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Atualizado: 2026-08-18 13:10:39
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Os melhores países para estrangeiros morarem em 2026 (o Brasil está na lista)
BBC Travel A pesquisa Expat Insider 2026, da InterNations (uma comunidade global de pessoas que moram e trabalham no exterior), avaliou 31 países, em termos de qualidade de vida, facilidade de adaptação, possibilidades de trabalho, finanças pessoais e as necessidades básicas do dia a dia, como moradia e serviços digitais. Entre os vencedores deste ano, as avaliações de cordialidade e custo de vida foram as que causaram maiores impactos. Sete dos dez primeiros destinos também ficaram entre os lugares mais fáceis para se estabelecer. E cinco eram os líderes mundiais no quesito de finanças pessoais. Brasil figura entre os melhores países para morar em 2026 - Getty Images via BBC A BBC conversou com expatriados dos cinco primeiros colocados, para saber por que eles se mudaram para aqueles países, como se adaptaram e o que os possíveis novos moradores devem saber antes de viajar. 1.PANAMÁ O Panamá ocupa a liderança da pesquisa pelo terceiro ano consecutivo. O país foi o primeiro colocado nos índices de Trabalho no Exterior e Finanças Pessoais. Dentre os imigrantes pesquisados residentes no país, 87% estão felizes com a vida no exterior, em comparação com a média global de 70%. E 90% afirmam que é fácil encontrar moradia. Ariel Barrionuevo se mudou da Argentina para o litoral panamenho do Caribe oito anos atrás. Ele passou rapidamente a ter um sono mais profundo, acordar descansado e se sentir mais presente. "Percebi que não era porque eu estava de férias, mas porque este lugar tem um ritmo próprio", conta Barrionuevo. Agora, ele é diretor do Hotel La Coralina Island House, na ilha Colón. Seu dia típico inclui uma parada à beira-mar, caminhar pelo jardim tropical e ouvir o canto dos pássaros. "É um ritual simples, mas me lembra, todos os dias, por que decidi morar aqui", ele conta. Barrionuevo acha o custo de vida no Panamá mais baixo que na Argentina e destaca a estabilidade econômica, que faz com que o planejamento e os negócios sejam mais previsíveis. Panamá é o único país da América Central entre os dez escolhidos para estrangeiros em 2026 - Getty Images via BBC Reza Motalebpour se mudou do Canadá para a Cidade do Panamá em 2026. Ela conta que o trabalho remoto é fácil, com internet confiável disponível em casa e nos espaços de co-working. Motalebpour também percebeu que os serviços bancários são simples, especialmente porque a economia do país é dolarizada. A taxa de câmbio pode inicialmente fazer os custos parecerem altos para os canadenses. Mas ela explica que as contas dos serviços essenciais, prêmios de seguro e impostos sobre imóveis no Panamá são relativamente baixos. Com isso, o custo de vida em geral ainda é favorável. A vida no Panamá também tem seus atropelos. Barrionuevo menciona as entregas demoradas e o clima, que pode reverter rapidamente os planos na ilha onde ele mora. Mas ele não se arrepende de ter escolhido um estilo de vida mais lento. E incentiva os visitantes ou possíveis imigrantes a tomar a mesma decisão. Barrionuevo recomenda visitar Bluff Beach, comprar frutas frescas em uma barraca à beira da estrada e passar a tarde observando os surfistas em Paunch Beach. "Cheguei pensando que estava me mudando para um destino bonito", ele conta. "Agora, na verdade, vejo que estava adotando uma forma de vida diferente, que valoriza o tempo e não a velocidade, as experiências e não as posses e a conexão, não a atividade constante." 2.MÉXICO Em primeiro lugar no quesito Facilidade de Acomodação, o México ocupa o segundo lugar geral e segue sendo o país mais fácil do mundo para que os expatriados se sintam em casa. Fazer amigos locais é fácil para 73% dos pesquisados, bem acima da média global de 39%. O círculo social é majoritariamente local para duas vezes a média global dos expatriados. "Fiz amigos melhores no exterior do que eu tinha em Chicago", afirma Kirsten Raccuia, responsável pelo blog de expatriados Sand in My Curls. Ela e seu marido se mudaram dos Estados Unidos para Puerto Vallarta, no oeste do México, em 2022. Eles dizem que o senso de comunidade e o baixo custo de vida os mantiveram naquele local. Praia de Puerto Vallarta, no México, é um dos destinos naturais do país da América do Norte - Getty Images via BBC Raccuia conta que os tacos de rua custam cerca de um dólar (R$ 5,20) e uma recente cirurgia de emergência de retirada de apêndice, incluindo a internação hospitalar, custou menos de US$ 4 mil (R$ 20,8 mil), um valor inimaginável nos Estados Unidos. Para vivenciar melhor a cidade, Raccuia recomenda tomar café da manhã nos mercados locais e visitar a praia no domingo, quando as famílias se reúnem. "Sim, é coisa de turista, mas os moradores locais também fazem", segundo ela. Uma ressalva: o México ficou em 25° lugar em segurança entre os 31 países pesquisados, com 68% dos expatriados avaliando positivamente sua segurança pessoal. A média global é de 81%. 