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Empresas que ignoram a gestão de crises podem levar mais de um ano para recuperar valor de mercado
Vazamento de dados 17/08/2026

Empresas que ignoram a gestão de crises podem levar mais de um ano para recuperar valor de mercado

O impacto financeiro das crises Os prejuízos de uma crise vão muito além do desgaste da imagem. O O levantamento concluiu que as ações das empresas caem, em média, 35,2% após uma crise e levam cerca de 427 dias para recuperar o valor anterior ao incidente. Além da perda de valor de mercado, o estudo identificou uma redução média de 68,6% no lucro por ação (EPS), com destruição de bilhões de dólares em valor para os acionistas. Em 121 dos 314 casos analisados, as ações jamais retornaram ao patamar anterior à crise e, em 33 empresas, os desdobramentos culminaram em falência, aquisição ou fechamento de capital. Os prejuízos de uma crise vão muito além do desgaste da imagem. O Crisis Index 300 , desenvolvido pela consultoria australiana SenateSHJ, analisou 314 empresas afetadas por crises corporativas em 27 bolsas de valores, abrangendo 32 setores econômicos ao longo de quatro décadas.O levantamento concluiu que as ações das empresas caem, em média, 35,2% após uma crise e levam cerca de 427 dias para recuperar o valor anterior ao incidente.Além da perda de valor de mercado, o estudo identificou uma redução média de 68,6% no lucro por ação (EPS), com destruição de bilhões de dólares em valor para os acionistas. Em 121 dos 314 casos analisados, as ações jamais retornaram ao patamar anterior à crise e, em 33 empresas, os desdobramentos culminaram em falência, aquisição ou fechamento de capital. As primeiras horas definem o tamanho dos danos Os dados demonstram que a capacidade de responder rapidamente a uma crise não depende apenas da existência de protocolos, mas também da preparação das equipes responsáveis pelas decisões e pela comunicação. Em um cenário em que crises podem comprometer resultados financeiros e reputacionais por longos períodos, investir na qualificação das equipes deixa de ser apenas uma medida preventiva e passa a integrar a estratégia de continuidade dos negócios. A capacidade de antecipar riscos, organizar respostas e comunicar decisões de forma transparente tem se tornado um diferencial para organizações que buscam preservar a confiança de clientes, colaboradores, investidores e demais públicos estratégicos. A preparação prévia também contribui para reduzir decisões tomadas sob pressão, definir responsabilidades entre as equipes e estabelecer fluxos de comunicação mais claros durante situações críticas. Quanto maior o nível de planejamento, maiores as chances de minimizar impactos e acelerar a recuperação da organização após um episódio de crise. Para isso, a Escola de Pessoas da Sólides disponibiliza gratuitamente o curso Voltado a profissionais que desejam desenvolver competências para atuar de forma ética, transparente e estratégica diante de situações de crise, o curso oferece certificado de conclusão e pode ser acessado gratuitamente pela plataforma da Escola de Pessoas. Os dados demonstram que a capacidade de responder rapidamente a uma crise não depende apenas da existência de protocolos, mas também da preparação das equipes responsáveis pelas decisões e pela comunicação.Em um cenário em que crises podem comprometer resultados financeiros e reputacionais por longos períodos, investir na qualificação das equipes deixa de ser apenas uma medida preventiva e passa a integrar a estratégia de continuidade dos negócios.A capacidade de antecipar riscos, organizar respostas e comunicar decisões de forma transparente tem se tornado um diferencial para organizações que buscam preservar a confiança de clientes, colaboradores, investidores e demais públicos estratégicos.A preparação prévia também contribui para reduzir decisões tomadas sob pressão, definir responsabilidades entre as equipes e estabelecer fluxos de comunicação mais claros durante situações críticas. Quanto maior o nível de planejamento, maiores as chances de minimizar impactos e acelerar a recuperação da organização após um episódio de crise.Para isso, a Escola de Pessoas da Sólides disponibiliza gratuitamente o curso Gestão de Crise – Fundamentos, Resolução e Reputação Digital , ministrado por Carla Ramalho, CEO da consultoria Notracorp. Com duração de 1h20, a capacitação aborda desde a prevenção até a condução da comunicação em cenários críticos.Voltado a profissionais que desejam desenvolver competências para atuar de forma ética, transparente e estratégica diante de situações de crise, o curso oferece certificado de conclusão e pode ser acessado gratuitamente pela plataforma da Escola de Pessoas. Crises de reputação podem surgir a partir de diferentes situações: vazamento de dados, falhas em produtos, problemas ambientais, denúncias de conduta inadequada ou manifestações públicas de lideranças. Em comum, esses episódios exigem respostas rápidas, coordenadas e transparentes para reduzir danos à imagem e ao negócio.Apesar dos riscos, a maioria das empresas brasileiras ainda não está preparada para responder de forma estruturada a situações críticas. É o que revela a pesquisa Maturidade e resiliência empresarial na gestão estratégica de riscos , da consultoria Deloitte.Embora mais de 90% das organizações afirmam monitorar indicadores de risco, muitas ainda enfrentam dificuldades para transformar esse acompanhamento em planos efetivos de resposta a crises.O levantamento revela que apenas 36% das organizações possuem processos estruturados de capacitação para crises corporativas. Além disso, 58% não realizam simulações ou testes de crise, enquanto 76% permanecem em estágios reativos ou iniciais de antecipação de riscos.Os dados evidenciam uma contradição: as empresas reconhecem a importância da gestão de riscos, mas ainda investem pouco na preparação para enfrentar situações reais.

