, Gonzalès morreu aos 36 anos, e boa parte de seu acervo ficou dispersa em coleções particulares, entre elas a do príncipe Alberto 2º de Mônaco. A mostra, "Eva Gonzalès, o percurso de uma artista livre", fica em cartaz até 24 de janeiro de 2027.
Portuguesa 33N investe numa ronda de 234 milhões da startup de cibersegurança mais valiosa da Europa
Criada há quatro anos por Carlos Alberto Silva e Carlos Moreira da Silva, dois ex-homens Sonae, a capital de risco 33N Ventures, em parceria com a gestora espanhola Alantra, levantou 115 milhões de euros e fez até ao momento oito investimentos em empresas de cibersegurança e software de infraestrutura, tendo como joia da coroa a italiana Exein. A relação da 33N com a Exein começou há pouco mais de dois anos, quando a gestora liderou a Série B da empresa, o ponto de inflexão a partir do qual o crescimento acelerou e se sucederam várias rondas, contando sempre com a participação da capital de risco sediada no Porto. Entretanto, a 33N acaba de revelar que reforçou a sua posição na Exein que anunciou esta semana uma ronda de financiamento de 270 milhões de dólares (234,3 milhões de euros), “avaliando a empresa em 1,7 mil milhões de dólares [1,5 mil milhões de euros] e tornando-a na startup de cibersegurança mais valiosa da Europa na última década”, garante a gestora portuense, em comunicado. “Tecnologia única, execução exemplar e uma equipa fundadora com uma visão notável. A Exein é a líder de categoria em segurança de dispositivos, com escalabilidade praticamente ilimitada — e a oportunidade continua a crescer", afirma Carlos Alberto Silva, managing partner da 33N Ventures e membro do conselho de administração da Exein, que tem na gestora portuguesa o seu maior investidor. A ronda, liderada pela Headline “e com forte excesso de procura”, contou ainda, entre outros, com a participação da Sofina, Goldman Sachs, Banco Europeu de Investimento (EIB), KfW Capital e T.Capital, o braço de investimento da Deutsche Telekom, além da 33N Ventures, que é hoje um dos maiores investidores institucionais da empresa, com assento no conselho de administração. Nesta ronda, a 33N Ventures voltou a investir através do seu novo fundo para fases avançadas de crescimento (“growth fund”) — o primeiro investimento do veículo —, tendo assegurado uma alocação substancial, “fruto da excelente relação construída desde a Série B e do posicionamento da equipa no setor”, enfatiza. Desde que entrou na Exein, afiança, a avaliação da Exein “multiplicou-se cerca de 30 vezes”. Já a receita recorrente anual “quadruplicou no primeiro semestre de 2026” face ao mesmo período do ano passado, assegurou, sem detalhar. De acordo com a 33N, a tecnologia da Exein “protege mais de dois mil milhões de dispositivos em todo o mundo e está na linha da frente de uma transição estrutural: a inteligência artificial está a passar para os próprios dispositivos — robôs, drones, veículos autónomos —, criando uma nova superfície de ataque”, defende. Ainda segundo a capital de risco portuguesa, o mercado de segurança de dispositivos deverá crescer dos atuais cerca de 60 mil milhões de dólares para 426 mil milhões até 2034, “impulsionado também pela regulação, como o Cyber Resilience Act (CRA) europeu, que torna a segurança ao nível dos dispositivos obrigatória”, assinala.