3.TAILÂNDIA Terceira colocada em geral, a Tailândia recebe os expatriados mais felizes do mundo —86% deles relatam satisfação com a vida no exterior. O país também recebeu a maior avaliação da pesquisa no quesito custo de vida, Foram 85% de opiniões positivas, mais que o dobro da média global. "Nós quatro comemos pelo equivalente a cerca de US$ 1,35" (R$ 7), conta Bethan Jeentipraphet, relembrando sua primeira refeição de rua na capital tailandesa, Bancoc. A britânica mãe de dois filhos se mudou de Devon, no sudoeste da Inglaterra, em 2024, com seu marido tailandês. A intenção era ficar um ano, mas, "depois de duas semanas, eu sabia que não iria voltar". Jeentipraphet afirma que o sistema educacional da Tailândia transformou seu filho. "O respeito é enorme na cultura tailandesa e os estudantes, aqui, certamente têm o máximo respeito pela educação", ela conta. "Ele é uma criança totalmente nova." O custo de vida da Tailândia foi bem avaliado, com elogios também à comida, cultura e qualidade de vida do país - Getty Images via BBC Aaron Henry se mudou de Los Angeles, nos Estados Unidos, 11 anos atrás. Para ele, Bancoc se modernizou sem mudar sua cultura. "A cidade preservou os aspectos únicos da cultura tailandesa e, especialmente na última década, explodiu em termos de cozinha internacional, parques excepcionais, galerias de arte e shopping centers de luxo", descreve Henry. Ele recomenda caminhar pelos bairros que recebem menos turistas, como Ari e Phra Khanong, para observar a cidade como fazem os moradores. Jeentipraphet recomenda que os recém-chegados se esforcem para compreender e respeitar os costumes locais, retirando os sapatos antes de entrar nas casas e ouvindo de pé, respeitosamente, o hino nacional, executado em público todos os dias, às 8 e às 18 horas. "Para os expatriados dispostos a adotar a cultura tailandesa e incorporar as normas culturais, a Tailândia pode ser um lugar extremamente recompensador para se viver." 4.EMIRADOS ÁRABES UNIDOS Com altas notas em Perspectivas de Carreira e Necessidades Básicas para Expatriados (incluindo vistos e idioma), os moradores internacionais acomodam sua vida e constroem suas carreiras nos Emirados Árabes Unidos com facilidade. A InterNations realizou a pesquisa em fevereiro e março de 2026, pouco antes e depois do início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por isso, os resultados refletem seus impactos apenas parcialmente. Mas os expatriados que continuam morando nos Emirados afirmam que, apesar de alguns ajustes, a vida continuou praticamente inalterada. "O dia a dia em Dubai parece normal", segundo a consultora de imagem Michelle Sterling. Ela divide seu tempo entre Dubai e os Estados Unidos, mas, atualmente, prefere os Emirados. "Para mim, Dubai oferece um estilo de vida que parece mais seguro, mais confortável e mais barato." Os mercados do bairro tradicional de Bur Dubai e seus restaurantes mostram melhor o dia a dia da cidade aos visitantes - Getty Images via BBC Nikita Oruganty se mudou de Londres para Dubai no início deste ano, para trabalhar em comunicações. Ela conta que o ambiente acolhedor continua fazendo dos Emirados Árabes Unidos um país atraente. "Outros países estão dificultando as regras de imigração, mas os EAU sempre receberam bem os expatriados", afirma ela. Oruganty reconhece como as autoridades do país tratam da segurança e das comunicações durante períodos de incerteza. "Esta sensação de estabilidade é muito importante quando se vive no exterior, sem a proximidade da sua família", ela conta. Para observar como os moradores realmente vivem, Oruganty recomenda passar pelo menos um dia longe da versão de luxo da cidade, andar de metrô na hora do rush, caminhar pelos bairros tradicionais de Bur Dubai e Deira, cruzar Dubai Creek de abra (a balsa de madeira tradicional) e comer em um pequeno restaurante indiano, filipino ou libanês. "É ali que você observa o dia a dia de Dubai, muito mais comum do que sugere sua imagem internacional", explica ela. Além de Dubai, a expatriada britânica Sharon Mckernan mora em Ras Al Khaimah há oito anos e nunca pensou em voltar. "Gosto do ritmo de vida simples e prático", segundo ela. "Não existe a correria constante, o tráfego é menor e, geralmente, há menos complicações diárias, o que nos oferece mais tempo com a família para ir à piscina, à praia ou visitar as montanhas por aqui." Mckernan também destaca que a assistência médica é rápida e eficiente e que fez amigos com facilidade, com pessoas de todo o mundo. Para os visitantes, ela sugere observar o pôr do sol em Jebel Jais, a montanha mais alta dos Emirados Árabes Unidos, ou visitar a aldeia histórica de Al Jazirah Al Hamra. "Ela oferece um lado dos Emirados que é diferente e relativamente desconhecido da maioria", segundo ela. 5. BRASIL O Brasil aparece pela primeira vez entre os cinco primeiros, após ocupar a 15ª posição no ano passado. O país contou com altas avaliações de felicidade, facilidade de acomodação, cordialidade e cultura local. E muitos expatriados afirmam que o calor humano das pessoas faz com que eles se sintam em casa. "Você pode encontrar alguém pela primeira vez na quinta-feira e ir à casa daquela pessoa no sábado comer churrasco", conta Clint Manning. Ele se mudou de Barbados para São Paulo para abrir o seu negócio. "Como vim de Barbados, onde tive um estilo de vida similar, parece muito com a minha casa, mas em escala muito maior." O Ibirapuera, em São Paulo, é um dos maiores parques urbanos da América Latina - Getty Images via BBC Manning