Mercado asiático fechou em alta. Dados do PIB japonês e produção industrial da China no radar
China 17/08/2026

Mercado asiático fechou em alta. Dados do PIB japonês e produção industrial da China no radar

Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em alta nesta segunda-feira (17/08), com exceção da bolsa de valores australiana. O dia foi marcado pela divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, que superou as expectativas, e por dados mistos da economia chinesa, que vieram abaixo do projetado pelo mercado. O índice Hang Seng (HKSE:HSI), de Hong Kong, registrou a maior valorização entre os principais índices da região. China Na China continental, o Xangai Composto (SHANGHAI:SSEC) avançou 1,41%, enquanto o Shenzhen Composto (SHENZHEN:SZSC) subiu 2,20%, refletindo um desempenho robusto das bolsas de valores locais. No entanto, os dados econômicos divulgados após o fechamento dos negócios trouxeram um tom de cautela. A produção industrial chinesa cresceu 5,1% em julho, ficando abaixo da projeção de mercado, que era de 5,5%, e também perdendo fôlego em relação ao resultado anterior, de 5,3%. As vendas no varejo, por sua vez, avançaram 2,6%, também aquém da expectativa de 3,0% e do dado anterior de 2,8%. O setor imobiliário continuou a apresentar sinais de fraqueza, um movimento que historicamente pressiona a moeda local, o yuan, e gera volatilidade nos ativos de risco chineses, uma vez que o mercado aguarda medidas de estímulo do banco central para sustentar a recuperação econômica. Japão A bolsa de valores de Tóquio registrou ganhos, com o índice Nikkei 225 (JPX:NI225) subindo 0,74%, encerrando aos 69.220,25 pontos. O principal destaque do dia foi o dado do Produto Interno Bruto (PIB) do Japão, que cresceu a uma taxa anualizada de 1,1% no segundo trimestre. O resultado veio um pouco acima da projeção de mercado, que apontava para um avanço de 0,9%, e bem superior ao dado anterior, que havia registrado uma contração de 0,2%. Este dado tende a gerar um fortalecimento do iene contra o dólar, além de reduzir as expectativas da política monetária, o que pode impactar os índices de ações sensíveis à taxa de câmbio. Hong Kong Em Hong Kong, o índice Hang Seng (HKSE:HSI) teve o melhor desempenho do dia entre os grandes mercados da Ásia, com uma expressiva alta de 1,34%, fechando aos 25.453,23 pontos. O movimento de alta foi impulsionado pelo apetite por risco global e pelo desempenho positivo das bolsas de valores da China continental, uma vez que o mercado de Hong Kong costuma replicar os movimentos de suas contrapartes chinesas. Austrália Em contraste com a maioria dos mercados da região, a bolsa australiana fechou em baixa. O S&P/ASX 200 (ASX:XJO) recuou 0,46%, encerrando aos 9.073,20 pontos. A ausência de grandes indicadores econômicos domésticos no dia deixou o mercado local mais suscetível ao humor externo e à performance das commodities. A queda do índice reflete a cautela dos investidores com os desdobramentos geopolíticos e a desaceleração da economia chinesa, que é um dos principais parceiros comerciais da Austrália. Coreia do Sul A bolsa de valores da Coreia do Sul, representada pelo índice Kospi (KRX:KOSPI), não operou hoje devido à celebração de um feriado nacional, mantendo os investidores locais de fora do movimento positivo visto nos demais mercados da Ásia. Os investidores da região Ásia-Pacífico agora direcionam suas atenções para os próximos eventos nos Estados Unidos, que devem pautar o humor dos mercados globais. 👉Acompanhe as principais cotações do mercado em tempo real e fique por dentro de todas as movimentações dos ativos no Monitor ADVFN: https://br.advfn.com/monitor QUER SABER COMO GANHAR MAIS? A ADVFN oferece algumas ferramentas bem bacanas que vão te ajudar a ser um trader de sucesso Monitor - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. - Lista personalizável de cotações de bolsas de valores de vários paíeses. Portfólio - Acompanhe seus investimentos, simule negociações e teste estratégias. News Scanner - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. - Alertas de notícias com palavras-chave do seu interesse. Agenda Econômica - Eventos que impactam o mercado, em um só lugar. Cadastre-se

Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro das extinções no planeta
BBC Brasil 15/08/2026

Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro das extinções no planeta

Como a Austrália, conhecida por sua fauna exuberante, tornou-se o epicentro das extinções no planeta Crédito, Christopher van Wyk Legenda da foto, A Austrália tem algumas das espécies mais raras do mundo, como a tartaruga-do-rio-Mary, vista na fotografia, mas está perdendo esses animais em ritmo alarmante Author, Tiffanie Turnbull Reporting from, Dryandra, Western Australia Published Há 7 minutos Tempo de leitura: 12 min "Olhos bem abertos." Esta á a ordem que vem do banco da frente do carro. Obedecemos e examinamos troncos e galhos, procurando entre a vegetação rasteira e as flores silvestres de cores vívidas algum sinal das listras do animal ou de um movimento rápido. Estamos à procura do mirmecóbio, também conhecido como numbat, um raro marsupial australiano que parece uma mistura de esquilo com tamanduá. Os numbats já foram numerosos em toda a parte sul do continente, mas a floresta de Dryandra, no sudoeste da Austrália, é um dos poucos lugares onde eles ainda vivem. Enquanto avançamos lentamente pelas trilhas em meio à mata, os pesquisadores explicam como essa expedição anual ajuda a acompanhar a sobrevivência da espécie. Classificados como animais ameaçados de extinção até este mês, os numbats vêm se recuperando. O trabalho da equipe que acompanhamos contribuiu para que fossem retirados da lista vermelha internacional de espécies ameaçadas, um raro sinal de esperança em um país que enfrenta uma crise de extinção. Esta região da Austrália está no centro dessa crise: é um dos últimos refúgios de muitos animais levados à beira da extinção por espécies invasoras, doenças, expansão urbana, destruição de habitats e mudanças climáticas. Em determinado momento, uma cacatua-negra-de-Carnaby, ameaçada de extinção, sobrevoa nosso carro. Em uma ilha próxima à costa está uma das últimas populações do marsupial mais raro do mundo, o potoroo de Gilbert. Nas águas azul-safira ao redor da ilha mergulha o leão-marinho-australiano, cada vez mais raro. Crédito, Sharon Jones/BBC Legenda da foto, A floresta de Dryandra é um dos poucos lugares onde ainda é possível encontrar numbats vivendo na natureza A Austrália há muito é celebrada como um santuário da natureza, lar de algumas das espécies de plantas e animais mais singulares do mundo. Mais de 80% delas não existem em nenhum outro lugar. Mas o país pode ter se tornado a capital mundial da extinção, com a perda de cerca de quatro espécies por década, e a situação só piora. Voluntários dedicados e conservacionistas com poucos recursos têm conseguido conter parte das ameaças crescentes. Ainda assim, especialistas temem que, sem medidas urgentes e coragem política, a biodiversidade que a Austrália diz valorizar caminhe para uma devastação. "Nem é preciso imaginar. Isso está acontecendo diante dos nossos olhos", diz o professor Euan Ritchie à BBC News. As ameaças que levam à extinção Se já é difícil avistar um animal raro na natureza, o numbat complica ainda mais a tarefa: do tamanho de um esquilo, ele é especialista em camuflagem, explica o biólogo Tony Friend, uma referência na conservação no estado da Austrália Ocidental. "Hoje eles resolveram dormir até mais tarde", brinca Rob McLean, presidente da Numbat Taskforce, grupo de voluntários que torna possível boa parte do trabalho de Friend, feito com recursos limitados. Durante duas semanas a cada primavera, quando os filhotes começam a sair das tocas, a equipe percorre diariamente o mesmo trajeto e registra cada numbat avistado. Anota as coordenadas de GPS, mede a distância até a estrada e usa uma equação complexa para estimar a densidade dos animais nessa floresta e, a partir daí, avaliar a situação da população como um todo. Crédito, Sharon Jones/BBC Legenda da foto, O biólogo Tony Friend começou a trabalhar em Dryandra na década de 1980 Uma pessoa permanece em silêncio, concentrada, junto a cada janela. Outra vai na parte de trás da caminhonete, abaixando-se de vez em quando para desviar dos galhos das árvores ao redor. Entre os troncos, às vezes vemos as áreas agrícolas desmatadas que cercam esse trecho de floresta protegida. À margem