Após críticas de Trump, Carney propõe 'próxima ordem mundial' no Parlamento Europeu
Berlim "Não estou propondo um terceiro bloco com o objetivo de nos tornarmos uma grande potência rival, apenas com melhores modos. Não buscamos poder para dominar os outros. Pelo contrário, buscamos resiliência para que ninguém, absolutamente ninguém, possa controlar nossos mercados abertos, prejudicar nossa soberania, ameaçar nossa integridade territorial ou minar nossas liberdades, nossas democracias e nosso Estado de Direito." Assim como Ursula von der Leyen na véspera, Mark Carney não citou Donald Trump em discurso ao Parlamento Europeu. Recados ao presidente americano, no entanto, se empilharam durante a fala de pouco mais de 20 minutos do primeiro-ministro canadense, nesta quinta-feira (17), em Estrasburgo. Horas antes, Trump havia reagido mal ao anúncio de que a União Europeia convidou o Canadá para se tornar um membro associado do bloco, um tipo de adesão inexistente até aqui. "Se eles fizerem isso, se eu achar que se trata de um ato hostil, vou impor tarifas muito pesadas ou interromper o comércio com a Europa em muitos setores", declarou o presidente na noite de quarta-feira. Mark Carney posa com a líder dos Verdes, Terry Reintke, que usa camisa da seleção canadense de hóquei antes do discurso do primeiro-ministro no Parlamento Europeu, nesta quinta-feira (17) - Yves Herman/Reuters Trump também chamou a proposta de "ridícula". Carney respondeu logo após deixar o púlpito do hemiciclo, como o Parlamento é chamado devido a seu formato. "Ninguém vai ditar nossa cultura nem com quem podemos firmar acordos internacionais." Em tom mais diplomático, afirmou que "um Canadá mais forte e resiliente seria um parceiro mais efetivo para os EUA". Os dois países estão comercialmente conflagrados desde agosto, com tarifas de 50% do lado americano e retaliação "dólar por dólar" do outro. Com cerca de 70% das exportações voltadas ao vizinho, o Canadá intensificou a procura por novos parceiros comerciais, pondo em prática o que Carney, no Fórum Econômico de Davos, no começo do ano, vaticinou como união das potências médias. Agora, foi além, descrevendo que, combinadas, as forças de Canadá e UE permitiriam a criação "da próxima ordem mundial". Uma ordem mais "justa, estável e próspera". Força e resiliência foram alguns dos termos que Carney repetiu com ênfase em seu discurso em Estrasburgo, inteiramente voltado à proposta de associação. Recebido com entusiasmo e pedidos de selfie por vários eurodeputados —líder dos Verdes, a alemã Terry Reintke vestia uma camisa de Sidney Crosby, capitão da seleção de hóquei do Canadá—, o premiê começou desfiando pontos de contato históricos entre os dois lados do Atlântico. Citou em alemão um trecho de Fausto, de Johann Wolfgang von Goethe ("Somente aquele que precisa conquistá-la diariamente merece a liberdade, assim como a vida"), para introduzir a batalha de Vimy Ridge, na Primeira Guerra Mundial, que virou um símbolo de unidade nacional para os canadenses. Em Pas-de-Calais, local do episódio, 248 acres da França foram cedidos perpetuamente ao Canadá para a construção de um memorial. Euro Radar Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris Carregando... A reminiscência histórica, por sua vez, serviu de base para falar das ameaças atuais. A sombra de Trump transparece em várias delas. "Hoje, nossas sociedades estão sendo assoladas por novas tempestades: as perturbações causadas pela mudança climática, a erosão das normas democráticas, a instrumentalização do comércio. As organizações multilaterais com as quais costumávamos contar foram enfraquecidas." Carney, na sequência, foi ainda mais explícito. "Hoje, é difícil conciliar soberania e abertura. A integração econômica está sendo instrumentalizada, e as tarifas são utilizadas para exercer pressão. Mecanismos financeiros têm sido empregados para fins de coerção. As cadeias de abastecimento constituem pontos fracos a serem explorados." Os minerais críticos, um dos principais argumentos por trás da associação, também ganharam ênfase na fala do premiê. "Todos nós temos lacunas importantes nessas capacidades estratégicas, e cada um de nós precisa contar com nações ou empresas específicas para preenchê-las. Isso gera vulnerabilidades, especialmente quando empresas supostamente globais se revelam nacionais na hora da crise." Carney observou que não é possível preencher essas lacunas sozinho. "Mas, coletivamente, isso é perfeitamente viável. O Canadá e a Europa são fortes individualmente. A Europa e o Canadá são mais fortes juntos", disse, arrancando aplausos da plateia. Eleito no ano passado com a promessa de enfrentar a guerra comercial de Trump e suas bravatas expansionistas, como a que descreve o Canadá como 51° estado americano, Carney lembrou que até os mapas, de certa forma, confirmam a proximidade entre seu país e a UE. "Canadá e Europa não estão ligados por laços geográficos, embora nossos amigos dinamarqueses saibam que compartilhamos uma fronteira de 3.000 quilômetros no Ártico. Estamos ligados por uma afinidade. Eleita, escolhida, renovada e, por isso mesmo, ainda mais forte", disse o premiê.