relembra que nem todas as pessoas falam inglês no Brasil, o que ele considera uma vantagem. "Para alguém realmente interessado em aprender o idioma, é uma experiência fantástica, pois você é forçado a se comunicar em português por necessidade", conta ele. "Fiquei fluente com muito mais rapidez do que se estivesse tentando aprender dinamarquês ou alemão, na Dinamarca ou na Alemanha." Em São Paulo, Manning recomenda aos estrangeiros visitar os bares e padarias da Vila Madalena e da Bela Vista, comer sushi no bairro japonês da Liberdade e praticar atividades físicas no parque do Ibirapuera, um dos maiores da América Latina. Mas, mais do que qualquer local ou cenário, os expatriados afirmam que os moradores locais criam a melhor sensação de pertencimento. "Eles são verdadeiramente interessados e curiosos para me conhecer e fazer com que eu me sinta incluído desde o princípio", conta Chris Kohl, que morou em São Paulo por 12 anos. "Em vez de fazerem com que eu me sentisse um estrangeiro, os brasileiros me fizeram sentir pertencimento." Os 10 melhores países para estrangeiros morarem em 2026 são Panamá, México, Tailândia, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Espanha, Singapura, Portugal, Malásia e Luxemburgo Texto publicado originalmente aqui.
Os melhores países para estrangeiros morarem em 2026 (o Brasil está na lista)
Os melhores países para estrangeiros morarem em 2026 (o Brasil está na lista) Crédito, Reuters Author, Lindsey Galloway Role, BBC Travel Published 17 agosto 2026, 16:59 -03 Atualizado Há 7 minutos Tempo de leitura: 9 min A pesquisa Expat Insider 2026, da InterNations (uma comunidade global de pessoas que moram e trabalham no exterior), avaliou 31 países, em termos de qualidade de vida, facilidade de adaptação, possibilidades de trabalho, finanças pessoais e as necessidades básicas do dia a dia, como moradia e serviços digitais. Entre os vencedores deste ano, as avaliações de cordialidade e custo de vida foram as que causaram maiores impactos. Sete dos 10 primeiros destinos também ficaram entre os lugares mais fáceis para se estabelecer. E cinco eram os líderes mundiais no quesito finanças pessoais. A BBC conversou com expatriados dos cinco primeiros colocados, para saber por que eles se mudaram para aqueles países, como se adaptaram e o que os possíveis novos moradores devem saber antes de viajar. 1. Panamá O Panamá ocupa a liderança da pesquisa pelo terceiro ano consecutivo. O país foi o primeiro colocado nos índices de Trabalho no Exterior e Finanças Pessoais. Dentre os imigrantes pesquisados residentes no país, 87% estão felizes com a vida no exterior, em comparação com a média global de 70%. E 90% afirmam que é fácil encontrar moradia. Ariel Barrionuevo se mudou da Argentina para o litoral panamenho do Caribe oito anos atrás. Ele passou rapidamente a ter um sono mais profundo, acordar descansado e se sentir mais presente. "Percebi que não era porque eu estava de férias, mas porque este lugar tem um ritmo próprio", conta Barrionuevo. Agora, ele é diretor do Hotel La Coralina Island House, na ilha Colón. Seu dia típico inclui uma parada à beira-mar, caminhar pelo jardim tropical e ouvir o canto dos pássaros. "É um ritual simples, mas me lembra, todos os dias, por que decidi morar aqui", ele conta. Barrionuevo acha o custo de vida no Panamá mais baixo que na Argentina e destaca a estabilidade econômica, que faz com que o planejamento e os negócios sejam mais previsíveis. Crédito, Getty Images Legenda da foto, Reza Motalebpour elogia a facilidade de trabalhar remotamente na Cidade do Panamá Reza Motalebpour se mudou do Canadá para a Cidade do Panamá em 2026. Ela conta que o trabalho remoto é fácil, com internet confiável disponível em casa e nos espaços de co-working. Motalebpour também percebeu que os serviços bancários são simples, especialmente porque a economia do país é dolarizada. A taxa de câmbio pode inicialmente fazer os custos parecerem altos para os canadenses. Mas ela explica que as contas dos serviços essenciais, prêmios de seguro e impostos sobre imóveis no Panamá são relativamente baixos. Com isso, o custo de vida em geral ainda é favorável. A vida no Panamá também tem seus atropelos. Barrionuevo menciona as entregas demoradas e o clima, que pode reverter rapidamente os planos na ilha onde ele mora. Mas ele não se arrepende de ter escolhido um estilo de vida mais lento. E incentiva os visitantes ou possíveis imigrantes a tomar a mesma decisão. Barrionuevo recomenda visitar Bluff Beach, comprar frutas frescas em uma barraca à beira da estrada e passar a tarde observando os surfistas em Paunch Beach. "Cheguei pensando que estava me mudando para um destino bonito", ele conta. "Agora, na verdade, vejo que estava adotando uma forma de vida diferente, que valoriza o tempo e não a velocidade, as experiências e não as posses e a conexão, não a atividade constante." 