de uma das trilhas, uma máquina detecta gatos ferais e raposas e os borrifa com veneno, mais um sinal dos riscos enfrentados pelos numbats. "Este ano tem sido de fartura", admite McLean. Durante horas, seguimos pelas trilhas e vemos papagaios, wallabies australianos (da mesma família dos cangurus), um lagarto-monitor e dois equidnas (mamíferos espinhoso australianos), mas nenhum numbat. Friend chegou a Dryandra na década de 1980 e encontrou uma população de menos de 50 numbats. Muitos dos fatores responsáveis por esse declínio eram os mesmos que continuam levando espécies à extinção em todo o país hoje. Crédito, Department of Biodiversity, Conservation and Attractions (DBCA) Legenda da foto, Estima-se que gatos ferais matem cerca de 3 bilhões de animais por ano na Austrália Grandes áreas de habitat essencial estão sendo desmatadas para dar lugar a empreendimentos ou atividades como agricultura, mineração e exploração de madeira. Espécies introduzidas também deixam um rastro de destruição: formigas-de-fogo, sapos-cururu, coelhos, raposas e gatos ferais. Plantas invasoras, como a lantana, sufocam a vegetação nativa australiana. A clamídia levou coalas à beira da extinção em grande parte do país, enquanto o fungo quitrídio, que ataca a pele, já causou a extinção de sete espécies de sapos. As mudanças climáticas estão criando condições inabitáveis para algumas espécies, como as raposas-voadoras nativas, que caem das árvores aos milhares por causa das temperaturas extremas. Para outras espécies, elas eliminam suas fontes de alimento ou destroem seus habitats. As mudanças climáticas também intensificam desastres naturais que, com uma frequência cada vez mais alarmante, queimam e inundam plantas e animais. Os devastadores incêndios florestais do chamado "Verão Negro", em 2019 e 2020, mataram três bilhões de animais. Nos anos seguintes, enchentes recordes atingiram áreas tão extensas que é impossível estimar o impacto sobre a vida selvagem. Crédito, Sharon Jones/BBC Legenda da foto, A cacatua-negra-de-Carnaby é outra espécie que luta para sobreviver no sudoeste da Austrália Muitas espécies que antes eram abundantes em todo o continente hoje estão restritas a áreas cada vez menores e isoladas umas das outras. Cada novo impacto se soma aos anteriores e as deixa ainda mais vulneráveis ao próximo. Há iniciativas pequenas, mas determinadas, para tentar frear esse declínio. No zoológico de Perth, enquanto um jovem numbat devora o café da manhã — um creme com "granulado de cupim" —, uma funcionária explica como a futura soltura desse macho em Dryandra ajudará a aumentar a diversidade genética. "Quando você recebe a notícia de que os filhotes dos seus filhotes nasceram, é muito gratificante", diz Vicki Power. Programas de reprodução como esse também permitiram criar novas populações de várias espécies ameaçadas. Mas muitas não conseguem sobreviver em ambientes totalmente abertos, onde o controle de predadores em larga escala continua sendo uma batalha constante. Por isso, acabam sendo levadas para reservas cercadas, que também exigem manejo intensivo e enfrentam problemas como endogamia, cruzamento entre indivíduos aparentados, e superpopulação. Projetos de proteção e recuperação de habitats vêm aumentando, mas ainda não acompanham o ritmo da destruição, especialmente nas áreas mais importantes. Os cientistas também tentam combater doenças, embora esse seja um trabalho caro e demorado que, para a maioria das espécies, apenas adia o problema. Outros pesquisadores preservam material genético para o caso de, algum dia, descobrirmos como trazer espécies extintas de volta à vida. Cem espécies perdidas — e a conta só aumenta Cientistas concordam que estamos vivendo a sexta extinção em massa do planeta, a primeira causada pelos seres humanos. Mas a Austrália está na linha de frente desse processo. O país lidera o mundo em extinções de mamíferos e também está entre os que mais perderam espécies de outros grupos. "Apesar de a Austrália ser um dos países mais ricos do mundo em renda per capita e ter muitos cientistas de excelência, nosso histórico de conservação de espécies é realmente péssimo", afirma Ritchie. "E as coisas não estão melhorando." A lista oficial de espécies extintas do governo