2. México Em primeiro lugar no quesito Facilidade de Acomodação, o México ocupa o segundo lugar geral e segue sendo o país mais fácil do mundo para que os expatriados se sintam em casa. Fazer amigos locais é fácil para 73% dos pesquisados, bem acima da média global de 39%. O círculo social é majoritariamente local para duas vezes a média global dos expatriados. "Fiz amigos melhores no exterior do que eu tinha em Chicago", afirma Kirsten Raccuia, responsável pelo blog de expatriados Sand in My Curls. Ela e seu marido se mudaram dos Estados Unidos para Puerto Vallarta, no oeste do México, em 2022. Eles dizem que o senso de comunidade e o baixo custo de vida os mantiveram naquele local. Crédito, Getty Images Legenda da foto, As praias e o forte senso de comunidade de Puerto Vallarta, no oeste do México, fizeram do local uma escolha popular entre os estrangeiros Raccuia conta que os tacos de rua custam cerca de um dólar (R$ 5,20) e uma recente cirurgia de emergência de retirada de apêndice, incluindo a internação hospitalar, custou menos de US$ 4 mil (cerca de R$ 20,8 mil), um valor inimaginável nos Estados Unidos. Para vivenciar melhor a cidade, Raccuia recomenda tomar café da manhã nos mercados locais e visitar a praia no domingo, quando as famílias se reúnem. "Sim, é coisa de turista, mas os moradores locais também fazem", segundo ela. Uma ressalva: o México ficou em 25° lugar em segurança entre os 31 países pesquisados, com 68% dos expatriados avaliando positivamente sua segurança pessoal. A média global é de 81%. 3. Tailândia Terceira colocada em geral, a Tailândia recebe os expatriados mais felizes do mundo — 86% deles relatam satisfação com a vida no exterior. O país também recebeu a maior avaliação da pesquisa no quesito Custo de Vida, Foram 85% de opiniões positivas, mais que o dobro da média global. "Nós quatro comemos pelo equivalente a cerca de US$ 1,35" (cerca de R$ 7), conta Bethan Jeentipraphet, relembrando sua primeira refeição de rua na capital tailandesa, Bangkok. A britânica mãe de dois filhos se mudou de Devon, no sudoeste da Inglaterra, em 2024, com seu marido tailandês. A intenção era ficar um ano, mas, "depois de duas semanas, eu sabia que não iria voltar". Jeentipraphet afirma que o sistema educacional da Tailândia transformou seu filho. "O respeito é enorme na cultura tailandesa e os estudantes, aqui, certamente têm o máximo respeito pela educação", ela conta. "Ele é uma criança totalmente nova." Crédito, Getty Images Legenda da foto, O custo de vida da Tailândia foi bem avaliado, com elogios também à comida, cultura e qualidade de vida do país Aaron Henry se mudou de Los Angeles, nos Estados Unidos, 11 anos atrás. Para ele, Bangkok se modernizou sem mudar sua cultura. "A cidade preservou os aspectos únicos da cultura tailandesa e, especialmente na última década, explodiu em termos de cozinha internacional, parques excepcionais, galerias de arte e shopping centers de luxo", descreve Henry. Ele recomenda caminhar pelos bairros que recebem menos turistas, como Ari e Phra Khanong, para observar a cidade como fazem os moradores. Jeentipraphet recomenda que os recém-chegados se esforcem para compreender e respeitar os costumes locais, retirando os sapatos antes de entrar nas casas e ouvindo de pé, respeitosamente, o hino nacional, executado em público todos os dias, às 8 e às 18 horas. "Para os expatriados dispostos a adotar a cultura tailandesa e incorporar as normas culturais, a Tailândia pode ser um lugar extremamente recompensador para se viver." 4. Emirados Árabes Unidos Com altas notas em Perspectivas de Carreira e Necessidades Básicas para Expatriados (incluindo vistos e idioma), os moradores internacionais acomodam sua vida e constroem suas carreiras nos Emirados Árabes Unidos com facilidade. A InterNations realizou a pesquisa em fevereiro e março de 2026, pouco antes e depois do início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã. Por isso, os resultados refletem seus impactos apenas parcialmente. Mas os expatriados que continuam morando nos Emirados afirmam que, apesar de alguns ajustes, a vida continuou praticamente inalterada. "O dia a dia em Dubai parece normal", segundo a consultora de imagem Michelle Sterling. Ela divide seu tempo entre Dubai e os Estados Unidos, mas, atualmente, prefere os Emirados. "Para mim, Dubai oferece um estilo de vida que parece mais seguro, mais confortável e mais barato." Crédito, Getty Images Legenda da foto, Os mercados do bairro tradicional de Bur Dubai e seus restaurantes mostram melhor o dia a dia da cidade aos visitantes Nikita Oruganty se mudou de Londres para Dubai no início deste ano, para trabalhar em comunicações. Ela conta que o ambiente acolhedor continua fazendo dos Emirados Árabes Unidos um país atraente. "Outros países estão dificultando as regras de imigração, mas os EAU sempre receberam bem os expatriados", afirma ela. Oruganty reconhece como as autoridades do país tratam da segurança e das comunicações durante períodos de incerteza. "Esta sensação de estabilidade é muito importante quando se vive no exterior, sem a proximidade da sua família", ela conta. Para observar como os moradores realmente vivem, Oruganty recomenda passar pelo menos um dia longe da versão de luxo da cidade, andar de metrô na hora do rush, caminhar pelos bairros tradicionais de Bur Dubai e Deira, cruzar Dubai Creek de abra (a balsa de madeira tradicional) e comer em um pequeno restaurante indiano, filipino ou libanês. "É ali que você observa o dia a dia de Dubai, muito mais comum do que sugere sua imagem internacional", explica ela. Além de Dubai, a expatriada britânica Sharon Mckernan mora em Ras Al Khaimah há oito anos e nunca pensou em voltar. "Gosto do ritmo de vida simples