australiano tem 67 registros, mas pesquisadores estimam que pelo menos cem espécies de plantas e animais já tenham desaparecido para sempre. Eles suspeitam que o número real seja muito maior. O país ainda descobre espécies que já foram extintas. Embora o ritmo de extinções na Austrália tenha se mantido estável, em cerca de quatro por década, o número de espécies ameaçadas continua aumentando rapidamente, e a situação de muitas delas piora cada vez mais depressa. Especialistas alertam que essa trajetória pode ter efeitos graves na cadeia. A biodiversidade da Austrália "sustenta tudo", afirma o ecólogo Jack Pascoe. Isso inclui a produção de alimentos, o turismo e a construção civil, que representam boa parte da economia do país. Possíveis avanços científicos também podem ser prejudicados, em áreas como medicina, agricultura e até adaptação às mudanças climáticas. Para os povos originários da Austrália, esse declínio também ameaça a cultura. "Nós nos vemos como guardiões de toda a vida na Terra, então há um sentimento de perda muito mais pessoal e coletivo quando essas espécies estão em dificuldade ou desaparecem para sempre", afirma Pascoe, membro do povo aborígene yuin. Décadas de fracassos Embora a proteção ambiental seja responsabilidade dos estados, o governo federal supervisiona questões de importância nacional. O Partido Trabalhista da Austrália chegou ao poder em 2022 com a promessa de que nenhuma nova espécie seria extinta durante seu governo e buscou fazer da proteção da natureza uma das marcas de seu segundo mandato. "É reconhecido que a natureza enfrenta muitos desafios no mundo hoje, tanto na Austrália quanto no exterior. Estamos perdendo biodiversidade em um ritmo alarmante", afirmou o ministro do Meio Ambiente, Murray Watt, em nota à BBC. Seu partido ampliou significativamente os esforços para reduzir as emissões de carbono e impulsionou projetos de energia renovável. Também recebeu elogios por medidas que ajudaram a afastar alguns mamíferos criticamente ameaçados de extinção. Além disso, a aprovação de uma reforma das leis ambientais no ano passado foi apresentada como a mudança mais importante em uma geração. O país também estabeleceu a meta ambiciosa de interromper e reverter a perda de biodiversidade até 2030. Mas há pouco otimismo de que isso represente uma verdadeira virada. As novas leis são apenas a estrutura inicial da mudança. O conteúdo ainda está sendo definido, por meio dos Padrões Nacionais Ambientais e da criação de um órgão federal de fiscalização para aplicá-los. Muitos no setor dizem que o problema não é tanto a falta de instrumentos regulatórios, mas a falta de vontade política para usá-los. Ao longo dos últimos 30 anos, sucessivos governos não conseguiram proteger adequadamente o meio ambiente, afirmou Watt, o ministro do Meio Ambiente que há mais tempo ocupa o cargo na Austrália. Isso inclui o próprio governo do qual ele fez parte. "Nós também deveríamos ter feito mais", afirma Robert Hill, que liderou a última grande reforma, em 1999, durante a coalizão conservadora do então primeiro-ministro John Howard. Crédito, Perth Zoo Legenda da foto, Vicki Power e Tony Friend passaram décadas tentando salvar o numbat Muitos dos desafios daquela época ainda assombram os líderes de hoje. A riqueza do país foi construída, em grande parte, com base em seus recursos naturais — muitas vezes às custas do meio ambiente. Essas riquezas continuam sustentando a economia e ajudando a financiar gastos públicos em áreas essenciais, como saúde e moradia. Há também a pressão adicional exercida pelos setores econômicos e os interesses concorrentes dos estados. A participação deles nas regras de controle ambiental torna menos clara a divisão de responsabilidades e aumenta os entraves burocráticos. Essas disputas desgastam até os defensores mais firmes do meio ambiente dentro dos governos. No ano passado, por exemplo, o governo do primeiro-ministro Anthony Albanese aprovou às pressas leis para proteger a criação de salmão, após pressão de autoridades da Tasmânia, abafando a oposição interna e ignorando recomendações de seu próprio departamento sobre o impacto dessa indústria, avaliada em A$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões), na sobrevivência da