e prático", segundo ela. "Não existe a correria constante, o tráfego é menor e, geralmente, há menos complicações diárias, o que nos oferece mais tempo com a família para ir à piscina, à praia ou visitar as montanhas por aqui." Mckernan também destaca que a assistência médica é rápida e eficiente e que fez amigos com facilidade, com pessoas de todo o mundo. Para os visitantes, ela sugere observar o pôr do sol em Jebel Jais, a montanha mais alta dos Emirados Árabes Unidos, ou visitar a aldeia histórica de Al Jazirah Al Hamra. "Ela oferece um lado dos Emirados que é diferente e relativamente desconhecido da maioria", segundo ela. 5. Brasil O Brasil aparece pela primeira vez entre os cinco primeiros, após ocupar a 15ª posição no ano passado. O país contou com altas avaliações de felicidade, facilidade de acomodação, cordialidade e cultura local. E muitos expatriados afirmam que o calor humano das pessoas faz com que eles se sintam em casa. "Você pode encontrar alguém pela primeira vez na quinta-feira e ir à casa daquela pessoa no sábado comer churrasco", conta Clint Manning. Ele se mudou de Barbados para São Paulo para abrir o seu negócio. "Como vim de Barbados, onde tive um estilo de vida similar, parece muito com a minha casa, mas em escala muito maior." Crédito, Getty Images Legenda da foto, O Ibirapuera, em São Paulo, é um dos maiores parques urbanos da América Latina Manning relembra que nem todas as pessoas falam inglês no Brasil, o que ele considera uma vantagem. "Para alguém realmente interessado em aprender o idioma, é uma experiência fantástica, pois você é forçado a se comunicar em português por necessidade", conta ele. "Fiquei fluente com muito mais rapidez do que se estivesse tentando aprender dinamarquês ou alemão, na Dinamarca ou na Alemanha." Em São Paulo, Manning recomenda aos estrangeiros visitar os bares e padarias da Vila Madalena e da Bela Vista, comer sushi no bairro japonês da Liberdade e praticar atividades físicas no parque do Ibirapuera, um dos maiores da América Latina. Mas, mais do que qualquer local ou cenário, os expatriados afirmam que os moradores locais criam a melhor sensação de pertencimento. "Eles são verdadeiramente interessados e curiosos para me conhecer e fazer com que eu me sinta incluído desde o princípio", conta Chris Kohl, que morou em São Paulo por 12 anos. "Em vez de fazerem com que eu me sentisse um estrangeiro, os brasileiros me fizeram sentir pertencimento." Os 10 melhores países para estrangeiros morarem em 2026
A vida em El Salvador 4 anos sob Bukele: 'O medo agora é outro'
A vida em El Salvador 4 anos sob Bukele: 'O medo agora é outro' Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Marta Elena González segura retrato de filho morto após ser preso no regime de exceção. Author, João Fellet e Felix Lima Role, Enviados da BBC News Brasil a El Salvador Published Há 8 minutos Tempo de leitura: 13 min Caminhando por um bairro de El Salvador erguido no alto de um morro, Adélia Rosales aponta para um beco: "Aqui apareceram cinco pessoas mortas". Fazia poucos anos que ela morava com o marido e dois filhos pequenos na Campanera, bairro nos arredores da capital San Salvador que, na década passada, ganhou fama como um dos mais perigosos do planeta. "Estávamos saindo para a igreja com meus filhos quando ouvimos a comoção", lembra Adélia. "Foi então que percebemos que já havia uma grande quantidade de mortos no bairro." Professora do ensino infantil, ela diz que dias como aquele eram comuns nos vários anos em que a Campanera abrigou líderes da Barrio 18, uma das facções criminosas que fizeram de El Salvador, país na América Central com 6 milhões de habitantes, a nação com a maior taxa de homicídios do mundo em 2015. Grande parte das mortes se devia à guerra travada entre a Barrio 18 e sua rival, a Mara Salvatrucha. Em 2022, porém, Adélia diz que o cenário começou a mudar. Foi quando o Congresso de El Salvador, controlado por aliados do presidente Nayib Bukele, decretou um regime de exceção e impôs medidas drásticas para combater a criminalidade. Entre outros pontos, as medidas passaram a permitir que a polícia prendesse pessoas sem mandado e as mantivesse presas por longos períodos antes de uma acusação formal, além de dificultar o acesso de detidos à defesa. Desde o início do regime de exceção, que segue em vigor, cerca de 90 mil pessoas foram encarceradas e acusadas de ligações com as facções em El Salvador — incluindo todos os criminosos que aterrorizavam a Campanera, segundo Adélia. Em visita à Campanera no fim de maio, a equipe da BBC News Brasil não notou qualquer sinal da presença de facções: crianças brincavam nas ruas até tarde da noite, clientes comiam em barracas de lanche e dezenas de soldados com fuzis patrulhavam a vizinhança. "Nem em sonho imaginava que um dia viria isso tudo mudar — e tão rápido", afirma a professora. A política implantada por Bukele é abordada em "El Salvador: quando a exceção vira regra", documentário da BBC News Brasil disponível no YouTube. O filme trata dos efeitos do regime de exceção no cotidiano do país: de um lado, comunidades que se dizem aliviadas com o fim do domínio das facções; de outro, mães que afirmam ter filhos presos sem provas e moradores que relatam medo de se expressar ou criticar um governo que consideram cada vez mais