raia-de-maugean, uma espécie ameaçada. "Quando há uma alternativa econômica, é o meio ambiente que acaba cedendo", afirma Hill. "Mesmo que [o governo federal] queira agir, ainda precisa ter força política para transformar suas ambições em realidade." Crédito, Getty Images Legenda da foto, O governo de Albanese aprovou uma lei para proteger a criação de salmão após pressão de autoridades da Tasmânia Também há quem considere que apenas aumentar a regulamentação terá pouco efeito. Segundo profissionais do setor, hoje grande parte do trabalho de conservação depende de doações de filantropos e do empenho de voluntários, enquanto muitas outras iniciativas seguem paradas por falta de recursos. O governo federal gasta diretamente cerca de A$ 700 milhões (aproximadamente R$ 2,5 bilhões) por ano com proteção da natureza, uma fração dos A$ 33 bilhões (cerca de R$ 119 bilhões) — ou 1% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas) — que os conservacionistas afirmam ser necessários. Paul Elton reconhece que o valor é alto, mas defende que é razoável. Segundo sua pesquisa — contestada pelo governo —, mais de A$ 26 bilhões (cerca de R$ 94 bilhões) ainda são gastos em subsídios a atividades como mineração, agricultura intensiva e combustíveis, apesar de a Austrália ter assinado compromissos internacionais para reduzi-los. "Para cada dólar que o governo gasta em ações positivas de conservação da biodiversidade, A$ 26 são destinados a subsídios que prejudicam a natureza", disse ele à BBC News. "É um desequilíbrio bastante evidente." Watt, ministro do Meio Ambiente, não respondeu diretamente às perguntas sobre as reivindicações dos conservacionistas, mas afirmou: "Continuamos comprometidos com a recuperação ambiental de longo prazo, em parceria com governos estaduais e locais, comunidades e grupos ambientalistas." Embora a opinião pública esteja mudando, há ceticismo de que o governo vá priorizar o meio ambiente diante de outras demandas e de crises que se acumulam, a menos que os eleitores o pressionem a fazer isso. "A população diz que deveríamos gastar bastante dinheiro com o meio ambiente. Mas, quando você pergunta: 'Bem, do que vocês estão dispostos a abrir mão para garantir esses recursos?', o interesse desaparece", afirma Hill. Diante de tantos desafios e do que consideram poucos avanços, defensores da conservação admitem que é difícil manter a esperança. "Sabemos quais são os problemas e como enfrentá-los. Sabemos que, quando investimos no meio ambiente, o retorno é muitas vezes maior", afirma Ritchie, ecólogo especializado em mamíferos. "É como ser médico, ver tantas pessoas doentes na comunidade, saber como tratá-las e, ainda assim, ninguém deixar você fazer isso." Crédito, Sharon Jones/BBC Legenda da foto, "Jacko", um numbat, observa a área da traseira do veículo Numbat é a esperança Pequenas vitórias, como a recuperação do numbat, ajudam a manter vivo o trabalho de conservação. Hoje, há cerca de 3 mil numbats em todo o país, e a população deles em Dryandra aumentou dez vezes. Recentemente, o animal saiu da lista internacional de espécies ameaçadas e passou a ser classificado como quase ameaçado. De volta ao carro, foram necessárias cinco horas, mas, enfim, gritos de entusiasmo vieram ao mesmo tempo do motorista e da parte de trás da caminhonete. Um numbat estava imóvel e atento na ponta de um tronco oco. "Não é uma competição", diz McLean, da Numbat Taskforce. Rindo, aponta para o outro observador: "Mas vi primeiro, por um segundo." Depois disso, os avistamentos se multiplicaram. Em pouco tempo, vimos oito numbats, incluindo dois pares de filhotes, que nos observavam sob a luz fraca do entardecer. Mais tarde, Friend me contou que a contagem completa deste ano foi uma das melhores até agora. "Mas eu sempre lembro as pessoas de que eles ainda não estão a salvo", afirma Friend. A recuperação do numbat traz alívio, mas também preocupação: a melhora pode dificultar a obtenção do financiamento e do apoio necessários para garantir que a espécie continue se recuperando. O woylie, também conhecido como bettong-de-cauda-de-escova, serve de alerta. A espécie apresentou uma pequena recuperação e saiu da lista de ameaçadas, mas voltou a ser incluída dez anos depois, em situação ainda pior.