autoritário. Pule YouTube post Aceita conteúdo do Google YouTube? Este item inclui conteúdo extraído do Google YouTube. Pedimos sua autorização antes que algo seja carregado, pois eles podem estar utilizando cookies e outras tecnologias. Você pode consultar a política de uso de cookies e os termos de privacidade do Google YouTube antes de concordar. Para acessar o conteúdo clique em "aceitar e continuar". Aceite e continue Alerta: A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos YouTube conteúdo pode conter propaganda. Final de YouTube post Conteúdo não disponível Veja mais em YouTube A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos. O documentário aborda ainda os desafios de replicar o modelo de Bukele em outros países. Em várias nações latino-americanas, eleições presidenciais recentes foram vencidas por candidatos que prometeram adotar medidas semelhantes às do presidente salvadorenho no combate à criminalidade. O modelo de Bukele também está no centro do debate na eleição de 2026 no Brasil, em que candidatos como Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) dizem se inspirar no presidente de El Salvador e pretender adotar políticas alinhadas com seus métodos caso vençam. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, A professora Adélia Rosales celebra Bukele pela captura de criminosos em seu bairro Bukele tornou-se uma referência para políticos de outros países e desfruta de alta popularidade em El Salvador graças à transformação na Campanera e em vários outros bairros antes controlados por facções. Em julho, um ranking da consultoria CB Global Data apontou Bukele como o líder mais popular da América Latina, com 67,4% de aprovação em El Salvador. Para impor sua política de segurança, porém, o presidente concentrou poderes em um grau sem precedentes na história recente do país — cenário que tem levado críticos a acusá-lo de intimidar a oposição e enfraquecer as instituições democráticas. Ele nega as acusações. Hoje, 57 dos 60 deputados da Assembleia Legislativa apoiam Bukele. A professora Adélia Rosales diz que muitos eleitores nem sabem os nomes dos deputados. "Votamos às cegas, desde que eles se comprometam a apoiar o presidente", afirma. Desde 2021, Bukele também não enfrenta qualquer oposição relevante no Judiciário. Naquele ano, o Congresso, alinhado ao presidente, destituiu cinco juízes da Sala Constitucional — órgão equivalente ao Supremo Tribunal Federal brasileiro —, substituindo-os por nomes simpáticos ao governo. Outras mudanças legais e decisões judiciais recentes aprovaram a possibilidade de reeleições ilimitadas e ampliaram o mandato presidencial para 6 anos. Bukele já anunciou que disputará a eleição de 2027 em busca de um terceiro mandato. Uma vitória o manteria no poder até 2033, totalizando 14 anos no cargo. Crédito, Getty Legenda da foto, Bukele se tornou uma referência para muitos políticos latino-americanos de direita Queda dos homicídios, aumento da pobreza A equipe da BBC News Brasil esteve em El Salvador por 10 dias entre maio e junho, visitando diferentes regiões do interior e do litoral do país, além da capital. Um dos reflexos mais visíveis da melhoria nos indicadores de segurança é o boom imobiliário que o país vive hoje — em parte, alimentado por salvadorenhos que moram no exterior, apoiam Bukele e investem na terra natal. Em lançamentos imobiliários no litoral e na capital San Salvador, apartamentos com três quartos podem custar mais de meio milhão de dólares — o dólar é a moeda do país desde 2001. Em 2025, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia de El Salvador cresceu 3,9% — acima da média de crescimento na América Central (2,6%) e da média de crescimento nos cinco anos anteriores ao governo Bukele (2,4%). O desemprego fechou o ano em 4,72%. Os bons índices econômicos, porém, não têm se traduzido em uma diminuição dos níveis de pobreza — pelo contrário. Segundo o Banco Mundial, entre 2019 e 2023 (último ano com dados disponíveis), a proporção de domicílios salvadorenhos abaixo da linha nacional de pobreza passou de 22,8% para 27,2%, enquanto o percentual de famílias abaixo da linha de extrema pobreza foi de 4,3% a 8,8%. O banco diz que o aumento da pobreza num cenário de crescimento da economia se explica, em parte, por uma diminuição da renda e da qualidade do trabalho entre os salvadorenhos mais pobres. Muitos moradores entrevistados pela BBC News Brasil se disseram preocupados com a economia, o mercado de trabalho e os custos de vida no país. No centro de San Salvador, palco de uma reforma urbanística que se tornou uma das principais vitrines do governo de Bukele, os contrastes entre a velha e a nova El Salvador ficam evidentes. Nos poucos quarteirões revitalizados, há turistas, a fiação elétrica foi enterrada e as calçadas e os parques estão bem cuidados. Mas, nas quadras vizinhas, o cenário é outro: há muito lixo nas ruas, vendedores ambulantes e edifícios mal conservados. Para o vendedor de sucata José Manuel, poucos salvadorenhos têm se beneficiado do momento econômico do país, enquanto a maioria da população luta para sobreviver. Segundo ele, a reforma do Centro da cidade é uma "maquiagem para que pensem que estamos bem". "Não há esperança de sairmos desse ciclo, porque não há empregos", ele afirma enquanto caminha entre velhos televisores, bicicletas usadas e outras quinquilharias. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Para vendedor, reforma no centro de San Salvador é uma 'maquiagem para que pensem que estamos bem' Causas estruturais da violência Para Juan Carlos Torres, analista de segurança e professor da Universidade Don Bosco, em San Salvador, Bukele atacou a face mais visível da violência, mas não suas causas, como a pobreza e a desigualdade. Para ele, a popularidade do presidente se deve, em parte, à sua habilidade em usar a comunicação para convencer os salvadorenhos de que "vivemos no país mais seguro do mundo". "Isso faz com que as pessoas acreditem nisso e peguem o telefone [para fazer uma denúncia] se veem algum delinquente", afirma Torres. Em 2025, o país teve 1,3 homicídio por 100 mil habitantes, o menor índice das Américas, abaixo até mesmo de nações como EUA (4,0), Argentina (3,6) e Canadá (2,0). Em 2015, quatro anos antes do início do governo Bukele, o país tinha 103 homicídios por 100 mil habitantes, o maior índice do mundo naquele ano e pior indicador já registrado no país. Sob o regime de exceção, El Salvador reduziu os níveis de violência, mas também virou o país com o maior índice de encarceramento do mundo. Hoje há ali 1.659 presos a cada 100 mil habitantes, ou 1,6% da população do país. No Brasil, que ocupa o 15º posto no ranking de países com maior população carcerária do mundo, o índice é de 0,46%. Organizações de direitos humanos afirmam, porém, que o grande número de presos reflete o uso de critérios questionáveis pelas forças de segurança de El Salvador. Segundo as entidades, muitas detenções são feitas com base em denúncias anônimas, aparência física ou provas frágeis. Já o governo salvadorenho afirma que as detenções são amparadas na legislação e que cerca de 9 mil pessoas presas durante o regime de exceção foram libertadas após as investigações apontarem que elas não tinham vínculos com organizações criminosas. O grupo representa cerca de 10% do total de presos no regime. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Capital San Salvador vive explosão de lançamentos imobiliários nos últimos anos 'Soube da morte do meu filho preso por um post no Facebook' Os irmãos José Alfredo e Vidal Adalberto Vega González foram presos em 17 de maio de 2022. Moravam no Baixo Lempa, uma zona rural cerca de 100 km ao sul de San Salvador. Para chegar à região, a equipe da BBC News Brasil viajou por estradas de terra que margeiam manguezais e atravessam comunidades humildes. A mãe, Marta Elena González, diz que os filhos trabalhavam com a pesca de camarões e nunca se envolveram com criminosos. Segundo ela, porém, ambos foram detidos com base em denúncias anônimas e acusados de vínculos com facções. Marta passou três anos sem receber notícias dos filhos. Sabia apenas o nome do presídio onde estavam e, mensalmente, ia até o local para entregar paquetes — pacotes com alimentos e itens de higiene básicos destinados aos detentos. Até que, em abril de 2025, enquanto navegava no Facebook, ela viu uma foto do filho mais novo, José Alfredo, num post lamentando sua morte. A publicação havia sido feita por uma funerária. "Foi assim que soubemos da morte dele, ninguém na prisão nos avisou", afirma. Ao entrar em contato com a funerária, Marta diz ter ouvido que, antes de morrer, o filho passou nove dias internado em um hospital por causa de uma infecção bacteriana. "E nem me avisaram para que pudesse vê-lo pela última vez", diz a mãe à BBC, com voz embargada. "Quando o levaram, nem doente ele estava", afirma. "Ficamos com muitas perguntas sem respostas." José Alfredo tinha uma filha de 7 anos, hoje criada pela ex-mulher. Ele é uma das 537 pessoas presas durante o regime de exceção que morreram sob a custódia do Estado antes de serem julgadas, segundo a Socorro Jurídico Humanitário, uma ONG de El Salvador. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Mães que tiveram filhos presos no regime de exceção se manifestam em San Salvador Organizações de direitos humanos afirmam que o sistema judicial do país está abarrotado e não é capaz de lidar com a quantidade de presos aguardando julgamento. Elas afirmam que detidos podem passar anos na prisão sem uma acusação formal ou sem saber do que são acusados. Familiares de presos ouvidos pela BBC News Brasil relataram até casos de detentos que, mesmo após terem a libertação determinada pela Justiça, aguardam há meses pelo cumprimento da ordem. A BBC News Brasil questionou o governo de El Salvador sobre esses casos, mas não obteve resposta. Repetidos pedidos de entrevistas com ministros do governo e deputados aliados de Bukele para tratar da política de segurança no país também foram recusados. Em 2026, para desafogar o sistema judicial, El Salvador iniciou julgamentos coletivos de milhares de acusados de integrar facções. Mas críticos dizem que os megajulgamentos impedem a análise individual dos casos e prejudicam o direito dos réus à defesa. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Militares controlam acesso à Campanera, comunidade que antes era o principal reduto da facção Barrio 18 'Uma ditadura de outro tipo' Coordenador do Movimento de Vítimas do Regime (Movir), grupo que agrega familiares de pessoas presas no regime de exceção, o engenheiro Samuel Ramírez diz que El Salvador é hoje uma ditadura. "Ele [Bukele] administra o país como sua própria empresa e não permite que ninguém o contrarie", afirma Ramírez, que, durante a guerra civil salvadorenha (1979-1992), foi um guerrilheiro da Frente Farabundo Marti de Libertação Nacional (FMLN). O grupo, de ideologia marxista e apoiado pela União Soviética, lutou contra tropas governistas financiadas pelos Estados Unidos. Após o fim do conflito, a FMLN virou um partido político. Foi nele que Bukele iniciou sua trajetória política ao se eleger prefeito do município de Nuevo Cuscatlán, em 2012, e, depois, da capital San Salvador, em 2015. Hoje, o presidente pertence ao Novas Ideias, um partido que ele próprio criou após ser expulso da FMLN por divergências internas e que rejeita os rótulos de esquerda e direita, embora seja descrito por analistas como conservador. Ramírez ressalta, no entanto, que não considera a administração Bukele uma ditadura clássica, pois diz que o governo tenta se apresentar como uma democracia. "[Bukele] não é como Hitler ou Pinochet. Ele nunca mandou atirar contra nós numa manifestação, nunca mandou nos assassinar, porque sabe que hoje todos carregamos um celular", afirma Ramírez. Ele falou à BBC News Brasil durante uma manifestação numa manhã ensolarada de maio, quando algumas dezenas de mulheres caminharam até a sede da Procuradoria-Geral da República, em San Salvador, para entregar uma carta pedindo a soltura de seus filhos. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Em 2015, El Salvador registrou maior índice de homicídios do mundo Para o cientista político e especialista em segurança pública canadense Robert Muggah, os resultados das políticas de segurança de Bukele são inquestionáveis, mas ocorreram "às custas do sistema democrático". "Minha preocupação é que, no longo prazo, isso tenha implicações sérias para a independência dos tribunais, para os direitos civis e as garantias dos cidadãos", afirma. Críticos acusam Bukele de perseguir opositores, incluindo jornalistas e defensores de direitos humanos. Muitos deixaram o país nos últimos anos, citando temores com sua segurança. O jornal El Faro, um dos veículos salvadorenhos mais críticos a Bukele, transferiu sua sede para a Costa Rica em abril de 2023. Representantes do jornal afirmaram que a mudança foi motivada, entre outros fatores, pelo temor de que jornalistas fossem acusados de colaborar com as facções diante de interpretações abrangentes da legislação adotada para combater os grupos. Em diversas ocasiões, o jornal entrevistou membros de facções sobre supostos laços e negociações desses grupos com autoridades do governo. Bukele nega perseguir jornalistas e entidades de direitos humanos. Em diversas ocasiões, ele disse que os grupos parecem mais preocupados em proteger os direitos de criminosos do que os de cidadãos afetados pelo crime. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Artista Melvin Gómez questiona manutenção do regime de exceção em El Salvador Muggah questiona ainda a possibilidade de replicar a política de segurança de Bukele em países maiores, como o Brasil. Segundo ele, as facções salvadorenhas "eram altamente territoriais e tinham marcas muito claras, como tatuagens, o que tornava relativamente simples saber quem era quem". Além disso, El Salvador não é um mercado de drogas relevante nem uma rota indispensável para o tráfico internacional, o que limita o poderio e a capacidade de expansão dessas organizações, diz o cientista político. Já o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as principais facções brasileiras, "operam mais como empresas multinacionais do que como gangues de rua", o que torna muito mais complexo combatê-las, segundo Muggah. Ele afirma que o caso do Equador — em que, desde 2024, o governo também tem usado o regime de exceção para combater o crime organizado — mostra a dificuldade de replicar o modelo Bukele em países maiores. Após a adoção dessa estratégia, o país registrou um número recorde de homicídios no ano passado. "O que ocorreu lá foi que a violência acabou sendo deslocada para outras áreas", afirma Muggah. Crédito, Felix Lima/BBC Legenda da foto, Em 2025, El Salvador registrou o menor índice de homicídios das Américas 'O medo agora é outro' Com a queda dos índices de violência em El Salvador, alguns questionam por que o governo mantém o regime de exceção — uma medida que precisa ser renovada a cada 30 dias. Para o artista plástico Melvin Gómez, que dá aulas de pintura para jovens em uma comunidade pobre nos arredores de San Salvador, "o medo agora é outro: que as pessoas não possam alçar sua voz, seu direito de se manifestar, porque há um regime". Já na Campanera, a professora Adélia Rosales diz esperar que Bukele permaneça no poder por vários anos. "Sinto que ele ainda não terminou de fazer o projeto que precisa para nos deixar com a segurança já estabelecida", afirma. Quando questionada se não teme que El Salvador repita uma história comum na região, na qual presidentes populares se transformam em líderes autoritários que se recusam a deixar o poder, ela pondera: "Pode acontecer. Nada está escrito em pedra, a política é um processo dinâmico". Ainda assim, diz que as mudanças na segurança promovidas por Bukele a fazem se sentir esperançosa quanto a novos avanços.